Idéias
de Novos Negócios - Restaurante Natural
Apresentação do Negócio
Há seis séculos antes de Cristo, na China, já
se falava que a saúde do ser humano se sustenta em uma alimentação
equilibrada, através de alimentos naturais e orgânicos,
livres de aditivos, conservantes e agrotóxicos. Esta é
uma alimentação ideal para os indivíduos que
habitam países de clima tropical, pois equilibra a dependência
protéica e ajuda a estabelecer um adequado nível energético.
Na década passada, a alimentação natural era
rotulada como uma manifestação de contracultura, hippie
e à margem da sociedade. O
varejo era composto de pequenas e raras lojas especializadas e os
ingredientes eram muito caros. Hoje, existem fazendas exclusivamente
dedicadas à produção de orgânicos e as
compras podem ser realizadas em grandes supermercados. Os preços
se estabilizaram e mais pessoas estão atentas à qualidade
da sua alimentação.
O termo “comida natural” era sinônimo de macrobiótica
e, mais tarde, de comida sem produtos industrializados. Já
foi usada até para
descrever os sanduíches cheios de maionese vendidos na praia.
A comida vegetariana era associada a algo insosso e sem cor. Atualmente,
ela aparece de forma criativa, atraente e variada. Um cardápio
vegetariano pode ser tão diversificado e saboroso quanto
o de restaurantes convencionais.
Os legítimos restaurantes naturais são aqueles que
não utilizam ingredientes industrializados e, sempre que
possível, só oferecem
produtos orgânicos. A partir daí, há uma ampla
variedade de estilos. Há os 100% vegetarianos, aqueles que
servem comida crua (nada é feito usando fogo a uma temperatura
acima de 40°C), aqueles que utilizam ovos e leite e até
aqueles que servem carnes brancas.
De uma maneira geral, os restaurantes naturais são ovo-lacto-vegetarianos
(com ovos e laticínios). Não servem carne. Alguns
deles oferecem opções para os vegans, aqueles que
não comem nada derivado dos animais.
O aumento na demanda por restaurantes com um cardápio mais
saudável oferece excelentes oportunidades de negócios
para empreendedores competentes e antenados com as últimas
tendências de mercado.
Mercado
"O estilo de vida naturalista ganha cada vez mais adeptos,
aumentando rapidamente o consumo de alimentos orgânicos produzidos
sem o uso de agrotóxicos. É crescente o número
de pessoas que buscam uma alimentação mais saudável,
na tentativa de resgatar um tempo que ainda era possível
ter à mesa alimentos frescos, de boa qualidade biológica
e livre de agrotóxicos. Segundo o Instituto Biodinâmico
(IBD), entidade privada voltada para o desenvolvimento desse segmento
econômico, a venda de produtos orgânicos cresce à
ordem
de 20%.
Percebe-se uma tendência do consumidor orgânico de
privilegiar aspectos relacionados à saúde, ao meio
ambiente e ao sabor dos
alimentos. Uma pesquisa do Ibope afirma que 68% dos consumidores
brasileiros estão dispostos a pagar mais caro por um produto
que não polui o meio ambiente. Essa tendência pode
ser verificada, inclusive, na população com baixa
renda familiar.
De modo geral, pode-se dizer que existem basicamente dois tipos
de consumidores orgânicos: aqueles mais antigos, motivados,
bem informados e exigentes em termos de qualidade biológica
do produto; e os novos consumidores, adeptos desta recente tendência
nutritiva.
O consumidor orgânico é, normalmente, um profissional
liberal do sexo feminino (66%) e com idade variando entre 31 e 50
anos (62%).
Apresenta nível de instrução elevada, com nível
superior completo.
Possui o hábito de praticar esportes com freqüência
(54,9%) e, mesmo morando na cidade, procura um estilo de vida que
privilegie o contato com a natureza, frequentando parques e bosques
regularmente (62,9%).
No Brasil, há oportunidades de negócio em várias
cidades de pequeno, médio e grande porte. Alguns dados confirmam
este potencial de crescimento:
• O setor de alimentação saudável teve
um crescimento de 870% nos últimos 10 anos.
• A proporção de jovens com sobrepeso quadruplicou
nos últimos trinta anos e chegou a 14% na faixa etária
dos 8 aos 18 anos. A culpa é da vida sedentária e
do excesso de comida industrializada, rica em farináceos
e gorduras. O efeito perverso deste ganho precoce de peso é
o aumento das doenças cardiovasculares e do diabetes tipo
2.
• 40% da população brasileira estão acima
do peso.
• De acordo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, 30% dos
brasileiros têm colesterol acima do nível recomendado
(200
miligramas por decilitro de sangue).
• 80% dos jovens afirmam em pesquisas procurar alimentos mais
saudáveis e naturais.
• 35% dos domicílios brasileiros consomem produtos
diet e light.
• 21% consomem produtos orgânicos.
• 47% não deixam de consumir produtos saudáveis
por causa do preço.
• Em São Paulo, o mercado de produtos light e diet
movimentou, em 2006, US$ 3,6 bilhões e já representa
5% do total das vendas de
alimentos. A expectativa é que o setor continue crescendo
a altas taxas (acima de 10% ao ano).
Devido ao risco intrínseco ao negócio, recomenda-se
a realização de ações de pesquisa de
mercado para avaliar a demanda e a
concorrência. Seguem algumas sugestões:
• Pesquisa em fontes como prefeitura, guias, IBGE e associações
de bairro para quantificação do mercado alvo.
• Pesquisa a guias especializados em restaurantes. Este é
um instrumento fundamental para fazer uma análise da concorrência,
selecionando restaurantes por bairro, faixa de preço e especialidade.
• Visita aos concorrentes diretos, identificando os pontos
fortes e fracos dos restaurantes que trabalham no mesmo nicho.
• Participação em seminários especializados
apesar da carência de estatísticas sobre o mercado
global de produtos
naturais, a expansão e o interesse pelo mercado são
visíveis, gerando excelentes oportunidades de negócio.
Localização
A localização de um restaurante natural é
um dos principais fatores de êxito do empreendimento. A facilidade
de acesso e o fluxo de pessoas são aspectos fundamentais
na escolha do ponto comercial.
É muito importante avaliar a vizinhança no restaurante.
Estar próximo a centros comerciais e edifícios de
escritórios aumenta a chance de formação de
uma clientela fixa e estável.
Alguns detalhes devem ser observados na escolha do imóvel:
• O imóvel atende às necessidades operacionais
referentes à localização, capacidade de instalação
do negócio, possibilidade de
expansão, características da vizinhança e disponibilidade
dos serviços de água, luz, esgoto, telefone e internet.
• O ponto é de fácil acesso, possui estacionamento
para veículos, local para carga e descarga de mercadorias
e conta com serviços de
transporte coletivo nas redondezas.
• O local está sujeito a inundações ou
próximo a zonas de risco.
• O imóvel está legalizado e regularizado junto
aos órgãos públicos municipais.
• A planta do imóvel está aprovada pela Prefeitura.
• Houve alguma obra posterior, aumentando, modificando ou
diminuindo a área primitiva.
• As atividades a serem desenvolvidas no local respeitam a
Lei de Zoneamento ou o Plano Diretor do Município.
• Os pagamentos do IPTU referente ao imóvel encontram-se
em dia.
• O que a legislação local determina sobre o
licenciamento das placas de sinalização.
Exigências legais específicas
Para registrar uma empresa, a primeira providência é
contratar um contador – profissional legalmente habilitado
para elaborar os atos
constitutivos da empresa, auxiliá-lo na escolha da forma
jurídica mais adequada para o seu projeto e preencher os
formulários exigidos pelos órgãos públicos
de inscrição de pessoas jurídicas.
O contador pode informar sobre a legislação tributária
pertinente ao negócio. Mas, no momento da escolha do prestador
de serviço,
deve-se dar preferência a profissionais indicados por empresários
com negócios semelhantes.
Para legalizar a empresa, é necessário procurar os
órgãos responsáveis para as devidas inscrições.
As etapas do registro são:
• Registro de empresa nos seguintes órgãos:
o Junta Comercial;
o Secretaria da Receita Federal (CNPJ);
o Secretaria Estadual da Fazenda;
o Prefeitura do Município para obter o alvará de funcionamento;
o Enquadramento na Entidade Sindical Patronal (a empresa ficará
obrigada ao recolhimento anual da Contribuição Sindical
Patronal).
o Cadastramento junto à Caixa Econômica Federal no
sistema “Conectividade Social – INSS/FGTS”.
o Corpo de Bombeiros Militar.
• Visita à prefeitura da cidade onde pretende montar
a sua indústria (quando for o caso) para fazer a consulta
de local.
• Obtenção do alvará de licença
sanitária – adequar às instalações
de acordo com o Código Sanitário (especificações
legais sobre as
condições físicas). Em âmbito federal
a fiscalização cabe a Agência Nacional de Vigilância
Sanitária, estadual e municipal fica a cargo das Secretarias
Estadual e Municipal de Saúde (quando for o caso).
• Preparar e enviar o requerimento ao Chefe do DFA/SIV do
seu Estado para, solicitando a vistoria das instalações
e equipamentos.
• Registro do produto (quando for o caso).
As principais exigências legais aplicáveis a este
segmento são:
• Lei nº. 6.437, de 20.08.77 e alterações
posteriores – Configura infrações à legislação
sanitária federal e estabelece as sanções
respectivas e a necessidade da responsabilidade técnica.
• Lei nº.12.389 de 11 de Outubro de 2005 - Dispõe
sobre a doação e reutilização de gêneros
alimentícios e de sobras de alimentos e dá outras
providências.
• Resolução RDC nº. 91, de 11 de maio de
2001 - Aprova o Regulamento Técnico: Critérios Gerais
e Classificação de Materiais
para Embalagens e Equipamentos em Contato com Alimentos, constante
do Anexo desta Resolução.
• Resolução RDC nº. 216, de 15 de setembro
de 2004 - Dispõe sobre Regulamento Técnico de Boas
Práticas para Serviços de Alimentação.
• Resolução RDC nº. 218, de 29 de julho
de 2005 – Dispõe sobre Regulamento Técnico de
Procedimentos Higiênico-Sanitários para
Manipulação de Alimentos e Bebidas Preparados com
Vegetais.
• Resolução RDC nº. 275, de 21 de outubro
de 2002 – Regulamento Técnico de Procedimentos Operacionais
Padronizados aplicados aos Estabelecimentos Produtores/Industrializadores
de Alimentos e a Lista de Verificação das Boas Práticas
de Fabricação em Estabelecimentos Produtores / Industrializadores
de Alimentos.
• Portaria nº. 326/97 - Regulamento Técnico sobre
as Condições Higiênico-Sanitárias e de
Boas Práticas de Fabricação para
Estabelecimentos Produtores/Industrializadores de Alimentos.
• Portaria nº. 1.428/93 - Regulamento Técnico
para Inspeção Sanitária de Alimentos.
Essa legislação federal pode ser complementada pelos
órgãos estaduais e municipais de vigilância
sanitária, visando abranger
requisitos inerentes às realidades locais e promover a melhoria
das condições higiênico-sanitárias dos
serviços de alimentação.
Em alguns estados e municípios, os estabelecimentos que
produzem e/ou manipulam alimentos somente podem funcionar mediante
licença de funcionamento e alvará expedido pela autoridade
sanitária competente. A vistoria no estabelecimento segue
o código sanitário
vigente e é feita pelos fiscais da prefeitura local.
As empresas que fornecem serviços e produtos no mercado
de consumo devem observar as regras de proteção ao
consumidor,
estabelecidas pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC).
O CDC, publicado em 11 de setembro de 1990, regula a relação
de consumo em todo o território brasileiro, na busca de equilibrar
a relação entre consumidores e fornecedores.
O CDC somente se aplica às operações comerciais
em que estiver presente a relação de consumo, isto
é, nos casos em que uma pessoa (física ou jurídica)
adquire produtos ou serviços como destinatário final.
Ou seja, é necessário que em uma negociação
estejam presentes o fornecedor e o consumidor, e que o produto ou
serviço adquirido satisfaça as necessidades próprias
do consumidor, na condição de destinatário
final.
Portanto, operações não caracterizadas como
relação de consumo não estão sob a proteção
do CDC, como ocorre, por exemplo, nas compras de mercadorias para
serem revendidas pela casa. Nestas operações, as mercadorias
adquiridas se destinam à revenda, e não ao consumo
da empresa. Tais negociações se regulam pelo Código
Civil brasileiro e legislações comerciais específicas.
Alguns itens regulados pelo CDC são: forma adequada de oferta
e exposição dos produtos destinados à venda,
fornecimento de
orçamento prévio dos serviços a serem prestados,
cláusulas contratuais consideradas abusivas, responsabilidade
dos defeitos ou vícios dos produtos e serviços, os
prazos mínimos de garantia, cautelas ao fazer cobranças
de dívidas.
Em relação aos principais impostos e contribuições
que devem ser recolhidos pelo restaurante, vale uma consulta ao
contador sobre da
Lei Geral da Micro e Pequena Empresa (disponível em http://www.leigeral.com.br),
em vigor a partir de 01 de julho de 2007.
Estrutura
O conceito de restaurante natural não se limita apenas aos
pratos servidos. Um componente fundamental para a satisfação
do cliente é o
ambiente do estabelecimento. Sua atmosfera provoca um conjunto de
percepções, originadas a partir do layout, da decoração,
da iluminação, da música, dos móveis,
da aparência dos funcionários e do cardápio.
A integração e coerência desses fatores ajudam
na tematização do restaurante.
Profissionais qualificados (arquitetos, engenheiros, decoradores)
podem ajudar a definir um estilo para o ambiente, de modo a orientar
em questões sobre ergonometria, fluxo de operação,
cores que estimulam o apetite, design dos móveis, iluminação,
ventilação, etc.
Os móveis, objetos decorativos e materiais de serviço
devem ser pensados para causar a sensação de saúde
e natureza.
Para um restaurante natural com balcão de buffet, sugere-se
uma área de 120 m², capaz de atender a 250 clientes
por dia. Essa área pode ser dividida em três ambientes,
a seguir:
• Salão de refeições (60m²): A
entrada do salão deve ficar na frente do restaurante. O acesso
deve ser largo o suficiente para permitir a
entrada e saída sem choques, com rampas de acesso para portadores
de deficiências. O ambiente deve ser climatizado, principalmente
em cidades quentes. O buffet deve ser posicionado em primeiro plano,
dividido em pratos frios, pratos quentes e sobremesas. Caso o
restaurante seja por quilo, a balança eletrônica para
pesagem pode ser posicionada ao final do buffet. Mesas e cadeiras
devem ser dispostas ao lado, de forma a evitar atropelos no momento
em que o cliente se serve. Não é aconselhável
posicionar mesas muito próximas à entrada dos sanitários.
O caixa deve estar ao lado da porta de saída, juntamente
com uma mesa de chá e café.
• Cozinha (30m²): A cozinha deve ficar ao fundo, com
a porta vai-e-vem para facilitar o abastecimento do salão.
Outra opção é o
balcão “passa-pratos”, que evita a ocorrência
de acidentes com os funcionários. A cozinha pode ser dividida
em duas áreas: uma para a
confecção dos pratos quentes, com fornos, chapas e
fogões, e a outra para o manuseio de alimentos crus.
• Depósito (20m²): Ao lado da cozinha deve funcionar
o depósito, com as prateleiras de mantimentos distribuídas
em forma de corredor. O local de armazenamento precisa ser independente,
onde não se transitam substâncias tóxicas, com
área independente para higiene e guarda de utensílios
de preparação.
• Sanitário (7m²): Junto ao salão de refeições,
deve ocupar um canto discreto do restaurante. O banheiro deve estar
sempre limpo e
organizado, com papel higiênico, sabonete, anti-séptico,
papel toalha e lixeiras com tampa e pedal. A entrada dos sanitários
deve estar
protegida da visão dos clientes.
• Vestiário para funcionários (3m²):
Segundo orientações da Agência de Vigilância
Sanitária – Anvisa, os banheiros e vestiários
não devem se comunicar diretamente com as áreas de
preparo e de armazenamento dos alimentos.
A disposição dos equipamentos deve estar de acordo
com o processo produtivo, reduzindo o trânsito desnecessário
dos funcionários. Os equipamentos fixos devem permitir fácil
acesso e limpeza adequada.
O acabamento interno precisa ser de fácil limpeza e manutenção,
durabilidade e resistência ao uso intenso. As paredes devem
ser
pintadas com tinta acrílica lavável. O forro é
preferencialmente branco, pois identifica a sujeira com maior facilidade.
Pode ser gesso
pintado com acrílico acetinado, lambri pintado com esmalte
branco ou forro de PVC. O forrinho de PVC se torna bastante lavável,
ideal para cozinha.
O local de trabalho deve ser limpo e organizado, pois a sujeira
acumulada propicia a multiplicação de micróbios.
O piso, a parede e o
teto devem estar conservados e sem rachaduras, goteiras, infiltrações,
mofos e descascamentos. Os pisos devem ser preferencialmente frios,
ou seja, pisos cerâmicos lisos e sem desenhos, com porosidade
antiderrapante e resistência para alto tráfego (carga
pesada ou PI-5), rejuntados com produto adequado. Em regiões
de terra vermelha, a utilização de pisos muito claros
pode ser trabalhosa.
Sempre que possível, deve-se aproveitar a luz natural. No
final do mês, a economia da conta de luz compensa o investimento.
Luminárias e lâmpadas erradas podem proporcionar efeitos
indesejados como distorcer formatos, gerar sombras ruins, escurecer
alguns pontos, criar uma atmosfera desagradável e até
mesmo mudar a cor dos alimentos. As lâmpadas de cor quente
com foco direcional ajudam a criar destaque e ressaltar as cores
dos alimentos.
Os funcionários devem apresentar características
físicas adequadas ao desempenho de suas atividades, em ambiente
arejado, limpo, claro e dentro das normas de segurança pré-estabelecidas
pelo Corpo de Bombeiros.
Para impedir a entrada e o abrigo de insetos e outros animais,
as janelas devem possuir telas. Os objetos sem utilidade devem ser
retirados das áreas de trabalho. O local deve ser mantido
bem iluminado e ventilado e as lâmpadas protegidas contra
quebras.
As caixas de gordura e de esgoto devem estar localizadas fora das
áreas de preparo e de armazenamento de alimentos.
As superfícies que entram em contato com os alimentos, como
bancadas e mesas, devem ser mantidas em bom estado de
conservação, sem rachaduras, trincas e outros defeitos.
Os produtos de limpeza não podem ser guardados juntamente
com os alimentos. Eles devem conter no rótulo o número
do registro no
Ministério da Saúde ou a frase “Produto notificado
na Anvisa”. A limpeza do ambiente é importante para
prevenir e controlar baratas,
ratos e outras pragas. Os venenos devem ser aplicados somente quando
necessário e sempre por empresa especializada.
O lixo, além de atrair insetos e outros animais para a área
de preparo dos alimentos, é um meio ideal para a multiplicação
de micróbios
patogênicos. Por isso, a cozinha deve ter lixeiras de fácil
limpeza, com tampa e pedal e o lixo deve ser retirado para fora
da área de preparo de alimentos em sacos bem fechados. Após
o seu manuseio, deve-se lavar as mãos.
Pessoal
O número de funcionários varia de acordo com a estrutura
do empreendimento. Para a estrutura anteriormente sugerida, o
restaurante natural exige a seguinte equipe:
• Gerência: pode ser o proprietário. Deve ter
conhecimento de gestão e do processo produtivo. Também
será o responsável pelas atividades administrativas,
financeiras, controle de estoque, questões legais e supervisão
das regras de higiene.
• Assistente da gerência: ajuda a manter o controle
financeiro da empresa, gerir o sistema de faturamento, contas a
pagar e receber,
controle de estoque, compras e orçamento, garantir o cumprimento
das normas e procedimentos e apresentar relatórios gerenciais.
• Cozinheiro chefe: responsável pelo gerenciamento
dos processos de produção, elaboração
da refeição de acordo com o cardápio definido,
coordenação das atividades dos demais colaboradores
e garantia da qualidade dos produtos oferecidos, da limpeza da cozinha
e dos serviços e da qualidade do restaurante. Deve ser extremamente
higiênico, cuidadoso e interessado em novas receitas. As mulheres
devem utilizar cabelos presos, cobertos com redes ou toucas, e retirar
brincos, pulseiras, anéis, aliança, colares, relógio
e maquiagem. Os homens devem evitar bigodes, barba e costeleta.
O uniforme deve ser usado somente na área de preparo dos
alimentos, com troca diária.
• Ajudante de Cozinha: responsável por lavar e manipular
alimentos, disponibilizar os alimentos no buffet, manter os alimentos
de forma
limpa e organizada, supervisionar a disposição dos
utensílios, receber os pedidos do delivery, acondicionar
os pedidos nas embalagens e entregar os pedidos acondicionados aos
motoboys. Ocupa uma função subordinada ao cozinheiro.
• Garçom: responsável por atender aos clientes,
servir bebida e sobremesas, recolher pratos e copos, limpar as mesas,
auxiliar na
organização do buffet e disponibilizar pratos e talheres.
Deve ser atencioso, versátil e prezar pelo bom atendimento
ao público.
• Ajudante geral: responsável por lavar pratos, copos
e utensílios, limpar banheiros e cuidar da manutenção
de todo o ambiente do
restaurante.
• Caixa: responsável pela manipulação
de dinheiro e outros meios de pagamento. Deve ser confiável,
rápido e com raciocínio matemático.
Não pode ter qualquer contato com os alimentos. Muitas vezes,
esta função é desempenhada pelo próprio
gerente do estabelecimento.
O horário de funcionamento e o comportamento de vendas ao
longo do dia podem exigir a contratação de mais funcionários.
Esta expansão do negócio precisa ser planejada conforme
o aumento do faturamento.
O atendimento é um item que merece a maior preocupação
do empresário, já que nesse segmento de negócio
há uma tendência ao
relacionamento de longo prazo com o cliente.
A qualificação de profissionais aumenta o comprometimento
com a empresa, eleva o nível de retenção de
funcionários, melhora a
performance do negócio e diminui os custos trabalhistas com
a rotatividade de pessoal. O treinamento dos colaboradores deve
desenvolver as seguintes competências:
• Capacidade de percepção para entender e atender
as expectativas dos clientes.
• Agilidade e presteza no atendimento.
• Capacidade de apresentar e vender os produtos do restaurante,
expandindo o consumo médio por cliente sem ser inconveniente.
• Motivação para crescer juntamente com o negócio.
Deve-se estar atento para a Convenção Coletiva do
Sindicato dos Trabalhadores nessa área, utilizando-a como
balizadora dos salários e orientadora das relações
trabalhistas, evitando, assim, conseqüências desagradáveis.
O empreendedor pode participar de seminários, congressos
e cursos direcionados ao seu ramo de negócio, para manter-se
atualizado e
sintonizado com as tendências do setor. O Sebrae da localidade
poderá ser consultado para aprofundar as orientações
sobre o perfil do
pessoal e treinamentos adequados.
Equipamentos
A disposição dos equipamentos é importante
para a integração das atividades do estabelecimento.
Portanto, ao fazer o layout da cozinha e do salão, o empreendedor
deve levar em consideração a ambientação,
decoração, circulação, ventilação
e iluminação. Na área externa, deve-se atentar
para a fachada, letreiros, entradas, saídas e estacionamento.
Um projeto básico certamente contará com:
• Fogão industrial (seis bocas).
• Balcões térmicos frio e a vapor.
• Vitrines geladas.
• Freezer horizontal.
• Multiprocessador de alimentos.
• Espremedor de frutas para sucos.
• Cortador de frios.
• Extrator de sucos industrial.
• Forno de microondas.
• Liquidificador industrial.
• Geladeira.
• Mesas e cadeiras.
• Balança eletrônica.
• Caixa registradora.
• Material de escritório em geral.
Os equipamentos devem estar conservados, limpos e funcionando
bem. A temperatura de armazenagem deve estar regulada para que os
alimentos quentes permaneçam acima de 60ºC e os alimentos
frios abaixo de 5ºC.
Matéria Prima / Mercadoria
Na hora de optar por um restaurante natural, o cliente quer se
sentir beneficiado não só pela escolha de uma refeição
mais saudável, mas também pela qualidade do alimento
que está consumindo. Portanto, o alimento deve ser o mais
fresco possível, com ingredientes adquiridos em estabelecimentos
limpos, organizados e confiáveis. De preferência, com
legumes e verduras orgânicos.
O mercado de produtos naturais orgânicos cresce em ritmo
acelerado no mundo todo, apesar de ainda representar uma fatia minúscula
do cardápio internacional de alimentos. Em países
como Alemanha, Dinamarca e Estados Unidos, a venda de orgânicos
representa entre 1% e 3% do mercado total de alimentos. Isso apesar
de um crescimento global de quase 150% nos últimos cinco
anos.
No Brasil, faltam números confiáveis sobre o setor.
Segundo estimativas do Instituto Biodinâmico (IBD), maior
certificador de
orgânicos no País, o mercado nacional movimenta US$
200 milhões por ano, sustentado por mais de 7 mil produtores
em 270 mil hectares de agricultura e pecuária orgânica.
Em 2000, esse mercado era de US$ 50 milhões.
Os produtos congelados e refrigerados devem ser armazenados imediatamente
após a compra, evitando a aquisição de produtos
com
embalagens amassadas, estufadas, enferrujadas, trincadas, com furos
ou vazamentos, rasgadas, abertas ou com outro tipo de defeito. As
embalagens devem ser limpas antes de abertas e os ingredientes que
não forem totalmente consumidos devem ser armazenados em
recipientes limpos e identificados com o nome do produto, data da
retirada da embalagem original e prazo de validade após a
abertura.
Produtos com prazo de validade vencido não devem ser utilizados.
O mix de produtos oferecidos no cardápio e o nível
de estoque ideal devem ser suficientes para atender à clientela,
gerando receita em
caixa suficiente para não comprometer a disponibilidade de
recursos, tanto humanos (muitos produtos exigem muitos funcionários
envolvidos na compra, transporte, armazenagem) quanto financeiros
(compras além do necessário).
Há uma ampla variedade de fornecedores. É importante
realizar uma pesquisa de mercado a fim de montar um cadastro dos
fornecedores capazes de atender às necessidades. Os fornecedores
devem ser escolhidos com base nos prazos de entrega, na qualidade
dos produtos, na presteza no atendimento, na capacidade de inovar
e resolver problemas e no desenvolvimento de soluções
específicas.
No caso de frutas, verduras e legumes, deve-se ficar atento à
sazonalidade destes alimentos. Períodos de entressafra e
escassez de
produtos podem dificultar a aquisição da matéria-prima,
além de encarecer os custos e comprometer a lucratividade
do negócio.
Portanto, recomenda-se o cadastro de um grande número de
atacadistas, distribuidores, importadoras, supermercados, feiras
livres
e casas de frios. Hipermercados, muitas vezes, oferecem produtos
a preços mais baixos do que o distribuidor.
A compra de folhas pode ser diária, a compra de frutas
e legumes pode ser em dias alternados e a compra de bebidas em latas
e garrafas pode ser semanal, de acordo com o consumo. Produtos não
perecíveis ou congelados podem ser adquiridos em prazos mais
elásticos. Muitos distribuidores oferecem o serviço
de delivery, o que traz mais conforto e agilidade ao processo produtivo.
As grandes indústrias trabalham com duas estratégias
distintas de distribuição: própria ou por distribuidores.
Na distribuição própria,
seus departamentos de análise de crédito são
meticulosos e burocráticos, pois trabalham com poucos clientes
e grandes pedidos.
Já os distribuidores têm mais agilidade de faturamento
e entrega, pois trabalham com vários clientes e pedidos fracionados.
Desde a redução da inflação com o Plano
Real, os restaurantes têm optado por diminuir o volume e aumentar
a freqüência de compras
para administrar melhor os estoques e diminuir o capital parado
em mercadorias. Com isso, é possível reduzir a área
de estoque e
armazenamento refrigerado.
O mercado é bastante concentrado nos segmentos de food service,
bebidas, limpeza industrial, cervejas e refrigerantes. Apesar do
crescimento no número de restaurantes, as opções
de fornecimento estão cada vez mais concentradas. Pequenos
fornecedores, produtores, associações e cooperativas
não são capazes de garantir um fornecimento confiável
e variado.
A venda de produtos alimentícios é uma prática
que requer muitos cuidados, pois os alimentos são grandes
fontes de contaminação e
podem prejudicar a saúde do consumidor. Portanto, é
necessário que o fabricante de qualquer produto alimentício
conheça a legislação de alimentos e as boas
práticas de fabricação para, assim, distribuir
um produto adequado ao consumo humano.
Deve haver um intenso cuidado com a prática de reutilização
de alimentos. A validade dos pratos depende de diversos fatores.
Dentre
eles, destacam-se:
• Tipo de matéria-prima utilizada.
• Reações de decomposição diversas
que ocorrem naturalmente nos alimentos.
• Procedência da matéria-prima.
• Prazo de validade da matéria-prima.
• Armazenamento da matéria-prima prévio à
compra.
• Transporte adequado das matérias-primas.
• Condições de higiene e manipulação
da matéria-prima na cozinha.
• Sanitarização do local, dos utensílios
e da superfície utilizada para a manipulação
dos alimentos.
• Armazenamento dos pratos prontos.
• Transporte dos alimentos.
Organização do processo produtivo
O processo produtivo de um restaurante natural pode ser dividido
entre preparação dos ingredientes, confecção
dos pratos, serviço e
armazenamento.
1) Preparação dos ingredientes: um restaurante natural
utiliza frutas, legumes e hortaliças em grandes quantidades.
Como estes alimentos
podem ser consumidos crus, deve-se atentar para a sua correta higienização,
eliminando os micróbios patogênicos e os parasitas.
Para
preparar estes alimentos para o consumo, deve-se:
• Selecionar, retirando as folhas, partes e unidades deterioradas.
• Lavar em água corrente vegetais folhosos (alface,
escarola, rúcula, agrião) folha a folha e fruas e
legumes um a uma.
• Colocar de molho por 10 minutos em água clorada,
utilizando produto adequado para este fim (ler o rótulo da
embalagem), na diluição de 200 PPM (uma colher de
sopa para 1 litro).
• Enxaguar em água corrente vegetais folhosos, folha
a folha, e frutas e legumes um a um.
• Cortar os alimentos para montagem dos pratos com as mãos
e utensílios bem lavados.
• Manter sob refrigeração até a hora
de servir.
2) Confecção dos pratos: trata-se da preparação
dos pratos para disponibilização no buffet ou conforme
pedido do cliente. Para
preparar os alimentos com higiene, deve-se:
• Lavar as mãos antes e depois de manipular alimentos
crus.
• Utilizar temperaturas superiores a 70ºC para os alimentos
cozidos.
• Verificar a mudança na cor e textura da parte interna
do alimento para se certificar do completo cozimento.
• Evitar o contato de alimentos crus com alimentos cozidos.
• Lavar os utensílios crus antes de utilizá-los
em alimentos cozidos.
• Não deixar alimentos congelados e refrigerados fora
do freezer ou geladeira por tempo prolongado.
• Não descongelar os alimentos à temperatura
ambiente.
• Utilizar o forno de microondas se for prepará-lo
imediatamente ou deixar o alimento na geladeira até descongelar.
As carnes devem ser descongeladas dentro de recipientes.
Procura-se diminuir ao máximo o intervalo entre preparar
e servir os alimentos. No começo, é aconselhável
produzir pequenas quantidades de cada prato para avaliar aqueles
com maior demanda, evitando gastos desnecessários e excesso
de estoque.
3) Serviço: o serviço dependerá do estilo
do restaurante. Pode assumir as seguintes formas:
• Buffet (por pessoa ou por quilo): os pratos são
disponibilizados numa bancada e repostos a medida em que são
consumidos. Exige que funcionários repositores fiquem atentos
à vazão dos alimentos e informem à cozinha,
com antecedência, a necessidade do preparo de novas porções.
• A la carte: os pratos são pedidos por cada cliente
e preparados na hora. Exige o atendimento realizado por garçons
e um rápido fluxo
operacional na cozinha para não deixar o cliente esperando
por muito tempo.
4) Armazenamento: existem três tipos de armazenamento de
produtos, de acordo com a temperatura:
• Congelamento: os produtos são conservados a 0°
ou menos.
• Refrigeração: os produtos são conservados
sob temperaturas de 0° a 5°
• Estoque Seco: os produtos são armazenados à
temperatura ambiente.
O local deve ser ventilado e não muito quente, com temperaturas
entre 25° e 30°. Os produtos não devem estar expostos
diretamente sobre o piso.
Cada tipo de armazenamento requer equipamentos específicos
para seu uso. O seu perfeito funcionamento garante a integridade
dos
produtos de acordo com suas características. O estoque de
produtos de limpeza deve ser separado do estoque seco de alimentos.
Antes da abertura ao público, deve-se:
• Verificar os níveis de estoques de alimentos, bebidas
e gás.
• Abastecer o restaurante com os insumos necessários
para seu funcionamento.
• Limpar o ambiente.
• Preparar o caixa com troco.
Durante o funcionamento, deve-se:
• Manter as mesas limpas e arrumadas.
• Fechar as contas com rapidez.
• Receber e emitir as notas fiscais.
Após o horário de funcionamento, deve-se:
• Fechar e conferir o caixa.
• Limpar o ambiente.
• Lavar todos os pratos, talheres e utensílios e guardá-los.
• Recolher o lixo.
• Trancar o restaurante.
Em geral, os restaurantes funcionam doze meses ao ano, vinte e
seis dias por mês e doze horas por dia. O horário de
abertura dependerá da decisão sobre o funcionamento
para almoço e/ou jantar. Porém, trabalha-se além
do horário de atendimento ao publico em tarefas como compras
de mercadorias, limpeza, preparo dos alimentos e atividades administrativas.
A própria rotina do estabelecimento fornece dados para a
estruturação do programa de compras. Embora o sistema
de trabalho varie de um estabelecimento para outro, algumas rotinas
são comuns a todos eles. Diariamente, o empreendedor deve
certificar-se de que todos os itens do cardápio estão
disponíveis e de que o local está em perfeitas condições
de higiene. É recomendável que a verificação
de estoque e a limpeza sejam feitas logo após o fechamento
do estabelecimento. No dia seguinte, a rotina prosseguirá
com a realização das compras necessárias e
com a armazenagem dos produtos.
Automação
Atualmente, existem diversos sistemas informatizados (software)
que podem auxiliar o empreendedor na gestão do restaurante
(vide
www.baixaki.com.br ou www.superdownloads.com.br). Seguem algumas
opções:
• Bom Apetite 4.0.
• Dataprol Gourmet Máster 4.121.
• Food Pay Live.
• Gerenciamento integrado de Lanchonete, Restaurante, Pizzaria
e Delivery 2.0.
• LM Delivery.
• Onbit S2 Comanda.
• Plexis POS 2.8.8.36
• Restaurante 1.1.
• SCL – Sistema para Controle de Lanchonetes 3.0.
• Sigebar – Sistema de Gerenciamento de Bares e Restaurantes.
Antes de se decidir pelo sistema a ser utilizado, o empreendedor
deve avaliar o preço cobrado, o serviço de manutenção,
a conformidade em relação à legislação
fiscal municipal e estadual, a facilidade de suporte e as atualizações
oferecidas pelo fornecedor, verificando ainda se o aplicativo possui
funcionalidades tais como:
• Controle dos dados sobre faturamento/vendas, gestão
de caixa e bancos (conta corrente).
• Controle do estoque e validade de produtos.
• Organização de compras e contas a pagar.
• Emissão de pedido a cozinha.
• Controle de taxa de serviço.
• Lista de espera.
• Relatórios e gráficos gerenciais para análise
real do faturamento do restaurante.
Canais de distribuição
Além do próprio estabelecimento, o restaurante natural
pode prestar o serviço de entrega de refeições
em domicílios e escritórios. É
possível utilizar um serviço próprio de motoboy
ou contratar uma empresa especializada. Trata-se de um canal de
distribuição
imprescindível para ampliar as vendas e divulgar o restaurante.
Os pedidos podem ser feitos por telefone ou internet.
Investimentos
O investimento varia de acordo com o porte do empreendimento. Considerando
um restaurante natural montado numa área de 120m², é
necessário um investimento inicial estimado em R$ 80 mil,
aproximadamente, a ser alocado majoritariamente nos seguintes itens:
• Reforma do local.
• Buffet quente.
• Balcões térmicos frio e a vapor.
• Vitrines geladas.
• Freezer horizontal.
• Multiprocessador de alimentos.
• Espremedor de frutas para sucos.
• Cortador de frios.
• Aparelhos de ventilação.
• Emissor de cupom fiscal.
• Computador.
• Vasilhames e louças em geral.
• Mesas e cadeiras.
• Armários e prateleiras para estocagem.
• Extrator de sucos industrial.
• Forno de microondas.
• Liquidificador industrial.
• Geladeira.
• Fogão industrial (6 bocas).
• Vasilhames e louça.
• Talheres.
• Panelas e recipientes.
• Balança eletrônica.
• Caixa registradora.
• Material de escritório em geral.
• Abertura da empresa.
• Marketing inicial.
• Estoque inicial.
Para uma informação mais apurada sobre o investimento
inicial, sugere-se que o empreendedor utilize o modelo de plano
de negócio
disponível no Sebrae.
Capital de giro
Capital de giro é o montante de recursos financeiros que
a empresa precisa manter para garantir a dinâmica do seu processo
de negócio.
O capital de giro precisa de controle permanente, pois tem a função
de minimizar o impacto das mudanças no ambiente de negócios
onde a empresa atua.
O desafio da gestão do capital de giro deve-se, principalmente,
à ocorrência dos fatores a seguir:
• Variação dos diversos custos absorvidos pela
empresa.
• Aumento de despesas financeiras, em decorrência das
instabilidades desse mercado.
• Baixo volume de vendas.
• Aumento dos índices de inadimplência.
• Altos níveis de estoques.
O empreendedor deve ter um controle orçamentário
rígido de forma a não consumir recursos sem previsão.
Deve-se evitar a retirada de
valores além do pró-labore estipulado, pois, no início,
todo o recurso que entrar na empresa nela deverá permanecer,
possibilitando o
crescimento e a expansão do negócio. Dessa forma a
empresa poderá alcançar mais rapidamente sua auto-sustentação,
reduzindo as
necessidades de capital de giro e agregando maior valor ao novo
negócio.
Geralmente, a necessidade de capital de giro é baixa para
a operação de um restaurante natural, visto que uma
das vantagens deste setor é a maioria dos clientes pagar
os produtos à vista e os fornecedores faturarem o pagamento
da matéria-prima em até 30 dias.
Custos
São todos os gastos realizados na produção
de um bem ou serviço e que serão incorporados posteriormente
ao preço dos produtos ou
serviços prestados, como: aluguel, água, luz, salários,
honorários profissionais, despesas de vendas, matéria-prima
e insumos consumidos no processo de produção.
O cuidado na administração e redução
de todos os custos envolvidos na compra, produção
e venda de produtos ou serviços que compõem o negócio,
indica que o empreendedor poderá ter sucesso ou insucesso,
na medida em que encarar como ponto fundamental a redução
de desperdícios, a compra pelo melhor preço e o controle
de todas as despesas internas. Quanto menores os custos, maior a
chance de ganhar no resultado final do negócio.
Os custos para uma abrir um restaurante natural devem ser estimados
considerando os itens abaixo:
• Salários, comissões e encargos.
• Tributos, impostos, contribuições e taxas.
• Aluguel, taxa de condomínio, segurança.
• Água, luz, telefone e acesso a internet.
• Produtos para higiene e limpeza da empresa e funcionários.
• Recursos para manutenções corretivas.
• Assessoria contábil.
• Propaganda e publicidade da empresa.
• Aquisição de matéria-prima e insumos.
• Despesas com vendas.
• Despesas com armazenamento e transporte.
Seguem algumas dicas para manter os custos controlados:
• Comprar pelo menor preço.
• Negociar prazos mais extensos para pagamento de fornecedores.
• Evitar gastos e despesas desnecessárias.
• Manter equipe de pessoal enxuta.
• Reduzir a inadimplência, através da utilização
de cartões de crédito e débito.
Diversificação / Agregação de valor
Agregar valor significa oferecer produtos e serviços complementares
ao produto principal, diferenciando-se da concorrência e atraindo
o público-alvo. Não basta possuir algo que os produtos
concorrentes não oferecem. É necessário que
esse algo mais seja reconhecido pelo cliente como uma vantagem competitiva
e aumente o seu nível de satisfação com o produto
ou serviço prestado.
As pesquisas quantitativas e qualitativas podem ajudar na identificação
de benefícios de valor agregado. No caso de um restaurante
natural, há inúmeras oportunidades de diferenciação,
tais como:
• Dispor da consultoria de um nutricionista para auxiliar
na confecção do cardápio e escolha dos ingredientes.
• Exposição de placas informativas, contendo
a descrição dos ingredientes e conteúdo calórico
dos pratos.
• Divulgação do cardápio semanal.
• Decoração temática do ponto comercial.
• Receitas exclusivas de pratos e adaptações
à cultura local.
• Serviços de entrega diferenciados em domicílio
e escritórios.
• Fornecimento de refeições para eventos.
• Exploração do restaurante para a venda de
produtos relacionados à alimentação saudável,
como produtos naturais e orgânicos, sobremesas light, etc.
Divulgação
O setor de restaurantes é próspero na quantidade
de ações de fidelização do cliente.
O segmento específico de restaurante natural
permite diversas ações mercadológicas que reforçam
o trabalho de conceituação e posicionamento dos estabelecimentos.
As campanhas devem ser adequadas ao orçamento da empresa,
à sua região de abrangência e às peculiaridades
do local. É recomendável que o tema das campanhas
aborde os benefícios de uma alimentação saudável.
Seguem alguns conceitos que podem ser explorados:
• Melhoria da condição cardíaca.
• Controle de peso.
• Redução do risco de doenças do coração.
• Redução do risco de desenvolver câncer.
• Aumento da energia.
• Atenuação dos efeitos de doenças degenerativas
como osteoporose, obesidade e hipertensão.
• Redução dos sintomas ou eliminação
de alergias e artrites.
• Contribuição para a redução
da matança de animais.
• Redução das agressões ao meio ambiente.
Abaixo, sugerem-se algumas ações mercadológicas
acessíveis e eficientes:
• Confeccionar folders, flyers e cardápios para a
distribuição em escritórios e casas.
• Distribuir ou sortear brindes relacionados à alimentação
saudável (garrafinha de academia, boné, bolinha anti-stress).
• Divulgar o restaurante em academias e clubes.
• Patrocinar eventos esportivos.
• Oferecer degustações em pontos de grande circulação.
• Lançar promoções combinadas de refeições
e sucos.
• Criar programas de fidelidade com descontos e refeições
gratuitas.
O empreendedor deve sempre entregar o que foi prometido e, quando
puder, superar as expectativas do cliente. Ao final, a melhor
propaganda será feita pelos clientes satisfeitos e bem atendidos.
Informações Fiscais e Tributárias
O segmento de restaurante natural, assim entendido o serviço
de alimentação para consumo no local, com venda ou
não de bebidas, em
estabelecimentos que podem oferecem serviço completo ou não,
poderá optar pelo SIMPLES Nacional - Regime Especial Unificado
de Arrecadação de Tributos e Contribuições
devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, instituído
pela Lei
Complementar nº 123/2006, caso a receita bruta de sua atividade
não ultrapassar R$ 240.000,00 (microempresa) ou R$ 2.400.000,00
(empresa de pequeno porte) e respeitando os demais requisitos previstos
na Lei.
Nesse regime, o empreendedor poderá recolher os seguintes
tributos e contribuições, por meio de apenas um documento
fiscal – o DAS (Documento de Arrecadação do
Simples Nacional):
-IRPJ (imposto de renda da pessoa jurídica);
-CSLL (contribuição social sobre o lucro);
-PIS (programa de integração social);
-COFINS (contribuição para o financiamento da seguridade
social);
-ICMS (imposto sobre circulação de mercadorias e serviços);
-INSS (contribuição para a seguridade social).
Conforme o Anexo I da referida Lei Complementar nº 123/2006,
as alíquotas do SIMPLES Nacional, para esse ramo de atividade,
vão de 4% até 11,61%, dependendo da receita bruta
auferida pelo negócio. No caso de início de atividade
no próprio ano-calendário da opção pelo
SIMPLES Nacional, para efeito de determinação da alíquota
no primeiro mês de atividade, o empreendedor utilizará,
como receita bruta total acumulada, a receita do próprio
mês de apuração multiplicada por 12 (doze).
Se o Estado em que o empreendedor estiver exercendo a atividade
conceder benefícios de isenção e/ou substituição
tributária para o
ICMS, a alíquota poderá ser reduzida conforme o caso.
Na esfera Federal poderá ocorrer a redução
quando se tratar de PIS e/ou
COFINS (Resolução nº 05/2007, do Comitê
Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas
de Pequeno Porte).
Essa opção de tributação poderá
ser amplamente vantajosa para o segmento de negócio de restaurante
natural, motivo pelo qual
sugerimos uma avaliação cuidadosa do regime de tributação
apresentado.
Orienta-se ao empreendedor que atente ao tópico Exigências
legais especificas, que inclui as normas e regulamentos que devem
ser
atendidos para operacionalização dessa atividade.
Glossário
Seguem alguns termos técnicos extraídos do Glossário
Temático de Alimentação e Nutrição,
produzido pelo Ministério da Saúde.
Alimentação saudável: padrão alimentar
adequado às necessidades biológicas e sociais dos
indivíduos e de acordo com as fases do curso da vida. Deve
ser acessível (física e financeiramente), saborosa,
variada, colorida, harmônica e segura quanto aos aspectos
sanitários. Esse conceito considera as práticas alimentares
culturalmente referenciadas e valoriza o consumo de alimentos saudáveis
regionais (como legumes, verduras e frutas), sempre levando em consideração
os aspectos comportamentais e afetivos relacionados às práticas
alimentares.
Alimento diet: alimento industrializado em que determinados nutrientes
como proteína, carboidrato, gordura, sódio, entre
outros,
estão ausentes ou em quantidades muito reduzidas, não
resultando, necessariamente em um produto com baixas calorias.
Alimento in natura: alimento ofertado e consumido em seu estado
natural, sem sofrer alterações industriais que modifiquem
suas
propriedades físico-químicas (textura, composição,
propriedades organolépticas). As frutas e o leite fresco
são exemplos de alimentos
in natura.
Alimento integral: alimento pouco ou não-processado e que
mantém em perfeitas condições o conteúdo
de fibras e nutrientes. Não existe legislação
que defina esse tipo de alimento.
Alimento light: alimento produzido de forma que sua composição
reduza em, no mínimo, 25% o valor calórico e/ou os
seguintes
nutrientes: açúcares, gordura saturada, gorduras totais,
colesterol e sódio, comparado como produto tradicional ou
similar de marcas
diferentes.
Boas práticas de fabricação de alimentos:
procedimentos necessários para garantir a qualidade dos alimentos.
O regulamento que estabelece os procedimentos necessários
para a garantida da qualidade higiênico-sanitária dos
alimentos preparados é a Resolução RDC nº.
216, de 2004, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa), denominado Regulamento Técnico de Boas Práticas
para Serviços de Alimentação.
Composição dos alimentos: descrição
do valor nutritivo dos alimentos e de substâncias específicas
existente neles, como vitaminas, minerais e outros princípios.
Deficiência nutricional: estado orgânico que resulta
de um processo em que as necessidades fisiológicas de nutrientes
não estão sendo
atendidas. A deficiência nutricional pode ser decorrente tanto
de problemas alimentares quanto de problemas orgânicos.
Estado nutricional: resultado do equilíbrio entre o consumo
de nutrientes e o gasto energético do organismo para suprir
as necessidades nutricionais, em plano individual ou coletivo. Há
três tipos de manifestação: adequação
nutricional, carência nutricional e distúrbio nutricional.
Gordura trans: tipo específico de gordura formada por meio
de um processo de hidrogenação natural (na gordura
de animais ruminantes) ou industrial. Essas gorduras estão
presentes na maioria dos alimentos industrializados, em concentrações
variáveis. Os alimentos de origem animal, como a carne e
o leite, possuem pequenas quantidades de gorduras trans. A gordura
hidrogenada é um tipo especifico de gordura trans produzido
pela indústria. O processo de hidrogenação
industrial que transforma óleos vegetais líquidos
em gordura sólida à temperatura ambiente é
utilizado para melhorar a consistência dos alimentos e o tempo
de prateleira de alguns produtos. A gordura trans (hidrogenada)
é prejudicial à saúde, podendo contribuir para
o desenvolvimento de algumas doenças crônicas como
dislipidemias.
Manipulação de alimentos: conjunto de procedimentos
e técnicas operacionais aplicadas aos alimentos, desde o
tratamento da
matéria-prima até a obtenção do alimento
acabado. Esses procedimentos e técnicas ocorrem nas fases
de processamento, de
armazenamento e de transporte e de distribuição dos
alimentos.
Recomendações nutricionais: prescrições
quantitativas que se aplicam aos indivíduos para ingestão
diária de nutrientes e calorias, conforme as suas necessidades
nutricionais. As recomendações são determinadas
por meio de pesquisas científicas.
Rotulagem nutricional: informação ao consumidor sobre
os componentes nutricionais de um alimento ou de sua preparação,
incluindo a declaração de valor energético
e de nutrientes que o compõem. Existe legislação
específica elaborada pela Agência Nacional de Vigilância
Sanitária para a rotulagem de alimentos.
Segurança alimentar e nutricional: conjunto de princípios,
políticas, medidas e instrumentos que assegure a realização
do direito de todos
ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade
suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais,
tendo como base práticas alimentares promotoras de saúde,
que respeitem a diversidade cultural e que sejam social, econômica
e ambientalmente sustentáveis. Acrescenta-se, que, além
de acesso e consumo, o organismo deve dispor de condições
fisiológicas adequadas para o aproveitamento dos alimentos
por meio de boa digestão, absorção e metabolismo
de nutrientes.
Tradições alimentares: usos e costumes alimentares
que se transmitem de geração a geração,
segundo a cultura tradicional de determinadas etnias ou grupamentos
antropologicamente homogêneos.
Vigilância sanitária: conjunto de ações
capazes de eliminar, de diminuir ou de prevenir riscos à
saúde e de intervir nos problemas
sanitários decorrentes do meio ambiente, da produção
e da circulação de bens e da prestação
de serviços de interesse da saúde. Essa
vigilância abrange o controle de bens de consumo que, direta
ou indiretamente, se relacionem com a saúde, em todas as
etapas, do
processo de produção até o consumo; o controle
da prestação de serviços que se relacione,
direta ou indiretamente, com a saúde.
Dicas do Negócio
Um restaurante natural precisa proporcionar ao cliente uma sensação
imediata de higiene, limpeza e saúde. Portanto, é
recomendável que o ponto comercial seja claro, bem iluminado,
arejado, silencioso e sem odores. Uma decoração com
plantas e frutas ajuda na construção de uma atmosfera
agradável.
O cardápio deve apresentar uma grande variedade de pratos
nutritivos e saborosos, se possível com receitas exclusivas.
Deve-se utilizar
intensamente alimentos orgânicos, frescos e integrais e ofertar
produtos relacionados que possam aumentar o faturamento: sucos,
sobremesas, biscoitos orgânicos, etc.
Além da qualidade dos ingredientes utilizados, os pratos
precisam conter uma apresentação capaz de “encher
os olhos” do consumidor.
Pratos decorados, buffets, rechauds e baixelas valorizam o visual
dos pratos.
A fórmula de cobrança do serviço prestado
pode variar:
• A la carte: o prato é preparado exclusivamente para
cada cliente.
• Buffet por pessoa: o cliente paga um valor fixo para comer
à vontade.
• Buffet por quilo: o cliente paga o quilo da comida.
Freqüentemente, a fórmula do buffet por quilo é
a modalidade mais bem-sucedida para restaurantes naturais, pois
oferece preço justo,
rapidez no atendimento e variedade de pratos.
Para não descaracterizar o restaurante natural, recomenda-se
não incluir churrasco, buffet de massas e carnes vermelhas
no cardápio.
Convênios e parcerias de descontos com empresas, clubes
e academias auxiliam na formação de uma clientela
cativa. A divulgação precisa ser permanente, sempre
prezando pela criatividade e qualidade do material produzido.
O sistema de entregas é fundamental para o incremento do
negócio. Entregas rápidas em escritórios e
domicílios trazem comodidade ao
cliente e expandem a área de atuação da empresa.
Por fim, o empreendedor deve atentar que a prestação
do serviço inclui desde o primeiro contato com o cliente
para receber o pedido até o momento final de pagamento do
produto. Em nenhum momento durante o processo o bom atendimento
pode ser negligenciado.
Características específicas do empreendedor
No ramo de restaurante natural, o empreendedor precisa estar atento
à evolução dos hábitos alimentares das
pessoas que valorizam um estilo de vida mais saudável. Novidades
e informações científicas surgem a todo o momento,
construindo conceitos e determinando novos padrões nutricionais.
O empreendedor deve identificar estes movimentos de mercado e adaptá-los
à sua oferta, reconhecendo as preferências dos clientes
e renovando continuamente o cardápio.
Outras características importantes, relacionadas ao risco
do negócio, podem ajudar no sucesso do empreendimento:
• Busca constante de informações e oportunidades.
• Persistência.
• Comprometimento.
• Qualidade e eficiência.
• Capacidade de estabelecer metas e calcular riscos.
• Planejamento e monitoramento sistemáticos.
• Independência e autoconfiança.
Bibliografia Complementar
• Cartilha sobre Boas Práticas para Serviços
de Alimentação. Disponível em: www.anvisa.gov.br.
• Material da Biblioteca On-line do Sebrae. Disponível
em: www.sebrae.com.br.
• Glossário Temático de Alimentação
e Nutrição.