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Idéias de Novos Negócios - Microcervejaria

Apresentação do Negócio

Não se pode precisar, mas é sabido que a cerveja vem sendo produzida há mais de 7.000 anos. Povos como os babilônios, egípcios
e sumérios já fabricavam vários tipos de cervejas a base de trigo, mel e cevada.Existe uma lei de pureza elaborada em 1516, a qual determina que a cerveja deve ser composta apenas pelos seguintes ingredientes: lúpulo, malte, água e levedura.O termo microcervejaria, que também é conhecido como cervejaria direcionada para a gastronomia, é relacionado àquelas pequenas unidades de produção, com apelo artesanal e muitas vezes praticado como hobby pelos aficionados pela bebida. São produzidas através de processos tradicionais, sem o uso de aditivos. Não são pasteurizadas e em certos casos nem filtradas, garantindo assim maior sabor e tornando-as mais saudáveis por conterem vitaminas do complexo B.Muitos bares e restaurantes vêm se tornando também microcervejarias para incrementar seus negócios e agregar valor aos clientes.Estão disponíveis no mercado equipamentos diversos para viabilizar a fabricação de cervejas, e estes podem apresentar produções que variam de 50 a 2.000 litros por lote produzido. Assim como o equipamento, outro fator de fundamental importância para a fabricação de cervejas de qualidade é a orientação de um mestre-cervejeiro, profissional qualificado e que tem condições de ensinar todas as técnicas e dicas para a elaboração de uma boa cerveja.

Mercado

Atualmente existem cerca de 60 microcervejarias em funcionamento no Brasil, e a maioria está localizada nas regiões sul e sudeste. Este
número de empresas se apresenta expressivo uma vez que, em torno de 90% da produção nacional de cervejas está concentrado em três grandes grupos (AMBEV, KAISER E SHINCARIOL). Mesmo assim, esses empreendimentos apresentam índices produtivos ainda insignificantes diante da indústria cervejeira nacional, com cerca de 0,3% do volume total fabricado pelo setor. Com faturamento superior a 12 bilhões, o Brasil produz em torno de 8,5 bilhões de litros por ano da bebida.

As microcervejarias apresentam-se como alternativa para explorar um mercado que não interessa às grandes, ou seja, aquele que procura produtos diferenciados, de alto valor agregado e sempre inovadores.

O consumo per capita no Brasil gira em torno de 50 l/ano. Enquanto nos países europeus este número chega a 150 l/ano. Mostrando que existe uma grande tendência de crescimento à medida que o País cria melhores condições econômicas.

Outro motivo que reforça a tendência de crescimento da demanda se refere ao aumento populacional. Segundo o IBGE a população
brasileira projeta uma taxa geral de crescimento demográfico para os próximos cinco anos de 1,5% ao ano. Somado a isto, o subconjunto dos consumidores maiores de 18 anos, correspondente a 42% da população, deverá aumentar mais de 4% ao ano nesse mesmo período. Levando-se em conta que é esse grupo quem define o crescimento do mercado consumidor, as perspectivas são bastante interessantes. Como conseqüência, mais de 2,5 milhões de potenciais consumidores devem chegar ao mercado a cada ano.

Outra informação importante é que, segundo a ABMIC (Associação Brasileira das Microcervejarias), a maior parcela das vendas da bebida é para consumo no balcão, com 52% de participação, seguida pela venda em supermercados (27%) e pequeno varejo (21%). Exatamente por isso, estabelecimentos especializados se espalham pelo país, a maioria deles produzindo sua própria cerveja e, principalmente, criando novas alternativas para atrair o consumidor.

Localização

O fator primordial para a instalação de uma microcervejaria está diretamente relacionado com a existência de clientes próximos
(pessoas interessadas em degustar boas cervejas na companhia de amigos).

Outro aspecto que diz respeito à localização da empresa é que, se não estiver de acordo com as normas da prefeitura quanto ao que rege o plano diretor para o exercício da atividade econômica, acaba inviabilizando seu registro.

A melhor alternativa é procurar um imóvel apropriado para alugar onde, além da área disponível para a instalação das máquinas, tenha
ainda condições de ajustes para atender às normas da vigilância sanitária, estabelecendo espaços apropriados para guardar as
matérias-primas e as embalagens, bem como disponha área para instalação dos equipamentos de bar e restaurante, podendo acomodar
determinado número de clientes de maneira segura e confortável. Os banheiros e a cozinha também devem estar de acordo com as normas da ANVISA.

Outro fator extremamente relevante neste tipo de negócio está relacionado à existência de espaço para estacionamento, pois é um dos
fatores levados em conta pelos clientes na hora de escolher entre as opções de cervejarias disponíveis.

Como exemplo e com finalidade meramente ilustrativa, considera-se uma área aproximada de 40 m2 para as instalações da microcervejaria, mais o espaço para acomodação de pelo menos 20 mesas, além de balcão para o bar e toda a área de cozinha e banheiros. Somando algo em torno de 150 m2.

Exigências legais específicas

As empresas que exploram a atividade de produção de cerveja ficam obrigadas a respeitar o que rege o DECRETO No 2.314,
DE 4 DE SETEMBRO DE 1997.O qual regulamenta a Lei nº 8.918, de 14 de julho de 1994, que dispõe sobre a padronização, a
classificação, o registro, a inspeção, a produção e a fiscalização de bebidas.Além do registro da empresa que pode ou não adotar o regime da lei geral das micro e pequenas empresas, qualquer atividade econômica deve respeitar o código de defesa do consumidor (CDC - Lei nº 9.870/1999), pois ele estabelece uma série de direitos e obrigações ao fornecedor e ao consumidor. A empresa deverá atender a algumas regras, tais como: responsabilidade sobre o fornecimento dos produtos e serviços, garantia da qualidade, rastreabilidade, entre outros.Outro aspecto importante se refere ao rótulo do produto, o empresário deve verificar na legislação as informações obrigatórias que o mesmo deve conter, tais como: informações completas sobre os dados da empresa fabricante, número do registro de licença, volume do produto, composição nutricional, número de lote, data fabricação e data validade entre outras informações.

É importante lembrar que o empreendedor está sujeito a fiscalização sanitária do estabelecimento e do produto.Apresenta-se a seguir
algumas legislações que o futuro empreendedor deve ter conhecimento:Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA : INTRUÇÃO DE SERVIÇO Nº 1, DE 28 DE JANEIRO DE 1977. Registro de Fabrica de Cerveja.PPRTARIA Nº 879, DE 28 DE
NOVEMBRO DE 1975. Aprova as “Normas para Instalações e Equipamentos Mínimos para Estabelecimentos de Bebidas e
Vinagres”.INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 54, DE 05 DE NOVEMBRO DE 2001. Adota o Regulamento Técnico MERCOSUL de Produtos de Cervejaria.Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA:- DECRETO Nº 2.314/97. Regulamenta a Lei nº 8.918, de 14 de julho de 1994, que dispõe sobre a padronização, a classificação, o registro, a inspeção, a produção e a fiscalização de bebidas.- LEI Nº 6.437/77. Configura infrações à legislação sanitária federal, estabelece as sanções respectivas, e dá outras providências.- LEI Nº 7967, DE 22 DE DEZEMBRO DE 1989. Dispõe sobre o valor das multas por infração à legislação sanitária, altera a Lei nº 6.437, de 20 de agosto de 1977, e dá outras providências.Informações detalhadas sobre exigências legais e requisitos para a obtenção dos registros devem ser solicitados diretamente junto ao Ministério da Agricultura e a ANVISA.

Estrutura

a) Registro da empresa nos seguintes órgãos:

• Junta Comercial;
• Secretaria da Receita Federal (CNPJ);
• Secretaria Estadual de Fazenda;
• Prefeitura do Município para obter o alvará de funcionamento;
• Enquadramento na Entidade Sindical Patronal;
• Cadastramento junto à Caixa Econômica Federal no sistema “Conectividade Social – INSS/FGTS”.
• Corpo de Bombeiros Militar.

b) Visita a prefeitura da cidade onde pretende montar a sua fábrica para fazer a consulta de local e emissão das certidões de Uso do Solo e Número Oficial.

Além de apresentar condições físicas para a instalação das máquinas e acessórios de produção, a infra-estrutura para o negócio deve estar dividida em setores, para evitar a contaminação dos produtos e respeitar o fluxo de produção. As principais divisões a serem adotadas são:

• Recepção e armazenagem da matéria-prima;
• Processamento;
• Envase, rotulagem e armazenamento;
• Área para degustação.

Além das áreas pertinentes à atividade relacionada com bares e restaurantes.

Também é importante que o empresário forneça boas condições de trabalho aos seus colaboradores, fato este que se reflete positivamente na satisfação e produtividade.

Pessoal

A necessidade por contratação de mão-de-obra cresce de acordo com o aumento da demanda, mas é uma atividade em que se
pode medir com grande precisão o volume a ser processado diariamente com cada membro da equipe. Por trabalhar com
alimentos, é imperativo que determinadas condições sejam respeitadas por todos os colaboradores, como asseio pessoal, uso de uniformes, técnicas de manipulação e processamento de alimentos, entre outras. Por se tratar de atividade extremamente técnica, que exige o trabalho de especialistas chamados mestres cervejeiros, o processo de recrutamento e seleção de colaboradores deve ser rigoroso, e de preferência acompanhado por profissionais especializados em Recursos Humanos. Como estimativa para analisar a operação de uma microcervejaria, considera-se a necessidade inicial de dois funcionários na produção e um no administrativo para compor a equipe de trabalho, além da presença em tempo integral do empresário. Somada a esta equipe, deve-se prever a necessidade da mão-de-obra necessária para a operação de um restaurante ou petiscaria, contratando cozinheiros, garçons, ajudantes e um gerente.

Equipamentos

É muito importante que o empresário, antes de iniciar suas atividades, visite outras fábricas semelhantes e também peça para ver os
equipamentos dos fornecedores em funcionamento. Estes cuidados iniciais são de grande utilidade para a escolha dos melhores e mais
apropriados equipamentos (segundo as condições financeiras) para iniciar o novo negócio.

É necessário definir com clareza as especificações técnicas, modelos, marcas, capacidades para a realização de operações para depois
escolher os equipamentos, instalações e materiais diversos bem com as principais técnicas de produção a serem adotadas.

Os equipamentos essenciais para a instalação de uma microcervejaria aparecem listados baixo:

-Moinho;
-Caldeira de mostura e caldeira de fervura;
-Tina de Filtro;
-Tanque Água Quente;
-Tanque de Glicol;
-Misturador de Água Quente/Fria;
-Plataforma de Serviço;
-Trocador de Calor;
-Aerador de Mosto;
-Painel de Comando;
-Tanque de Fermentação e Maturação;
-Tanque Pressão e Serviço;
-Bomba Trasfega;
-Equipamentos para enchimento (Barril).

Para o escritório é necessário computador e internet, móveis, impressora e telefone/fax. Um veículo apropriado para o transporte de
mercadorias pode agregar valor ao serviço ofertado pela empresa.

Matéria Prima / Mercadoria

Os ingredientes básicos para a produção de uma boa cerveja são a água – correspondendo a 94% do volume, o malte, o lúpulo e a
levedura, estes três últimos, em sua maioria, são importados, conferindo o toque de requinte e diferencial ao produto final.

É vital para a empresa estabelecer relações confiáveis com os principais fornecedores de produtos, matérias-primas e insumos, pois
se deve tomar muito cuidado para que a produção não pare em função de falta de insumos, fato que gera muito descontentamento dos
clientes e abre espaço para a concorrência.

Um rígido controle do volume de estoques de matéria-prima e insumos, associado a um programa confiável de entregas por parte dos
fornecedores, permite ao empresário operar a sua microcervejaria com maior segurança.

Por se tratar de insumos e matérias-primas de alto custo, o empreendedor deve tomar muito cuidado com os volumes comprados,
pois são produtos perecíveis, assim como deve atentar para as corretas práticas de embalagem, armazenagem e transporte, pois estas
conferem maior vida útil aos produtos processados.

Organização do processo produtivo

As cervejas podem ser produzidas através de diferentes processos de fermentação, permitindo desta forma a obtenção da diversificação do sabor e da consistência, como por exemplo cervejas amargas como a Ale, a Stout e a Porter, que são mais intensas e de maior teor alcoólico. E as cervejas mais suaves e adocicadas como a, Münchner, Pilsener, Pilsen e até mesmo a Bock (cerveja escura).

O processo básico por que passam as matérias-primas até a obtenção da cerveja são basicamente os que seguem:

• Moagem dos grãos de malte com o objetivo de obter os amidos necessários para a obtenção da cerveja;
• Mistura com água quente em tanques apropriados (maceração), transformando os amidos em açúcares através de processos bioquímicos;
• Filtragem da mistura, reservando o mosto – que é o líquido doce obtido na mistura;
• Borrifamento de água quente ao longo do processo de transferência do líquido doce para a caldeira de cozimento visando retirar o máximo de açúcares do malte;
• Fervura do mosto e adição de lúpulo, visando a obtenção das cervejas em suas diferentes classificações;
• Resfriamento rápido do mosto para evitar a contaminação por micro-organismos;
• Fermentação do mosto em tanques apropriados para a ação das leveduras sobre os açúcares obtendo a dosagem alcoólica;
• Por último a filtragem para a remoção da levedura, que em muitos casos não é realizada justamente para conferir todo o sabor e qualidade das cervejas artesanais.

Automação

Os fornecedores de equipamentos para microcervejarias vêm se aprimorando a cada dia, e com isto, os processos produtivos estão
sendo integrados e controlados através de sensores e equipamentos eletrônicos, de forma que, praticamente, todo o processo produtivo
está automatizado.

O grande cuidado está na composição da mistura e no acompanhamento do processo que, necessariamente deve ser conduzido por profissionais altamente qualificados, que saberão intervir ao longo das etapas de cozimento e fermentação, criando sabores e qualidade superior, os quais o sistema automatizado não consegue proporcionar.

Canais de distribuição

As formas de fazer chegar os produtos ao consumidor final são extremamente importantes, e dividem-se em duas categorias básicas: a primeira, onde o empresário promove a venda diretamente aos clientes finais, mantendo para isto a infra-estrutura e uma equipe de atendimento especializada, e a segunda, onde o empresário opta por trabalhar com distribuidores, sendo neste caso os responsáveis por
realizar a venda e a entrega dos produtos.Para pequenos volumes e empresas de pequeno porte, trabalhar com distribuidores acaba sendo inviável, pois as margens de negociação de preços e obtenção de lucro são pequenas e geralmente não se mostram interessantes. A saída neste caso consiste em montar uma boa equipe de vendas que consulte os clientes, avalie a receptividade dos produtos e serviços, ouça sugestões, reclamações e tire pedidos.

Investimentos

A decisão de iniciar um negócio de microcervejaria passa necessariamente por um correto levantamento de quanto dinheiro e esforço o empresário irá gastar para iniciar o negócio. Este fato é decisivo para que os riscos de ocorrerem problemas financeiros sejam menores. O empresário deve pesquisar o preço das máquinas, equipamentos e acessórios a serem adquiridos para o início das atividades.

Deve-se ressaltar que cada situação é particular, e o empreendedor vai definir quais os equipamentos pretende adquirir para iniciar suas
atividades.

A fim de exemplificar a estruturação dos investimentos apresenta-se a seguir uma lista dos principais processos compostos dos equipamentos necessários a serem adquiridos para a produção de aproximadamente 20.000 litros/mês de cerveja:

• Preparação do mosto, cocção e esfriamento – R$ 80.000,00
• Fermentação – R$ 20.000,00
• Filtração e armazenagem – R$ 15.000,00
• Disposição final – R$ 10.000,00
• Equipamento para escritório – R$ 10.000,00

Perfazendo um total aproximado de R$ 135.000,00, além da estimativa de outros R$ 10.000,00 para a reforma e estrutura do imóvel a ser ocupado, instalações, ajustes, etc.

Torna-se importante salientar que esta estruturação não contempla os investimentos para a operação de um bar ou restaurante.

Capital de giro

Capital de giro é um montante de recursos financeiros que a empresa deve manter para garantir a dinâmica do seu processo de negócio.

O capital de giro precisa de controle permanente, pois tem a função de minimizar o impacto das mudanças no ambiente de negócios onde a empresa atua.

O desafio da gestão do capital de giro deve-se, principalmente, à ocorrência dos fatores a seguir:

• Variação dos diversos custos absorvidos pela empresa;
• Aumento de despesas financeiras, em decorrência das instabilidades desse mercado;
• Baixo volume de produção e vendas;
• Aumento dos índices de inadimplência;
• Altos níveis de estoques de matéria-prima e também de produtos acabados.

O empreendedor deverá ter um controle orçamentário rígido de forma a não consumir recursos sem previsão.
O empresário deve evitar a retirada de valores além do pró-labore estipulado, pois, no início todo o recurso que entrar na empresa, nela
deverá permanecer possibilitando o crescimento e a expansão do negócio. Dessa forma a empresa poderá alcançar mais rapidamente
sua auto-sustentação, reduzindo as necessidades de capital de giro e agregando maior valor ao novo negócio.

Da mesma forma que foi imaginado um investimento inicial de R$ 145.000,00, estima-se a necessidade do capital de giro em torno de R$ 34.200,00 , valor que deve estar disponível na conta para pagamentos, conforme demonstrado a seguir na análise de custos para a estrutura considerada.

Custos

São todos os gastos realizados na produção de um bem ou serviço e devem ser considerados posteriormente no preço dos produtos ou
serviços prestados, como: aluguel, água, luz, salários, honorários profissionais, despesas de vendas, matéria-prima e insumos consumidos no processo de produção.

O cuidado na administração e redução de todos os custos envolvidos na compra, produção e venda de produtos ou serviços que compõem o negócio, indica que o empreendedor poderá ter sucesso ou insucesso, na medida em que encarar como ponto fundamental a redução de desperdícios, a compra pelo melhor preço e o controle de todas as despesas internas. Quanto menores os custos, maior a chance de ganhar no resultado final do negócio.

É fundamental que o empresário chegue ao nível de detalhamento do custo unitário de produção, podendo desta forma calcular a margem de contribuição unitária de cada produto.

Outro fator extremamente relevante para a análise dos custos está relacionado ao correto aproveitamento da capacidade de produção dos colaboradores.

Quanto maior for a produção, menor será a incidência do custo fixo sobre os produtos, pois, este custo é dividido (segundo critério
apropriado) por todos os produtos produzidos, representando um menor custo unitário e melhorando a margem de contribuição.

A tabela a seguir procura apresentar de forma simplificada os principais itens de custo mensal que devem ser absorvidos pela
microcervejaria:

• Aluguel – R$ 1.000,00
• Matéria-prima – R$ 16.000,00
• Luz, telefone, água, internet, gás – R$ 5.000,00
• Contador – R$ 400,00
• Salários diretos (mais encargos) – R$ 4.000,00
• Salários indiretos – R$ 800,00
• Manutenção – R$ 500,00
• Despesas correntes – R$ 500,00
• Outras despesas mensais com insumos – R$ 3.000,00
• Pró-labore – R$ 3.000,00

Salienta-se que os valores são meramente ilustrativos e dependem muito da estrutura do negócio, assim como não foram previstos os
impostos e tributos, pois estes dependem do tipo de registro adotado pela empresa.

Diversificação / Agregação de valor

Os empresários devem ter em mente que fatores como qualidade (item obrigatório), prazo e preços são condições mínimas para que uma empresa permaneça no mercado. O diferencial a ser oferecido é fator determinante na preferência do cliente o qual agrega valor ao negócio, chegando ao ponto do consumidor estar disposto a pagar mais caro pelo produto, em relação a outras marcas. Estes diferenciais dependem da relação entre os negócios, e podem estar fundamentados em ofertas de serviço distintas da maioria dos concorrentes, como por exemplo: entrega, flexibilidade nos pedidos, na forma de pagamento, capacidade para realização de serviços especializados, variação no mix dos produtos, entre muitas outras opções.

Destaca-se como um diferencial com forte valor agregado a utilização de matérias-primas de alta qualidade no processo produtivo.

Como idéia de diversificações de produtos, salienta-se que a microcervejaria pode, através de processamento adequado, dar origem
a inúmeros produtos, alguns deles de elevado consumo no Brasil. Assim podem-se obter cervejas diferenciadas como Pilsen ou Âmbar,
diferentes níveis de filtragem e também as fabricadas com trigo ou as frutadas.

Além disso, o empresário pode proporcionar um ambiente diferenciado, que pode ser temático ou mesmo pode vir a se tornar um clube do tipo confraria, com clientes cativos e fidelizados.

Divulgação

“Propaganda é a alma do negócio”, este ditado popular é válido para qualquer tipo de empresa. Existem muitas formas de se promover a divulgação das atividades e capacidades das empresas, e todas estão relacionadas às atividades de marketing. No caso específico da microcervejaria, a propaganda e outras formas de colocar a empresa na mídia são fundamentais para o sucesso do negócio. A vinculação da imagem da empresa e dos produtos com eventos culturais e festas costuma apresentar resultados positivos na divulgação do negócio. É interessante que o empresário elabore um folder (panfleto de divulgação) que relacione os produtos ofertados, a capacidade produtiva da empresa e também mostre algumas fotos da estrutura e da equipe, bem como relacione alguns clientes para
consulta (lembrando de pedir autorização aos mesmos para isto), e com este material saia fazendo visitas a novos clientes. Algumas
iniciativas de pequenos patrocínios comunitários, anúncios em jornais, internet e propagandas em rádio podem surtir efeito positivo na
divulgação do nome da empresa. Por se tratar de empresa que produz alimentos sugere-se a degustação do produto no ponto-de-venda como uma estratégia para conquistar o varejo.

Informações Fiscais e Tributárias

O segmento de microcervejaria, assim entendidas a fabricação de cervejas e chopes, não poderá optar pelo SIMPLES Nacional - Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno
Porte, instituído pela Lei Complementar nº 123/2006, por expressa vedação legal emitida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil,
através do artigo 17, inciso X, uma vez que configuram a atividade de produção ou venda no atacado de bebidas alcoólicas.
Dessa forma, o segmento de negócio de microcervejaria deverá optar por um dos regimes de tributação abaixo:

Lucro Real: É o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações estabelecidas em nossa
legislação. Este sistema é o mais complexo de todos; entretanto, dependendo de uma série de fatores a serem avaliados, o lucro real
pode ser opção vantajosa para o segmento.Alíquotas:

-IRPJ - 15% sobre a base de cálculo (lucro líquido).
Haverá um adicional de 10% para a parcela do lucro que exceder o valor de R$ 20.000,00, multiplicado pelo número de meses do período. O imposto poderá ser determinado trimestralmente ou anualmente;

-CSLL - 9%, determinada nas mesmas condições do IRPJ;
-PIS - 1,65% - sobre a receita bruta total, compensável; (vide Obs. abaixo)
-COFINS – 7,6% - sobre a receita bruta total, compensável. (vide Obs. abaixo)

Lucro Presumido: É o lucro que se presume através da receita bruta de vendas de mercadorias e/ou prestação de serviços. Trata-se de uma forma de tributação simplificada utilizada para determinar a base de cálculo do Imposto de Renda (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL) das pessoas jurídicas que não estiverem obrigadas à apuração do lucro real. Nesse regime a apuração do imposto será feita trimestralmente.A base de cálculo corresponde a 32% da receita bruta para a atividade de microcervejaria. A alíquota é mesma determinada para o Lucro Real.Alíquotas:

-IRPJ - 15% sobre a base de cálculo (após a aplicação do percentual sobre a receita bruta).
Haverá um adicional de 10% para a parcela do lucro que exceder o valor de R$ 20.000,00, multiplicado pelo número de meses do período. O imposto poderá ser determinado trimestralmente ou anualmente;

-CSLL - 9%, determinada nas mesmas condições do IRPJ;
-PIS - 0,65% - sobre a receita bruta total; (vide Obs. abaixo)
-COFINS – 3% - sobre a receita bruta total. (vide Obs. abaixo)

Obs.: Ressalta-se que, tanto no lucro real como no lucro presumido, a produção de cervejas e chopes, o PIS e a COFINS são calculadas com base em valor por litro.IPI – Calculado com base em alíquota fixa por tipo de embalagem.ICMS - recolhimento é feito pelo regime de substituição tributária. Neste regime, os produtores antecipam o recolhimento que seria feito a cada um dos elos da cadeia produtiva até a chegada do produto ao consumidor final.Já no caso das contribuições previdenciárias (tanto para o lucro real quanto para o lucro presumido):-INSS - Valor devido pela Empresa - 20% sobre a folha de pagamento de salários, pró-labore e autônomos; -Contribuição a terceiros (entidades): variável, sendo o máximo 5,8%;
-S.A.T. - Seguro de Acidentes do Trabalho - alíquotas variam de acordo com a atividade da empresa, de 1% a 3%;
-Valor devido pelo Empresário e Autônomo - A empresa também deverá descontar e reter na fonte, 11% da remuneração paga devida ou creditada a qualquer título no decorrer do mês, ao autônomo e empresário (sócio ou titular), observado o limite máximo do salário de contribuição (o recolhimento do INSS será feito através da Guia de Previdência Social - GPS).Orienta-se ao empreendedor que atente ao tópico Exigências legais especificas, que inclui as normas e regulamentos que devem ser atendidos para operacionalização dessa atividade.

Glossário

INSUMO - É um termo técnico usado para designar um bem de consumo que é utilizado na produção de um outro bem. Esse termo,
por vezes, é substituído, imprecisamente, pelo termo matéria-prima.

FERMENTAÇÃO - A fermentação é um processo anaeróbio de transformação de uma substância em outra, produzida a partir de
microorganismos, tais como bactérias e fungos, chamados nestes casos de fermentos. Exemplo de fermentação é o processo de transformação dos açúcares das plantas em álcool, tal como ocorre no processo de fabricação da cerveja.

LEVEDURA - A levedura de cerveja é um fermento natural utilizado na fermentação do mosto (uma mistura de cevada, água e lúpulo) para produzir cerveja. As leveduras de cervejas são do gênero Sacharomyces, sendo a principal a espécie Saccharomyces cerevisiae.

LÚPULO - Lúpulo é uma liana européia da espécie Humulus lupulus, da família Cannabaceae. O lúpulo é tradicionalmente usado, junto com o malte, a cevada e o levedo, na fabricação de cerveja. No calor do cozimento da mistura, o lúpulo libera suas resinas de sabor amargo, dando à cerveja sabor característico.

MALTE -Malte é um extrato xaroposo de cereal tal qual a cevada e o centeio, tido como particularmente saboroso. O malte forma-se a partir de sementes de cereal (cevada para a cerveja).

MATÉRIA PRIMA – É o nome dado a um material que sirva de entrada para um sistema de produção qualquer.

MIX – variação de produtos a serem comercializados de forma conjunta ou separadamente.

MOSTO - Produto da fase da mosturação ou brassagem, que compreende a mistura do malte triturado com água numa específica
temperatura.

Dicas do Negócio

• Uma breve consulta ao plano diretor na prefeitura já permite identificar se é possível ou não a utilização de determinado
imóvel para iniciar o negócio.

• Assim que possível o empresário deve procurar ajuda profissional para a seleção e contratação de pessoas. Existem muitas agências
especializadas neste tipo de atividade, que acabam ajudando a evitar muitas dores de cabeça e prejuízos para a empresa.

• A melhor maneira de conduzir a negociação de preços e prazos com os clientes é mostrando organização e conhecimento sobre os
processos e os custos de operação da fábrica.

• Quanto mais precisa for a pesquisa a respeito das necessidades de investimento, menores as surpresas quanto à previsão financeira para iniciar o novo negócio, e isto evita inclusive a armadilha de afundar em dívidas por falha na programação financeira.

• Para descobrir o que pode agregar valor na relação com o cliente, o empresário deve estar atento aos detalhes e sempre que possível deve escutar seus clientes, conversar com eles e descobrir o algo mais que vai cativar a relação comercial.

• O empresário deve ter em mente que é importantíssimo acompanhar e questionar constantemente o prestador de serviço de contabilidade.

Características específicas do empreendedor

Na literatura, existem variadas definições para o que vem a ser um empreendedor e de forma resumida, pode-se perceber em pessoas
empreendedoras a dedicação, a persistência, a disciplina, além da autoconfiança, da facilidade em se relacionar e comunicar e ainda a
capacidade de planejar e se organizar.

Numa atividade como a fabricação de cervejas artesanais microcervejaria, que é essencialmente industrial, a qualificação técnica
para a realização dos serviços é fator preponderante para o sucesso do negócio. Associada a esta característica e não menos importante está e a condição de saber se relacionar com as pessoas, tanto os clientes como os colaboradores.

Apenas como complementação das informações, sugere-se uma auto-avaliação para medir o quanto o empreendedor está preparado para ingressar no mundo dos negócios. E neste sentido são apresentados alguns questionamentos importantes, como os que seguem, e que foram extraídos da coleção OS PRIMEIROS PASSOS PARA O SUCESSO, desenvolvida e disponibilizada pelo SEBRAE/SC:

1. Tenho capital suficiente para abrir a empresa e ainda me manter enquanto estruturo o negócio?
2. Estou preparado emocionalmente para correr os riscos do mundo dos negócios?
3. Como trato os desafios que a vida me oferece? Com paciência e perseverança?
4. Estou preparado e disposto a abrir mão de uma série de hábitos e se for preciso trabalhar 10 horas por dia todos os dias?
5. Conheço bem as minhas limitações?
6. Sou disciplinado o suficiente para estabelecer e cumprir regras e métodos de trabalho?

Cabe mais uma série de questões que teriam como finalidade avaliar o perfil empreendedor. Portanto o empreendedor deve refletir e revisar seus objetivos, conversar com amigos e buscar certezas para tomar a decisão de empreender, pois quando iniciado o processo não se pode mais parar, sob pena de se tornar um fracasso.

Bibliografia Complementar

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-SANDHUSEN, Richard L. Marketing Básico. Editora Saraiva. 2000.*Sites visitados em janeiro de 2008.