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Idéias de Novos Negócios - Loja de Material para Artesanato

Apresentação do Negócio

O artesanato é definido como sendo o próprio trabalho manual ou também a produção de um artesão, cujos produtos expressam a cultura popular da região. Tradicionalmente, a produção manual de artesanato é de caráter familiar, onde o artesão detém todo o processo de criação, sendo o responsável por todas as etapas da produção, desde o preparo da matéria-prima até o acabamento final.
Os materiais utilizados no artesanato são os mais variados e diversificados. Basicamente, o artesão pode desenvolver os seus produtos a partir de qualquer tipo de material. Além disto, este segmento é bastante dinâmico, uma vez que é influenciado diretamente pelas tendências do mercado decorativo, característica que direciona para uma grande procura por certo tipo de material em determinados momentos, mas pode evitá-lo no momento seguinte.

Desta forma, uma loja de material para artesanato deve ser especializada no fornecimento de matéria-prima e produtos para o artesão, priorizando sempre a oferta de variedade, informação e orientação para o uso adequado dos produtos ofertados.

Mercado

"A riqueza cultural do Brasil, a sua diversidade étnica, a grande oferta de matérias-primas aliada à criatividade dos artesãos são fatores que contribuem para o desenvolvimento bem sucedido do artesanato nacional.

De fato, o artesanato brasileiro se configura como um setor da economia que possui grande potencial de crescimento além de ser fonte de geração de renda e de empregos, no entanto, de forma descentralizada. De acordo com um levantamento realizado em 2005 pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), 8,5 milhões de brasileiros envolvem-se em atividades artesanais e o setor movimenta, anualmente, R$ 28 bilhões, representando quase 2,8% do Produto Interno Bruto (PIB). De acordo com dados do Centro Cape - Centro de Capacitação ao Empreendedor, embora a profissão de artesão não seja regulamentada no Brasil, o que dificulta o desenvolvimento de uma política para o setor, cerca de 200 mil artesãos estão organizados em pequenas empresas, associações ou cooperativas.

É importante ressaltar que este mercado é bastante sazonal e é diretamente influenciado por fatores climáticos, onde, de acordo com a região em que se desenvolve, as vendas podem ser afetadas segundo as estações do ano. Além disto, em datas festivas, como Dia das Mães, Dia dos Namorados, Páscoa e Natal, as vendas podem aumentar
substancialmente.

Localização

localização de uma loja de material para artesanato é importante para o sucesso do negócio. O ponto comercial deve estar sempre localizado em regiões que apresentem grande movimentação de pessoas e condições urbanas adequadas para comportar a loja.
É importante ressaltar que o principal cliente da loja de material para artesanato é o próprio artesão. Desta forma, a localização próxima a pólos turísticos, onde haja uma concentração de artesãos e lojas de artesanato, pode ser estratégica para o negócio.

Inicialmente, a melhor alternativa é procurar um imóvel apropriado para alugar, onde além da área disponível para a disponibilização dos
produtos, tenha ainda condições de ajustes para atender as normas da vigilância sanitária. No entanto, recomenda-se uma avaliação do Plano Diretor da cidade para descobrir se o local permite a abertura e exploração deste tipo de empreendimento.

Exigências legais específicas

O empreendedor que está disposto a constituir uma loja de material para artesanato deve requerer os registros e licenças necessárias a
implantação no negócio, tais como:

a) Registro da empresa nos seguintes órgãos:

-Junta Comercial;
-Secretaria da Receita Federal (CNPJ);
-Secretaria Estadual de Fazenda;
-Prefeitura do Município para obter o alvará de funcionamento;
-Cadastramento junto à Caixa Econômica Federal no sistema “Conectividade Social – INSS/FGTS”.
-Corpo de Bombeiros Militar.

b) Visita a prefeitura da cidade onde pretende montar a sua fábrica para fazer a consulta de local e emissão das certidões de Uso do Solo e Número Oficial.

Além do registro da empresa que pode ou não adotar o regime da lei geral das micro e pequenas empresas, qualquer atividade econômica deve respeitar o código de defesa do consumidor (CDC - Lei nº 9.870/1999), pois ele estabelece uma série de direitos e obrigações ao fornecedor e ao consumidor. A empresa deverá atender a algumas regras, tais como: responsabilidade sobre o fornecimento dos produtos e serviços, garantia da qualidade, rastreabilidade, entre outros.

Estrutura

Uma loja padrão deve possuir inicialmente entre 30m² e 45 m², sendo que cerca de 20m² devem ser destinados à área de atendimento aos clientes, e o restante reservado para área de escritório e estoque de produtos.

No entanto as características da estrutura vão depender do tipo de consumidor que a loja deseja atrair. Um estabelecimento requintado,
localizado em um bairro popular pode inibir a freqüência dos clientes potenciais. Da mesma forma, uma aparência modesta também pode afastar consumidores de alto poder aquisitivo, mesmo que os produtos sejam voltados para eles.

Assim, a estrutura da loja vai depender de fatores como tipo de produtos expostos, pessoas atendidas por dia, quantidade de
vendedores, estoque necessário, etc.

Além destes, deve haver atenção a alguns detalhes tais como: tamanho da entrada (prever espaços para deficientes físicos), espaço para
circulação adequado (propiciar visão total dos produtos), sinalização adequada para facilitar a circulação, organização dos produtos, áreas de vendas e de estoques adequadas, projetar as saídas de emergência, organizar a vitrine, etc.

Se optar por alugar uma estrutura, é importante estar atento a alguns detalhes que são fundamentais para contribuir com a qualidade do
trabalho, como: escolher uma área ampla e bem iluminada; os espaços de estoque devem estar em perfeitas condições de limpeza e
organização, caso contrário, o risco de danificar o material é muito grande. Além disto, devem-se verificar quais as condições impostas pelo locador para realizar melhorias na estrutura física do edifício.

Outra questão a ser observada é oferecer a possibilidade de o cliente interagir com os produtos da loja, característica de estabelecimentos com gôndolas ao longo de seu espaço. É claro que alguns produtos, devido às suas características, devem ficar restritos ao atendimento pelo balcão, no entanto, observa-se que quando há interação direta do cliente com o produto, existem mais chances da venda ser efetuada.

Também se recomenda a avaliação da necessidade de espaço para estacionamento de veículos. Dependendo da forma de acesso dos
clientes ao estabelecimento, a existência de espaço próprio para estacionamento pode se tornar um diferencial atrativo para o negócio.
Um fator importante para este tipo de empreendimento é a decoração da loja. Esta decoração deve expressar os tipos de produto que a loja comercializa além de retratar um pouco do seu significado.

Pessoal

A necessidade por contratação de mão-de-obra cresce de acordo com o aumento da demanda, e depende diretamente do volume de clientes atendidos no dia-a-dia pela a loja.

Por trabalhar com produtos vinculados ao artesanato os colaboradores devem estar aptos para fornecer informações e explicações sobre as técnicas que podem ser aplicadas sobre o material comercializado.

Além disto, determinadas condições de apresentação, como o asseio pessoal, o uso de uniformes, a identificação do funcionário, entre
outras, podem se tornar diferenciais competitivos de acordo com o cliente a ser atendido.

Outro fator fundamental, principalmente quando se trata do atendimento direto com o cliente, caso de uma loja comercial, é a simpatia do funcionário. Tal condição é um dos aspectos mais valorizados por qualquer cliente no momento da visita ao estabelecimento.

Embora cada caso deva ser estudado separadamente, em linhas gerais, formariam a equipe inicial: o empresário e mais dois atendentes.

Equipamentos

É muito importante que o empresário, antes de iniciar suas atividades, visite outras lojas semelhantes. Este cuidado é de grande utilidade para a escolha dos melhores e mais apropriados equipamentos e infra-estrutura (segundo as condições financeiras) para iniciar o novo
negócio.

É necessário definir com clareza as especificações técnicas, modelos, marcas, para depois escolher os equipamentos, instalações e materiais diversos.

Os equipamentos essenciais para a estruturação de uma loja de material para artesanato são os seguintes:

-Prateleiras;
-Balcão;
-Gôndolas;
-Máquinas de cartão de crédito;
-Ferramentas de uso geral.

No caso de haver um escritório é necessário computador e internet, móveis, impressora e telefone/fax. Um veículo apropriado para
transporte de mercadorias pode agregar valor ao serviço ofertado pela empresa, caso haja o serviço de entrega.

Matéria Prima / Mercadoria

A idéia principal da loja é oferecer variedade aos artesãos e pessoas interessadas em desenvolver um trabalho artístico. Assim, o mix de
produtos oferecido pela loja pode ser composto pelas mais diversas linhas dependendo da região onde estiver localizada.

Se a loja estiver localizada em região litorânea, materiais relacionados ao mar como conchas, resinas, caramujos, areias coloridas, devem ser priorizados. Se a loja estiver localizada no interior, materiais coloniais como palha, madeira, vime, cerâmica, podem ser disponibilizados de acordo com as características do local.

Uma estratégia interessante para a loja de material de artesanato pode ser a oferta de cursos de técnicas de artesanato. Além de faturar com as mensalidades dos alunos, estes passam a comprar todo o material do curso na própria loja.

Além de oferecer um atendimento personalizado, é preciso ressaltar que o empreendedor deve se manter constantemente atualizado a
respeito de todas as novidades do setor, garantindo sempre assim a disponibilização de produtos e serviços variados de acordo com a
evolução do mercado.

Organização do processo produtivo

O processo operacional de uma loja de material para artesanato é, em linhas gerais, simples, mas nem por isso deve ser negligenciado.

Basicamente, o empresário deve estar atento ao processo de compra de materiais de acordo com a sazonalidade e demanda, estocagem de maneira adequada e na quantidade correta, vendas direcionadas e os controles financeiros para o correto dimensionamento dos recursos.

A manutenção diária de estoques e reposição de produtos devem assegurar a continuidade necessária à demanda dos clientes.
Recomenda-se que todo este controle seja realizado por meio de um software adequado que controle as quantidades e validades dos
produtos ofertados. Tal controle informatizado agilizaria o processo de compra e reposição do estoque.

Por fim, deve-se estar sempre atento aos fatores como: preço (justo, não importa o quanto), qualidade, acordos, comissionamentos,
fornecedores, equipamentos, política de vendas e de crédito, entre outros. Tais fatores que farão os serviços serem desejados deixando de ser apenas outro ponto no mercado.

Recomenda-se também adotar uma política de gerenciamento por indicadores de desempenho. Assim, além dos tradicionais indicadores de desempenho financeiros como faturamento e despesas mensais, é importante acompanhar também os indicadores operacionais. Esses indicadores irão auxiliar a gestão da empresa no que diz respeito ao estabelecimento de metas. Alguns exemplos de indicadores de desempenho operacional: número de produtos comercializados por funcionário, produtos e cursos mais procurados, etc. Os índices podem ser acompanhados mensalmente para orientar no estabelecimento de ajustes como tamanho da equipe de colaboradores ou alteração do mix de produtos e serviços ofertados.

Automação

O nível de automação para este tipo de negócio não é muito expressivo por se tratar de uma atividade basicamente comercial, na qual os serviços de relacionamento com o cliente abrangem a maioria dos processos produtivos.

No entanto recomenda-se a utilização de um software de controle integrado que acompanhe os processos de gestão financeira, de
estoques e comercial. Algumas lojas adotam o controle por código de barras, fato que contribui para a gestão de estoques e reposição de produtos.

Canais de distribuição

As formas de fazer chegar os produtos ao consumidor final são extremamente importantes, e dividem-se em três categorias básicas: a
primeira, a dita distribuição tradicional, onde a empresa desenvolve uma equipe de vendas interna, a segunda, a venda domiciliar, onde a
empresa promove a venda porta-a-porta, e a terceira, a franquia, onde uma empresa desenvolve uma rede de lojas especializadas e
personalizadas.

Para uma loja de material para artesanato, recomenda-se a adoção da primeira categoria: a distribuição tradicional. Em um segundo
momento, com o desenvolvimento do negócio e consolidação da marca, o sistema de franquias pode vir a se tornar uma opção viável.

Outro canal de distribuição que pode se tornar rentável é a venda de produtos pela internet. Embora requeira cuidados especiais no
atendimento, logística dos produtos e manutenção do site, as lojas convencionais com um braço na internet têm vantagens frente às que
só atendem pela forma tradicional. Nos seus negócios online essas empresas podem contar com uma estrutura operacional já existente na loja convencional, pois irão utilizar os mesmos sistemas de distribuição, atendimento, etc.

Investimentos

• Uma breve consulta ao plano diretor na prefeitura já permite identificar se é possível ou não a utilização de determinado imóvel
para iniciar o negócio.

• Assim que possível o empresário deve procurar ajuda profissional para a seleção e contratação de pessoas. Existem muitas agências
especializadas neste tipo de atividade, que acabam ajudando a evitar muitas dores de cabeça e prejuízos para a empresa.

• A melhor maneira de conduzir a negociação de preços e prazos com os clientes é mostrando organização e conhecimento sobre os
processos e os custos de operação da loja.

• Quanto mais precisa for a pesquisa a respeito das necessidades de investimento, menores as surpresas quanto à previsão financeira para iniciar o novo negócio, e isto evita inclusive a armadilha de afundar em dívidas por falha na programação financeira.

• Para descobrir o que pode agregar valor na relação com o cliente, o empresário deve estar atento aos detalhes e sempre que possível deve escutar seus clientes, conversar com eles e descobrir o algo mais que vai cativar a relação comercial.

• O empresário deve ter em mente que é importantíssimo acompanhar e questionar constantemente o prestador de serviço de contabilidade.

• A realização de eventos como feiras, exposições, cursos e encontros de artesões pode destacar o nome da empresa perante a concorrência.

• Caso seus clientes artesões desenvolvam produtos direcionados para decoração de ambientes, é interessante incentivar a aproximação dos mesmos com arquitetos e decoradores de interiores.

Capital de giro

Capital de giro é um montante de recursos financeiros que a empresa precisa manter para garantir a dinâmica do seu processo de negócio.

O capital de giro precisa de controle permanente, pois tem a função de minimizar o impacto das mudanças no ambiente de negócios onde a empresa atua.

O desafio da gestão do capital de giro deve-se, principalmente, à ocorrência dos fatores a seguir:

-Variação dos diversos custos absorvidos pela empresa;
-Aumento de despesas financeiras, em decorrência das instabilidades desse mercado;
-Baixo volume de vendas;
-Aumento dos índices de inadimplência;
-Altos níveis de estoques de produtos.

O empreendedor deverá ter um controle orçamentário rígido de forma a não consumir recursos sem previsão.
O empresário deve evitar a retirada de valores além do pró-labore estipulado, pois no início todo o recurso que entrar na empresa nela
deverá permanecer possibilitando o crescimento e a expansão do negócio. Dessa forma a empresa poderá alcançar mais rapidamente
sua auto-sustentação, reduzindo as necessidades de capital de giro e agregando maior valor ao novo negócio.

Da mesma forma que sugere-se um investimento inicial de R$ 25.000,00 estima-se a necessidade do capital de giro em torno de R$
7.200,00. Valor que deve estar disponível na conta para pagamentos, conforme demonstrado a seguir na análise de custos para a estrutura considerada.

Custos

São todos os gastos realizados na comercialização de um bem ou serviço e que serão incorporados posteriormente no preço dos
produtos ou serviços prestados, como: aluguel, água, luz, salários, honorários profissionais, despesas de vendas, matéria-prima e insumos consumidos no processo comercial.

O cuidado na administração e redução de todos os custos envolvidos na compra e venda de produtos ou serviços que compõem o negócio, indica que o empreendedor poderá ter sucesso ou insucesso, na medida em que encarar como ponto fundamental a redução de desperdícios, a compra pelo melhor preço e o controle de todas as despesas internas. Quanto menores os custos, maior a chance de ganhar no resultado final do negócio.

É fundamental que o empresário chegue ao nível de detalhamento do custo unitário, podendo desta forma calcular a margem de
contribuição de cada produto.

Outro fator extremamente relevante para a análise dos custos está relacionado ao correto aproveitamento da capacidade de vendas dos
colaboradores.

Quanto maior for a venda, menor será a incidência do custo fixo sobre os produtos, pois, este custo é dividido (segundo critério apropriado) por todos os produtos ofertados, representando um menor custo unitário e melhorando a margem de contribuição.

A relação a seguir procura apresentar de forma simplificada os principais itens de custo mensal que devem ser absorvidos pela loja:

• Aluguel – R$ 500,00
• Matéria-prima (Estoque) – R$ 3.000,00
• Luz, telefone, água e internet – R$ 300,00
• Contador – R$ 400,00
• Salários diretos (mais encargos) – R$ 1.000,00
• Manutenção – R$ 100,00
• Despesas correntes – R$ 200,00
• Outras despesas mensais com insumos – R$ 200,00
• Pró-labore – R$ 1.500,00

Salienta-se que os valores são meramente ilustrativos e dependem muito da estrutura do negócio, assim como não foram previstos os
impostos e tributos, pois estes dependem do tipo de registro adotado pela empresa.

Diversificação / Agregação de valor

Os empresários devem ter em mente que fatores como qualidade (item obrigatório), prazo e preços são condições mínimas para que uma empresa permaneça no mercado. O diferencial a ser oferecido é fator determinante na preferência do cliente o qual agrega valor ao negócio, chegando ao ponto do consumidor estar disposto a pagar mais caro pelos produtos da loja, em relação a outras lojas. Estes diferenciais dependem da relação entre os negócios, e podem estar fundamentados em ofertas de serviço distintas da maioria dos concorrentes, como por exemplo: entrega, flexibilidade nos pedidos, na forma de pagamento, capacidade para realização de serviços especializados, variação no mix dos produtos, oferta de cursos técnicos, entre muitas outras opções.

De forma a identificar quais os fatores que agregam valor ao negócio, se torna importante uma avaliação detalhada dos estabelecimentos
similares e concorrentes. Ao avaliar quesitos como tempo de atendimento, variedade de produtos, conforto do ambiente, serviço de
entrega, entre outros, é possível relacionar uma série de elementos que podem vir a agregar valor. Em seguida, é importante avaliar o perfil do cliente potencial, identificando sua idade, condição sócio-econômica, gênero, etc.

No entanto um diferencial importante para este tipo de negócio é a decoração do ambiente. Esta deve retratar o tipo de produto
disponibilizado, além de contar a sua história, valorizando assim os aspectos culturais da região.

Outro diferencial que pode vir a agregar valor é a disponibilização de espaços na loja para que artesãos possam demonstrar o seu trabalho. Desta forma, despertaria o interesse de clientes no trabalho desses artesãos, favorecendo assim a comercialização de produtos da loja.

Divulgação

A identificação de estratégias de divulgação adequadas, e que estejam de acordo com as condições econômico-financeiras de um negócio, possivelmente auxiliarão uma empresa a se tornar competitiva no seu mercado de atuação.

Para estabelecer um plano de marketing compatível com o mercado da empresa, esta deve ter claro quais são os seus objetivos além de ter identificado as necessidades e desejos de seus consumidores. Uma premissa básica é a investigação constante de seu mercado de atuação, uma vez que este se altera de maneira muito rápida.

Para se elaborar um plano de marketing adequado é necessário desenvolver eficientes canais de comunicação com o mercado
consumidor direto e indireto.

A manutenção de um site na internet onde o consumidor poderá encontrar informações sobre os diversos tipos de materiais para
artesanato é importante para qualquer negócio nos dias de hoje.

A participação em feiras e eventos também é importante pois são os locais onde se encontram concentrados grandes números de artesãos, além de se configurar como uma boa oportunidade para expor os produtos.

Informações Fiscais e Tributárias

As pequenas lojas de material para artesanato estão amparadas pela legislação do SIMPLES NACIONAL (Lei Complementar 123/2006), e podem se enquadrar inicialmente como micro empresa (faturamento anual até R$ 240.000,00).

Em virtude do objetivo deste material não contemplar o aprofundamento nos temas relacionados, mas sim servir de orientação inicial para o futuro empresário, sugere-se que todos os aspectos com o registro da empresa, identificação das legislações relacionadas à
operação, principalmente as que tratam da contratação de pessoal, produção e comercialização devem ser orientadas por profissionais
especializados na área.

O movimento por regularização das atividades de empresas atuando na informalidade (ilegalmente) está cada vez mais forte. E a fiscalização das atividades vem contribuindo muito com isto. Neste caso, o empreendedor deve tomar as providências para regularizar sua atividade, por mais complicada, cara e dificultosa que possa parecer, pois sem dúvida passa a ser um diferencial competitivo frente aos clientes.

É importante que o empreendedor converse com um contabilista devidamente registrado no CRC, Conselho Regional de Contabilidade para os devidos esclarecimentos quanto aos aspectos legais e tributários relacionados à situação específica do negócio que está almejando iniciar. O prestador de serviços contábeis tem a incumbência de informar e orientar quanto aos aspectos tributários da empresa.

A seguir estão apresentados os principais tributos incidentes sobre as operações das empresas, destacando sua incidência ou não em cada setor da economia (indústria, comércio e serviços).

• ISS – (Imposto sobre Serviços) - Aplicável somente às empresas prestadoras de serviço.
• ICMS – (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) - As porcentagens variam em função de diversos fatores, sendo que não é aplicável às empresas prestadoras de serviço.
• IPI - (imposto sobre produtos industrializados) – Aplicável apenas em indústria, no qual cada empresa deve analisar o valor da alíquota na tabela TIPI (tabela de imposto sobre produtos industrializados);
• PIS – (programa de integração social) - Trata-se de contribuição aplicada sobre a receita bruta de empresas dos três setores da
economia;
• COFINS – (contribuição para financiamento da seguridade social) - Trata-se de contribuição aplicada sobre a receita bruta de empresas dos três setores da economia;
• IRPJ – (imposto de renda pessoa jurídica) - Há duas situações de enquadramento, lucro real ou lucro presumido aplicado sobre a receita bruta de empresas dos três setores da economia;
• CSLL - (Contribuição Social sobre Lucro Líquido) - Segue exemplo do IRPJ, duas situações de enquadramento, lucro real ou lucro
presumido aplicada sobre a receita bruta de empresas dos três setores da economia.

Para cada setor da economia citado, as empresas ainda podem optar por uma das três formas de tributação possíveis, são elas: Simples
Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real.

No Simples Nacional, todos os impostos citados acima podem ser recolhidos através de documento único. Esta facilidade é possível
apenas para as microempresas e empresas de pequeno porte, optantes por este regime, conforme definido na Lei complementar 123/2006. Os incisos I à XIV do artigo 17 desta lei complementar, definem as micro e pequenas empresas impedidas de optar pelo Simples Nacional. Vale ressaltar que, para poder se enquadrar no Simples nacional, a empresa deve apresentar faturamento anual de até R$ 2.400.000,00.

No Lucro Presumido, o IRPJ e CSLL são calculados com base em presunção de margem de lucros, ou seja, é prevista pela receita federal uma margem de lucro de acordo com a atividade da empresa.

No Lucro Real, o IRPJ e a CSLL, são calculados com base em lucros efetivamente apurados. Esta opção é a que exige maior esforço
gerencial no controle das movimentações financeiras.

A atividade de venda de materiais para artesanato caracteriza-se por ser comercial, sendo que neste caso pode optar por qualquer uma das três formas de tributação descritas acima.

A folha de pagamentos também sofre interferências de acordo com a forma de tributação escolhida. Entre os encargos incidentes sobre os salários, a contribuição da empresa para o INSS - Instituto Nacional de Seguridade Social, possui a maior alíquota, mas pode chegar a zero, para micro e pequenas empresas optantes pelo simples nacional nas atividades de indústria, comércio e alguns serviços. Vale ressaltar, que além do INSS, existem outros encargos que independem da forma de tributação escolhida pela empresa, tais como: FGTS, 1/3 de férias, décimo-terceiro salário e outros.

Nem sempre o simples nacional, é a melhor opção de tributação, mesmo quando você pode optar por este regime. Vale ressaltar que
para a correta definição do regime tributário da empresa, dos impostos incidentes e respectivas alíquotas, são necessários vários detalhes sobre as operações da empresa. Por exemplo, será apenas indústria e comércio ou haverá prestação de serviços? Os produtos serão vendidos para outros estados? Para quais estados? Os adquirentes serão usuários finais, comerciantes ou industriais? Qual o faturamento mensal e anual da empresa? Qual o valor da folha de pagamentos? Os proprietários já fazem parte de outra sociedade?

É preciso ficar claro que, sem estas e outras respostas, é impossível definir a real carga tributária da empresa. Por este motivo, é muito
importante a orientação do prestador de serviços contábeis.

Glossário

INSUMO - É um termo técnico usado para designar um bem de consumo que é utilizado na produção de um outro bem. Esse termo,
por vezes, é substituído, imprecisamente, pelo termo matéria-prima.

MIX – variação de produtos a serem comercializados de forma conjunta ou separadamente.

SAZONALIDADE - termo que diz respeito a variação de oferta e demanda em relação ao tempo.

Dicas do Negócio

• Uma breve consulta ao plano diretor na prefeitura já permite identificar se é possível ou não a utilização de determinado imóvel
para iniciar o negócio.

• Assim que possível o empresário deve procurar ajuda profissional para a seleção e contratação de pessoas. Existem muitas agências
especializadas neste tipo de atividade, que acabam ajudando a evitar muitas dores de cabeça e prejuízos para a empresa.

• A melhor maneira de conduzir a negociação de preços e prazos com os clientes é mostrando organização e conhecimento sobre os
processos e os custos de operação da loja.

• Quanto mais precisa for a pesquisa a respeito das necessidades de investimento, menores as surpresas quanto à previsão financeira para iniciar o novo negócio, e isto evita inclusive a armadilha de afundar em dívidas por falha na programação financeira.

• Para descobrir o que pode agregar valor na relação com o cliente, o empresário deve estar atento aos detalhes e sempre que possível deve escutar seus clientes, conversar com eles e descobrir o algo mais que vai cativar a relação comercial.

• O empresário deve ter em mente que é importantíssimo acompanhar e questionar constantemente o prestador de serviço de contabilidade.

Características específicas do empreendedor

Na literatura, existem variadas definições para o que vem a ser um empreendedor e de forma resumida, pode-se perceber em pessoas
empreendedoras a dedicação, a persistência, a disciplina, além da autoconfiança, da facilidade em se relacionar e comunicar e ainda a
capacidade de planejar e se organizar.

Numa atividade como a venda de material para artesanato, que é essencialmente comercial, a qualificação comercial para o relacionamento com o mercado é fator preponderante para o sucesso do negócio. Associada a esta característica e não menos importante está e a condição de saber se relacionar com as pessoas, tanto os clientes como os colaboradores.

Apenas como complementação das informações, sugere-se uma auto avaliação para medir o quanto o empreendedor está preparado para ingressar no mundo dos negócios. E neste sentido são apresentados alguns questionamentos importantes, como os que seguem, e que foram extraídos da coleção OS PRIMEIROS PASSOS PARA O SUCESSO, desenvolvida e disponibilizada pelo SEBRAE/SC:

1. Tenho capital suficiente para abrir a empresa e ainda me manter enquanto estruturo o negócio?
2. Estou preparado emocionalmente para correr os riscos do mundo dos negócios?
3. Como trato os desafios que a vida me oferece? Com paciência e perseverança?
4. Estou preparado e disposto a abrir mão de uma série de hábitos e se for preciso trabalhar 10 horas por dia todos os dias?
5. Conheço bem as minhas limitações?
6. Sou disciplinado o suficiente para estabelecer e cumprir regras e métodos de trabalho?

Cabe mais uma série de questões que teriam como finalidade avaliar o perfil empreendedor. Portanto o empreendedor deve refletir e revisar seus objetivos várias vezes, conversar com amigos e buscar certezas para tomar a decisão de empreender, pois quando iniciado o processo não se pode mais parar, sob pena de se tornar um fracasso.

Bibliografia Complementar

www.artesanatonarede.com.br
www.casosdesucesso.sebrae.com.br
www.desenvolvimento.gov.br
www.dw-world.de/dw/article/0,2144,202548...
www.portaltributario.com.br/
http://pt.wikipedia.org