Idéias
de Novos Negócios - Encadernação
Apresentação do Negócio
Desde que os livros substituíram os pergaminhos na preferência
dos leitores, a encadernação tem sido o método
mais utilizado para se
juntar folhas de papel com conteúdo comum, permitindo seu
fácil manuseio e garantindo que não se percam, mas
sim, permaneçam
juntas e protegidas.
Encadernar significa amarrar ou ligar (do latim ligare) e desde
a antiguidade vários métodos de encadernação
têm sido utilizados. Durante os primeiros séculos do
cristianismo: as encadernações eram um meio luxuoso
de valorizar a palavra divina e eram executadas por artistas, que
utilizavam pinturas refinadas, placas de marfim ou metais como ouro,
cobre, prata e incrustações de pedras preciosas. No
século X, já com a escrita e a feitura do livro basicamente
restrito aos mosteiros, uma ornamentação austera substituiu
as pesadas capas de metal e marfim, por tabuinhas de madeira, revestida
com couro (de cervo, asno, porco, vitela, etc.).
Hoje as capas continuam com o papel de proteger o livro e seduzir
o leitor a conhecer o seu conteúdo e, embora processos artesanais
de encadernação ainda sejam utilizados, a encadernação
comercial moderna emprega cada vez mais máquinas e equipamentos
industriais. Neste contexto, alguns tipos de encadernação
têm sido mais utilizados, dentre eles os seguintes processos:
“Capa dura” - É o método tradicional
para encadernação de um livro. É também
o processo mais durável e o mais caro. Depois de dobradas
e colecionadas em forma de cadernos, as folhas impressas são
costuradas e cobertas com uma capa de papelão revestida com
tecido, couro ou papel de encadernação.
“Paperback” (ou capa mole) - Alguns livros, depois
de costurados, também podem receber uma capa mole (paperback),
feita de um papel com gramatura superior a do miolo, em vez de capa
dura.
Gráfica Rápida – Sistema de encadernação
que utiliza grampo, arames, canaletas, parafusos, espirais para
encadernação.
Mercado
Com um uso tão disseminado, garantem os especialistas que
a procura por encadernadores de livros é maior que a oferta
de profissionais. Esta procura vem de clientes como editoras, universidades
(trabalhos de conclusão de curso tais como monografias, dissertações
e teses), bibliotecas públicas e particulares, empresas,
escritórios de contabilidade (usadas para encadernar livros
registros de empregados, apuração de impostos, notas
fiscais e outros documentos), associações, cartórios
(livros de registro e certidões, etc.).
O profissional do ramo pode trabalhar em um destes locais como
empregado ou se preferir montar sua própria empresa de encadernação,
na forma de uma oficina especializada ou uma gráfica rápida.
Muitos empresários começaram esse empreendimento como
um hobby, geralmente na própria casa, onde fica mais fácil
se dedicar ao negócio, partindo posteriormente para uma oficina
com maiores recursos.
O mercado de encadernação em geral tem períodos
de maior demanda de serviços, como nos finais e início
de cada ano. É nessa época que surgem os trabalhos
de encadernação de monografias e trabalhos de conclusão
de cursos, a encadernação de livros contábeis
e as encomendas de agendas e brindes de fim de ano se elevam consideravelmente.
Nota: Todo livro ou nota fiscal emitida pelo processo eletrônico
está obrigatoriamente enquadrado na lei que exige a encadernação,
ou seja, livros ou notas fiscais impressos sejam por impressoras
matriciais, jato de tinta ou outro processo similar.
Conservação e Restauração
O trabalho de encadernação e restauração
de livros antigos é uma especialização do ramo.
Existem trabalhos muito elaborados envolvendo a encadernação
de livros raros, contendo costura especial com cordão, chamada
"nervo verdadeiro" e detalhes como banho de ouro nas bordas
e gravação manual na capa, dentre outras técnicas.
Este serviço é realizado por verdadeiros “artistas”
que se dedicam a este “nicho de negócio” do segmento
de encadernação.
Localização
Dependendo do processo de encadernação a ser oferecido,
esta é uma atividade que pode ser desempenhada na própria
casa do
encadernador. Caso o empreendedor decida oferecer serviços
mais sofisticados e decidir montar sua empresa de encadernação
de livros em outro local, ele deve considerar dentre outros fatores:
a) Certifique-se de que o imóvel em questão atende
as suas necessidades operacionais quanto à localização,
capacidade de
instalação, características da vizinhança
- se é atendido por serviços de água, luz,
esgoto, telefone etc.
b) Cuidado com imóveis situados em locais sem ventilação,
úmidos, sujeitos a inundações ou próximos
às zonas de risco. Consulte a vizinhança a respeito.
c) Verifique se o imóvel possui comodidades que possam
tornar mais conveniente e menos onerosa a gestão do negócio
tais como:
proximidade dos clientes mais importantes ou dos locais de residência
dos empregados
d) Verifique se o imóvel está legalizado e regularizado
junto aos órgãos públicos municipais que possam
interferir ou impedir sua futura atividade.
e) Confira a planta do imóvel aprovada pela Prefeitura,
e veja se não houve nenhuma obra posterior, aumentando, modificando
ou
diminuindo a área primitiva, que deverá estar devidamente
regularizada.
f) Verifique também na Prefeitura Municipal:
i) se o imóvel está regularizado - se possui o HABITE-SE;
ii) se as atividades a serem desenvolvidas no local respeitam lei
de zoneamento do município;
iii) se os impostos que recaem sobre o imóvel estão
em dia - IPTU, ITR;
iv) a legislação municipal que trata da instalação
de anúncios.
É preciso verificar também, junto aos órgãos
Estaduais e Municipais do Meio Ambiente e de Controle de Atividades
Poluentes, a possibilidade de se estabelecer na localidade. É
importante ressaltar que as atividades relacionadas à saúde,
tais como: bares, restaurantes, farmácias, etc., dependem
de alvará da Vigilância Sanitária Estadual e
Municipal. Verifique, ainda, as exigências do Corpo de Bombeiros.
Tratando-se de imóvel alugado, negocie o valor do aluguel,
data de pagamento, prazo de locação e demais cláusulas
com o locador, na
forma e condições compatíveis com o empreendimento,
considerando o tempo de retorno do investimento.
O Alvará de Funcionamento
É um documento que autoriza o exercício de uma atividade,
levando em conta o local, o tipo de atividade, o meio ambiente,
a segurança, a moralidade, o sossego público, etc.
Em alguns Estados e Municípios os estabelecimentos que produzem
e / ou manipulam alimentos, somente podem funcionar mediante licença
de funcionamento e alvará expedido pela autoridade sanitária
competente.
A vistoria no estabelecimento segue o código sanitário
vigente e é feita pelos fiscais da prefeitura local. Nenhum
imóvel poderá ser
ocupado ou utilizado para instalação e funcionamento
de usos não-residenciais sem prévia emissão,
pela Prefeitura, da licença correspondente, sem a qual será
considerado em situação irregular. A licença
de funcionamento deverá estar afixada em local visível
ao
público.
Exigências legais específicas
Exigências legais específicas Lei nº. 10753,
de 30/10/2003 - (Lei do livro) - Institui a Política Nacional
do Livro.
Código de Defesa do Consumidor
As empresas que fornecem serviços e produtos no mercado de
consumo devem observar as regras de proteção ao consumidor,
estabelecidas pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC).
O CDC emitido em 11 de setembro de 1990, regula a relação
de consumo em todo o território brasileiro, na busca de equilibrar
a relação entre consumidores e fornecedores.
Embora não diretamente relacionada, aqueles empreendedores
que realizam a atividade de restauro de livros antigos devem atentar
para a seguinte legislação que protege o patrimônio
cultural brasileiro:
DL nº. 25/37 – organiza a proteção do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, especialmente
arts. 26 a 28;
Portaria nº. 262, de 14.08.1992 – regulamenta a saída
de objetos culturais do país;
Lei 4.845, de 19.11.1965 – proíbe a saída para
o exterior de obras de arte e ofícios produzidos no país
até o fim do período monárquico;
Lei nº 5.471, de 09.07.1968 – dispõe sobre a exportação
de livros antigos e conjuntos bibliográficos brasileiros;
Decreto-Legislativo nº. 71, de 29.11.1972 – aprova o
texto de convenção sobre as medidas a serem adotadas
para proibir e impedir a
importação, exportação e transferência
de propriedades ilícitas dos bens culturais aprovada pela
XVI Conferência da UNESCO realizada em 14.11.1970 –
Carta de Paris
Estrutura
A estrutura irá variar conforme o processo de encadernação
a ser oferecido (industrial, artesanal ou gráfica rápida).
Uma pequena oficina de encadernação requer um salão
de produção de cerca de 40m², onde equipamentos,
bancadas de trabalho, armários, estantes,
etc. serão instalados levando-se em conta o processo de encadernação
oferecido pela oficina, número de empregados, ergonomia e
eficiência.
O local deve possuir também um pequeno escritório,
banheiro e uma área de estoque e armazenamento.
Fatores de degradação tais como: umidade, temperatura,
exposição à luz, poluição atmosférica,
insetos, roedores, fungos e bactérias, dentre outros devem
ser controlados, a fim de se evitar prejuízos ao material
em processo.
Pessoal
O pessoal envolvido também irá variar conforme o
tipo de serviço oferecido pela oficina (capa-dura, paperback
ou gráfica rápida).
Em geral, os processos de encadernação artesanal e
gráfica rápida requerem poucos empregados e o próprio
empreendedor trabalhando sozinho ou com a ajuda de um auxiliar pode
oferecer o serviço. Processos industriais mais sofisticados
envolvem mais pessoas: Planejadores, encadernadores / operadores,
douradores, etc.
Equipamentos
Os equipamentos irão variar conforme o processo de encadernação
utilizado. Abaixo relacionamos alguns equipamentos envolvidos em
cada processo:
Industrial (Processo de costura.)
Prensa horizontal
Máquinas de dobrar com sistema de bolsas
Mesas circulares de alçado
Máquinas de alçar horizontais com módulos
Máquinas de alçar verticais
Prensa vertical
Cisalha (Tesoura mecânica para cortar papelão)
Guilhotinas
Máquina de coser com linha
Máquina de coser a ponto de arame
Máquina de dobrar
Máquina de alçar
Coladeira
Equipamentos Manuais (Gráfica Rápida)
Perfuradoras para espirais
Perfuradoras para duplo anel (wire-o)
Fechadoras duplo anel (wire-o)
Encadernadora para garras plásticas
Artesanal
Prensa
Furadeira
Par de sargentos,
Tábuas de fórmica
Tesouras
Estiletes
Dobradeira.
Matéria Prima / Mercadoria
As matérias-primas envolvidas na encadernação
irão variar de acordo com o tipo de encadernação
(capa dura, paperback ou gráfica rápida). Como exemplo,
citamos alguns materiais comumente utilizados no processo de encadernação
tipo “capa dura”:
COURO: O couro é um material que dispensa apresentações.
O seu uso para encapar livros data desde o início da humanidade.
Entre as maiores vantagens estão o requinte e a boa impressão
causado pela nobreza do material e a sua indiscutível durabilidade
TECIDOS. O básico para quase todas as encadernações
é o algodão. Ele existe em diversas gramaturas, mas
produzir um pano branco de alta qualidade para livros exige uma
série de procedimentos que devem ser executados a fim de
que eles sejam branqueados, suas
impurezas removidas, tornando-se desse modo mais absorventes. Após
a etapa de branqueamento, o tecido recebe uma camada de goma (similar
à usada em lavanderias) ou piroxilina da mesma cor do tecido
(o tecido preenchido com goma é um material de encadernação
costumeiro, de baixo custo). No caso da utilização
da goma, que o torna impermeável, existem inconvenientes
como o de manchar facilmente com água ou mesmo com a umidade
das mãos, além de ser considerada guloseima para traças,
baratas e ratos. A alternativa é a utilização
da piroxilina, líquido plástico que tanto pode ser
injetado no pano (piroxilina impregnada), quanto aplicado em camadas
(piroxilina em camada, que apesar de mais forte é a mais
cara). É a piroxilina que dá mais força, durabilidade
e resistência à umidade e aos insetos.
NÃO–TECIDOS (No-woven): Esta categoria inclui tanto
as capas de papel como as sintéticas e representa o segmento
de maior
crescimento na indústria dos materiais para capas. A razão
principal é o seu custo. É mais barato encadernar
um livro com papel ou sintético do que com pano e além
do mais, os livros em brochura e os livros de bolso não precisam
de sobrecapa, já que ela é impressa diretamente na
capa. Dentre os não-tecidos destacamos:
PAPEL: Este é o material de capa mais barato, mas também
o mais fraco. É basicamente um papel kraft resistente que
foi branqueado e/ou tingido. Entretanto, como o pano, ele pode ser
acabado para aumentar a força e a durabilidade, cobrindo-se
a folha com plástico, acrílico, vinil ou piroxilina.
O acabamento não só aumenta a força da folha,
mas melhora a entintagem, e portanto a capacidade de impressão.
Para aumentar a variedade, os papéis podem ser sobreimpressos
com padrões ou gravados para dar aparência de linho,
pele, couro ou uma larga variedade de texturas decorativas. Os papéis
tipo 1 são muito utilizados para brochuras e livros encadernados.
Os papéis para encadernação são avaliados
pela espessura e pelo peso em gramas por metro quadrado;
PAPEL REFORÇADO: Neste caso, o papel base, ou substrato,
foi reforçado com a adição de polímeros
ou resinas à pasta que lhe deu origem. Como no papel comum,
a folha pode ser posteriormente reforçada com camadas de
acrílico, vinil ou piroxilina e ainda
gravados ou sobreimpressos. O papel reforçado é muito
usado para brochuras e livros encadernados.
PERCALUX: Possui uma infinidade de cores e texturas. e é
sem dúvida o material mais utilizado para encadernações
no mundo inteiro.
Resistente, bonito e ecologicamente correto, representa uma opção
mais econômica e moderna em relação ao couro.
TYVEK® - é o não tecido da DuPont composto por
filamentos contínuos de polietileno de alta densidade, 100%
puro, extraordinariamente forte e resistente ao rasgo, à
perfuração e à água. Seu processo de
fabricação exclusivo, através da consolidação
de fibras não direcionadas por meio de pressão e calor,
com ausência de elementos ligantes, emendas ou aditivos, lhe
conferem maior
versatilidade, combinando as melhores características e propriedades
do papel, filme e tecido em um único produto.
Quando o assunto é revestimento, a criatividade fala mais
alto e as opções são muitas: papel de parede,
papel reciclado e tecidos diversos constituem alguns exemplos de
possibilidades para personalizar o trabalho.
PAPELÕES PARA ENCADERNAÇÃO.
PAPELÃO COLADO. Feito de cavacos colados, ele é
produzido a partir de pequenas lascas de papelão coladas
com um adesivo muito forte. A maioria dos livros é feita
com papelão colado, mais adequado para livros que recebem
manuseio normal;
PAPELÃO DE MASSA ÚNICA. Mais pesado e mais rígido
que o papelão colado, o papelão de massa única
é um papelão sólido, feito de pasta na espessura
total em uma única operação. É de alta
qualidade, possuindo apenas uma camada, com densidade 50%
superior à do papelão colado. Livros textos, mais
manuseados, devem ser encadernados com papelão de massa única.
GUARDAS. São as folhas dobradas que se põem no começo
e no fim do livro encadernado, unindo a capa ao volume. Elas são
normalmente mais pesadas que as páginas do miolo já
que tem como função manter o miolo unido à
capa. As guardas típicas tem 120 g/m2 de peso e são
feitas com papel de fibras especiais, escolhidas por sua força.
Uma segunda função das guardas é a estética:
elas podem ser muito atrativas. Por isso, encontram-se guardas em
diversas cores e acabamentos. E podem também ser pré-impressas.
LÂMINAS E PIGMENTOS. Após o revestimento do papelão
e antes de o livro ser encapado, normalmente as capas são
gravadas com o título do livro, o nome do autor e o da editora.
O método mais comum para isso é a gravação
a quente da capa com lâmina metálica ou pigmento, nos
tons prata, ouro, cobre, alumínio e em diversas cores, opacas
ou brilhantes.
CABECEADOS. São pequenas tiras de pano que ressaltam ligeiramente
do pé e da cabeça da parte interna da lombada. Sua
função é principalmente estética. Quando
um livro é encadernado, o pé e a cabeça da
lombada podem ter uma aparência inacabada quando os cadernos
são encadernados e colados. Outros insumos empregados na
encadernação tipo “capa dura”: pincéis,
cola, lixas, espátulas, agulhas, linhas e materiais diversos
utilizados na confecção das capas.
Alertamos que processos de encadernação diferentes
(artesanal ou gráfica rápida) irão demandar
outros materiais.
Organização do processo produtivo
Independentemente do processo escolhido, a encadernação
de livros pode ser dividida nas seguintes etapas: Preparação
do conteúdo,
alinhamento, corte do papel, encadernação propriamente
dita, retoque e acabamento. Dentre os Processos mais utilizados
destacamos:
Encadernação Industrial (Capa Dura / Paperback)
Grampo - Forma rápida e barata de encadernar é feita
usando grampos "cavaleiro". Muito comum em revistas e
periódicos, pois proporciona bom acabamento, baixo custo
e flexibilidade.
Fresa/ hot-melt - Encadernação do tipo paperback
que utiliza cola, gerando um dorso quadrado. É barato, e
substitui a costura em obras com até 200 páginas.
No entanto, a durabilidade é pequena, o que torna este tipo
de encadernação indicada apenas para obras cujo conteúdo
seja rapidamente defasado, como ocorre com publicações
de informática.
Costura - Encadernação com costura é mais
trabalhoso, porém mais durável do que as encadernações
com cola, além do que igualmente barata. Utilizada em processo
de encadernação tipo “capa-dura”.
Gráfica Rápida
Espiral - As páginas são perfuradas e unidas por arame
ou plástico enrolado no formato espiral. Nestes casos, utiliza-se
capa e contracapa em cima da original, geralmente em PVC.
Wire-o - Evolução tecnológica do espiral,
porém mais cara. É feita em aço, e pode ser
colocada em buracos quadrados. Tem um acabamento muito mais elegante
que o espiral.
Térmica – As páginas são unidas por
aquecimento a capa plástica. Produz uma bonita aparência,
porém só deve ser utilizada para
encadernar quantidades pequenas de folhas.
Encadernação Artesanal - É aquela onde o corte,
colagem, montagem e acabamento das capas dos livros são feitas
manualmente, utilizando-se uma grande variedade de materiais. São
empregadas desde coberturas tradicionais como papel ou tecido às
mais exóticas, como seda, veludo, aniagem ou até mesmo
metal. Para escolher o material mais adequado o encadernador considera
não apenas os aspectos estéticos, tais como cor e
textura, mas também o acabamento dos materiais. É
o acabamento que dá ao material corpo, força, durabilidade
e capacidade de impressão.
Alguns revestimentos são gravados em relevo, para criação
de texturas especiais. Isto é particularmente comum na utilização
de papel e
plástico, que podem ser gravados imitando a textura do linho,
da pele ou do couro, além de apresentar padrões decorativos.
Vale lembrar que o empreendedor que desejar ingressar no ramo de
encadernação de livros também terá que
dedicar seu tempo a tarefas como divulgação, negociação
com os clientes, compra de materiais, controle de caixa, bancos,
recebimentos, pagamentos, dentre outras atividades.
Automação
A automação está presente nos processos de
encadernação industrial através do uso de equipamentos
elétricos automáticos e
semi-automático tais como: guilhotinas, refiladora, guilhotina
de facão, encadernadora, furadeira para papel, etc..
Canais de distribuição
Trata-se de uma prestação de serviço e que
pode ser considerado um subprocesso da produção gráfica.
Quando prestado de forma independente, os encadernadores utilizam
sua própria oficina ou loja (gráficas rápidas)
como local de venda e prestação do serviço.
Investimentos
O investimento irá variar conforme o tipo de serviço
de encadernação a ser oferecido.
Ao mesmo tempo em que uma empresa prestadora de serviços
de encadernação industrial de grande porte, requer
um investimento
elevado, a ser aplicado na aquisição de equipamentos
sofisticados, abrir uma oficina de encadernação artesanal
não exige tanto
investimento.
Em uma encadernadora artesanal os equipamentos mais caros - prensa
e guilhotina ou facão - podem ser substituídos pelo
próprio trabalho manual. É possível, ainda,
recorrer a serviços de terceiros. Além do mais, não
é difícil adquirir equipamentos de segunda mão,
o que reduz bastante a necessidade financeira do empreendimento.
Independente do tipo de encadernadora estruturada, inclua necessariamente
nessa lista um curso de um mês na área gráfica,
o desenvolvimento de um website personalizado e recursos para a
montagem de uma pequena estrutura administrativa (computador, fax,
telefone, etc.).
Capital de giro
Capital de giro é um montante de recursos financeiros que
a empresa precisa manter para garantir a dinâmica do seu processo
de negócio. Neste ramo, o processo de negócio envolve
a prestação de serviços, onde os desembolsos
de curto prazo incluem a necessidade de formação de
um estoque de materiais para encadernação, sendo que
os demais custos tais como salários, aluguel, etc. possuem
prazos de vencimento mais longos.
Do ponto de vista das receitas, elas em geral são recebidas
à vista ou em 30 dias, através de cheques pré-datados,
favorecendo o ciclo
financeiro do empreendimento.
Vale lembrar que a gestão do capital de giro de uma empresa
envolve outros fatores que requerem a atenção do empreendedor.
Para evitar e corrigir eventos, que, potencialmente, venham provocar
a necessidade de novos aportes de recursos financeiros, o empreendedor
deve atentar, dentre outros fatores, para:
-evitar custos fixos elevados atentando para despesas de energia,
aluguel, material de limpeza, dentre outras que possam gerar desembolsos
recorrentes acima do desejado.
-Atuar para aumentar a base de clientes.
-Praticar preços que não cubram os custos incorridos
ou conceder descontos que possam comprometer a margem de lucro do
negócio.
O empreendedor deverá ter um controle orçamentário
rígido de forma a não consumir recursos sem previsão.
Além disso, ele deve evitar a retirada de valores além
do pró-labore estipulado, pois no início todo o recurso
que entrar na empresa nela deverá permanecer, possibilitando
o crescimento e a expansão do negócio. Dessa forma
a empresa poderá alcançar mais rapidamente sua auto-sustentação,
favorecendo a formação de “reservas” próprias
(e reduzindo a necessidade de uso de capital de giro de terceiros
ou aportes de recursos feitos pelo empreendedor) e agregando maior
valor ao novo negócio.
Custos
Os principais componentes de custos de um empreendimento deste
tipo são:
1. Salários e encargos
2. Aquisição de insumos / matérias primas;
3. Aluguel e taxa de condomínio;
4. Água, Luz, Telefone;
5. Tributos;
6. Assessoria contábil;
7. Propaganda e Publicidade da empresa;
8. Manutenção corretiva dos equipamentos;
Diversificação / Agregação de valor
A diversificação desta atividade ocorre quando o
empreendedor domina e aplica as diferentes técnicas de encadernação
de livros. Isto
é, conforme as habilidades desenvolvidas e equipamentos disponíveis
o empreendedor passa a poder oferecer diferentes tipos de
encadernações (espiral, costura, wire-o, etc.). Além
disso, alguns encadernadores também realizam trabalhos de
plastificação, douração
e gravação de capas, agendas e diários personalizados.
O trabalho de encadernação e restauro de livros antigos
é uma especialização do ramo. A restauração
exige um diagnóstico técnico, feito por um especialista,
às vezes através de laboratório. Para uma restauração
bem sucedida, devem ser usados materiais adequados e métodos
próprios, visando à preservação, manutenção
das características originais do documento e caráter
histórico da obra.
Divulgação
Esta é uma atividade em que para vender seus serviços,
as empresas e as pessoas precisarão saber que você
existe, então é necessário realizar visitas
e manter um relacionamento comercial constante com gráficas,
universidades, cartórios, escritórios de contabilidade,
bibliotecas e demais instituições públicas
e privadas fazendo a divulgação de sua empresa.
A divulgação "boca a boca" e a boa referência
feita por clientes, satisfeitos com o serviço de encadernação
bem realizado, funcionam
significativamente neste segmento.
É recomendável a construção de uma
homepage da sua empresa na internet e a elaboração
de um pequeno “kit” de material de apresentação
/ divulgação (mostruário, cartão de
visitas, folhetos, folder, etc.). Elaborar pequenos cartazes, com
descrição dos serviços
prestados e dados para contatos, afixando-os em universidades e
bibliotecas, assim como utilizar ferramentas de e-mail marketing
são
boas formas de divulgar a sua empresa de encadernação.
Informações Fiscais e Tributárias
O segmento de serviço de encadernação, assim
entendido como os serviços de encadernação
e plastificação, fotocópias, digitalização
e
serviços similares, poderá optar pelo SIMPLES Nacional
- Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos
e Contribuições
devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, instituído
pela Lei Complementar nº 123/2006, caso a receita bruta de
sua atividade não ultrapassar R$ 240.000,00 (microempresa)
ou R$ 2.400.000,00 (empresa de pequeno porte) e respeitando os demais
requisitos previstos na Lei.
Nesse regime, o empreendedor poderá recolher os seguintes
tributos e contribuições, por meio de apenas um documento
fiscal – o DAS (Documento de Arrecadação do
Simples Nacional):
-IRPJ (imposto de renda da pessoa jurídica);
-CSLL (contribuição social sobre o lucro);
-PIS (programa de integração social);
-COFINS (contribuição para o financiamento da seguridade
social);
-ISS (imposto sobre serviços de qualquer natureza); e,
-INSS (contribuição para a seguridade social).
Conforme o Anexo III da referida Lei Complementar nº 123/2006,
as alíquotas do SIMPLES Nacional, para o ramo de atividade
de serviços prestados, vão de 6% até 17,42%,
dependendo da receita bruta auferida pelo negócio. No caso
de início de atividade no próprio ano-calendário
da opção pelo SIMPLES Nacional, para efeito de determinação
da alíquota no primeiro mês de atividade, o
empreendedor utilizará, como receita bruta total acumulada,
a receita do próprio mês de apuração
multiplicada por 12 (doze).
Essa opção de tributação poderá
ser amplamente vantajosa para o segmento de serviço de encadernação,
motivo pelo qual sugerimos
uma avaliação cuidadosa do regime de tributação
apresentado.
Ressalta-se que a pessoa jurídica cuja prestação
serviços seja desenvolvida para a área de digitação,
encadernação e processamento
de folhas de pagamento para empresas e condomínios não
pode optar pelo SIMPLES Nacional porque seus serviços são
assemelhados ao de administrador na área de recursos humanos
Orienta-se ao empreendedor que atente ao tópico Exigências
legais especificas, que inclui as normas e regulamentos que devem
ser
atendidos para operacionalização dessa atividade.
Glossário
Acabamento - Em artes gráficas é o processo de finalização
de um produto gráfico (corte linear, encadernação,
embalagem, etc.)
Alcear/Alceamento - É o arranjo das folhas de forma a ficarem
na ordem correta para encadernação. E também
depois, o arranjo dos
cadernos para formar um livro.
Boneca - É um projeto de livro ou revista ,ainda em branco,
que dará idéia do tamanho, formato e capa da publicação.
Brochura - É o tipo de encadernação na qual
os cadernos são costurados ou apenas colados, utilizando
uma capa mole.
Caderno - É a parte do jornal ou livro formada pelas páginas
impressas em cada folha e após a dobra formará um
caderno.
Cabeça - Parte superior de uma página.
Caixa - Em Carramillo, é a área que delimita a colocação
de elementos gráficos. Em Craig, é cada um dos caracteres
da fonte de tipos.
Capa - Cobertura de papel, cartão, couro ou outro material,
que forma a parte externa de um livro, revista, programa ou catálogo.
Capa Dura - Capa de um livro feita de papelão duro, geralmente
revestido com percaline, couro ou fibras sintéticas.
Capa Mole - Capa que não utiliza papelão.
Colofón - indicações colocadas no início
ou final da obra, indicando o nome do autor, diagramador, data,
ilustrador etc.
Lombada - Dorso da publicação, onde se encontram
os grampos, colagens ou costuras.
Lombada Canoa - Publicação encadernada com grampos.
Lombada Quadrada - Publicação encadernada com com
cola. Seu dorso é quadrado ou chato.
Refilar - Consiste em retirar excessos e rebarbas dos papéis,
antes e depois da impressão.
Suporte de impressão - É o material em que vai ser
feita a impressão, como papel, papelão, plástico,
etc.
Vincar - Traçar sulcos em algum papel espesso, como cartolina
ou papelão, usando fios de aço ou lâminas rotativas,
para facilitar a
dobragem. O processo, chamado de vincagem, é usado quando
o papel é duro ou quando a dobra é feita em sentido
perpendicular às fibras.
Dicas do Negócio
Conseguir os clientes antes de oficialmente abrir as portas da
sua oficina, é uma boa estratégia para inicio de negócio.
Faça a divulgação
necessária, visitando potenciais clientes e mostrando o que
sua empresa pode oferecer. Tenha amostras em mãos e apresente
os
processos que utiliza a capacidade de produção de
sua empresa e o preço cobrado pelos serviços.
Outras medidas importantes antes de se iniciar neste ramo de negócio
é conhecer as técnicas de encadernação
existentes, através de cursos específicos, assim como
realizar uma pesquisa de mercado, identificando potenciais clientes
e quais os tipos de encadernação eles estão
demandando.
O uso de equipamentos de proteção individual –
EPI é especialmente importante, caso o empreendedor realize
trabalho de restauração de livros e acervos bibliográficos.
Luvas, óculos, máscara, etc. protegem o trabalhador
contra ácaros, fungos e outros microorganismos que prejudicam
a sua saúde.
Características específicas do empreendedor
Conhecimento técnico de encadernação e restauro
de livros.
Criatividade
Senso estético
Capacidade para analisar e planejar o trabalho de encadernação
e/ou restauro a ser executado com a finalidade de aplicar técnicas
apropriadas para sua execução.
Habilidade manual para operar grampeadores elétricos, dobradeiras
de papel, picotadeiras, guilhotinas e serras elétricas.
Habilidade para colar manualmente capas em livros, revistas, apostilas,
etc. e com o uso de equipamentos.
Habilidade para executar serviços de manutenção
rotineira e ocasional nos equipamentos.
Bibliografia Complementar
BRUCHARD, Dorothée de. A Encadernação, artigo
disponível em http://www.escritoriodolivro.org.br/
JONES, Douglas W., Bookbinding - A Tutorial, The University Of
Iowa - Department of Computer Science and Center for the Book,
disponível em http://www.cs.uiowa.edu/~jones/book
LUNARDELLI, Américo Augusto, ROSSI FILHO, Sérgio.
Acabamento - encadernação e enobrecimento de produtos
impressos.
Rossi Tecnologia Gráfica.
MARTINS, Wilson. A palavra escrita: história do livro,
da imprensa e da biblioteca. 3ª.ed. São Paulo: Ática,
2001. 519p. Temas, v.49.
PERFETTI, Maria Esther Mendes, SCORTECCI, João. Guia do
profissional do livro - Informações Importantes para
quem quer
escrever e publicar um livro. São Paulo: Scortecci Editora,
2005.
ROTH, Otavio (Curador). Os papéis do papel. MEC/Secretaria
da Cultura/FUNARTE.
SPINELLI JUNIOR, Jayme. Conservação de acervos bibliográficos
e documentais. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca
Nacional, 1997. 90p. il. Documentos Técnicos, 1.
Endereços na Internet:
http://en.wikipedia.org/wiki/Bookbinding
http://www.infomec.com.br
http://www.sp.senai.br/graf/publi.htm
http://www.escritoriodolivro.org.br/hist...
http://www.terravista.pt/copacabana/2368
http://www.bondia.com.br/setepeixes/faca...
http://elisakerr.wordpress.com/