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Idéias de Novos Negócios - Produção de Polpa de Banana

Apresentação do Negócio

A banana é a 4ª cultura mais importante do planeta, só perde em escala para o arroz, o trigo e o milho. É uma das frutas mais consumidas in natura no mundo, sendo cultivada na maioria dos países tropicais.
É provado cientificamente que o consumo da banana apresenta vários benefícios à saúde humana, e o processamento da polpa por meio da trituração e do cozimento usando tecnologia especifica proporcionam o aproveitamento integral da fruta. A busca pela redução do desperdício proporcionado pela comercialização da fruta fresca é outro fator que favorece a viabilização de iniciativas de negócio que explorem o processo de industrialização da banana. Através do processamento da polpa é possível a geração de muitas oportunidades de aproveitamento na indústria de alimentos, como por exemplo: indústria de panificação, indústria frigorífica, de sucos,
confeitaria em geral, restaurantes comerciais, hotéis, merenda escolar, entre outros.

Atualmente, apenas um quinto da produção nacional de bananas é destinado à industrialização, configurando-se desta forma como uma
excelente oportunidade de negócio a ser explorada.

Mercado

Por se caracterizar como uma cultura apta a ser explorada em todo o território nacional, a viabilização comercial se dá pelo atendimento
dos consumidores locais. Trata-se de um produto altamente perecível e com elevado nível de desperdício, que pode ultrapassar os 50 % do volume plantado. A banana é uma fruta rica em potássio e carboidratos, apreciada por pessoas de todos os níveis sociais e idades, que além de ser consumida fresca pode ser servida frita, assada, cozida, em calda, em doces caseiros e também em produtos industrializados. Especificamente nos produtos industrializados é que se configura sua melhor oportunidade comercial. A agregação de valor obtida com o processamento da fruta, aliada à drástica redução dos desperdícios e a ampliação da vida útil do produto configuram a viabilidade do negócio.

O mercado internacional enfrenta atualmente uma super oferta de produtos in natura, gerando assim grandes dificuldades de exportação.
Por outro lado, através da identificação constante de oportunidades de emprego da polpa da fruta industrializada, este mesmo mercado pode vir a se tornar grande comprador do produto.

As iniciativas de produtores que buscam agregar valor aos seus negócios devem ser incentivadas e profissionalizadas, criando
programas de emprego intensivo destas matérias-primas nas mais diversas aplicações na indústria de alimentos.

Outra característica marcante, e que deve ser considerada pelos empresários é que, por se destinar à indústria de alimentos, a escala de
demanda é muito grande, e por vezes deve ser superior à capacidade instalada de uma pequena empresa. Neste sentido, a prática do
associativismo ou do colaborativismo, estabelecendo ações de negociação e produções conjuntas podem representar elevadas chances
de competição no mercado.

Localização

O fator primordial para a instalação de uma pequena empresa produtora de polpa de bananas está diretamente relacionado com a
existência de fornecedores próximos (produtores de bananas, ou centrais de abastecimento) e disponibilidade da mão-de-obra. Em
virtude da fácil deteriorização do fruto fresco, o cuidado e agilidade no transporte podem representar grande diferença na qualidade final do produto.

Outro aspecto que diz respeito à localização da empresa é que se não estiver de acordo com as normas da prefeitura quanto ao que rege o plano diretor para o exercício da atividade econômica acaba inviabilizando seu registro.

A melhor alternativa é procurar um imóvel apropriado para alugar, onde além da área disponível para a instalação das máquinas, tenha
ainda condições de ajustes para atender as normas da vigilância sanitária e do ministério da agricultura, estabelecendo espaços
apropriados para guardar as matérias-primas e as embalagens, bem como disponha de escritório, refeitório e banheiros.

Como exemplo e com finalidade meramente ilustrativa, considera-se uma área aproximada de 400 m2.

Exigências legais específicas

O empreendedor que está disposto a constituir uma fábrica de polpa de banana deve requerer os registros e licenças necessárias à implantação no negócio, tais como:

a) Registro da empresa/produto nos seguintes órgãos:

• ANVISA;
• Junta Comercial;
• Secretaria da Receita Federal (CNPJ);
• Secretaria Estadual de Fazenda;
• Prefeitura do Município para obter o alvará de funcionamento;
• Enquadramento na Entidade Sindical Patronal (empresa ficará obrigada a recolher por ocasião da constituição e até o dia 31 de
janeiro de cada ano, a Contribuição Sindical Patronal);
• Cadastramento junto à Caixa Econômica Federal no sistema “Conectividade Social – INSS/FGTS”.
• Corpo de Bombeiros Militar.

b) Visita a prefeitura da cidade onde pretende montar a sua fábrica para fazer a consulta de local e emissão das certidões de Uso do Solo e Número Oficial. As empresas que exploram a atividade de fabricação de polpa de banana ficam obrigadas a obter registro do estabelecimento junto ao Ministério da Agricultura. Além do registro da empresa que pode ou não adotar o regime da lei
geral das micro e pequenas empresas, qualquer atividade econômica deve respeitar o código de defesa do consumidor (CDC - Lei nº
9.870/1999), pois ele estabelece uma série de direitos e obrigações ao fornecedor e ao consumidor. A empresa deverá atender a algumas regras, tais como: responsabilidade sobre o fornecimento dos produtos e serviços, garantia da qualidade, rastreabilidade, entre outros. Outro aspecto importante se refere ao rótulo do produto, o empresário deve verificar na legislação as informações obrigatórias que o mesmo deve conter, tais como: informações completas sobre os dados da empresa fabricante, número do registro de licença, peso líquido do produto, peso drenado do produto, composição nutricional, número de lote, data fabricação e data validade entre outras informações. É importante lembrar que o empreendedor está sujeito a fiscalização sanitária do estabelecimento e do produto.

Apresenta-se a seguir algumas legislações que o futuro empreendedor deve ter conhecimento:

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA:

-DECRETO Nº 6268, DE 22 DE NOVEMBRO DE 2007.
Regulamenta a Lei no 9.972, de 25 de maio de 2000, que institui a classificação de produtos vegetais, seus subprodutos e resíduos de
valor econômico, e dá outras providências.

-LEI Nº 9.972, DE 25 DE MAIO DE 2000. Institui a classificação de produtos vegetais, subprodutos e resíduos de valor econômico, e dá outras providências.

-PORTARIA Nº 126, DE 15 DE MAIO DE 1981. Aprova as Normas anexas à presente Portaria, assinadas pelo Presidente da Comissão Técnica de Normas e Padrões e pelo Secretário Nacional de Abastecimento, a serem observadas na padronização, classificação, embalagem e apresentação da banana. Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA:

-DECRETO-LEI Nº 986, DE 21 DE OUTUBRO DE 1969. Institui Normas Básicas sobre Alimentos.

-LEI Nº 7967, DE 22 DE DEZEMBRO DE 1989. Dispõe sobre o valor das multas por infração à legislação sanitária, altera a Lei nº
6.437, de 20 de agosto de 1977, e dá outras providências.

-PORTARIA Nº 1.549, DE 17 DE OUTUBRO DE 1997. Estabelece Padrões de Identidade e Qualidade específicos e sub-padrões, quando aplicáveis, para os tipos ou espécies de alimentos.

-PORTARIA Nº 326, DE 30 DE JULHO DE 1997. Aprova o Regulamento Técnico sobre "Condições Higiênico-Sanitárias e de
Boas Práticas de Fabricação para Estabelecimentos Produtores/Industrializadores de Alimentos".

-RESOLUÇÃO RDC Nº 175, DE 08 DE JULHO DE 2003. Aprova "Regulamento Técnico de Avaliação de Matérias Macroscópicas e Microscópicas Prejudiciais à Saúde Humana em Alimentos Embalados".

RESOLUÇÃO RDC Nº 359, DE 23 DE DEZEMBRO DE 2003. Aprova Regulamento Técnico de Porções de Alimentos Embalados
para Fins de Rotulagem Nutricional.

RESOLUÇÃO RDC Nº 360, DE 23 DE DEZEMBRO DE 2003. Aprova Regulamento Técnico sobre Rotulagem Nutricional de
Alimentos Embalados, tornando obrigatória a rotulagem nutricional.

Informações detalhadas sobre a legislação, exigências legais e requisitos para a obtenção dos registros devem ser solicitados
diretamente junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

Estrutura

Além de apresentar condições físicas para a instalação das máquinas e acessórios de produção, a infra-estrutura para o negócio deve estar dividida em setores, para evitar a contaminação dos produtos e respeitar o fluxo de produção. As principais divisões a serem adotadas são:

• Recepção e seleção da matéria-prima
• Lavagem e higienização
• Maturação
• Descasque, trituração e peneiração
• Cozimento e resfriamento
• Envase, rotulagem e armazenamento.

Salientando que todas as áreas devem estar imunes, ou isentas de interferência de insetos de qualquer natureza e muito bem arejadas.

Ao procurar o imóvel para alugar, é importante tomar cuidado com alguns detalhes que são fundamentais para contribuir com a qualidade do trabalho, como: escolher uma área ampla, arejada e bem iluminada para a instalação das máquinas; os espaços de recebimento de material e expedição devem estar em perfeitas condições de limpeza e organização, caso contrário, o risco de danificar o material é muito grande; além de reservar espaço para o escritório, cozinha e banheiros.

Também é importante que o empresário forneça boas condições de trabalho aos seus colaboradores, fato este que se reflete positivamente na satisfação e produtividade.

Outro aspecto a ser observado refere-se à adequação (ergonomia) dos postos de trabalho, pois em função da duração e caráter repetitivo das atividades realizadas, é muito importante que os funcionários estejam bem acomodados, em cadeiras e acessórios apropriados para evitar problemas de saúde ocupacional.

Pessoal

A necessidade por contratação de mão-de-obra cresce de acordo com o aumento da demanda, mas é uma atividade em que se pode medir com grande precisão o volume a ser processado diariamente com cada membro da equipe. Não correndo os riscos que outras atividades menos repetitivas apresentam de oscilações da capacidade produtiva.

Por trabalhar com alimentos, é imperativo que determinadas condições sejam respeitadas por todos os colaboradores, como asseio pessoal, uso de uniformes, técnicas de manipulação e processamento de alimentos, entre outras.

Por se tratar de atividade basicamente manufatureira, e que absorve muitas pessoas com baixo grau de instrução, torna-se uma atividade com alta taxa de rotatividade, ou seja, as pessoas começam a trabalhar e desistem com muita facilidade. Este fato gera grandes problemas de continuidade do trabalho, garantia de qualidade e cumprimento aos prazos contratados.

Como estimativa para analisar a operação de uma fábrica de polpa de banana, considera-se a necessidade inicial de seis funcionários na
produção, um no administrativo e mais um no comercial para compor a equipe de trabalho, além da presença em tempo integral do
empresário.

Equipamentos

É muito importante que o empresário, antes de iniciar suas atividades, visite outras fábricas semelhantes e também peça para ver os
equipamentos dos fornecedores em funcionamento. Estes cuidados iniciais são de grande utilidade para a escolha dos melhores e mais
apropriados equipamentos (segundo as condições financeiras) para iniciar o novo negócio.

É necessário definir com clareza as especificações técnicas, modelos, marcas, capacidades para a realização de operações para depois
escolher os equipamentos, instalações e materiais diversos bem com as principais técnicas de produção a serem adotadas.

Os equipamentos essenciais para a instalação de um fábrica de polpa de banana são os seguintes:
- Balança;
- Mesas de corte;
- Tanques para lavagem dos frutos;
- Esteiras de transporte e movimentação de materiais;
- Bandejas de alumínio;
- Fogões industriais;
- Geladeiras e câmaras frias;
- Utensílios de cozinha;
- Máquinas seladoras;

O equipamento mais recomendado para a secagem é o forno desidratador, pois permite o controle da temperatura e da umidade,
fazendo com que o ar circule de forma adequada oferecendo ao produto textura, cor, sabor e aroma ideais para o consumo.
Para o escritório é necessário computador e internet, móveis, impressora e telefone/fax. Um veículo apropriado para transporte de
mercadorias pode agregar valor ao serviço ofertado pela empresa.

Matéria Prima / Mercadoria

Condição vital para a garantia da qualidade na produção de uma fábrica de polpa de banana é sem dúvida relacionada com a variedade
dos frutos utilizados. Existem dezenas de tipos diferentes de bananas, mas nem todas são apropriadas para a produção de polpa. Em geral são utilizadas as bananas conhecidas com “nanica” e “prata”, que no Brasil podem ser encontradas com grande facilidade. É
interessante registrar que em geral não ocorrem grandes problemas com a sazonalidade da oferta das frutas ao longo do ano, tornando-se crítico apenas na região sul e no inverno. O empreendedor deve levar em conta que cada 100 kg de banana in natura resulta em 50 kg de casca, que pode ser torrada e virar farinha, e mais 50 kg da fruta que depois de processada rende em torno de 15 kg de polpa de banana. Também é importante o cuidado com a qualidade dos outros insumos a serem utilizados, como água, açúcar, conservantes e antioxidantes, além das embalagens e rótulos, que são determinantes na conservação dos produtos e na atratividade frente aos clientes.

Salienta-se que o conjunto de cuidados acima apresentados, além das corretas práticas de embalagem, armazenagem e transporte podem conferir maior vida útil aos produtos processados.

Organização do processo produtivo

O primeiro passo para a produção de polpa de banana consiste do recebimento e pesagem da matéria-prima. Esta informação é
fundamental para que se possa calcular o rendimento do processo, e deve ser devidamente registrada em formulário de controle, bem como a identificação do fornecedor e numeração de lote de produção visando a rastreabilidade do produto.

Em seguida ocorrem as etapas de:

• Separação – processo de desmembramento dos cachos em pencas e depois nas bananas individualmente;

• Lavagem – consiste de uma seqüência de passos onde os frutos são lavados com uma solução de água clorada e hipoclorito de sódio
visando reduzir a carga microbiana presente na casca da fruta;

• Corte e retirada de cascas – processo manual de retirada das cascas;

• Lavagem – novo processo de lavagem onde apenas as frutas passampor processo de retirada da película protetora chamada mesocarpo;

• Desidratação e aplicação de antioxidantes – dependendo da aplicação, este processo envolve a trituração e o cozimento da polpa;

• Secagem – que pode ser através do ponto de cozimento para os frutos triturados, ou por meio de secadores para os frutos inteiros;

• Envase, estocagem e expedição. A secagem é realizada em fornos secadores especialmente desenvolvidos, onde os frutos são dispostos em bandejas padronizadas e todo o processo é acompanhado por sensores de umidade e temperatura, que devem ser ajustados para a faixa de 50 a 70 graus Celsius. Além disto, dependendo do equipamento a ser utilizado é necessário que sejam efetuadas mudanças de posição das bandejas para que o tempo de secagem seja menor e para garantir a uniformidade do teor de umidade.

Esta atividade é lenta e demorada, pois são necessárias em torno de 22 horas para completar o processo de secagem, mais o tempo de
descanso até que o produto atinja a temperatura ambiente e possa ser envasado.

A última etapa do processo é o envasamento. Este deve ser conduzido com todo cuidado e assepsia possível, pois qualquer descuido acarreta em contaminação do produto e prejuízo para a empresa.

A estocagem e expedição devem ser realizadas em ambiente apropriado, na sombra e livre de calor, garantindo assim maior vida
útil ao produto.

Considerando a geração de resíduos, água de lavagem, talos e cascas (que podem ser aproveitadas e virar farinha) como parte integrante do processo produtivo aconselha-se a elaboração do projeto industrial que aponte a correta destinação dos mesmos, baseada nas legislações vigentes (ANVISA).

Automação

O nível de automação para este tipo de empresa não se apresenta muito expressivo, trata-se de uma atividade basicamente manufatureira, na qual os serviços manuais abrangem a maioria dos processos produtivos. No que se refere ao processo de desidratação pode-se citar o uso ainda experimental de secadores automáticos convectivos, os quais favorecem o processamento, transporte e estocagem do produto.

Canais de distribuição

As formas de fazer chegar os produtos ao consumidor final são extremamente importantes, e dividem-se em duas categorias básicas: a
primeira, onde o empresário promove a venda diretamente aos clientes finais, mantendo para isto uma equipe de vendedores que percorre periodicamente os clientes tirando pedidos, e a segunda, onde o empresário opta por trabalhar com distribuidores, sendo neste caso os responsáveis por realizar a venda e a entrega dos produtos. Para pequenos volumes e empresas de pequeno porte, trabalhar com distribuidores acaba sendo inviável, pois as margens de negociação de preços e obtenção de lucro são pequenas e geralmente não se mostram interessantes. A saída neste caso consiste em montar uma boa equipe de venda que consulte os clientes, avalie a receptividade dos produtos e serviços, ouça sugestões, reclamações e tire pedidos.

Investimentos

A decisão de iniciar um negócio de produção de polpa de banana passa necessariamente por um correto levantamento de quanto
dinheiro e esforço o empresário irá gastar para iniciar o negócio. Este fato é decisivo para que os riscos de ocorrerem problemas financeiros sejam menores. O empresário deve pesquisar o preço das máquinas, equipamentos e acessórios a serem adquiridos para o início das atividades. Deve-se ressaltar que cada situação é particular, e o empreendedor vai definir quais os equipamentos pretende adquirir para iniciar suas atividades.

A fim de exemplificar a estruturação dos investimentos apresenta-se a seguir uma lista dos principais equipamentos a serem adquiridos para a produção de aproximadamente 2.000 Kg/ mês de polpa de banana (produto acabado):

Secador – R$ 5.600,00

Tanques de inox – R$ 800,00

Balança – R$ 300,00

Câmara fria – R$ 17.000,00

Mesa de inox – R$ 800,00

Fogão industrial – R$ 900,00

Utensílios gerais – R$ 600,00

Equipamentos para escritório – R$ 4.000,00

Perfazendo um total aproximado de R$ 30.000,00, além da estimativa de outros R$ 8.000,00 para reforma de estrutura do imóvel a ser
ocupado, instalações, ajustes, etc..

Capital de giro

Capital de giro é um montante de recursos financeiros que a empresa precisa manter para garantir a dinâmica do seu processo de negócio. O capital de giro precisa de controle permanente, pois tem a função de minimizar o impacto das mudanças no ambiente de negócios onde a empresa atua.

O desafio da gestão do capital de giro deve-se, principalmente, à ocorrência dos fatores a seguir:

-Variação dos diversos custos absorvidos pela empresa;

-Aumento de despesas financeiras, em decorrência das instabilidades desse mercado;

-Baixo volume de produção e vendas;

-Aumento dos índices de inadimplência;

-Altos níveis de estoques de matéria-prima e também de produtos acabados.

-Variação da oferta da matéria-prima nos meses de entre safra, principalmente, nos estados do sul do país. O empreendedor deverá ter um controle orçamentário rígido de forma a não consumir recursos sem previsão. O empresário deve evitar a retirada de valores além do pró-labore estipulado, pois no início todo o recurso que entrar na empresa nela deverá permanecer possibilitando o crescimento e a expansão do negócio. Dessa forma a empresa poderá alcançar mais rapidamente sua auto-sustentação, reduzindo as necessidades de capital de giro e agregando maior valor ao novo negócio. Estima-se a necessidade do capital de giro em torno de R$ 16.400,00.
Valor que deve estar disponível na conta para pagamentos, conforme demonstrado a seguir na análise de custos para a estrutura considerada.

Custos

São todos os gastos realizados na produção de um bem ou serviço e que serão incorporados posteriormente no preço dos produtos ou
serviços prestados, como: aluguel, água, luz, salários, honorários profissionais, despesas de vendas, matéria-prima e insumos consumidos no processo de produção.

O cuidado na administração e redução de todos os custos envolvidos na compra, produção e venda de produtos ou serviços que compõem o negócio, indica que o empreendedor poderá ter sucesso ou insucesso, na medida em que encarar como ponto fundamental a redução de desperdícios, a compra pelo melhor preço e o controle de todas as despesas internas. Quanto menores os custos, maior a chance de ganhar no resultado final do negócio. É fundamental que o empresário chegue ao nível de detalhamento do custo unitário de produção, podendo desta forma calcular a margem de contribuição de cada produto.

Outro fator extremamente relevante para a análise dos custos está relacionado ao correto aproveitamento da capacidade de produção dos colaboradores. Quanto maior for a produção, menor será a incidência do custo fixo sobre os produtos, pois, este custo é dividido (segundo critério apropriado) por todos os produtos fabricados, representando um menor custo unitário e melhorando a margem de contribuição.

A relação a seguir procura apresentar de forma simplificada os principais itens de custo mensal que devem ser absorvidos pela fábrica de polpa de banana:

• Aluguel – R$ 1.500,00
• Matéria-prima – R$ 3.000,00
• Luz, telefone, água, internet, gás – R$ 1.200,00
• Contador – R$ 400,00
• Salários diretos (mais encargos) – R$ 4.500,00
• Salários indiretos – R$ 1.200,00
• Manutenção – R$ 200,00
• Despesas correntes – R$ 400,00
• Outras despesas mensais com insumos – R$ 1.500,00
• Pró-labore – R$ 2.500,00

Salienta-se que os valores são meramente ilustrativos e dependem muito da estrutura do negócio, assim como não foram previstos os
impostos e tributos, pois estes dependem do tipo de registro adotado pela empresa.

Diversificação / Agregação de valor

Os empresários devem ter em mente que fatores como qualidade (item obrigatório), prazo e preços são condições mínimas para que uma empresa permaneça no mercado. O diferencial a ser oferecido é fator determinante na preferência do cliente o qual agrega valor ao negócio, chegando ao ponto do consumidor estar disposto a pagar mais caro pelo produto, em relação a outras marcas.

Os diferenciais dependem da relação entre os negócios, e podem estar fundamentados em ofertas de serviço distintas da maioria dos
concorrentes, como por exemplo: entrega, flexibilidade nos pedidos, na forma de pagamento, capacidade para realização de serviços
especializados, variação no mix dos produtos, entre muitas outras opções. Destaca-se como um diferencial com forte valor agregado a utilização de bananas se origem orgânica no processo produtivo, pois a procura por produtos desta natureza orgânica vem crescendo expressivamente.

Como idéia de diversificações de produtos, salienta-se que a banana pode através de processamento adequado, dar origem a inúmeros
produtos, alguns deles de elevado consumo no Brasil. Segundo a produtora e pesquisadora Heloísa de Freitas Valle, a produção da Biomassa (polpa de banana verde cozida e processada), caracteriza-se como “matéria-prima essencial para a aplicação na indústria de sucos, de massas, na panificação, na produção de sorvetes, doce de leite, na aplicação de preparações no segmento de refeições coletivas, visando a redução de custos e a melhoria do valor nutricional das refeições do trabalhador, na alimentação das forças armadas, de penitenciárias, no setor de hotelaria, para aplicação na merenda escolar, na produção da indústria frigorífica preparando produtos como: hambúrguer, salsicha, embutidos em geral e também busca empresas que tenham interesse em produzir o Floco de Banana Verde”. Ainda, segundo ela, a possibilidade de utilização da banana verde na indústria de alimentação é praticamente 100%. “Da banana tudo se aproveita, o coração para a preparação de picles, a folha para produção de papéis, o caule para produção de telhas, e a casca, isso mesmo a casca rica em fibras, serve para preparação de quibes, cuscuz, bobó de camarão, vatapás e outros pratos típicos, pudins, mingaus de fibras, pastéis e é claro as sopas”.

Divulgação

“Propaganda é a alma do negócio”, este ditado popular é válido para qualquer tipo de empresa. Existem muitas formas de se promover a divulgação das atividades e capacidades das empresas, e todas estão relacionadas às atividades de marketing.

No caso específico da fabricação de polpa de banana, não adianta pensar em divulgação em massa, propaganda, ou qualquer forma de
colocar a empresa na mídia. As indústrias de alimentos de pequeno porte fornecem seus produtos a outras empresas, em sua maioria
supermercados, restaurantes, padarias, pizzarias e mercearias, que já possuem as estratégias de divulgação bem definidas. Cabe a empresa promover a estruturação de seus serviços e a apresentação correta ao cliente direto.

É interessante que o empresário elabore um folder (panfleto de divulgação) que relacione os produtos ofertados, a capacidade produtiva da empresa e também mostre algumas fotos da estrutura e da equipe, bem como relacione clientes para consulta (lembrando de pedir autorização aos mesmos para isto), e com este material saia fazendo visitas a novos clientes.

Algumas iniciativas de pequenos patrocínios comunitários, anúncios em jornais, página na internet e propagandas em rádio podem surtir efeito positivo na divulgação do nome da empresa. Por se tratar de empresa que produz alimentos sugere-se a degustação
do produto no ponto-de-venda como uma estratégia para conquistar o varejo.

A promoção do negócio pode ser feita junto a empreendimentos gastronômicos, como restaurantes e lojas de produtos típicos e do
campo. Nesse caso, o proprietário pode programar visitas demonstrativas a esses locais. Como os supermercados e mercearias representam a melhor das opções para obtenção de grandes volumes de venda, o empresário deve ficar atento ao modo como são efetuadas as negociações e divulgações dos produtos. Geralmente são cobradas bonificações para concretizar o cadastro dos produtos e sua exposição nas gôndolas dos clientes.

Informações Fiscais e Tributárias

As pequenas indústrias de alimentos estão amparadas pela legislação do SIMPLES NACIONAL (Lei Complementar 123/2006), e podem se enquadrar inicialmente como micro empresa (faturamento anual até R$ 240.000,00).

Em virtude do objetivo deste material não contemplar o aprofundamento nos temas relacionados, mas sim servir de orientação inicial para o futuro empresário, sugere-se que todos os aspectos relacionados com o registro da empresa, identificação das legislações relacionadas à operação, principalmente as que tratam da contratação de pessoal, produção e comercialização de alimentos devem ser orientadas por profissionais especializados na área. O movimento por regularização das atividades de empresas atuando na
informalidade (ilegalmente) está cada vez mais forte. E a fiscalização das atividades vem contribuindo muito com isto. Neste caso, o
empreendedor deve tomar as providências para regularizar sua atividade, por mais complicada, cara e dificultosa que possa parecer,
pois sem dúvida passa a ser um diferencial competitivo frente aos clientes.

É importante que o empreendedor converse com um contabilista devidamente registrado no CRC (Conselho Regional de
Contabilidade) para os devidos esclarecimentos quanto aos aspectos legais e tributários relacionados à situação específica do negócio que está almejando iniciar. O prestador de serviços contábeis tem a incumbência de informar e orientar quanto aos aspectos tributários da empresa. A relação a seguir mostra os tributos que mais influenciam os preços de venda de produtos e serviços.

• IPI - (imposto sobre produtos industrializados) -Na TIPI (tabela) é possível saber a condição de enquadramento do produto;
• PIS – (programa de integração social) - Há duas situações de alíquotas diferentes, uma para empresas no regime de lucro presumido
e outra para empresas no regime de lucro real (neste caso com direito a crédito nas compras efetuadas);
• COFINS – (contribuição para financiamento da seguridade social) Há duas situações de alíquotas diferentes, uma para empresas no
regime de lucro presumido e outra para empresas no regime de lucro real (neste caso com direito a crédito nas compras efetuadas);
• IRPJ – (imposto de renda pessoa jurídica) - Há duas situações de enquadramento, lucro real ou lucro presumido;
• Contribuição Social sobre Lucros - Segue exemplo do IRPJ, duas situações de enquadramento, lucro real ou lucro presumido;
• Encargos sociais sobre a folha de pagamento - As porcentagens variam de empresa para empresa em função de diversos fatores;• Simples Federal - Aplicável apenas às micro e pequenas empresas.

Engloba os 6 tributos acima;

• ICMS – (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) - As porcentagens variam em função de diversos fatores; • Simples Estadual - Aplicável apenas às micro e pequenas empresas. Refere-se ao ICMS;

• ISS – (Imposto sobre Serviços) - Aplicável às empresas prestadoras de serviço. Nem todos os tributos mencionados na relação acima serão recolhidos pela fábrica de polpa de banana. Para a exata definição de quais impostos e suas respectivas alíquotas é necessário saber o real modo de funcionamento da empresa.

Por exemplo, a empresa apenas comercializará produtos? Quais tipos de produtos a empresa irá comercializar? A empresa comercializará produtos e prestará serviços? Qual o porte da empresa em termos de faturamento mensal? É preciso ressaltar que sem estas respostas fica muito difícil estabelecer o regime tributário da empresa e por isso é importante a definição da sua forma de atuação e a orientação do prestador de serviços contábeis, tendo em vista o estudo das alíquotas a serem praticadas.

Glossário

Antioxidantes - um conjunto heterogênio de substâncias formadas por vitaminas, minerais, pigmentos naturais e outros compostos vegetais e, ainda, enzimas, que bloqueiam o efeito danoso dos radicais livres.

Assepsia - é o conjunto de medidas que permitem manter um ser vivo ou um meio inerte isento de bactérias.

Bonificações – representam ofertas na forma de produtos, brindes que são solicitados aos empresários para que seus produtos venham a ser comercializados nos supermercados.

Convecção - é um fenômeno físico observado num meio fluido (líquidos e gases) onde há propagação de calor através da diferença de
densidade desse fluido submetido à um gradiente de temperatura.

Desidratar - retirar a água.

Mix – variação de produtos a serem comercializados de forma conjunta ou separadamente.

Polpa - é o produto obtido por esmagamento das partes comestíveis de frutas carnosas por processos tecnológicos adequados.

Rastreabilidade – representa a condição técnica de se poder identificar todas as fases por que passou um produto durante sua produção, identificando as matérias-primas, os processos o lote e a data que foi produzido.

Sazonalidade - termo que diz respeito a variação de oferta e demanda em relação ao tempo.

Dicas do Negócio

• É recomendável que as empresas clientes sejam visitadas e se possa fazer um levantamento das principais necessidades
apresentadas. É muito arriscado iniciar um negócio baseado apenas nas promessas de um único cliente;
• Uma breve consulta ao plano diretor na prefeitura já permite identificar se é possível ou não a utilização de determinado imóvel
para iniciar o negócio;
• Assim que possível o empresário deve procurar ajuda profissional para a seleção e contratação de pessoas. Existem muitas agências
especializadas neste tipo de atividade, que acabam ajudando a evitar muitas dores de cabeça e prejuízos para a empresa;
• A melhor maneira de conduzir a negociação de preços e prazos com os clientes é mostrando organização e conhecimento sobre os
processos e os custos de operação da fábrica;
• Quanto mais precisa for a pesquisa a respeito das necessidades de investimento, menores as surpresas quanto à previsão financeira para iniciar o novo negócio, e isto evita inclusive a armadilha de afundar em dívidas por falha na programação financeira;
• Para descobrir o que pode agregar valor na relação com o cliente, o empresário deve estar atento aos detalhes e sempre que possível
precisa escutar seus clientes, conversar com eles e descobrir o algo mais que vai cativar a relação comercial;
• O empresário deve ter em mente que é importantíssimo acompanhar e questionar constantemente o prestador de serviço de contabilidade.

Características específicas do empreendedor

Na literatura, existem variadas definições para o que vem a ser um empreendedor e de forma resumida, pode-se perceber em pessoas
empreendedoras a dedicação, a persistência, a disciplina, além da autoconfiança, da facilidade em se relacionar e comunicar e ainda a
capacidade de planejar e se organizar.

Numa atividade como a fabricação de polpa de banana, que é essencialmente industrial, a qualificação técnica para a realização dos
serviços é fator preponderante para o sucesso do negócio. Associada a esta característica e não menos importante está a condição de saber se relacionar com as pessoas, tanto os clientes como os colaboradores. Apenas como complementação das informações, sugere-se uma auto avaliação para medir o quanto o empreendedor está preparado para ingressar no mundo dos negócios.

E neste sentido são apresentados alguns questionamentos importantes, como os que seguem, e que foram extraídos da coleção OS PRIMEIROS PASSOS PARA O SUCESSO, desenvolvida e disponibilizada pelo SEBRAE/SC:

1. Tenho capital suficiente para abrir a empresa e ainda me manter enquanto estruturo o negócio?
2. Estou preparado emocionalmente para correr os riscos do mundo dos negócios?
3. Como trato os desafios que a vida me oferece? Com paciência e perseverança?
4. Estou preparado e disposto a abrir mão de uma série de hábitos e se for preciso trabalhar 10 horas por dia todos os dias?5. Conheço bem as minhas limitações?
6. Sou disciplinado o suficiente para estabelecer e cumprir regras e métodos de trabalho?

Cabe mais uma série de questões que teriam como finalidade avaliar o perfil empreendedor. Portanto o empreendedor deve refletir e revisar seus objetivos várias vezes, conversar com amigos e buscar certezas para tomar a decisão de empreender, pois quando iniciado o processo não se pode mais parar, sob pena de se tornar um fracasso.

Bibliografia Complementar

OS PRIMEIROS PASSOS PARA O SUCESSO. SEBRAE/SC, 2005.
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