Idéias
de Novos Negócios - Fábrica de Temperos Secos
Apresentação do Negócio
As plantas utilizadas para condimentar e dar um sabor especial
a diversos pratos típicos acompanham a história e
a ambição do homem.
Quando Cabral chegou ao Brasil, as ,ou temperos, eram mercadorias
valiosíssimas no comércio internacional.
Quando os nativos experimentaram a comida daqueles que acabaram
de chegar, detestaram e cuspiram os alimentos, achando-os
demasiadamente temperados. Os portugueses jamais abriram mão
de especiarias como cravo, canela, baunilha, gengibre, mostarda
e
erva-doce, trazidas da Índia e de outros países da
Ásia ou da África.
Durante muito tempo, cada frota que chegava ao Brasil era acompanhada
por uma nau de mantimentos carregada de alimentos e temperos que,
aos poucos, passaram a ser cultivados também por aqui, como
a noz-moscada e o cravo-da-índia, por exemplo.
Na época, porém, o legítimo tempero brasileiro
era o ionquê, mistura de sal com pimenta vermelha socada,
preparada habitualmente pelos indígenas. Durante o período
da escravidão, os portugueses aprenderam a comer banana frita
com azeite-de-dendê e a preparar
pratos com gengibre, coentro e cheiro-verde, por exemplo. Índios,
escravos, invasores e imigrantes resultaram, finalmente, na mistura
de
raças que constitui o Brasil de hoje, contribuindo para enriquecer
o variado cardápio alimentar adotado correntemente no país.
O plantio da cúrcuma, um tubérculo de sabor próximo
ao do gengibre, foi de muita utilidade para marcar os caminhos percorridos
durante as expedições dos bandeirantes, que desbravaram
o país em busca de ouro e pedras preciosas. Em alguns lugares,
como Minas Gerais, seu uso tornou-se indispensável para deixar
o arroz amarelinho.
Foi com os imigrantes que o Brasil aprendeu a gostar dos temperos,
alguns escreviam aos parentes pedindo que mandassem sementes de
ervas aromáticas. Dessa forma, os brasileiros aprenderam
com os italianos a fazer massas com manjerona ou manjericão;
a usar a hortelã com os árabes; a saborear azedinha
com os libaneses; a utilizar páprica nos ensopados com os
povos do leste europeu; a preparar pratos com açafrão
com os espanhóis; a usar salsão e cheiro-verde como
tempero com os franceses, dentre outras.
Hoje, em função da globalização, é
possível encontrar especiarias, molhos e temperos de todos
os cantos do mundo nas prateleiras dos
supermercados e criar novos hábitos, até para mexer
o cafezinho.
Mercado
Transcorrido 500 anos de descobrimento do Brasil, percebe-se que
os temperos secos movimentam negócios no valor de US$ 15
bilhões por ano no mercado mundial. O Brasil ainda participa
desse mercado de forma tímida e atua muito mais como comprador
do que como vendedor. Com exceção de poucos produtos,
cultivados para atender ao mercado interno.
Os agricultores brasileiros denotam ainda estar distantes da profissionalização
na plantação de culturas destinadas a produção
de
temperos. As indústrias de tempero, principalmente as de
pequeno porte, também não se especializaram na qualificação
da produção em escala comercial nesse tipo de mercado,
por isso estamos ainda numa condição embrionária
na industrialização e comercialização
de
temperos.
O mercado de temperos secos é dominado por grandes empresas
e o mercado consumidor que se resume às vendas em supermercados,
restaurantes, mercearias e firmas responsáveis pela distribuição
de alimentos. No entanto, existe um grande mercado a ser explorado
que é o de consumidores de cidade e bairros periféricos
que não são atendidos adequadamente pelas grandes
empresas. Tais localidades geralmente tem apenas pequenos “mercadinhos”
ou mercearias deixando de ser um nicho interessante para o grande
empreendedor.
O mercado de ervas e temperos orgânicos mostra-se atualmente
com uma taxa média de crescimento em torno de 30% anuais.
A taxa de crescimento do mercado convencional é de 2% ao
ano.
Localização
A definição da localização do empreendimento
deverá basear-se na formatação que o empreendedor
queira e espera dar a sua empresa de fabricação de
temperos secos, tanto no que tange a volume de produção
quanto a sua forma de atuação perante o público
consumidor.
Deve-se aliar a facilidade de identificação da empresa
pelos consumidores, o acesso ao local, a agilidade nos deslocamentos
de sua
equipe na distribuição das entregas aos pontos de
vendas ou mesmo diretamente para os consumidores individuais e a
oferta de
estacionamento para a clientela.
O empreendedor deverá procurar o órgão específico
da Prefeitura Municipal visando levantar a possibilidade de instalar
esse tipo de
empresa na localidade escolhida. Isto se faz necessário uma
vez que normalmente todos os municípios brasileiros têm
o Plano Diretor
Urbano – PDU, no qual é definido que tipo de negócio
pode ou não ser instalado em determinadas áreas, bairros,
etc.
Ao definir o imóvel para instalação da empresa
de fabricação de temperos secos deverá optar
por um espaço bem localizado e de fácil
acesso, que tenha uma fachada bem elaborada, transformando-se em
um chamariz para os possíveis consumidores.
Exigências legais específicas
O empreendedor de uma empresa de fabricação de temperos
secos deverá cumprir algumas exigências iniciais e
somente poderá se
estabelecer depois de cumpridas, quais sejam:
Etapas do Registro
1ª Etapa:
a) Registro da empresa nos seguintes órgãos:
-Junta Comercial;
-Secretaria da Receita Federal (CNPJ);
-Secretaria Estadual de Fazenda;
-Prefeitura do Município para obter o alvará de funcionamento;
-Enquadramento na Entidade Sindical Patronal (empresa ficará
obrigada a recolher por ocasião da constituição
e até o dia 31 de
janeiro de cada ano, a Contribuição Sindical Patronal);
-Cadastramento junto à Caixa Econômica Federal no sistema
“Conectividade Social – INSS/FGTS”.
-Corpo de Bombeiros Militar.
b) Visita a prefeitura da cidade onde pretende montar a sua empresa
de fabricação de temperos secos para fazer a consulta
de local e emissão das certidões de Uso do Solo e
Número Oficial.
2ª Etapa
a) Antes de iniciar a produção o empreendedor deverá
obter o Alvará de licença sanitária.
Para obter essa licença o estabelecimento deve estar adequado
às exigências do Código Sanitário (especificações
legais sobre as
condições físicas).
O empreendedor deverá atentar que em âmbito federal
a fiscalização cabe a Agência Nacional de Vigilância
Sanitária - ANVISA, estadual e municipal fica a cargo da
Secretaria Estadual de Saúde e Secretaria Municipal de Saúde,
respectivamente.
Os produtos deverão ser registrados junto ao Ministério
da Agricultura e Abastecimento, bem como receber autorização
físico-sanitária do Ministério da Saúde
via ANVISA.
O estabelecimento produtor deve adequar-se às exigências
do Código Sanitário (especificações
legais sobre as condições físicas) para obter
o Alvará de Licença Sanitária. Em âmbito
federal a fiscalização cabe a Agência Nacional
de Vigilância Sanitária, estadual e municipal fica
a cargo das Secretarias Estadual e Municipal de Saúde.
Além do processo de registro legal da empresa, o empreendedor
deverá atentar ainda a algumas legislações
específicas, conforme
segue:
a) Resolução da Diretoria Colegiada - RDC 276, de
22 de setembro de 2005, diz sobre as disposições do
“REGULAMENTO TÉCNICO PARA ESPECIARIAS, TEMPEROS E MOLHOS”.
b) Lei Federal nº. 6.437, de 20 de agosto de 1977 - Configura
infrações à legislação sanitária
federal, estabelece as sanções respectivas, e dá
outras providências.
c) Lei Federal nº. 7.967/89. Dispõe sobre o valor das
multas por infração à legislação
sanitária, altera a Lei nº. 6.437, de 20 de agosto
de 1977, e dá outras providências.
d) Portaria nº. 326/SVS/MS/97. Aprova o Regulamento Técnico.
Condições Higiênico-Sanitárias e de Boas
Práticas de Fabricação para Estabelecimentos
Produtores/Industrializadores de Alimentos. As legislações
abaixo são assuntos correlacionados direta ou
indiretamente sobre a produção de temperos secos
e) Decreto nº. 55.871, de 26 de março de 1965.
f) Decreto nº. 50.040, de 24 de janeiro de 1961.
g) Decreto nº. 691, de 13 de março de 1962.
h) Decreto-lei nº. 986, de 21 de outubro de 1969.
i) Resolução nº. 4, de 24 de novembro de 1988.
j) Lei nº. 8.078, de 11 de setembro de 1990. (Código
de Defesa do Consumidor).
k) Portaria nº. 1.428, de 26 de novembro de 1993.
l) Portaria nº. 326, de 30 de julho de 1997.
m) Portaria nº. 27, de 13 de janeiro de 1998.
n) Portaria nº. 29, de 13 de janeiro de 1998.
o) Resolução nº. 16, de 30 de abril de 1999.
p) Resolução nº. 17, de 30 de abril de 1999.
q) Resolução nº. 382, de 05 de agosto de 1999.
r) Resolução nº. 386, de 05 de agosto de 1999.
s) Resolução nº. 22, de 15 de março de
2000.
t) Resolução nº. 23, de 15 de março de
2000.
u) Resolução RDC nº. 1, de 02 de janeiro de
2001.
v) Resolução RDC nº. 12, de 02 de janeiro de
2001.
w) Resolução RDC nº. 234, de 19 de agosto de
2002.
x) Resolução RDC nº. 259, de 20 de setembro
de 2002.
y) Resolução RDC nº. 275, de 21 de outubro de
2002.
z) Lei nº. 10.674, de 16 de maio de 2003.
aa) Resolução RDC nº. 175, de 08 de julho de
2003.
bb) Resolução RDC nº. 359, de 23 de dezembro
de 2003.
cc) Resolução RDC nº. 360, de 23 de dezembro
de 2003.
Estrutura
A estrutura mínima para a instalação de uma
empresa de fabricação de temperos secos irá
girar em torno de 30m2, mas para estar instalada adequadamente seria
bastante interessante um espaço em torno de 160m2, de preferência
em forma de galpão, pois simplifica a divisão dos
ambientes requeridos para esse tipo de empreendimento, conforme
segue:
1) Recepção e exposição dos produtos
industrializados na empresa;
2) Local para preparação dos temperos;
3) Vestiário, onde o funcionário responsável
pela fabricação deve se higienizar e paramentar adequadamente
para adentrar a linha de
produção;
4) Escritório;
5) Estoque de matéria-prima;
6) Estoque de produtos acabados.
Todos os espaços indicados acima devem ser dotados de lay-out
adequado, respeitando a facilidade de movimentação
dos funcionários
e clientes.Os ambientes - área de estocagem dos produtos
acabados, linha de produção, área de exposição,
expedição- devem ser
integrados.
A área de produção deve estar sempre visível,
porém impedindo a entrada pessoas não envolvidas na
linha de produção para evitar
possíveis contaminações durante o manuseio
da matéria-prima, produção ou embalagem.
Pessoal
O quadro de pessoal de irá variar de acordo com o tamanho
do empreendimento e o nível de capacidade de fabricação.
Pode-se iniciar
as atividades operacionais com um número aproximado de 4
(quatro) empregados:
• 1 – Auxiliar administrativo, que será responsável
pela parte de recepção e serviços de escritório;
• 2 – Na área de fabricação de
temperos, esses profissionais além de atuarem na linha de
produção também deverão ser os responsáveis
para fazer a higienização da área produtiva
da empresa;
• 1 – Entregador, que tenha Carta de motorista e de
motociclista. Além desse quadro fixo a empresa poderá
contar com um número
variável de vendedores autônomos, caso esta seja a
intenção do empreendedor.
Caso o empresário entenda como importante, será interessante
a contratação um gestor profissional para comandar
a empresa, pois
assim o empreendedor terá mais tempo para fazer a alta gestão
de seu empreendimento tanto na parte de fabricação
quanto na comercial.
Equipamentos
Os equipamentos necessários para a montagem de uma empresa
de porte médio são os seguintes:
Assim os principais equipamentos são:
1. Equipamento da área industrial:
Moedora;
Pilão;
Saquinhos;
Rotuladora;
Seladora;
Estufas;
Balanças;
Utensílio de cozinha (faca, colheres, espátula);
2. Materiais para escritório:
Mesa
Cadeira
Computador
Impressora
Fax
Telefone
Matéria Prima / Mercadoria
São vários os produtos que podem ser utilizados em
uma fábrica de temperos que podem variar nas aplicações
sendo que certos produtos se aplicam a culinária e outros
para fins medicinais, cita-se abaixo alguns itens que se utilizam
na fabricação de temperos:
a) Coentro: O coentro poderá ser preparado e embalado sob
a forma de grão ou em pó. Tem o aroma muito agradável
e diversas aplicações na cozinha. É utilizado
para pães, no preparo de picles ou nos presuntos e assados
de porco.
b) Cravo: O cravo é um botão de flor que não
desabrochou, proveniente de uma árvore das Ilhas Molucas,
nas Índias Ocidentais.
Aromático e picante poderá ser preparado para comercialização
tanto em pó quanto na forma original.
c) Canela: As principais formas de industrialização
são em pau (pequenos pedaços) ou em pó, tem
uma gama ampla de aplicações. Por exemplo, pode ser
usado em bebidas quentes ou frias, doces e até nas carnes.
d) Noz Moscada: Sua forma natural e a de uma semente, similar
a um caroço e precisa ser ralada para ser usada. Em pó
ou semente, serve para doces, bebidas à base de chocolate,
carnes, legumes e frutas assadas e cozidas.
e) Pimenta-do-Reino: A forma de industrialização
tanto pode ser em grãos quanto em pó. Em grãos,
a pimenta-do-reino, também conhecida como pimenta-preta,
é reservada para conservas, já a em pó tem
uma infinidade de uso. É uma especiaria muito procurada e
bastante cultivada no Brasil.
f) Pimenta Branca: Embora se origine da mesma planta que produz
a pimenta-preta, a pimenta-branca não é tão
picante como a preta. As formas de ser ofertado ao mercado é
em pó ou em sementes. Sua utilização é
bastante ampla, sendo usada em pratos de coloração
claras, tanto como tempero quanto como um objeto decorativo. Serve
para maioneses, peixes, molhos brancos, sopas claras e no tempero
de saladas.
g) Açafrão: Sua forma de industrialização
normalmente é em pó. Seu uso é bastante antigo,
podendo ser considerado como um velho
tempero de aroma suave, delicado e que dá coloração
amarela aos pratos que recebem sua aplicação. Antigamente
o açafrão não podia faltar nos doces e bolos,
aos quais emprestava seu agradável e convidativo matiz. O
uso de açafrão normalmente ocorre em bolos, pães,
peixe, crustáceo, risoto e frango.
Organização do processo produtivo
O empreendecor deve adequar a matéria-prima principal beneficiada
segundo os preceitos legais requeridos pelos órgãos
fiscalizadores, em especial a ANVISA.
No contexto geral a fabricação de temperos secos
pode-se distinguir em três processos básicos, quais
sejam: - secagem, moagem e
embalagem. Assim descreve-se abaixo o processo produtivo.
1ª Parte
Antes de se iniciar a secagem, deve-se separar a matéria-prima
para obter um rigoroso controle do que vai ser industrializado.
A matéria-prima passa obrigatoriamente por um processo de
“limpeza” para deixá-la totalmente livre de insetos,
terra, ervas diversas e outros materiais estranhos.
Esse processo é extremamente importante para garantir também
que a matéria-prima seja classificada de acordo com a sua
qualidade- por exemplo:Superior , média, inferior, etc..
Na seqüência passa-se para o processo de secagem. Deve-se
verificar as condições internas da estufa, validar
se está totalmente limpa e com a assepsia adequada, se não
tem entrada de luz e avaliar se está na temperatura ideal
para a erva que será colocado no processo de secagem.
Existem alguns níveis de temperatura que normalmente são
requeridos na aplicação do processo de secagem, conforme
abaixo:
a) Folhas e Flores – temperatura ideal para secagem é
de 35ºC;
b) Plantas não aromáticas – a temperatura será
de 40ºC;
c) Outros tipos de matéria-prima – normalmente estará
na faixa de 65ºC.
No processamento de ervas e outras matérias-primas envolvidas
na produção de temperos secos, pode ser utilizado
a secagem via estufa. A secagem natural não é muito
utilizada devido ao grande tempo demandado nesse processo e também
pelo aumento expressivo de cuidados que deverá ser adotado,
já que a exposição torna a matéria-prima
mais suscetível a contaminação.
2ª Parte
Executado a tarefa de secagem, passa-se então para a transformação
das diversas matérias-primas em produtos, em sua concepção
para embalagem. Assim nessa etapa os produtos serão moídos
ou socados, segundo o que requer a de preparação de
ervas em temperos.
Após o processo de transformação: - moer ou
socar, conforme o caso, deverá ser analisado o produto final,
visando certificar que o produto moído está na textura
requerida para o caso de moagem, e se os que foram socados em pilão
também apresentam a condição esperada para
a obtenção de um produto totalmente uniforme.
3ª Parte
Concluído a 2ª Parte, passa-se então para a
última parte que é a embalagem. Nessa fase os produtos
moídos, socados em pilão ou em
grãos serão embalados, selados e rotulados. Sendo
obrigatório a indicação em rótulo de
algumas informações exigidas em Lei, quais
sejam:
a) No rótulo do condimento vegetal, deve constar a denominação
da especiaria, seguida da forma de apresentação;
b) Ainda deve fazer constar no rótulo a denominação
"Condimento preparado", podendo acrescentar um nome de
fantasia, seguido das especiarias empregadas;
c) Os rótulos dos condimentos mistos devem trazer os nomes
das especiarias empregadas. É obrigatória a declaração
do teor de amido adicionado;
d) Deverá obrigatoriamente constar no rótulo da
data de fabricação, data de validade, número
do lote de fabricação, ingredientes, peso bruto e
peso líquido e o preço.
Automação
O nível de automação não é
tão expressivo. Isto porque o processo produtivo é
bastante simples e pode ser manual.O ideal é que o
empreendedor invista em automação visando dinamizar
toda a sua área de fabricação, estocagem e
também para o controle da área
administrativa, financeira, comercial e operacional.
Inicialmente com três microcomputadores será possível
viabilizar uma gestão automatizada.Para esse processo o ideal
é ter um software para auxiliar na gestão.Caso o empreendedor
queira deixar esta opção para um segundo momento será
necessário a execução
provisóriados controles em planilhas eletrônicas construídas
segundo as necessidades e expectativas do empreendedor.
Futuramente será necessário identificar no mercado
um sistema integrado capaz de auxiliar em todo o processo administrativo,
financeiro, comercial e operacional. O processo de escolha do sistema
poderá ser apoiado por profissionais qualificados visando
à definição de um software ERP que possibilite
a gestão integrada da empresa em todas as suas áreas,
inclusive que viabilize o controle de custos de produção,
visando melhorar o resultado operacional da empresa.
Canais de distribuição
A empresa de fabricação de temperos secos tem como
canais de distribuição os pontos de revendas para
seus produtos, por exemplo:
mercearias, supermercados, açougues, padarias, dentre outros.
Além desses pontos, a empresa deverá atuar como ponto
de venda direta em seu próprio local de fabricação,
via fone com entregas em domicílio ou de porta em porta.
A formação dos canais de distribuição
exigirá do proprietário um esforço expressivo
para conquistar novos pontos de vendas para seu
empreendimento. Será necessário investir nessa área,
seja com a “oferta de bônus” para os proprietários
ou disponibilizando “displays”
estilizados com a marca da empresa nos possíveis pontos de
vendas para acondicionarem exclusivamente as embalagens dos temperos
de sua marca para comercialização. O próprio
empresário deverá tratar de negociar estes “incentivos”
com os donos dos pontos de vendas.
Investimentos
Investimento em maquinário necessário a estruturação
de uma empresa de fabricação de temperos secos:
Área de produção:
1. Moedora – 10 = R$ 600,00
2. Pilão – 5 = R$ 600,00
3. Saquinhos p/embalagem – 400 = R$ 300,00
4. Rotuladora – 5 = R$ 450,00
5. Seladora – 5 = R$ 625,00
6. Estufas – 3 = R$ 2.145,00
7. Balanças – 2 = R$ 1.000,00
8. Utensílio de cozinha (faca, colheres, espátula)
– variado a quantidade, mas o investimento será de
aproximadamente – R$ 200,00.
Total Equipamentos................................... R$ 5.920,00
MOBILIÁRIO PARA A ÁREA ADMINISTRATIVA/OPERACIONAL
1. Microcomputador – 2 = R$ 2.600,00
2. Impressora laser – 1 = R$ 600,00
3. Mesa - 2 = R$ 500,00
4. Cadeira – 6 = R$ 720,00
5. Fax – 1 = R$ 450,00
6. Telefone – 4 = R$ 200,00
Total mobiliário.................. R$ 5.070,00
TOTAL DE EQUIPAMENTOS/MOBILIÁRIO = R$ 10.990,00.
ADEQUAÇÃO DO IMÓVEL
Para este segmento empresarial o ideal é que o espaço
escolhido seja na forma de galpão, já que existe a
necessidade de diversos espaços a serem utilizado tanto na
etapa pré-industrial, quanto industrial, bem como de embalagem
e armazenamento de matéria-prima, produto semi-acabado e
produto acabado.
O custo de adequação será bastante variável,
pois dependerá de como será encontrada a estrutura
atual, as condições das instalações
elétricas, hidráulicas, área de escritório,
dentre outros espaços, mas estima-se algo em torno de R$
5.000,00 à R$ 10.000,00.
Capital de giro
Capital de giro é um montante de recursos financeiros que
a empresa precisa manter para garantir a dinâmica do seu processo
de negócio.
O capital de giro precisa de controle permanente, pois tem a função
de minimizar o impacto das mudanças no ambiente de negócios
onde a empresa atua.
O desafio da gestão do capital de giro deve-se, principalmente,
à ocorrência dos fatores a seguir:
-Variação dos diversos custos absorvidos pela empresa;
-Aumento de despesas financeiras, em decorrência das instabilidades
desse mercado;
-Baixo volume de vendas;
-Aumento dos índices de inadimplência;
-Pagamento das parcelas de possíveis financiamentos;
-Altos níveis de estoques.
O empreendedor deverá ter um controle orçamentário
rígido de forma a não consumir recursos sem previsão.
O empresário deve evitar a retirada de valores além
do pró-labore estipulado, pois no início todo o recurso
que entrar na empresa nela
deverá permanecer, possibilitando o crescimento e a expansão
do negócio. Dessa forma a empresa poderá alcançar
mais rapidamente
sua auto-sustentação, reduzindo as necessidades de
capital de giro e agregando maior valor ao novo negócio.
O empreendedor deve realizar um levantamento criterioso da Necessidade
de Capital de Giro que seu empreendimento irá requerer
em um determinado período devendo ser considerado uma relação
percentual da ordem de cerca de 70% do montante investido na
estruturação da empresa.
Ressalta-se que se o empresário for um empreendedor pró-ativo
o tempo de retorno desse segmento empresarial poderá estar
sendo
atingido no intervalo entre o longo e médio prazo, pois se
trata de uma empresa que atua em um mercado de pouca concorrência
direta. No entanto, vale ressaltar, que as empresas que estão
estabelecidas e atuam nesse segmento normalmente são grandes
corporações, o que pode dificultar o nível
de penetração no mercado.
Custos
São todos os gastos realizados na produção
de um bem ou serviço e que serão incorporados posteriormente
no preço dos produtos ou
serviços prestados, como: aluguel, água, luz, salários,
honorários profissionais, despesas de vendas, matéria-prima
e insumos consumidos no processo de produção, depreciação
de maquinário e instalações.
O cuidado na administração e redução
de todos os custos envolvidos na compra, produção
e venda de produtos ou serviços que compõem o negócio,
indica que o empreendedor poderá ter sucesso ou insucesso,
na medida em que encarar como ponto fundamental a redução
de desperdícios, a compra pelo melhor preço e o controle
de todas as despesas internas. Quanto menores os custos, maior a
chance de ganhar no resultado final do negócio.
Os custos para abrir uma empresa de fabricação de
temperos secos devem ser estimados considerando os itens abaixo:
1. Salários, comissões (caso tenha vendedores internos
e/ou externos) e encargos;
2. Tributos, impostos, contribuições e taxas;
3. Aluguel, taxa de condomínio, segurança;
4. Água, Luz, Telefone e acesso a internet;
5. Produtos para higiene e limpeza da empresa e funcionários;
6. Fardamento para paramentar os funcionário envolvidos na
produção de temperos;
7. Recursos para manutenções corretivas;
8. Valores para quitar possíveis financiamentos de máquinas
e construções;
9. Assessoria contábil;
10. Propaganda e Publicidade da empresa;
11. Aquisição de matéria-prima base para produção
de temperos;
12. Despesas com vendas;
13. Despesas com estocagem e transporte.
O empreendedor de caso entenda que seja interessante disponibilizar
“displays estilizados” nos pontos de venda, deverá
computar como custo a aquisição desses mostruários
e ainda os gastos relativos à reposição de
estoques. Provavelmente haverá desembolso de “bônus”
para os proprietários dos pontos de venda para manter exclusividade
ou mesmo tê-los como revendedores de seu produto.
Os custos indicados serão bastantes variáveis, pois
os “bônus” variam de região para região.
Diversificação / Agregação de valor
Nesse segmento de mercado diversificar é o ponto delimitador
da barreira entre ser um empresário comum ou de sucesso,
já que o
processo de inovar na forma de produzir o tempero seco manterá
a empresa em constante evidência junto ao consumidor.
O empreendedor deverá estar sempre atento à possibilidade
de descobrir novos temperos ou misturas de ervas que traduzam em
novos sabores, buscando assim “sugerir” aos consumidores
“outras expectativas de consumo” .
Ressalta-se que o empresário deverá buscar manter
em sua linha de produção a maior variedade possível
de temperos secos, visando
atender vários tipos de cliente.
Com a tendência mundial de preservação ambiental,
o empreendedor deverá inserir-se nesse mercado visando à
valorização dos recursos naturais, já que a
sua matéria-prima – ervas – deverá ser
adquirida preferencialmente de produtores que respeitem o meio ambiente
e se possível que produzam produtos cultivados na concepção
de – plantio orgânico. Os rótulos deverão
conter essa informação. Isto com certeza será
um importante “ingrediente” de comercialização
dos temperos produzidos na empresa.
Outro ponto a ser a ser incrementado na agregação
de valor de seus produtos é, por exemplo, incluir em cada
embalagem, pelo menos uma receita de consumo/aplicação
diferente por cada lote produzido.
Divulgação
A divulgação de uma empresa de fabricação
de temperos deverá seguir os conceitos tradicionais de divulgação
existentes no mercado,
via os meios de comunicação como, por exemplo: Rádio,
outdoors, internet, jornais e revistas especializadas.
A maioria desses meios de comunicação apresenta um
custo bastante expressivo, por isso o empresário deverá
se esforçar ao máximo para colocar sua empresa na
maior quantidade de pontos de distribuição possíveis.
O empresário da área de fabricação
de temperos deve estar sempre atento ao processo de vincular o seu
produto à saúde de seus
consumidores, exaltando cada vez mais a qualidade na produção
e a pureza de seu produto e ainda o fato de estar atuando rigorosamente
dentro das normas requeridas para esse segmento.
O principal canal de divulgação é a propaganda
do boca a boca. As donas de casa ou mesmo os chefe de cozinhas,
que são os
consumidores, tanto falarão bem de seu produto ou não.
Informações Fiscais e Tributárias
O segmento de fábrica de temperos secos, assim entendida
a fabricação de especiarias, molhos, temperos e condimentos,
poderá
optar pelo SIMPLES Nacional - Regime Especial Unificado de Arrecadação
de Tributos e Contribuições devidos pelas
Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, instituído pela
Lei Complementar nº 123/2006, caso a receita bruta de sua atividade
não
ultrapassar R$ 240.000,00 (microempresa) ou R$ 2.400.000,00 (empresa
de pequeno porte) e respeitando os demais requisitos
previstos na Lei.
Nesse regime, o empreendedor poderá recolher os seguintes
tributos e contribuições, por meio de apenas um documento
fiscal – o DAS (Documento de Arrecadação do
Simples Nacional):
-IRPJ (imposto de renda da pessoa jurídica);
-CSLL (contribuição social sobre o lucro);
-PIS (programa de integração social);
-COFINS (contribuição para o financiamento da seguridade
social);
-ICMS (imposto sobre circulação de mercadorias e serviços);
-IPI (imposto sobre produtos industrializados);
-INSS (contribuição para a seguridade social).
Conforme o Anexo II da referida Lei Complementar nº 123/2006,
as alíquotas do SIMPLES Nacional, para esse ramo de atividade,
vão de 4,5% até 12,11%, dependendo da receita bruta
auferida pelo negócio. No caso de início de atividade
no próprio ano-calendário da opção pelo
SIMPLES Nacional, para efeito de determinação da alíquota
no primeiro mês de atividade, o empreendedor utilizará,
como receita bruta total acumulada, a receita do próprio
mês de apuração multiplicada por 12 (doze).
Se o Estado em que o empreendedor estiver exercendo a atividade
conceder benefícios de isenção e/ou substituição
tributária para o
ICMS, a alíquota poderá ser reduzida conforme o caso.
Na esfera Federal poderá ocorrer redução quando
se tratar de PIS e/ou COFINS (Resolução nº 05/2007,
do Comitê Gestor de Tributação das Microempresas
e Empresas de Pequeno Porte).
Essa opção de tributação poderá
ser amplamente vantajosa para o segmento de fábrica de temperos
secos, motivo pelo qual sugerimos
uma avaliação cuidadosa do regime de tributação
apresentado. Orienta-se ao empreendedor que atente ao tópico
Exigências legais
especificas, que inclui as normas e regulamentos que devem ser atendidos
para operacionalização dessa atividade.
Glossário
Características organolépticas: propriedades que
possuem os corpos ou substâncias de impressionar os sentidos
e influenciar no sabor de alimentos e bebidas.
Especiarias: qualquer produto de origem vegetal, aromático
(cravo, canela, pimenta, noz-moscada, etc.) usado para condimentar
e ou
temperar alimentos, bebidas e outros alimentos.
Extrato Etéreo: Extrato feito de éter, utilizado
na transformação de ervas em condimentos e temperos.
Matiz: coloração especial aplicada em diversos alimentos,
por intermédio de temperos e condimentos.
Nau: antigo navio redondo, tanto na forma do casco quanto no velame,
de grande tamanho, com acastelamentos na proa e na popa, muito utilizado
na época das grandes descobertas.
Páprica: espécie de tempero vermelho produzido a
partir do pimentão.
Substâncias Sápidas: substâncias saborosas,
que tem relação direta com o sabor das ervas e seu
resultado nos temperos e condimentos.
Tubérculo: espécime de caule curto e grosso, rico
em substâncias nutritivas. Pode ser definido pelo engrossamento
mais ou menos
globoso em qualquer parte de uma planta, com tecidos de reserva.
Dicas do Negócio
O candidato a empresário no segmento de fabricação
de temperos deve entrar nesse negócio consciente de que terá
que estar presente
tempo integral.
O empresário também deverá integrar a gestão
das diversas áreas da empresa principalmente no início
das atividades do novo empreendimento, tanto na parte comercial,
quanto operacional e na gestão financeira do negócio.
Será necessário contar com o apoio de um químico
respeitado e com amplos conhecimentos técnicos e científicos
sobre análise de ervas, sua aplicabilidade, visando produzir
temperos puro e altamente adequado para consumo humano.
O consumo e a procura por sabores diversificados por parte dos
consumidores estão crescendo e abrindo oportunidades de negócios
para agricultores na área de ervas e empresários de
transformação dessas ervas em temperos e condimentos.
-Para que a linha de temperos se qualifique e mantenha-se no mercado
é preciso ter em mente que se deve partir do tradicional,
ou seja,
começar a produzir temperos partindo de ervas de procura
garantida, como o manjericão, para massas; alecrim para carnes;
e hortelã, usada até no chá, pimenta-do-reino,
dentre outros. Só depois disso deve-se incrementar a sua
linha de produção com algumas ervas mais incomuns
e até mesmo exóticas como o estragão e a segurelha.
Características específicas do empreendedor
O empreendedor que iniciar uma empresa de fabricação
de temperos secos, deve ter algumas características básicas,
tais como:
1. Ter conhecimento específico sobre produção
e plantio de ervas e período de colheita e outras variações;
2. Estar amparado nas tendências de mercado e estar preparado
para ultrapassar as possíveis sazonalidades de plantio e
colheita das ervas aplicadas na produção de temperos
e condimentos;
3. Ser uma pessoa que sempre busca melhorar o nível de seu
negócio, tanto com a participação em cursos
específicos sobre fabricação de temperos, feiras
de alimentos, conservação adequada de temperos, condimentos
e das ervas in natura, quanto de gestão empresarial, pois
não basta ter conhecimento de fabricação de
temperos secos é necessário também estar preparado
para gerir o seu empreendimento;
4. Ter habilidade no tratamento com pessoas tanto com seus colaboradores
quanto com clientes, fornecedores, enfim com todos
que de forma direta ou indireta tenha ligação com
a empresa;
5. Ser empreendedor com visão prospectiva, atuando com
antecipação de tendências, ter visão
de futuro no que tange o interesse e
expectativa de mercado e dos consumidores, além de estar
sempre antenado com as inovações tecnológicas
e de mercado.;
6. Além destas características acima listadas o
empresário de uma empresa de fabricação de
temperos secos tem que ser uma pessoa
extremamente criativa, sempre com capacidade de criar formas inovadoras
de produção e comercial, tendo como foco e objetivo
de
estar sempre a frente de seus concorrentes.
Bibliografia Complementar
REVISTA GLOBO RURAL. Disponível em: <http://globorural.globo.com>.
Acesso em: 05 fevereiro 2008.
EMPREGA BRASIL. Disponível em: <http://www.empregabrasil.org.br>.
Acesso em 05 fevereiro 2008.
CERTTO RECEITAS ESPECIAIS. Disponível em: <http://www.certto.com.br/culinaria/Tempe...>.
Acesso em: 05
fevereiro 2008.
JORNAL O MOSSOROENSE. Disponível em: <http://www2.uol.com.br/omossoroense/>.
Acesso em: 05 fevereiro
2008.
NORMAS TÉCNICAS ESPECIAIS PARA CONDIMENTOS OU TEMPEROS.
Disponível em: <http://www.engetecno.com.br/legislacao/t...>.
Acesso em: 08 fevereiro 2008.
MINISTÉRIO DE ECONOMIA Y PRODUCCION. Secretaria de Comercio
Interior da Argentina. Disponível em: <http://www.puntofocal.gov.ar>.
Acesso em: 08 fevereiro 2008.