Idéias
de Novos Negócios - Microcervejaria
Apresentação do Negócio
Não se pode precisar, mas é sabido que a cerveja
vem sendo produzida há mais de 7.000 anos. Povos como os
babilônios, egípcios
e sumérios já fabricavam vários tipos de cervejas
a base de trigo, mel e cevada.Existe uma lei de pureza elaborada
em 1516, a qual determina que a cerveja deve ser composta apenas
pelos seguintes ingredientes: lúpulo, malte, água
e levedura.O termo microcervejaria, que também é conhecido
como cervejaria direcionada para a gastronomia, é relacionado
àquelas pequenas unidades de produção, com
apelo artesanal e muitas vezes praticado como hobby pelos aficionados
pela bebida. São produzidas através de processos tradicionais,
sem o uso de aditivos. Não são pasteurizadas e em
certos casos nem filtradas, garantindo assim maior sabor e tornando-as
mais saudáveis por conterem vitaminas do complexo B.Muitos
bares e restaurantes vêm se tornando também microcervejarias
para incrementar seus negócios e agregar valor aos clientes.Estão
disponíveis no mercado equipamentos diversos para viabilizar
a fabricação de cervejas, e estes podem apresentar
produções que variam de 50 a 2.000 litros por lote
produzido. Assim como o equipamento, outro fator de fundamental
importância para a fabricação de cervejas de
qualidade é a orientação de um mestre-cervejeiro,
profissional qualificado e que tem condições de ensinar
todas as técnicas e dicas para a elaboração
de uma boa cerveja.
Mercado
Atualmente existem cerca de 60 microcervejarias em funcionamento
no Brasil, e a maioria está localizada nas regiões
sul e sudeste. Este
número de empresas se apresenta expressivo uma vez que, em
torno de 90% da produção nacional de cervejas está
concentrado em três grandes grupos (AMBEV, KAISER E SHINCARIOL).
Mesmo assim, esses empreendimentos apresentam índices produtivos
ainda insignificantes diante da indústria cervejeira nacional,
com cerca de 0,3% do volume total fabricado pelo setor. Com faturamento
superior a 12 bilhões, o Brasil produz em torno de 8,5 bilhões
de litros por ano da bebida.
As microcervejarias apresentam-se como alternativa para explorar
um mercado que não interessa às grandes, ou seja,
aquele que procura produtos diferenciados, de alto valor agregado
e sempre inovadores.
O consumo per capita no Brasil gira em torno de 50 l/ano. Enquanto
nos países europeus este número chega a 150 l/ano.
Mostrando que existe uma grande tendência de crescimento à
medida que o País cria melhores condições econômicas.
Outro motivo que reforça a tendência de crescimento
da demanda se refere ao aumento populacional. Segundo o IBGE a população
brasileira projeta uma taxa geral de crescimento demográfico
para os próximos cinco anos de 1,5% ao ano. Somado a isto,
o subconjunto dos consumidores maiores de 18 anos, correspondente
a 42% da população, deverá aumentar mais de
4% ao ano nesse mesmo período. Levando-se em conta que é
esse grupo quem define o crescimento do mercado consumidor, as perspectivas
são bastante interessantes. Como conseqüência,
mais de 2,5 milhões de potenciais consumidores devem chegar
ao mercado a cada ano.
Outra informação importante é que, segundo
a ABMIC (Associação Brasileira das Microcervejarias),
a maior parcela das vendas da bebida é para consumo no balcão,
com 52% de participação, seguida pela venda em supermercados
(27%) e pequeno varejo (21%). Exatamente por isso, estabelecimentos
especializados se espalham pelo país, a maioria deles produzindo
sua própria cerveja e, principalmente, criando novas alternativas
para atrair o consumidor.
Localização
O fator primordial para a instalação de uma microcervejaria
está diretamente relacionado com a existência de clientes
próximos
(pessoas interessadas em degustar boas cervejas na companhia de
amigos).
Outro aspecto que diz respeito à localização
da empresa é que, se não estiver de acordo com as
normas da prefeitura quanto ao que rege o plano diretor para o exercício
da atividade econômica, acaba inviabilizando seu registro.
A melhor alternativa é procurar um imóvel apropriado
para alugar onde, além da área disponível para
a instalação das máquinas, tenha
ainda condições de ajustes para atender às
normas da vigilância sanitária, estabelecendo espaços
apropriados para guardar as
matérias-primas e as embalagens, bem como disponha área
para instalação dos equipamentos de bar e restaurante,
podendo acomodar
determinado número de clientes de maneira segura e confortável.
Os banheiros e a cozinha também devem estar de acordo com
as normas da ANVISA.
Outro fator extremamente relevante neste tipo de negócio
está relacionado à existência de espaço
para estacionamento, pois é um dos
fatores levados em conta pelos clientes na hora de escolher entre
as opções de cervejarias disponíveis.
Como exemplo e com finalidade meramente ilustrativa, considera-se
uma área aproximada de 40 m2 para as instalações
da microcervejaria, mais o espaço para acomodação
de pelo menos 20 mesas, além de balcão para o bar
e toda a área de cozinha e banheiros. Somando algo em torno
de 150 m2.
Exigências legais específicas
As empresas que exploram a atividade de produção
de cerveja ficam obrigadas a respeitar o que rege o DECRETO No 2.314,
DE 4 DE SETEMBRO DE 1997.O qual regulamenta a Lei nº 8.918,
de 14 de julho de 1994, que dispõe sobre a padronização,
a
classificação, o registro, a inspeção,
a produção e a fiscalização de bebidas.Além
do registro da empresa que pode ou não adotar o regime da
lei geral das micro e pequenas empresas, qualquer atividade econômica
deve respeitar o código de defesa do consumidor (CDC - Lei
nº 9.870/1999), pois ele estabelece uma série de direitos
e obrigações ao fornecedor e ao consumidor. A empresa
deverá atender a algumas regras, tais como: responsabilidade
sobre o fornecimento dos produtos e serviços, garantia da
qualidade, rastreabilidade, entre outros.Outro aspecto importante
se refere ao rótulo do produto, o empresário deve
verificar na legislação as informações
obrigatórias que o mesmo deve conter, tais como: informações
completas sobre os dados da empresa fabricante, número do
registro de licença, volume do produto, composição
nutricional, número de lote, data fabricação
e data validade entre outras informações.
É importante lembrar que o empreendedor está sujeito
a fiscalização sanitária do estabelecimento
e do produto.Apresenta-se a seguir
algumas legislações que o futuro empreendedor deve
ter conhecimento:Ministério da Agricultura, Pecuária
e Abastecimento – MAPA : INTRUÇÃO DE SERVIÇO
Nº 1, DE 28 DE JANEIRO DE 1977. Registro de Fabrica de Cerveja.PPRTARIA
Nº 879, DE 28 DE
NOVEMBRO DE 1975. Aprova as “Normas para Instalações
e Equipamentos Mínimos para Estabelecimentos de Bebidas e
Vinagres”.INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 54, DE
05 DE NOVEMBRO DE 2001. Adota o Regulamento Técnico MERCOSUL
de Produtos de Cervejaria.Agência Nacional de Vigilância
Sanitária – ANVISA:- DECRETO Nº 2.314/97. Regulamenta
a Lei nº 8.918, de 14 de julho de 1994, que dispõe sobre
a padronização, a classificação, o registro,
a inspeção, a produção e a fiscalização
de bebidas.- LEI Nº 6.437/77. Configura infrações
à legislação sanitária federal, estabelece
as sanções respectivas, e dá outras providências.-
LEI Nº 7967, DE 22 DE DEZEMBRO DE 1989. Dispõe sobre
o valor das multas por infração à legislação
sanitária, altera a Lei nº 6.437, de 20 de agosto de
1977, e dá outras providências.Informações
detalhadas sobre exigências legais e requisitos para a obtenção
dos registros devem ser solicitados diretamente junto ao Ministério
da Agricultura e a ANVISA.
Estrutura
a) Registro da empresa nos seguintes órgãos:
• Junta Comercial;
• Secretaria da Receita Federal (CNPJ);
• Secretaria Estadual de Fazenda;
• Prefeitura do Município para obter o alvará
de funcionamento;
• Enquadramento na Entidade Sindical Patronal;
• Cadastramento junto à Caixa Econômica Federal
no sistema “Conectividade Social – INSS/FGTS”.
• Corpo de Bombeiros Militar.
b) Visita a prefeitura da cidade onde pretende montar a sua fábrica
para fazer a consulta de local e emissão das certidões
de Uso do Solo e Número Oficial.
Além de apresentar condições físicas
para a instalação das máquinas e acessórios
de produção, a infra-estrutura para o negócio
deve estar dividida em setores, para evitar a contaminação
dos produtos e respeitar o fluxo de produção. As principais
divisões a serem adotadas são:
• Recepção e armazenagem da matéria-prima;
• Processamento;
• Envase, rotulagem e armazenamento;
• Área para degustação.
Além das áreas pertinentes à atividade relacionada
com bares e restaurantes.
Também é importante que o empresário forneça
boas condições de trabalho aos seus colaboradores,
fato este que se reflete positivamente na satisfação
e produtividade.
Pessoal
A necessidade por contratação de mão-de-obra
cresce de acordo com o aumento da demanda, mas é uma atividade
em que se
pode medir com grande precisão o volume a ser processado
diariamente com cada membro da equipe. Por trabalhar com
alimentos, é imperativo que determinadas condições
sejam respeitadas por todos os colaboradores, como asseio pessoal,
uso de uniformes, técnicas de manipulação e
processamento de alimentos, entre outras. Por se tratar de atividade
extremamente técnica, que exige o trabalho de especialistas
chamados mestres cervejeiros, o processo de recrutamento e seleção
de colaboradores deve ser rigoroso, e de preferência acompanhado
por profissionais especializados em Recursos Humanos. Como estimativa
para analisar a operação de uma microcervejaria, considera-se
a necessidade inicial de dois funcionários na produção
e um no administrativo para compor a equipe de trabalho, além
da presença em tempo integral do empresário. Somada
a esta equipe, deve-se prever a necessidade da mão-de-obra
necessária para a operação de um restaurante
ou petiscaria, contratando cozinheiros, garçons, ajudantes
e um gerente.
Equipamentos
É muito importante que o empresário, antes de iniciar
suas atividades, visite outras fábricas semelhantes e também
peça para ver os
equipamentos dos fornecedores em funcionamento. Estes cuidados iniciais
são de grande utilidade para a escolha dos melhores e mais
apropriados equipamentos (segundo as condições financeiras)
para iniciar o novo negócio.
É necessário definir com clareza as especificações
técnicas, modelos, marcas, capacidades para a realização
de operações para depois
escolher os equipamentos, instalações e materiais
diversos bem com as principais técnicas de produção
a serem adotadas.
Os equipamentos essenciais para a instalação de uma
microcervejaria aparecem listados baixo:
-Moinho;
-Caldeira de mostura e caldeira de fervura;
-Tina de Filtro;
-Tanque Água Quente;
-Tanque de Glicol;
-Misturador de Água Quente/Fria;
-Plataforma de Serviço;
-Trocador de Calor;
-Aerador de Mosto;
-Painel de Comando;
-Tanque de Fermentação e Maturação;
-Tanque Pressão e Serviço;
-Bomba Trasfega;
-Equipamentos para enchimento (Barril).
Para o escritório é necessário computador
e internet, móveis, impressora e telefone/fax. Um veículo
apropriado para o transporte de
mercadorias pode agregar valor ao serviço ofertado pela empresa.
Matéria Prima / Mercadoria
Os ingredientes básicos para a produção de
uma boa cerveja são a água – correspondendo
a 94% do volume, o malte, o lúpulo e a
levedura, estes três últimos, em sua maioria, são
importados, conferindo o toque de requinte e diferencial ao produto
final.
É vital para a empresa estabelecer relações
confiáveis com os principais fornecedores de produtos, matérias-primas
e insumos, pois
se deve tomar muito cuidado para que a produção não
pare em função de falta de insumos, fato que gera
muito descontentamento dos
clientes e abre espaço para a concorrência.
Um rígido controle do volume de estoques de matéria-prima
e insumos, associado a um programa confiável de entregas
por parte dos
fornecedores, permite ao empresário operar a sua microcervejaria
com maior segurança.
Por se tratar de insumos e matérias-primas de alto custo,
o empreendedor deve tomar muito cuidado com os volumes comprados,
pois são produtos perecíveis, assim como deve atentar
para as corretas práticas de embalagem, armazenagem e transporte,
pois estas
conferem maior vida útil aos produtos processados.
Organização do processo produtivo
As cervejas podem ser produzidas através de diferentes processos
de fermentação, permitindo desta forma a obtenção
da diversificação do sabor e da consistência,
como por exemplo cervejas amargas como a Ale, a Stout e a Porter,
que são mais intensas e de maior teor alcoólico. E
as cervejas mais suaves e adocicadas como a, Münchner, Pilsener,
Pilsen e até mesmo a Bock (cerveja escura).
O processo básico por que passam as matérias-primas
até a obtenção da cerveja são basicamente
os que seguem:
• Moagem dos grãos de malte com o objetivo de obter
os amidos necessários para a obtenção da cerveja;
• Mistura com água quente em tanques apropriados (maceração),
transformando os amidos em açúcares através
de processos bioquímicos;
• Filtragem da mistura, reservando o mosto – que é
o líquido doce obtido na mistura;
• Borrifamento de água quente ao longo do processo
de transferência do líquido doce para a caldeira de
cozimento visando retirar o máximo de açúcares
do malte;
• Fervura do mosto e adição de lúpulo,
visando a obtenção das cervejas em suas diferentes
classificações;
• Resfriamento rápido do mosto para evitar a contaminação
por micro-organismos;
• Fermentação do mosto em tanques apropriados
para a ação das leveduras sobre os açúcares
obtendo a dosagem alcoólica;
• Por último a filtragem para a remoção
da levedura, que em muitos casos não é realizada justamente
para conferir todo o sabor e qualidade das cervejas artesanais.
Automação
Os fornecedores de equipamentos para microcervejarias vêm
se aprimorando a cada dia, e com isto, os processos produtivos estão
sendo integrados e controlados através de sensores e equipamentos
eletrônicos, de forma que, praticamente, todo o processo produtivo
está automatizado.
O grande cuidado está na composição da mistura
e no acompanhamento do processo que, necessariamente deve ser conduzido
por profissionais altamente qualificados, que saberão intervir
ao longo das etapas de cozimento e fermentação, criando
sabores e qualidade superior, os quais o sistema automatizado não
consegue proporcionar.
Canais de distribuição
As formas de fazer chegar os produtos ao consumidor final são
extremamente importantes, e dividem-se em duas categorias básicas:
a primeira, onde o empresário promove a venda diretamente
aos clientes finais, mantendo para isto a infra-estrutura e uma
equipe de atendimento especializada, e a segunda, onde o empresário
opta por trabalhar com distribuidores, sendo neste caso os responsáveis
por
realizar a venda e a entrega dos produtos.Para pequenos volumes
e empresas de pequeno porte, trabalhar com distribuidores acaba
sendo inviável, pois as margens de negociação
de preços e obtenção de lucro são pequenas
e geralmente não se mostram interessantes. A saída
neste caso consiste em montar uma boa equipe de vendas que consulte
os clientes, avalie a receptividade dos produtos e serviços,
ouça sugestões, reclamações e tire pedidos.
Investimentos
A decisão de iniciar um negócio de microcervejaria
passa necessariamente por um correto levantamento de quanto dinheiro
e esforço o empresário irá gastar para iniciar
o negócio. Este fato é decisivo para que os riscos
de ocorrerem problemas financeiros sejam menores. O empresário
deve pesquisar o preço das máquinas, equipamentos
e acessórios a serem adquiridos para o início das
atividades.
Deve-se ressaltar que cada situação é particular,
e o empreendedor vai definir quais os equipamentos pretende adquirir
para iniciar suas
atividades.
A fim de exemplificar a estruturação dos investimentos
apresenta-se a seguir uma lista dos principais processos compostos
dos equipamentos necessários a serem adquiridos para a produção
de aproximadamente 20.000 litros/mês de cerveja:
• Preparação do mosto, cocção
e esfriamento – R$ 80.000,00
• Fermentação – R$ 20.000,00
• Filtração e armazenagem – R$ 15.000,00
• Disposição final – R$ 10.000,00
• Equipamento para escritório – R$ 10.000,00
Perfazendo um total aproximado de R$ 135.000,00, além da
estimativa de outros R$ 10.000,00 para a reforma e estrutura do
imóvel a ser ocupado, instalações, ajustes,
etc.
Torna-se importante salientar que esta estruturação
não contempla os investimentos para a operação
de um bar ou restaurante.
Capital de giro
Capital de giro é um montante de recursos financeiros que
a empresa deve manter para garantir a dinâmica do seu processo
de negócio.
O capital de giro precisa de controle permanente, pois tem a função
de minimizar o impacto das mudanças no ambiente de negócios
onde a empresa atua.
O desafio da gestão do capital de giro deve-se, principalmente,
à ocorrência dos fatores a seguir:
• Variação dos diversos custos absorvidos pela
empresa;
• Aumento de despesas financeiras, em decorrência das
instabilidades desse mercado;
• Baixo volume de produção e vendas;
• Aumento dos índices de inadimplência;
• Altos níveis de estoques de matéria-prima
e também de produtos acabados.
O empreendedor deverá ter um controle orçamentário
rígido de forma a não consumir recursos sem previsão.
O empresário deve evitar a retirada de valores além
do pró-labore estipulado, pois, no início todo o recurso
que entrar na empresa, nela
deverá permanecer possibilitando o crescimento e a expansão
do negócio. Dessa forma a empresa poderá alcançar
mais rapidamente
sua auto-sustentação, reduzindo as necessidades de
capital de giro e agregando maior valor ao novo negócio.
Da mesma forma que foi imaginado um investimento inicial de R$
145.000,00, estima-se a necessidade do capital de giro em torno
de R$ 34.200,00 , valor que deve estar disponível na conta
para pagamentos, conforme demonstrado a seguir na análise
de custos para a estrutura considerada.
Custos
São todos os gastos realizados na produção
de um bem ou serviço e devem ser considerados posteriormente
no preço dos produtos ou
serviços prestados, como: aluguel, água, luz, salários,
honorários profissionais, despesas de vendas, matéria-prima
e insumos consumidos no processo de produção.
O cuidado na administração e redução
de todos os custos envolvidos na compra, produção
e venda de produtos ou serviços que compõem o negócio,
indica que o empreendedor poderá ter sucesso ou insucesso,
na medida em que encarar como ponto fundamental a redução
de desperdícios, a compra pelo melhor preço e o controle
de todas as despesas internas. Quanto menores os custos, maior a
chance de ganhar no resultado final do negócio.
É fundamental que o empresário chegue ao nível
de detalhamento do custo unitário de produção,
podendo desta forma calcular a margem de contribuição
unitária de cada produto.
Outro fator extremamente relevante para a análise dos custos
está relacionado ao correto aproveitamento da capacidade
de produção dos colaboradores.
Quanto maior for a produção, menor será a
incidência do custo fixo sobre os produtos, pois, este custo
é dividido (segundo critério
apropriado) por todos os produtos produzidos, representando um menor
custo unitário e melhorando a margem de contribuição.
A tabela a seguir procura apresentar de forma simplificada os principais
itens de custo mensal que devem ser absorvidos pela
microcervejaria:
• Aluguel – R$ 1.000,00
• Matéria-prima – R$ 16.000,00
• Luz, telefone, água, internet, gás –
R$ 5.000,00
• Contador – R$ 400,00
• Salários diretos (mais encargos) – R$ 4.000,00
• Salários indiretos – R$ 800,00
• Manutenção – R$ 500,00
• Despesas correntes – R$ 500,00
• Outras despesas mensais com insumos – R$ 3.000,00
• Pró-labore – R$ 3.000,00
Salienta-se que os valores são meramente ilustrativos e
dependem muito da estrutura do negócio, assim como não
foram previstos os
impostos e tributos, pois estes dependem do tipo de registro adotado
pela empresa.
Diversificação / Agregação de valor
Os empresários devem ter em mente que fatores como qualidade
(item obrigatório), prazo e preços são condições
mínimas para que uma empresa permaneça no mercado.
O diferencial a ser oferecido é fator determinante na preferência
do cliente o qual agrega valor ao negócio, chegando ao ponto
do consumidor estar disposto a pagar mais caro pelo produto, em
relação a outras marcas. Estes diferenciais dependem
da relação entre os negócios, e podem estar
fundamentados em ofertas de serviço distintas da maioria
dos concorrentes, como por exemplo: entrega, flexibilidade nos pedidos,
na forma de pagamento, capacidade para realização
de serviços especializados, variação no mix
dos produtos, entre muitas outras opções.
Destaca-se como um diferencial com forte valor agregado a utilização
de matérias-primas de alta qualidade no processo produtivo.
Como idéia de diversificações de produtos,
salienta-se que a microcervejaria pode, através de processamento
adequado, dar origem
a inúmeros produtos, alguns deles de elevado consumo no Brasil.
Assim podem-se obter cervejas diferenciadas como Pilsen ou Âmbar,
diferentes níveis de filtragem e também as fabricadas
com trigo ou as frutadas.
Além disso, o empresário pode proporcionar um ambiente
diferenciado, que pode ser temático ou mesmo pode vir a se
tornar um clube do tipo confraria, com clientes cativos e fidelizados.
Divulgação
“Propaganda é a alma do negócio”, este
ditado popular é válido para qualquer tipo de empresa.
Existem muitas formas de se promover a divulgação
das atividades e capacidades das empresas, e todas estão
relacionadas às atividades de marketing. No caso específico
da microcervejaria, a propaganda e outras formas de colocar a empresa
na mídia são fundamentais para o sucesso do negócio.
A vinculação da imagem da empresa e dos produtos com
eventos culturais e festas costuma apresentar resultados positivos
na divulgação do negócio. É interessante
que o empresário elabore um folder (panfleto de divulgação)
que relacione os produtos ofertados, a capacidade produtiva da empresa
e também mostre algumas fotos da estrutura e da equipe, bem
como relacione alguns clientes para
consulta (lembrando de pedir autorização aos mesmos
para isto), e com este material saia fazendo visitas a novos clientes.
Algumas
iniciativas de pequenos patrocínios comunitários,
anúncios em jornais, internet e propagandas em rádio
podem surtir efeito positivo na
divulgação do nome da empresa. Por se tratar de empresa
que produz alimentos sugere-se a degustação do produto
no ponto-de-venda como uma estratégia para conquistar o varejo.
Informações Fiscais e Tributárias
O segmento de microcervejaria, assim entendidas a fabricação
de cervejas e chopes, não poderá optar pelo SIMPLES
Nacional - Regime Especial Unificado de Arrecadação
de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas
e Empresas de Pequeno
Porte, instituído pela Lei Complementar nº 123/2006,
por expressa vedação legal emitida pela Secretaria
da Receita Federal do Brasil,
através do artigo 17, inciso X, uma vez que configuram a
atividade de produção ou venda no atacado de bebidas
alcoólicas.
Dessa forma, o segmento de negócio de microcervejaria deverá
optar por um dos regimes de tributação abaixo:
Lucro Real: É o lucro líquido do período
de apuração ajustado pelas adições,
exclusões ou compensações estabelecidas em
nossa
legislação. Este sistema é o mais complexo
de todos; entretanto, dependendo de uma série de fatores
a serem avaliados, o lucro real
pode ser opção vantajosa para o segmento.Alíquotas:
-IRPJ - 15% sobre a base de cálculo (lucro líquido).
Haverá um adicional de 10% para a parcela do lucro que exceder
o valor de R$ 20.000,00, multiplicado pelo número de meses
do período. O imposto poderá ser determinado trimestralmente
ou anualmente;
-CSLL - 9%, determinada nas mesmas condições do
IRPJ;
-PIS - 1,65% - sobre a receita bruta total, compensável;
(vide Obs. abaixo)
-COFINS – 7,6% - sobre a receita bruta total, compensável.
(vide Obs. abaixo)
Lucro Presumido: É o lucro que se presume através
da receita bruta de vendas de mercadorias e/ou prestação
de serviços. Trata-se de uma forma de tributação
simplificada utilizada para determinar a base de cálculo
do Imposto de Renda (IRPJ) e da Contribuição Social
sobre o Lucro (CSLL) das pessoas jurídicas que não
estiverem obrigadas à apuração do lucro real.
Nesse regime a apuração do imposto será feita
trimestralmente.A base de cálculo corresponde a 32% da receita
bruta para a atividade de microcervejaria. A alíquota é
mesma determinada para o Lucro Real.Alíquotas:
-IRPJ - 15% sobre a base de cálculo (após a aplicação
do percentual sobre a receita bruta).
Haverá um adicional de 10% para a parcela do lucro que exceder
o valor de R$ 20.000,00, multiplicado pelo número de meses
do período. O imposto poderá ser determinado trimestralmente
ou anualmente;
-CSLL - 9%, determinada nas mesmas condições do
IRPJ;
-PIS - 0,65% - sobre a receita bruta total; (vide Obs. abaixo)
-COFINS – 3% - sobre a receita bruta total. (vide Obs. abaixo)
Obs.: Ressalta-se que, tanto no lucro real como no lucro presumido,
a produção de cervejas e chopes, o PIS e a COFINS
são calculadas com base em valor por litro.IPI – Calculado
com base em alíquota fixa por tipo de embalagem.ICMS - recolhimento
é feito pelo regime de substituição tributária.
Neste regime, os produtores antecipam o recolhimento que seria feito
a cada um dos elos da cadeia produtiva até a chegada do produto
ao consumidor final.Já no caso das contribuições
previdenciárias (tanto para o lucro real quanto para o lucro
presumido):-INSS - Valor devido pela Empresa - 20% sobre a folha
de pagamento de salários, pró-labore e autônomos;
-Contribuição a terceiros (entidades): variável,
sendo o máximo 5,8%;
-S.A.T. - Seguro de Acidentes do Trabalho - alíquotas variam
de acordo com a atividade da empresa, de 1% a 3%;
-Valor devido pelo Empresário e Autônomo - A empresa
também deverá descontar e reter na fonte, 11% da remuneração
paga devida ou creditada a qualquer título no decorrer do
mês, ao autônomo e empresário (sócio ou
titular), observado o limite máximo do salário de
contribuição (o recolhimento do INSS será feito
através da Guia de Previdência Social - GPS).Orienta-se
ao empreendedor que atente ao tópico Exigências legais
especificas, que inclui as normas e regulamentos que devem ser atendidos
para operacionalização dessa atividade.
Glossário
INSUMO - É um termo técnico usado para designar um
bem de consumo que é utilizado na produção
de um outro bem. Esse termo,
por vezes, é substituído, imprecisamente, pelo termo
matéria-prima.
FERMENTAÇÃO - A fermentação é
um processo anaeróbio de transformação de uma
substância em outra, produzida a partir de
microorganismos, tais como bactérias e fungos, chamados nestes
casos de fermentos. Exemplo de fermentação é
o processo de transformação dos açúcares
das plantas em álcool, tal como ocorre no processo de fabricação
da cerveja.
LEVEDURA - A levedura de cerveja é um fermento natural utilizado
na fermentação do mosto (uma mistura de cevada, água
e lúpulo) para produzir cerveja. As leveduras de cervejas
são do gênero Sacharomyces, sendo a principal a espécie
Saccharomyces cerevisiae.
LÚPULO - Lúpulo é uma liana européia
da espécie Humulus lupulus, da família Cannabaceae.
O lúpulo é tradicionalmente usado, junto com o malte,
a cevada e o levedo, na fabricação de cerveja. No
calor do cozimento da mistura, o lúpulo libera suas resinas
de sabor amargo, dando à cerveja sabor característico.
MALTE -Malte é um extrato xaroposo de cereal tal qual a
cevada e o centeio, tido como particularmente saboroso. O malte
forma-se a partir de sementes de cereal (cevada para a cerveja).
MATÉRIA PRIMA – É o nome dado a um material
que sirva de entrada para um sistema de produção qualquer.
MIX – variação de produtos a serem comercializados
de forma conjunta ou separadamente.
MOSTO - Produto da fase da mosturação ou brassagem,
que compreende a mistura do malte triturado com água numa
específica
temperatura.
Dicas do Negócio
• Uma breve consulta ao plano diretor na prefeitura já
permite identificar se é possível ou não a
utilização de determinado
imóvel para iniciar o negócio.
• Assim que possível o empresário deve procurar
ajuda profissional para a seleção e contratação
de pessoas. Existem muitas agências
especializadas neste tipo de atividade, que acabam ajudando a evitar
muitas dores de cabeça e prejuízos para a empresa.
• A melhor maneira de conduzir a negociação
de preços e prazos com os clientes é mostrando organização
e conhecimento sobre os
processos e os custos de operação da fábrica.
• Quanto mais precisa for a pesquisa a respeito das necessidades
de investimento, menores as surpresas quanto à previsão
financeira para iniciar o novo negócio, e isto evita inclusive
a armadilha de afundar em dívidas por falha na programação
financeira.
• Para descobrir o que pode agregar valor na relação
com o cliente, o empresário deve estar atento aos detalhes
e sempre que possível deve escutar seus clientes, conversar
com eles e descobrir o algo mais que vai cativar a relação
comercial.
• O empresário deve ter em mente que é importantíssimo
acompanhar e questionar constantemente o prestador de serviço
de contabilidade.
Características específicas do empreendedor
Na literatura, existem variadas definições para o
que vem a ser um empreendedor e de forma resumida, pode-se perceber
em pessoas
empreendedoras a dedicação, a persistência,
a disciplina, além da autoconfiança, da facilidade
em se relacionar e comunicar e ainda a
capacidade de planejar e se organizar.
Numa atividade como a fabricação de cervejas artesanais
microcervejaria, que é essencialmente industrial, a qualificação
técnica
para a realização dos serviços é fator
preponderante para o sucesso do negócio. Associada a esta
característica e não menos importante está
e a condição de saber se relacionar com as pessoas,
tanto os clientes como os colaboradores.
Apenas como complementação das informações,
sugere-se uma auto-avaliação para medir o quanto o
empreendedor está preparado para ingressar no mundo dos negócios.
E neste sentido são apresentados alguns questionamentos importantes,
como os que seguem, e que foram extraídos da coleção
OS PRIMEIROS PASSOS PARA O SUCESSO, desenvolvida e disponibilizada
pelo SEBRAE/SC:
1. Tenho capital suficiente para abrir a empresa e ainda me manter
enquanto estruturo o negócio?
2. Estou preparado emocionalmente para correr os riscos do mundo
dos negócios?
3. Como trato os desafios que a vida me oferece? Com paciência
e perseverança?
4. Estou preparado e disposto a abrir mão de uma série
de hábitos e se for preciso trabalhar 10 horas por dia todos
os dias?
5. Conheço bem as minhas limitações?
6. Sou disciplinado o suficiente para estabelecer e cumprir regras
e métodos de trabalho?
Cabe mais uma série de questões que teriam como
finalidade avaliar o perfil empreendedor. Portanto o empreendedor
deve refletir e revisar seus objetivos, conversar com amigos e buscar
certezas para tomar a decisão de empreender, pois quando
iniciado o processo não se pode mais parar, sob pena de se
tornar um fracasso.
Bibliografia Complementar
-http://www.cervejacaseira.com/Produtos/C...
-http://cervejacaseira.sites.uol.com.br/
-http://www.cervesia.com.br/microcervejar...
-http://www.republicadacerveja.com.br
-http://www.trexco.com.br/
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-http://www.sebrae-sc.com.br/ideais/defau...&%5E%5E
-http://www.cervejeiro.hpg.ig.com.br/proc...
-http://www.ziemann-liess.com.br
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-http://pt.wikipedia.org/wiki/Especial:Bu...
-SANDHUSEN, Richard L. Marketing Básico. Editora Saraiva.
2000.*Sites visitados em janeiro de 2008.