Idéias
de Novos Negócios - Restaurante Self-Service
Apresentação do Negócio
Os restaurantes self-service representam uma ótima opção
para quem precisa almoçar fora de casa, com a opção
de escolher o que quer consumir, com atendimento rápido e
custo financeiro condizente com a quantidade servida. O negócio
tem as seguintes vantagens: o estabelecimento de uma relação
direta entre o que foi consumido e o valor que está sendo
pago, além da oferta de uma alimentação
saudável e variada, oferecendo a oportunidade de abreviar
o tempo gasto no almoço, pela rapidez do serviço.
A refeição fora de casa deixou de ser uma opção
de lazer e passou a ser uma questão de necessidade. É
uma tendência dentro do que se pode chamar de terceirização
dos serviços familiares, acompanhada pelo surgimento de outros
serviços, como a venda de comida
congelada, entrega de pizzas em domicílio e lavanderias de
auto-serviço.
O Restaurante self-service é um negócio que oferece
sociabilidade, prazer e qualidade. O público que freqüenta
restaurantes define sua
escolha pela proximidade do emprego ou da residência, pelo
preço, rapidez no atendimento, possibilidade de pagamento
através de
vales-refeição ou cartões de débito/crédito,
qualidade da cozinha ou tipo da culinária.
O modelo self-service cresceu de forma surpreendente e hoje não
se encontra apenas nos centros comerciais das cidades, mas também
estão nos lugares de descanso e lazer, tais como: hotéis
fazenda, clubes, pesque-pague, etc. 40% das refeições
são feitas fora de casa.
Mercado
O negócio de restaurante self-service é bastante
promissor, mas apresenta uma concorrência acirrada. Existe
um padrão comum para o
o layout básico, mas para sobreviver o empresário
precisa diferenciar-se da concorrência na decoração,
na escolha do cardápio,
nos elementos culturais, no tipo de cliente e nos serviços
agregados. Atualmente existem no Brasil cerca de 800 mil restaurantes,
sendo que só em São Paulo estão instalados
2.500 restaurantes self-service, de acordo com pesquisa realizada
pela ABREDI – Associação Brasileira de Restaurantes
Diferenciados.
Segundo a ABRASEL – Associação Brasileira de
Bares e Restaurantes, de cada 100 estabelecimentos que são
criados no Brasil,
35 fecham em 1 ano e 50 fecham em 2 anos. Isto acontece porque o
mercado é versátil, exige mudanças constantes
para adaptação às
novidades, e as ofertas são maiores que a demanda.
A perspectiva atual desse mercado é de crescimento, visto
que, o segmento de alimentação é um dos setores
que apresenta as maiores
tendências de expansão. A mudança de perfil
do consumidor moderno que deseja praticidade e rapidez, aliado a
boa qualidade dos serviços, com segurança e conforto.Este
setor conta ainda com a iniciativa apoiada pelo ministério
do turismo para ampliação do turismo interno e a criação
da Comissão Interministerial para o Desenvolvimento do Setor
de Serviços de Alimentação Fora do Lar, e o
PAT - Plano de Alimentação dos Trabalhadores - que
viabiliza os vales-refeição e já conta com
240 mil estabelecimentos conveniados e faz circular R$ 540 milhões
mensalmente na economia nacional - são fatores que demonstram
as possibilidades de crescimento para o negócio de restaurantes.
Localização
Uma boa localização é aquela que favorece
o acesso das pessoas, com o menor grau possível de dificuldade.
A escolha do local passa pela pesquisa e definição
sobre o público-alvo que será atendido. A proximidade
de escolas, comércios, escritórios, instituições
de saúde, indústrias de pequeno e médio porte,
traz bom resultados. Os restaurantes self-service devem estar localizados
em locais de grande movimento, principalmente para o almoço.
Para o sucesso do negócio é importante verificar as
empresas que estão localizadas na proximidade, os hábitos
alimentares dos seus funcionários e as preferências
quanto ao cardápio.
O bairro deve ter todas as condições urbanas que
favorecem o fluxo de clientes, tais como: ruas asfaltadas, facilidades
para estacionamento nas proximidades, água e energia suficientes,
recolhimento de lixo, transportes urbanos, policiamento, acessos
fáceis, serviços bancários e outros.
Em relação ao imóvel os órgãos
que controlam a higiene e a poluição do ar estão
cada dia mais exigentes, demandando cuidados especiais, principalmente
em relação aos resíduos produzidos pelo estabelecimento.
Outros itens como: portas de emergência, portas
corta-fogo e extintores, sinalização de saída,
portas que se abrem para fora, corrimãos em escadas e acesso
a portadores de necessidades especiais são fatores de fundamental
importância.
O empresário deve procurar a prefeitura para verificar se
o ponto comercial está de acordo com a lei de zoneamento,
que permite ou não a exploração de restaurantes
no local. Além disso deve ser pesquisado o comportamento
da vizinhança em relação a problemas de barulho
ou do movimento dos carros, mesmo que as regras de zoneamento permitam
sua abertura em determinado local, porque as associações
organizadas de moradores podem criar obstáculos para o funcionamento
de um empreendimento que perturba o sossego.
Para empreendimentos populares é importante observar se existem
nas proximidades outros estabelecimentos que atraem pessoas, como:
pontos de transportes coletivos, hospitais, serviços públicos,
escolas, etc.
Exigências legais específicas
Para registrar e legalizar a empresa é necessário
contratar um contador profissional. Ele ajudará na definição
do melhor regime tributário para a empresa, além de
providenciar a legalização desta junto aos órgãos
responsáveis para as devidas inscrições:
a) Registro da empresa nos seguintes órgãos:
-Junta Comercial;
-Secretaria da Receita Federal (CNPJ);
-Secretaria Estadual de Fazenda;
-Prefeitura do Município para obter o alvará de funcionamento;
-Enquadramento na Entidade Sindical Patronal (a empresa ficará
obrigada a recolher por ocasião da constituição
e até o dia 31 de
janeiro de cada ano, a Contribuição Sindical Patronal);
-Cadastramento junto à Caixa Econômica Federal no sistema
“Conectividade Social – INSS/FGTS”.
-Corpo de Bombeiros Militar.
b) Visita à prefeitura da cidade onde pretende montar o
estabelecimento para fazer a consulta de local;
c) Obtenção do alvará de licença sanitária
- adequar as instalações de acordo com o Código
Sanitário (especificações legais sobre a
condições físicas). No âmbito federal
a fiscalização cabe a Agência Nacional de Vigilância
Sanitária e no estadual e municipal fica a cargo das Secretarias
Estaduais e Municipais de Saúde.
Além das exigências normais para a abertura do empreendimento
é vital não esquecer que são as Prefeituras
Municipais que determinam onde se pode estacionar, controlam os
níveis de ruído, permitem ou não mesas nas
calçadas, fiscalizam o cumprimento das normas de higiene
e das questões de segurança como portas de emergência,
porta corta-fogo e extintores, sinalização de saídas,
isolamento acústico, área externa para lixo, acesso
e WC para portadores de deficiências, etc.
A música “Parabéns para Você” é
a canção executada ao vivo que mais arrecada direitos
autorais, portanto ao ser cantada em um
restaurante pode ser passível de recolhimento de direitos
autorais. É de responsabilidade do ECAD – Escritório
Central de Arrecadação e Distribuição,
a arrecadação de direitos autorais pela execução
pública de músicas nacionais e estrangeiras, regida
pela Lei 9610 promulgada em 19/02/1998.
A Legislação das Boas Práticas para Serviços
de Alimentação define os procedimentos que devem ser
adotados para garantir as condições sanitárias
e de higiene na manipulação de alimentos e constam
da Resolução de Diretoria Colegiada - RDC 216 da ANVISA
– Agencia Nacional de Vigilância Sanitária, de
15 de setembro de 2004. É recomendável também
a leitura da Cartilha da ANVISA sobre Boas Práticas para
Serviços de Alimentação.
A Lei 2.136 de 11/05/1994 e o Decreto 12.922 de 19/05/1994 regulamentaram
a existência de uma área específica para fumantes.
A Portaria 1428/93 do Ministério da Saúde estabelece
a obrigatoriedade para todos os estabelecimentos que manipulam produtos
alimentícios implantarem o sistema PAS (antigo APACC). As
Boas Práticas de Fabricação são pré-requisitos
fundamentais.
A Portaria 368/97 do Ministério da Agricultura estabelece
os requisitos gerais ( essenciais) de higiene e de boas praticas
de
elaboração de alimentos para o consumo humano.
Os estados e municípios possuem regulamentação
própria para esse segmento. É necessário um
bom levantamento sobre o sistema legal
estadual e local, antes da instalação. O SEBRAE local
poderá ser consultado para orientação.
Estrutura
A estrutura de um restaurante self-service é simples, sendo
necessária uma área para acomodar um salão
para refeições, banheiros, depósito para o
estoque e a área da cozinha. Quando a opção
for pela diferenciação, para atender a um nicho de
clientela mais exigente, é recomendável a contratação
de serviços profissionais de um arquiteto, para elaboração
de projeto específico.
Salão de refeições – O espaço
mais nobre e amplo, de fácil acesso,é destinado aos
clientes e deve corresponder aproximadamente a 60% da área
total do restaurante. Para se ter um espaço que acomode confortavelmente
os clientes deve-se estabelecer um parâmetro
equivalente a 20 mesas para cada espaço de 100m², sem
colunas ou obstáculos. Em estabelecimentos mais populares
pode-se chegar
próximo ao dobro dessa quantidade, colocando algumas mesas
mais próximas às paredes e reduzindo a distância
entre todas as mesas,
perdendo assim, um pouco de conforto e da mobilidade no trânsito
dos funcionários que servam os clientesr . Vale lembrar da
necessidade de cadeiras para crianças e d espaço para
a mobilidade para portadores de necessidades especiais.
O balcão com pratos frios e saladas está em primeiro
plano dentro do salão e, ao seu lado, o balcão com
pratos e talheres, em seguida o balcão dos pratos quentes,
passando-se por uma seção de bebidas e sobremesas,
e por fim a balança eletrônica para pesagem.A decoração
deve ser agradável, o layout funcional, a iluminação
adequada, a climatização suficiente para proporcionar
sensação de conforto. O atendimento deve se processar
com rapidez e eficiência.
O caixa deve estar localizado próximo à saída,
facilitando e controlando melhor os pagamentos.
Cozinha – Na cozinha são elaborados os pratos do cardápio
e deve ocupar, em média, 25% do espaço total. É
necessário antes da
execução do projeto consultar a legislação
Municipal e Estadual porque em cada estado e município existem
particularidades. Sua
localização deve ser estratégica, com fácil
acesso aos empregados que vêm do salão para executar
as comandas ou levar produtos. Não deve estar muito próxima
ao salão de refeições para evitar calor, e
o barulho característico do local e odores. Além disso
precisa ter ligação com as outras dependências,
tais como despensa, câmaras frigoríficas, depósitos,
etc. Os equipamentos devem ser dispostos de forma que não
atrapalhem a circulação.
A cozinha deve ser dividida em duas áreas: uma para os pratos
quentes e outra para os frios.
Depósito – Local destinado ao acondicionamento do
estoque de alimentos, bebidas, utensílios, objetos de reserva
para o restaurante e
peças de reposição. Deve estar localizado em
local seco, fresco e de fácil higienização.
Banheiros – Não devem ficar muito distantes do salão
de refeições, mas devem ficar distantes da cozinha.
Devem ser bem sinalizados,
amplos, arejados, limpos e confortáveis. Devem atender adequadamente
os portadores de necessidades especiais. A legislação
exige banheiros separados para homens e mulheres.
Estacionamento – É uma solução bastante
requerida pelos clientes. O empresário pode realizar convênios
com estacionamentos próximos, ou contratar serviços
de manobristas.
Pessoal
Uma das características dos restaurantes self-service é
a reduzida quantidade de profissionais contratados. A decisão
do empresário
quanto ao porte do negócio é que definirá os
quantitativos de colaboradores. No entanto, para qualquer dimensão,
o empreendedor
necessitará de pessoas para os seguintes postos de trabalho:
-cozinheiro,
-auxiliar de cozinheiro;
-atendente - pesagem;
-caixa;
-garçom – opcional;
-serviços gerais – higiene e limpeza.
A atividade de caixa pode ser executada pelo empresário.
Neste ramo de atividade é necessário qualificar
os empregados para proporcionar um atendimento de qualidade ao cliente,
deixando-o à vontade e procurando auxiliá-lo quando
se perceber que ele está com alguma dificuldade:
-Sensibilidade para perceber o momento certo de conversar com o
cliente e entender seus desejos e expectativas;
-Discrição;
-Agilidade e presteza no atendimento;
-Interesse pelo bem-estar do cliente.
Sugere-se o treinamento dos colaboradores em cursos específicos
disponíveis no mercado. O empresário deverá
participar de seminários e congressos para manter-se sintonizado
com as tendências do setor.
O empreendedor deverá estar atento para a Convenção
Coletiva do Sindicato dos Trabalhadores nessa área, utilizando-a
como balizadora dos salários e orientadora da carga-horária
de trabalho, evitando assim, conseqüências desagradáveis.
O SEBRAE da localidade poderá ser consultado para aprofundar
as orientações sobre o perfil do pessoal e treinamentos
adequados.
Equipamentos
Para o salão serão necessários os seguintes
móveis e equipamentos:
-01 microcomputador completo;
-01 impressora;
-01 linha telefônica;
-01 impressora de cupom fiscal;
-mesas, cadeiras, armários, de acordo com o dimensionamento
das instalações;
-gaveteiro para guardar dinheiro, cheques e tickets de cartões
de débito e crédito;
-equipamento para recebimento através de cartões
de débito e crédito (o empreendedor decide);
-aparelho de TV e DVD player;
-sistema de ar condicionado dimensionado de acordo com o tamanho
do ambiente;
-materiais de uso diário, tais como: talheres, pratos, copos,
panelas, cinzeiros, botijões de gás, porta-guardanapo,
toalhas,etc.
-02 balanças eletrônicas;
-balcão para refeições/frios conjunto hermético
com 8 cubas;
-balcão para refeições/quentes conjunto hermético
com 8 cubas
Para a área de cozinha os móveis e equipamentos serão
relacionados a seguir:
-freezer horizontal;
-geladeira comercial;
-fogão industrial;
-balcão frigorífico;
-chapeira;
-exaustor;
-espremedor industrial de frutas;
-processador de alimentos;
-liquidificador industrial;
-estufas;
-fritadeira elétrica com filtro de água/gordura;
-forno de microondas;
-lavadora de louças;
-fornos combinados;
-coifas com tecnologia para lavagem de gorduras;
-cortador de frios
Matéria Prima / Mercadoria
A matéria-prima utilizada no restaurante self-service consiste
nos ingredientes para a composição de pratos para
alimentação:
-carnes em geral;
-massas em geral;
- ovos;
-arroz, feijão;
-óleos, azeites, condimentos;
-legumes;
-hortifrutigrangeiros;
-refrigerantes, água e sucos;
-produtos para sobremesas;
-produtos de bomboniére em geral
Organização do processo produtivo
Os processos de um restaurante self-service são divididos
em:
1. Serviços de Atendimento ao Cliente – É o
processo responsável pelo atendimento ao cliente durante
sua permanência no
estabelecimento, que compreende a abordagem inicial, orientação,
pesagem, recebimento da conta e controle da saída dos clientes
após o pagamento.
2. Serviço de Produção de Alimentos e Montagem
do Bufet – responsável pela preparação
dos alimentos e a montagem dos bufets.
3. Serviço Administrativo – responsável pela
gerência e controle das atividades produtivas do restaurante
self-service, geralmente é uma
atividade exercida pelo proprietário. Inclui a definição
da estratégia do negócio, definição
da política de relacionamento com clientes,
propaganda, compras, pagamentos e recebimentos, controle de bancos,
controles financeiros em geral, gestão de pessoas e a representação
da empresa perante órgãos públicos e privados.
Automação
Há uma boa oferta de sistemas para gerenciamento de restaurante
self-service. Os softwares possibilitam o controle dos estoques,
lançamento das comandas e mesas, custo dos pratos, os itens
mais vendidos do cardápio, demora no atendimento, média
de clientes,
cadastro e histórico de serviços prestados a cada
cliente, serviço de mala direta para clientes e potenciais
clientes, controle de estoque de produtos, cadastro de móveis
e equipamentos, gerenciamento de serviços dos empregados,
controle de pagamento das comissões,
controle de contas a pagar e a receber, fornecedores, folha de pagamento,
fluxo de caixa, fechamento de caixa, etc.
Canais de distribuição
O canal de distribuição é a própria
instalação do restaurante self-service.
Investimentos
Investimento compreende todo o capital empregado para iniciar e
viabilizar o negócio até o momento de sua auto-sustentação.
Pode ser
caracterizado como:
Investimento fixo – compreende o capital empregado na compra
de imóveis, máquinas, equipamentos, móveis,
utensílios, instalações,
reformas, veículos, taxas de franquias, (se for o caso),
etc.
Investimentos pré-operacionais – são todos
os gastos ou despesas realizadas com projetos, pesquisas de mercado,
registro da empresa, projeto de decoração, honorários
profissionais e outros.
Capital de giro – É o capital necessário para
suportar todos os gastos e despesas iniciais, geradas pela atividade
produtiva da empresa.
Destina-se a viabilizar as compras iniciais, pagamento de salários
nos primeiros meses de funcionamento, impostos, taxas, honorários
de
contador, despesas com vendas, financiamento de vendas a prazo,
giro de estoques e outras.
Para um restaurante de pequeno porte, com 120 m² e capacidade
para atender em média 250 clientes por dia, pode-se estabelecer
uma estimativa de itens de investimento conforme segue:
-reforma e adaptação do imóvel - inclui placa
de identificação e segurança;
-01 microcomputador completo, software, impressora e impressora
de cupom fiscal;
-infra-estrutura de comunicação – telefone,
internet, site;
-móveis, equipamentos de serviço, utensílios,
estantes, balcões, prateleiras;
-TV, DVD player, sistema de som, ar condicionado;
-despesas de registro da empresa, honorários profissionais,
taxas, etc;
-capital de giro para suportar o negócio nos primeiros meses.
Capital de giro
Capital de giro é um montante de recursos financeiros que
a empresa precisa manter para garantir a dinâmica do seu processo
de negócio.
O capital de giro precisa de controle permanente, pois tem a função
de minimizar o impacto das mudanças no ambiente de negócios
onde a empresa atua.
O desafio da gestão do capital de giro deve-se, principalmente,
à ocorrência dos fatores a seguir:
-Variação dos diversos custos absorvidos pela empresa;
-Aumento de despesas financeiras, em decorrência das instabilidades
desse mercado;
-Baixo volume de vendas;
-Aumento dos índices de inadimplência;
-Altos níveis de estoques.
O empreendedor deverá ter um controle orçamentário
rígido de forma a não consumir recursos sem previsão.
O empresário deve evitar a retirada de valores além
do pró-labore estipulado, pois no início todo o recurso
que entrar na empresa nela
deverá permanecer, possibilitando o crescimento e a expansão
do negócio. Dessa forma a empresa poderá alcançar
mais rapidamente
sua auto-sustentação, reduzindo as necessidades de
capital de giro e agregando maior valor ao novo negócio.
A necessidade de capital de giro para um restaurante self-service
é alta. Recomenda-se a manutenção de uma reserva
equivalente a 20% do total dos gastos iniciais para instalação
do negócio. A auto-sustentação do negócio
poderá ocorrer em prazo relativamente
curto, dependendo da política adotada para atração
de clientes e das ações desenvolvidas para manter
a clientela conquistada.
Custos
São todos os gastos realizados na produção
de um bem ou serviço e que serão incorporados posteriormente
no preço dos produtos ou
serviços prestados, como: aluguel, água, luz, salários,
honorários profissionais, despesas de vendas, matéria-prima
e insumos consumidos no processo de produção.
O cuidado na administração e redução
de todos os custos envolvidos na compra, produção
e venda de produtos ou serviços que compõem o negócio,
indica que o empreendedor poderá ter sucesso ou insucesso,
na medida em que encarar como ponto fundamental a redução
de desperdícios, a compra pelo melhor preço e o controle
de todas as despesas internas. Quanto menores os custos, maior a
chance de ganhar no resultado final do negócio.
O negócio de restaurante requer a máxima competência
para desenvolver processos de produção de alimentos
de acordo com a
demanda, pois as sobras excessivas podem desequilibrar as contas
e comprometer o resultado. Da mesma forma, os desperdícios
de
produtos na cozinha devem ser evitados ao máximo.
Os custos para abrir um restaurante self-service devem ser estimados
considerando os itens abaixo:
salários, comissões e encargos;
tributos, impostos, contribuições e taxas;
aluguel, taxa de condomínio, segurança;
água,luz, telefone e acesso a internet;
produtos para higiene e limpeza;
recursos para manutenções corretivas;
assessoria contábil;
propaganda e publicidade da empresa;
aquisição de alimentos, bebidas e outros componentes;
despesas com armazenamento e transporte;
Diversificação / Agregação de valor
O foco do restaurante self-service é o preço baixo
aliado ao atendimento rápido e de qualidade, com boas opções
de cardápio, porém não esquecer as possibilidades
de agregação de valor diferenciando-se da concorrência
para conquistar e fidelizar clientes.
Nesse caso é importante pesquisar junto aos concorrentes
para conhecer os serviços que estão sendo adicionados,
e desenvolver
opções específicas com o objetivo de proporcionar
ao cliente um atendimento diferenciado. Além disso, conversar
com os clientes
atuais para identificar suas expectativas é muito importante
para o desenvolvimento de novos serviços ou produtos personalizados,
o que amplia as possibilidades de fidelizar os atuais clientes,
além de cativar novos.
Os restaurantes self-service também se especializam por
tipo de alimentação, tais como: comida regional mineira,
goiana, nordestina,
nortista, ou aqueles que apresentam um cardápio variado.
O cardápio é divulgado antecipadamente, servindo
diariamente uma variedade em torno de 15 tipos de saladas e 25 pratos
quentes (por exemplo), além da complementação
de grelhados ou de massas confeccionadas à escolha do cliente.
Além dos pratos que fazem parte da maioria dos restaurantes,
a cada dia da semana podem ser oferecidas opções especiais,
tais como peixes, frutos do mar, comida árabe, japonesa,
ou feijoada.
Há uma tendência de diferenciação pelo
oferecimento de alimentos mais saudáveis, ou seja, alimentos
orgânicos, pratos mais leves, carnes com pouca gordura, etc.
Divulgação
Os meios de divulgação de um restaurante self-service
variam de acordo com o porte e o público-alvo escolhido.
O mais utilizado é o
anúncio em jornais de bairro e em sites da Internet nas páginas
de gastronomia e turismo alèm da distribuição
de folhetos .
O uso de listagem de clientes, pesquisadas através do pagamento
em cartões de créditos, dos clientes conhecidos do
proprietário, pode ser uma solução para o desenvolvimento
de uma mala direta convidando o cliente para promoções
especiais.
Outra opção é o chamado marketing recíproco,
quando se utiliza de estabelecimentos afins como livrarias, teatros,
lojas de vendas de dvd, de vinhos e etc.
A divulgação através de site na Internet representa
uma possibilidade de promoção muito interessante,
com a exposição de fotografias do ambiente e de freqüentadores
que autorizem a publicação de sua imagem.
A distribuição de brindes com o nome do restaurante
é um instrumento de divulgação que amplia a
visibilidade da marca do estabelecimento.
A criação de um programa de fidelidade é uma
opção interessante de divulgação do
restaurante, com um sistema de bonificação para cada
refeição realizada, caso o cliente junte 10 bônus,
converte-se em uma refeição grátis.
A oferta de pequenos brindes também é uma boa opção
para a divulgação e conquista de novos clientes tais
como: sucos, geléias,
cafezinho com licor, chocolate, etc.
A distribuição de panfletos nas proximidades pode
dar bons resultados.
Outros recursos poderão ser utilizados e se for de interesse
do empreendedor, um profissional de marketing e comunicação
poderá
ser contratado para desenvolver campanha específica.
Informações Fiscais e Tributárias
O segmento de restaurante self-service, assim entendido o serviço
de alimentação para consumo no local, com venda ou
não de bebidas, em estabelecimentos que não oferecem
serviço completo, poderá optar pelo SIMPLES Nacional
- Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos
e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas
de Pequeno Porte, instituído pela Lei Complementar nº
123/2006, caso a receita bruta de sua atividade não ultrapassar
R$ 240.000,00 (microempresa) ou R$ 2.400.000,00 (empresa de pequeno
porte) e respeitando os demais requisitos previstos na Lei.
Nesse regime, o empreendedor poderá recolher os seguintes
tributos e contribuições, por meio de apenas um documento
fiscal – o DAS (Documento de Arrecadação do
Simples Nacional):
-IRPJ (imposto de renda da pessoa jurídica);
-CSLL (contribuição social sobre o lucro);
-PIS (programa de integração social);
-COFINS (contribuição para o financiamento da seguridade
social);
-ICMS (imposto sobre circulação de mercadorias e serviços);
-INSS (contribuição para a seguridade social).
Conforme o Anexo I da referida Lei Complementar nº 123/2006,
as alíquotas do SIMPLES Nacional, para esse ramo de atividade,
vão de 4% até 11,61%, dependendo da receita bruta
auferida pelo negócio. No caso de início de atividade
no próprio ano-calendário da opção pelo
SIMPLES Nacional, para efeito de determinação da alíquota
no primeiro mês de atividade, o empreendedor utilizará,
como receita bruta total acumulada, a receita do próprio
mês de apuração multiplicada por 12 (doze).
Se o Estado em que o empreendedor estiver exercendo a atividade
conceder benefícios de isenção e/ou substituição
tributária para o
ICMS, a alíquota poderá ser reduzida conforme o caso.
Na esfera Federal poderá ocorrer a redução
quando se tratar de PIS e/ou
COFINS (Resolução nº 05/2007, do Comitê
Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas
de Pequeno Porte).
Essa opção de tributação poderá
ser amplamente vantajosa para o segmento de negócio de restaurante
self-service, motivo pelo qual
sugerimos uma avaliação cuidadosa do regime de tributação
apresentado.
Orienta-se ao empreendedor que atente ao tópico Exigências
legais especificas, que inclui as normas e regulamentos que devem
ser
atendidos para operacionalização dessa atividade.
Glossário
Self-Service – Estabelecimentos em que o cliente mesmo se
serve.
Hortifrutigrangeiros - Produtos de hortas, pomares e granjas.
Dicas do Negócio
-Dimensionar o conjunto de serviços que serão agregados
é importante para se tornar mais competitivo, avaliar o custo/benefício
desses serviços é vital para a sobrevivência
porque pode representar um elevado custo sem geração
do mesmo volume de receitas;
-Investir na qualidade global de atendimento ao cliente, ou seja:
qualidade do serviço, ambiente agradável, profissionais
atenciosos,
respeitosos e interessados pelo cliente, além de comodidades
adicionais com respeito a estacionamento no clima de conforto que
deve estar presente no ambiente do restaurante self service, para
o qual contribuem desde o tipo da música ambiente, e a altura
ideal do som, a temperatura adequada do ar-condicionado;
-Procurar fidelizar a clientela com ações de pós-venda,
como: remessa de cartões de aniversário, comunicação
de novos serviços e novos produtos ofertados, contato telefônico
lembrando de eventos e promoções;
-A presença do proprietário em tempo integral é
fundamental para o sucesso do empreendimento;
-O empreendedor deve estar sintonizado com a evolução
do setor, pois esse é um negócio que requer inovação
e adaptação constantes, em face das novas tendências
que surgem dia-a-dia;
-Os empregados devem participar de cursos de aperfeiçoamento
congressos e seminários, para garantir a atualização
do restaurante
self-service;
-O cardápio é um elemento fundamental para o sucesso
do empreendimento, a sua montagem antecede até mesmo às
instalações
da cozinha. O cardápio deve ser pensado para oferecer produtos
certos para a demanda de cada local, de cada tipo de cliente, de
cada dia e de cada horário.
Características específicas do empreendedor
O empreendedor envolvido com atividades ligadas às atividades
relacionadas a comercialização de bebidas e alimentação
precisa adequar-se a um perfil arrojado e comprometido com a evolução
acelerada de um setor altamente disputado por concorrentes nem sempre
fáceis de serem vencidos. É aconselhável uma
auto-análise para verificar qual a situação
do futuro empreendedor frente a esse conjunto de características,
e identificar oportunidades de desenvolvimento. A seguir, algumas
características desejáveis ao empresário desse
ramo:
-Ter paixão pela atividade e conhecer bem o ramo de negócio;
-Pesquisar e observar permanentemente o mercado onde está
instalado, promovendo ajustes e adaptações no negócio;
-Ter atitude e iniciativa para promover as mudanças necessárias;
-Acompanhar o desempenho dos concorrentes;
-Saber administrar todas as áreas internas da empresa;
-Saber negociar, vender benefícios e manter clientes satisfeitos;
-Ter visão clara de onde quer chegar;
-Planejar e acompanhar o desempenho da empresa;
-Ser persistente ;
-Manter o foco definido para a atividade empresarial;
-Ter coragem para assumir riscos calculados;
-Estar sempre disposto a inovar e promover mudanças;
-Ter grande capacidade para perceber novas oportunidades e agir
rapidamente para aproveitá-las;
-Ter habilidade para liderar a equipe de profissionais do restaurante
self-service;
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SENAC/SP. Bares e Restaurantes: Gestão de Pequenos Negócios.
Rio de Janeiro: Editora Senac, 2006.
SEBRAE/DF. Como montar Bar e Lanchonete. São Paulo: SEBRAE/SP,
1996.