Idéias
de Novos Negócios - Sorveteria
Apresentação do Negócio
O sorvete teve sua origem na China há cerca
de 3.000 anos, mas foi em 1292 que ele começou a tomar a
forma que conhecemos hoje,
quando o famoso viajante italiano Marcopolo voltou ao seu País
de uma viagem à China e o introduziu como uma alternativa
de
sobremesa, completando as refeições salgadas. Por
apresentar em sua constituição ingredientes altamente
saldáveis como leite, sucos e
polpas de frutas acabou sendo incorporado à alimentação
humana como uma importante alternativa nutricional. O sorvete de
massa, por
exemplo, contém nutrientes importantes como proteínas,
vitaminas A, D, E, K e do complexo B, além de cálcio,
importantes para o
crescimento e desenvolvimento infantil e a manutenção
da saúde óssea de pessoas adultas e idosas.
Seu efeito refrescante proporciona ótimo
paladar e vem sendo aceito não só no verão,
mas em todas as épocas do ano.
De fácil elaboração e combinação
de sabores, vem se tornando uma alternativa de negócios em
franco crescimento. As sorveterias
caracterizam-se por pontos comerciais de venda do produto, e que
podem ter anexas às suas instalações as unidades
de produção. Outra alternativa de negócio pode
ser apenas a comercialização dos produtos fornecidos
por terceiros.
Mercado
Num país de dimensões continentais como é
o Brasil, e com diferenças acentuadas de clima passando pelo
calor constante do
nordeste e o inverno rigoroso do sul, o empresário deve estudar
com cuidado onde e de que forma explorar esta atividade comercial.
Por ser um produto refrescante, sua aceitação é
maior nas regiões ou épocas de calor. Portanto uma
sorveteria instalada no nordeste vai ter clientela constante o ano
todo, já no sul o período de alta demanda concentra-se
em quatro a cinco meses por ano. Este fator por si não inviabiliza
o consumo de sorvetes fora das épocas de calor, pois quem
gosta de sorvete consome o ano inteiro. Mas exige dos
empreendedores que estão sujeitos às condições
de sazonalidade (clima quente e frio) um esforço maior em
criatividade para atrair os clientes.
Com o objetivo de "estruturar as forças produtivas
do setor de sorvete e dobrar o consumo per capita no Brasil",
a Abis (Associação
Brasileira das Indústrias de Sorvete) está encabeçando
uma forte campanha de promoção do produto. Um dos
principais argumentos
afirma que sorvete é um alimento e não um produto
sazonal consumido apenas no verão.
Por se considerar um alimento nutritivo e saudável, o sorvete
pode ser consumido por todas as pessoas, independente da idade,
sexo,
condição social, etc., fato que caracteriza a dimensão
do mercado como sendo toda a população. Esta abordagem
já permitiu ao setor
apresentar índices de desempenho em 2006 da ordem de 505
milhões de litros produzidos.
O faturamento em 2006 atingiu US$ 886 milhões contra US$
805 milhões registrados em 2005.
Enquanto o consumo per capita em países nórdicos
como Finlândia, Dinamarca e Noruega situa-se em 20 litros/ano,
o consumo brasileiro não passa de 3,5 litros/ano. Nossos
vizinhos, Argentina e Chile registram números mais densos,
respectivamente 5 litros e 6,5 litros per capita/ano.
O sorvete de massa ainda é um dos grandes destaques mundiais,
atingindo produção de 15,8 bilhões de litros
e tem como principais
mercados a América do Norte (31%), a Ásia (30%) e
o Leste Europeu (20%).
Uma estratégia para engordar os números no Brasil
foi justamente a criação do Selo Abis de qualidade
que certificará empresas do setor respeitadoras dos requisitos
de segurança de alimentos, padrões de identidade e
qualidade do produto.
O empreendedor deve, em função do local em que pretende
instalar sua empresa, analisar quais as características da
população que está ao entorno, descobrindo
classes sociais, poder aquisitivo, freqüência e volume
do trânsito das pessoas, concorrência, fornecedores
em caso da sorveteria não produzir os sorvetes, entre outras.
Localização
O local a ser escolhido deve considerar o fluxo de pessoas e sua
proximidade a ambientes como rodoviárias, aeroportos, shoppings,
centros comerciais, escolas e restaurantes é o mais recomendado.
O ambiente em que serão expostos e comercializados os produtos
deve ser limpo, bem organizado e dispor de equipamentos de qualidade
e atrativos aos clientes.
Por se tratar de um negócio que envolve produção
e comercialização, caso o empresário opte por
concentrar o negócio em um único local, deve procurar
um imóvel apropriado para alugar, onde além da área
disponível para a instalação das máquinas,
tenha ainda condições de ajustes para atender as normas
da vigilância sanitária, estabelecendo
espaços apropriados para guardar as matérias-primas
e as embalagens, bem como disponha de escritório, área
de atendimento ao público e banheiros.
Caso decida por instalar unidades independentes de produção
e comercialização, o empresário deve ficar
muito atento aos custos, ao
volume de produção e à logística de
distribuição, que passarão a exigir maior esforço
comercial e de gestão.
Para efeitos de orientação, considera-se uma área
única para produção e comercialização,
com aproximadamente de 70 m2 para iniciar o negócio com três
funcionários além do envolvimento direto do empresário.
Exigências legais específicas
O empreendedor que está disposto a constituir uma sorveteria
deve requerer os registros e licenças necessárias
à implantação do negócio, tais como:
a) Registro da empresa nos seguintes órgãos:
-Junta Comercial;
-Secretaria da Receita Federal (CNPJ);
-Secretaria Estadual de Fazenda;
-Prefeitura do Município para obter o alvará de funcionamento;
-Enquadramento na Entidade Sindical Patronal (empresa ficará
obrigada a recolher por ocasião da constituição
e até o dia 31 de
janeiro de cada ano, a Contribuição Sindical Patronal);
-Cadastramento junto à Caixa Econômica Federal no sistema
“Conectividade Social – INSS/FGTS”.
-Corpo de Bombeiros Militar.
b) Visita a prefeitura da cidade onde pretende montar a sua loja
para fazer a consulta de local e emissão das certidões
de Uso do Solo e Número Oficial.
Além do registro da empresa que pode ou não adotar
o regime da lei geral das micro e pequenas empresas, qualquer atividade
econômica deve respeitar o código de defesa do consumidor
(CDC - Lei nº 9.870/1999), pois ele estabelece uma série
de direitos e obrigações ao fornecedor e ao consumidor.
A empresa deverá atender a algumas regras, tais como: responsabilidade
sobre o fornecimento dos produtos e serviços, garantia da
qualidade, rastreabilidade, entre outros.
É importante lembrar que o empreendedor está sujeito
a fiscalização sanitária do estabelecimento
e do produto.
Apresenta-se a seguir algumas legislações que o futuro
empreendedor deve ter conhecimento:
Agência Nacional de Vigilância Sanitária –
ANVISA:
-DECRETO-LEI Nº 986, DE 21 DE OUTUBRO DE 1969. Institui Normas
Básicas sobre Alimentos.
-LEI Nº 7967, DE 22 DE DEZEMBRO DE 1989. Dispõe sobre
o valor das multas por infração à legislação
sanitária, altera a Lei nº
6.437, de 20 de agosto de 1977, e dá outras providências.
-PORTARIA Nº 1.549, DE 17 DE OUTUBRO DE 1997. Estabelece
Padrões de Identidade e Qualidade específicos e sub-padrões,
quando aplicáveis, para os tipos ou espécies de alimentos.
-PORTARIA Nº 326, DE 30 DE JULHO DE 1997. Aprova o Regulamento
Técnico sobre "Condições Higiênico-Sanitárias
e de
Boas Práticas de Fabricação para Estabelecimentos
Produtores/Industrializadores de Alimentos".
-RESOLUÇÃO RDC Nº 175, DE 08 DE JULHO DE 2003.
Aprova "Regulamento Técnico de Avaliação
de Matérias Macroscópicas e Microscópicas Prejudiciais
à Saúde Humana em Alimentos Embalados".
RESOLUÇÃO RDC nº 267, DE 25 DE SETEMBRO DE 2003.
Dispõe sobre o Regulamento Técnico de Boas Práticas
de Fabricação para Estabelecimentos Industrializadores
de Gelados Comestíveis e a Lista de Verificação
das Boas Práticas de Fabricação para Estabelecimentos
Industrializadores de Gelados Comestíveis.
RESOLUÇÃO RDC Nº 359, DE 23 DE DEZEMBRO DE 2003.
Aprova Regulamento Técnico de Porções de Alimentos
Embalados para Fins de Rotulagem Nutricional.
RESOLUÇÃO RDC Nº 360, DE 23 DE DEZEMBRO DE 2003.
Aprova Regulamento Técnico sobre Rotulagem Nutricional de
Alimentos Embalados, tornando obrigatória a rotulagem nutricional.
RESOLUÇÃO RDC Nº 266, DE 22 DE SETEMBRO DE 2005.
Aprova o "Regulamento técnico para gelados comestíveis
e preparados para gelados comestíveis”.
Informações detalhadas sobre a legislação,
exigências legais e requisitos para a obtenção
dos registros devem ser solicitados
diretamente junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária
e Abastecimento e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
Para maiores informações consultar o site da ANVISA.
Outro aspecto importante se refere ao rótulo do produto,
o empresário deve verificar na legislação as
informações obrigatórias que o mesmo deve conter,
tais como: informações completas sobre os dados da
empresa fabricante, número do registro de licença,
peso líquido do produto, composição nutricional,
número de lote, data fabricação e data validade
entre outras informações, válidas tanto para
a comercialização no local como para o fornecimento
para outros estabelecimentos.
Estrutura
Além de apresentar condições físicas
para a instalação das máquinas e acessórios
de produção, esta área deve estar dividida
em setores, para evitar contaminação dos produtos
e respeitar o fluxo de produção. As principais divisões
a serem adotadas são: -Produção;
-Envase e rotulagem;
-Armazenamento;
-Exposição e vendas.
Salientando que todas as áreas devem estar imunes, ou isentas
de interferência de insetos de qualquer natureza e muito bem
arejadas.
Ao procurar o imóvel para alugar, é importante tomar
cuidado com alguns detalhes que são fundamentais para contribuir
com a qualidade do trabalho, como: escolher uma área ampla,
arejada e bem iluminada para a instalação das máquinas;
os espaços de recebimento de material e expedição
devem estar em perfeitas condições de limpeza e organização,
caso contrário não se obtém a autorização
de funcionamento da vigilância sanitária; além
de reservar espaço para o escritório e banheiros.
Também é importante que o empresário forneça
boas condições de trabalho a seus colaboradores, fato
este que se reflete positivamente na satisfação e
produtividade.
Pessoal
A necessidade por contratação de mão-de-obra
cresce de acordo com o aumento da demanda, e deve sempre acompanhar
os picos de consumo, pois em atividades que comercializam produtos
alimentícios sabe-se que determinados horários apresentam
maior demanda. O empresário deve ter em mente a necessidade
do dimensionamento da equipe para atender corretamente nos picos
de demanda, sob pena de não prestar um bom atendimento e
perder os clientes.
Por trabalhar com alimentos, é imperativo que determinadas
condições sejam respeitadas por todos os colaboradores,
como asseio pessoal, uso de uniformes, técnicas de manipulação
e processamento de
alimentos, entre outras.
Por se tratar de atividade que é basicamente manufatura,
e que absorve
muitas pessoas com baixo grau de instrução, é
também uma atividade
com alta taxa de rotatividade, ou seja, as pessoas começam
a trabalhar
e desistem com muita facilidade. Este fato gera grandes problemas
de
continuidade do trabalho, garantia de qualidade e cumprimento aos
prazos contratados.
Como estimativa para analisar a operação de uma sorveteria,
considera-se a necessidade inicial de dois funcionários na
produção e
atendimento e mais um no administrativo para compor a equipe de
trabalho, e que podem ser capacitados para realizar tanto as tarefas
produtivas quanto as de atendimento, tornando a equipe flexível
e
eficiente.
Equipamentos
É muito importante que o empresário, antes de iniciar
suas atividades,
visite outras sorveterias e também peça para ver os
equipamentos dos
fornecedores em funcionamento. Estes cuidados iniciais são
de grande
valia para a escolha dos melhores ou mais apropriados equipamentos
(segundo as condições financeiras) para iniciar o
novo negócio.
Para escolher os equipamentos, instalações e materiais
diversos bem
com as principais técnicas de produção a serem
adotadas, é necessário
definir com clareza as suas especificações técnicas,
modelos, marcas,
capacidades para a realização de operações,
entre outros itens.
Os equipamentos essenciais para a instalação de sorveteria
são os
seguintes:
-balança
-embalagens plásticas
-freezer armazenador
-freezer expositor
-liquidificador industrial ou uma batedeira
-fogão a gás de duas bocas semi-industrial
-baldes (recipientes)
-utensílios
-impressora fiscal
-balcão e mesas
Para o escritório é necessário computador e
internet, móveis,
impressora e telefone/fax. Um veículo apropriado para transporte
de
mercadorias torna-se indispensável para a operação
da empresa.
Matéria Prima / Mercadoria
Condição vital para a garantia da qualidade da produção
de uma
sorveteria é sem dúvida relacionada com a variedade
e qualidade das
matérias-primas utilizadas. Existem dezenas de tipos diferentes
de
frutas, mas nem todas são apropriadas para o processo de
elaboração
de sorvetes, em função de problemas de oxidação
e vida útil.
Salienta-se que todos os cuidados acima apresentados, além
das
corretas práticas de embalagem, armazenagem e transporte
é que vão
conferir maior vida útil aos produtos processados.
É vital para a empresa estabelecer relações
confiáveis com os
principais fornecedores de produtos, matérias-primas e insumos,
pois
se deve tomar muito cuidado para que a produção não
pare em função
de falta de insumos, fato que gera muito descontentamento dos
clientes e abre espaço para a concorrência.
Um rígido controle do volume de estoques de matéria-prima
e
insumos, associado a um programa confiável de entregas por
parte dos
fornecedores permite ao empresário funcionar sua sorveteria
com
maior segurança.
Devem ser usados frutos “in natura” e polpas de frutas
na produção,
as quais devem ser adquiridas em locais apropriados, ou mesmo
negociadas com fornecedores locais, acondicionadas em local limpo,
claro e arejado, e somente podem ser usadas quando maduras e em
perfeitas condições.
As polpas de frutas podem ser adquiridas já industrializadas,
congeladas, acondicionadas em sacos plásticos próprios
para
alimentos e guardadas em câmaras frigoríficas a baixa
temperatura até
sua utilização.
Não só as frutas e polpas devem ser de boa qualidade,
como também o
açúcar – que deve ser isento de impurezas e
a água que precisa passar
por filtros para a devida descontaminação.
Organização do processo produtivo
O processo produtivo, que pode ser tanto para sorvetes em forma
de
massa (para casquinha) quanto em forma de picolé, passa
necessariamente por algumas etapas de produção divididas
em:
controle das condições de higiene e limpeza, pesagem,
seleção,
lavagem, descascamento e cortes, remoção da polpa,
formulação,
embalamento, controle de qualidade e transporte aos pontos de venda.
No processo produtivo, a higiene e limpeza são itens prioritários
que
devem ser considerados preponderantes para a garantia da qualidade
dos sorvetes.
Os utensílios, equipamentos, bancadas e toda a estrutura
da fábrica
precisam ser limpos, enxaguados e secos periodicamente, assim como
o lixo deve ser separado e acondicionado em lixeira com tampa e
descartado diariamente.
Para evitar a má qualidade dos sorvetes e picolés
elaborados, as frutas
precisam passar primeiramente por um processo seletivo, onde são
separadas as defeituosas, deterioradas ou verdes.
Existem várias empresas no mercado que além de fornecerem
os
equipamentos adequados ao porte de sorveteria que se pretenda
montar, ensinam também as principais receitas e composições
para a
elaboração dos sorvetes tradicionais.
Automação
Em virtude da evolução tecnológica, muitas
máquinas desenvolvidas
para a fabricação de sorvetes e picolés acabam
trabalhando
automaticamente, havendo apenas a necessidade da alimentação
dos
insumos nas quantidades recomendadas e posterior retirada para
inserir embalagens, armazenamento e expedição.
Cabe ressaltar que estas facilidades não garantem o sucesso
da
empresa, que deve desenvolver receitas próprias, diferenciadas
e que
agreguem valor aos seus produtos.
Canais de distribuição
Para uma indústria de alimentos as formas de fazer chegar
seus
produtos ao consumidor final são extremamente importantes,
e
dividem-se em duas categorias básicas: a primeira, onde o
empresário
promove a venda diretamente aos clientes finais, mantendo para isto
uma estrutura comercial e equipe para atendimento, e a segunda,
onde
o empresário opta por trabalhar com distribuidores, sendo
neste caso
os responsáveis por realizar a venda e a entrega dos produtos
nos
postos de venda, que podem ser próprios ou de terceiros.
Para pequenos volumes e empresas de pequeno porte, trabalhar com
distribuidores acaba sendo inviável, pois as margens de negociação
de
preços e obtenção de lucro são pequenas
e geralmente não se mostram
interessantes.
Então a saída é montar uma boa equipe de campo,
no caso da
sorveteria optar por produção em maior escala, que
vai percorrer os
clientes, avaliar a receptividade, escutar sugestões, reclamações
e tirar
pedidos.
Investimentos
A decisão de iniciar um negócio de sorveteria passa
necessariamente
por um correto levantamento de quanto dinheiro e esforço
o
empresário irá gastar para iniciar o negócio.
Este fato é decisivo para
que os riscos de ocorrerem problemas financeiros sejam menores.
O
empresário deve pesquisar o preço das máquinas,
equipamentos e
acessórios a serem adquiridos para o início das atividades.
Deve-se ressaltar que cada situação é particular,
e o empreendedor vai
definir quais os equipamentos pretende adquirir para iniciar suas
atividades.
A fim de exemplificar a estruturação dos investimentos
apresenta-se a
seguir uma lista dos principais equipamentos a serem adquiridos
para
a produção de aproximadamente 3.000 litros/mês
de sorvete (produto
acabado):
• Balança - R$ 500,00
• Freezer armazenador - R$ 5.000,00
• Freezer expositor - R$ 3.500,00
• Liquidificador industrial - R$ 1.500,00
• Fogão a gás de duas bocas semi-industrial
- R$ 500,00
• Utensílios - R$ 2.000,00
• Impressora fiscal; - R$ 700,00
• Balcão e mesas - R$ 5.300,00
• Equipamentos para escritório – R$ 6.000,00
Perfazendo um total aproximado de R$ 25.000,00, além da estimativa
de outros R$ 3.000,00 para reforma de estrutura do imóvel
a ser
ocupado, instalações, ajustes, etc..
Capital de giro
Capital de giro é um montante de recursos financeiros que
a empresa
precisa manter para garantir a dinâmica do seu processo de
negócio.
O capital de giro precisa de controle permanente, pois tem a função
de
minimizar o impacto das mudanças no ambiente de negócios
onde a
empresa atua.
O desafio da gestão do capital de giro deve-se, principalmente,
à
ocorrência dos fatores a seguir:
-Variação dos diversos custos absorvidos pela empresa;
-Aumento de despesas financeiras, em decorrência das instabilidades
desse mercado;
-Baixo volume de produção e vendas;
-Aumento dos índices de inadimplência;
-Altos níveis de estoques de matéria-prima e também
de produtos
acabados.
O empreendedor deverá ter um controle orçamentário
rígido de forma
a não consumir recursos sem previsão.
O empresário deve evitar a retirada de valores além
do pró-labore
estipulado, pois no início todo o recurso que entrar na empresa
nela
deverá permanecer possibilitando o crescimento e a expansão
do
negócio. Dessa forma a empresa poderá alcançar
mais rapidamente
sua auto-sustentação, reduzindo as necessidades de
capital de giro e
agregando maior valor ao novo negócio.
Da mesma forma que se sugere um investimento inicial de R$
28.000,00, estima-se a necessidade do capital de giro em torno de
R$
9.600,00. Valor que deve estar disponível na conta para pagamentos,
conforme está demonstrado a seguir na análise de custos
para a
estrutura considerada.
Custos
São todos os gastos realizados na produção
de um bem ou serviço e
que serão incorporados posteriormente no preço dos
produtos ou
serviços prestados, como: aluguel, água, luz, salários,
honorários
profissionais, despesas de vendas, matéria-prima e insumos
consumidos no processo de produção.
O cuidado na administração e redução
de todos os custos envolvidos
na compra, produção e venda de produtos ou serviços
que compõem o
negócio, indica que o empreendedor poderá ter sucesso
ou insucesso,
na medida em que encarar como ponto fundamental a redução
de
desperdícios, a compra pelo melhor preço e o controle
de todas as
despesas internas. Quanto menores os custos, maior a chance de
ganhar no resultado final do negócio.
É fundamental que o empresário e seus colaboradores
tenham o
mínimo conhecimento da estrutura de custos de seu negócio,
sob pena
de perder o controle da gestão e passar por sérios
riscos de manter o
negócio.
Outro fator extremamente relevante para a análise dos custos
está
relacionado ao correto aproveitamento da capacidade de produção
dos
colaboradores.
Quanto maior for a produção, menor será a
incidência do custo fixo
sobre os produtos, pois este custo é dividido (segundo critério
apropriado) por todos os produtos produzidos, representando um
menor custo unitário e melhorando a margem de contribuição.
Os valores a seguir procuram apresentar de forma simplificada os
principais itens de custo mensal que devem ser absorvidos para a
fabricação e comercialização de sorvetes:
• Aluguel – R$ 1.200,00
• Matéria-prima – R$ 3.000,00
• Luz, telefone, água, internet, gás –
R$ 600,00
• Contador – R$ 400,00
• Salários diretos (mais encargos) – R$ 1.250,00
• Salários indiretos – R$ 800,00
• Manutenção – R$ 150,00
• Despesas correntes – R$ 300,00
• Outras despesas mensais com insumos – R$ 1.000,00
• Pró-labore – R$ 1.000,00
Salienta-se que os valores são meramente ilustrativos e dependem
muito da estrutura do negócio, assim como não foram
previstos os
impostos e tributos, pois estes dependem do tipo de registro adotado
pela empresa.
Diversificação / Agregação de valor
Os empresários devem ter em mente que fatores como
qualidade, prazo e preços são condições
mínimas para que uma
empresa permaneça no mercado. O diferencial a ser oferecido
é que
vai cativar o cliente e agregar valor ao negócio, chegando
ao ponto do
consumidor estar disposto a pagar mais caro pelo produto, em relação
a outras mercas. Estes diferenciais dependem da relação
entre os
negócios, e podem estar fundamentados em ofertas de serviço
distintas
da maioria oferecida pelos concorrentes, como por exemplo: entrega,
flexibilidade nos pedidos e na forma de pagamento, capacidade para
realização de serviços especializados, variação
no mix dos produtos,
entre muitas outras opções. Como idéias de
variações no mix,
salienta-se que o sorvete além de apresentar a condição
de grande
variedade nos sabores, pode ainda incorporar outras opções
de
acompanhamentos com cremes e licores especiais, recipientes
diferenciados, montagem e apresentações chamativas,
acompanhadas
de variados doces, chocolates, biscoitos, entre muitas outras opções
a
serem criadas pelo empresário e sua equipe.
Divulgação
“Propaganda é a alma do negócio”, este
ditado popular é válido para
qualquer tipo de empresa. Existem muitas formas de se promover a
divulgação das atividades e capacidades das empresas,
e todas estão
relacionadas às atividades de marketing. No caso específico
da
sorveteria, o empresário deve promover a divulgação
do seu produto
na região onde está instalada a empresa, pois basicamente
será este
público que irá consumir o seu produto. À medida
que o negócio for
crescendo, vai despertar a atenção de outros mercados
e parceiros,
gerando assim a demanda por maiores investimentos em propaganda.
É interessante que o empresário produza um pequeno
folder que
relacione as capacidades da empresa e também mostre algumas
fotos
da estrutura e da equipe, bem como relacione alguns clientes para
consulta (lembrando de pedir autorização aos mesmos
para isto), e
com este material saia fazendo visitas a novos clientes. Também
é
fundamental a elaboração de cartazes com fotografias
bem elaboradas
que impactem visualmente e influam na decisão de compra dos
clientes. Vale ressaltar que o sorvete é um produto que atrai
primeiro
pela aparência e depois pelo sabor.
Algumas iniciativas de pequenos patrocínios comunitários,
anúncios
em jornais, internet e propagandas em rádio podem surtir
efeito
positivo na divulgação do nome da empresa.
Por se tratar de empresa que produz alimentos sugere-se a degustação
do produto no ponto-de-venda como uma estratégia para conquistar
o
varejo.
A promoção do negócio pode ser feita junto
a empreendimentos
gastronômicos, como restaurantes, lanchonetes, supermercados
e lojas
de produtos típicos. Nesse caso, o proprietário pode
programar visitas
demonstrativas a esses locais.
Informações Fiscais e Tributárias
As pequenas indústrias de alimentos estão amparadas
pela legislação
do SIMPLES NACIONAL (Lei Complementar 123/2006), e podem se
enquadrar inicialmente como micro empresa (faturamento anual até
R$ 240.000,00).
Em virtude do objetivo deste material não contemplar o
aprofundamento nos temas relacionados, mas sim servir de orientação
inicial para o futuro empresário, sugere-se que todos os
aspectos
relacionados com o registro da empresa, identificação
das legislações
relacionadas à operação, principalmente as
que tratam da contratação
de pessoal, produção e comercialização
de alimentos devem ser
orientadas por profissionais especializados na área.
O movimento por regularização das atividades de empresas
atuando na
informalidade (ilegalmente) está cada vez mais forte. E a
fiscalização
das atividades vem contribuindo muito com isto. Neste caso, o
empreendedor deve tomar as providências para regularizar sua
atividade, por mais complicada, cara e dificultosa que possa parecer,
pois sem dúvida passa a ser um diferencial competitivo frente
aos
clientes.
É importante que o empreendedor converse com um contabilista
devidamente registrado no CRC (Conselho Regional de
Contabilidade) para os devidos esclarecimentos quanto aos aspectos
legais e tributários relacionados à situação
específica do negócio que
está almejando iniciar. O prestador de serviços contábeis
tem a
incumbência de informar e orientar quanto aos aspectos tributários
da
empresa. A relação a seguir mostra os tributos que
mais influenciam
os preços de venda de produtos e serviços.
• IPI - (imposto sobre produtos industrializados) -Na TIPI
(tabela) é
possível saber a condição de enquadramento
do produto;
• PIS – (programa de integração social)
- Há duas situações de
alíquotas diferentes, uma para empresas no regime de lucro
presumido
e outra para empresas no regime de lucro real (neste caso com direito
a
crédito nas compras efetuadas);
• COFINS – (contribuição para financiamento
da seguridade social) Há
duas situações de alíquotas diferentes, uma
para empresas no
regime de lucro presumido e outra para empresas no regime de lucro
real (neste caso com direito a crédito nas compras efetuadas);
• IRPJ – (imposto de renda pessoa jurídica)
- Há duas situações de
enquadramento, lucro real ou lucro presumido;
• Contribuição Social sobre Lucros - Segue exemplo
do IRPJ, duas
situações de enquadramento, lucro real ou lucro presumido;
• Encargos sociais sobre a folha de pagamento - As porcentagens
variam de empresa para empresa em função de diversos
fatores;
• Simples Federal - Aplicável apenas às micro
e pequenas empresas.
Engloba os 6 tributos acima;
• ICMS – (Imposto sobre Circulação de
Mercadorias e Serviços) - As
porcentagens variam em função de diversos fatores;
• Simples Estadual - Aplicável apenas às micro
e pequenas empresas.
Refere-se ao ICMS;
• ISS – (Imposto sobre Serviços) - Aplicável
às empresas prestadoras
de serviço.
Nem todos os tributos mencionados no quadro acima serão recolhidos
pela fábrica de sorvetes. Para a exata definição
de quais impostos e
suas respectivas alíquotas é necessário saber
o real modo de
funcionamento da empresa. Por exemplo, a empresa apenas
comercializará produtos? Quais tipos de produtos a empresa
irá
comercializar? A empresa comercializará produtos e prestará
serviços?
Qual o porte da empresa em termos de faturamento mensal? É
preciso
ressaltar que sem estas respostas fica muito difícil definir
o regime
tributário da empresa e por isso é importante a definição
da sua forma
de atuação e a orientação do prestador
de serviços contábeis, tendo em
vista o estudo das alíquotas a serem praticadas. O site relacionado
apresenta maiores informações a respeito dos passos
para o registro da
empresa.
Glossário
Insumo - é um termo técnico usado para designar um
bem de consumo
que é utilizado na produção de um outro bem.
Esse termo, por vezes, é
substituído, imprecisamente, pelo termo matéria-prima.
Matéria-prima - é o nome dado a um material que sirva
de entrada
para um sistema de produção qualquer.
Mix – variação de produtos a serem comercializados
de forma
conjunta ou separadamente.
Rastreabilidade – representa a condição técnica
de se poder identificar
todas as fases por que passou um produto durante sua produção,
identificando as matérias-primas, os processos o lote e a
data que foi
produzido.
Sazonalidade - termo que diz respeito a variação
de oferta e demanda em relação ao tempo.
Dicas do Negócio
• Uma breve consulta ao plano diretor na prefeitura já
permite
identificar se é possível ou não a utilização
de determinado imóvel
para iniciar o negócio;
• Assim que possível o empresário deve procurar
ajuda profissional
para a seleção e contratação de pessoas.
Existem muitas agências
especializadas neste tipo de atividade, que acabam ajudando a evitar
muitas dores de cabeça e prejuízos para a empresa;
• A melhor maneira de conduzir a negociação
de preços e prazos com
os clientes é mostrando organização e conhecimento
sobre os
processos e os custos de operação da fábrica;
• Quanto mais precisa for a pesquisa a respeito das necessidades
de
investimento, menores as surpresas quanto à previsão
financeira para
iniciar o novo negócio, e isto evita inclusive a armadilha
de afundar
em dívidas por falha na programação financeira;
• Para descobrir o que pode agregar valor na relação
com o cliente, o
empresário deve estar atento aos detalhes e sempre que possível
precisa escutar seus clientes, conversar com eles e descobrir o
algo
mais que vai cativar a relação comercial e a preferência
pelos
produtos;
• O empresário deve ter em mente que é importantíssimo
acompanhar
e questionar constantemente o prestador de serviço de contabilidade.
Características específicas do empreendedor
Na literatura, existem variadas definições para o
que vem a ser um
empreendedor e de forma resumida, pode-se perceber em pessoas
empreendedoras a dedicação, a persistência,
a disciplina, além da
autoconfiança, da facilidade em se relacionar e comunicar
e ainda a
capacidade de planejar e se organizar.
Numa atividade como a sorveteria, a condição de saber
se relacionar
com as pessoas, tanto os clientes como os colaboradores é
fator que
define se terá ou não sucesso no negócio. Associada
a esta
característica e não menos importante está
a qualificação técnica para
a realização dos serviços.
Apenas como complementação das informações,
sugere-se uma auto
avaliação para medir o quanto o empreendedor está
preparado para
ingressar no mundo dos negócios. E neste sentido são
apresentados
alguns questionamentos importantes, como os que seguem, e que
foram extraídos da coleção OS PRIMEIROS PASSOS
PARA O SUCESSO, desenvolvida e disponibilizada pelo SEBRAE/SC:
1. Tenho capital suficiente para abrir a empresa e ainda me manter
enquanto estruturo o negócio?
2. Estou preparado emocionalmente para correr os riscos do mundo
dos negócios?
3. Como trato os desafios que a vida me oferece? Com paciência
e
perseverança?
4. Estou preparado e disposto a abrir mão de uma série
de hábitos e se
for preciso trabalhar 10 horas por dia todos os dias?
5. Conheço bem as minhas limitações?
6. Sou disciplinado o suficiente para estabelecer e cumprir regras
e
métodos de trabalho?
Cabe mais uma série de questões que teriam como finalidade
avaliar o
perfil empreendedor. Portanto o interessado deve refletir e revisar
seus
objetivos várias vezes, conversar com amigos e buscar certezas
para
tomar a decisão de empreender, pois quando iniciado o processo
não
se pode mais parar, sob pena de se tornar um fracasso.
Bibliografia Complementar
OS PRIMEIROS PASSOS PARA O SUCESSO. Florianópolis:
SEBRAE/SC, 2005.