Idéias
de Novos Negócios - Empresa de Reciclagem
Apresentação do Negócio
O termo reciclagem tornou-se amplamente difundido na mídia
brasileira no final da década de 1980, quando vários
estudos publicados indicaram que as fontes de petróleo e
de outras matérias-primas não-renováveis estavam
muito escassas. Além disso, surgia uma nova situação,
principalmente nas grandes cidades: há falta de espaço
físico adequado destinado a montagem de depósitos
de lixo (lixões, aterros sanitários) e de outros dejetos
produzidos pela sociedade.
Assim, diversas pesquisas científicas, realizadas por órgãos
federais e privados, divulgaram os mecanismos e maneiras que possibilitam
variadas formas de reciclagem. Esse processo é denominado
de reaproveitamento dos materiais descartados: nele, o lixo se torna
matéria-prima a ser transformada e destinada à fabricação
de um novo produto. Existem inúmeros materiais recicláveis,
mas neste trabalho trataremos especificamente da reciclagem de papel,
plástico, garrafa PET e pneu.
A principal vantagem da reciclagem é a sensível
redução do consumo incontrolável das fontes
naturais de matéria-prima, já que, na maioria das
vezes, não são renováveis. Além disso,
quanto maior for o número de produtos reciclados, menor será
a quantidade de resíduos que necessitam de tratamento. Os
dejetos, quando não reciclados, são aterrados, incinerados
ou ainda lançados em leitos de córregos, rios, entre
outros, sem nenhum controle ambiental.
Mercado
O Brasil possui o maior mercado de reciclagem da América
Latina.
Apresentam-se abaixo alguns dados sobre a reciclagem no Brasil:
a) PAPEL ONDULADO (Papelão) – 77,4% do volume total
de papel ondulado consumido no mercado nacional no ano de 2005 foi
proveniente de reciclagem.
b) PAPEL DE ESCRITÓRIO – 49,5% do papel que foi comercializado
no Brasil em 2005 retornou às linhas de produção
por meio da reciclagem. Ainda em 2005 foram recuperados nas vias
públicas ou “lixões” do Brasil 3.438 milhões
de toneladas de papel reciclável, entre papel ondulado, de
escritório, de embalagens, etc.
c) PLÁSTICO FILME – a taxa de reciclagem de plásticos
é em média de 20%, o que equivale a, aproximadamente,
200 mil toneladas por ano.
d) GARRAFAS PET – no Brasil, cerca de 47% das embalagens
pós-consumo têm sido recicladas. Em 2005 foram reutilizadas
174 mil
toneladas.
e) PNEUS – no ano de 2005 foram reciclados 58% de pneus produzidos
e consumidos no Brasil, o que representa aproximadamente 220 mil
toneladas.
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)
informa que a quantidade média de lixo produzida no Brasil
é de 0,6 kg/dia por
habitante. Esse volume varia de 0,4 kg por habitante na região
Nordeste a 1,1 kg na região Sudeste. Especialistas reportam
que após a
introdução do Plano Real, que estabilizou a economia
nacional, a geração de resíduos domésticos
aumentou visivelmente e alcançou um
volume em torno de 110.000 toneladas por dia.
Atualmente, um percentual considerável de municípios
brasileiros, cerca de 75%, dispõe de algum tipo de serviço
de coleta lixo oferecido pelo Executivo Municipal. Na grande maioria
das cidades, no entanto, não existe a coleta seletiva de
lixo: o trabalho é executado por catadores autônomos
ou cooperativas de catadores organizados. Esse percentual é
bem menor em localidades das regiões Norte e Nordeste, o
que gera “lixões” desordenados, onde dejetos
são lançados em áreas impróprias, como
locais próximos a mananciais ou nascentes de águas,
e acabam contaminando córregos e rios.
O mercado brasileiro de gerenciamento de resíduos deverá
ser influenciado e estimulado por importantes fatores nos próximos
anos,
tais como:
• as empresas serão “forçadas”
a redefinir o design de seus produtos, visando melhorar a tecnologia
de produção e utilizar regularmente a análise
do ciclo de vida do produto e sua biodegradação;
• as ONGs deverão pressionar mais os políticos
e empresários no intuito de que sejam promulgadas legislações
mais severas para alterar a posição atual em relação
à poluição lançada na natureza, o que,
de forma direta, poderá beneficiar ainda mais o mercado de
reciclagem; e
• a legislação ambiental está cada vez
mais rígida. Como em economias desenvolvidas, o gerenciamento
deverá se tornar um mercado promissor, atraindo investimentos
e criando vários postos de trabalho.
Com todos esses processos, o mercado de reciclagem é bastante
promissor se bem estruturado quanto ao provimento de material
reciclável, que é fornecido por catadores autônomos
ou cooperativas. Como em todo segmento de mercado, o trabalho deve
ser encarado com muita responsabilidade profissional e com extrema
organização operacional e de gestão empresarial.
Localização
A definição da localização deverá
ser baseada em uma área industrial destinada à reciclagem
em cada município. Caso não exista área industrial,
o empreendedor deverá identificar uma região que contemple
fácil acesso, principalmente de veículos de porte
médio e
grande, já que normalmente são usados caminhões
como transporte tanto na chegada quanto na saída de itens
de reciclagem.
Para facilitar o fornecimento de matéria-prima, o empresário
poderá montar pontos de coletas fora de sua fábrica,
o que descentralizaria o fluxo de catadores na indústria.
Ressalta-se que, ao escolher a localização para edificação
de sua indústria de reciclagem, o empreendedor deverá
atentar para o espaço.
O local deve ser, de preferência, o mais distante possível
de áreas residenciais, pois o barulho que a atividade operacional
exala e outros possíveis transtornos poderão infringir
o direito individual dos cidadãos. Ou seja, pode-se importunar
a sociedade com essa atividade empresarial, já que normalmente
gera muito barulho e um relativo movimento de pessoas e veículos
de cargas.
Salienta-se que a área de produção deverá
ser um local agradável, preferencialmente com boa iluminação
natural direta, sem sombras.
Caso a luz não seja suficiente, orienta-se a utilização
de lâmpadas fluorescentes que iluminam de maneira uniforme,
o que irá facilitar muito o trabalho na linha de produção.
Exigências legais específicas
O empreendedor deverá cumprir algumas exigências iniciais
e somente poderá estabelecer o negócio depois de cumpridas.
Durante a
primeira etapa, os seguintes registros deverão ser feitos:
a) Registro da empresa nos seguintes órgãos:
-Junta Comercial;
-Secretaria da Receita Federal, para obtenção do
Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ);
-Secretaria Estadual de Fazenda;
-Prefeitura do Município, para obter alvará de funcionamento;
-Entidade Sindical Patronal, para obter enquadramento. Por ser
uma pessoa jurídica em constituição, a empresa
ficará obrigada a recolher, até o dia 31 de janeiro
de cada ano a Contribuição Sindical Patronal;
-Caixa Econômica Federal, para fazer cadastramento no sistema
“Conectividade Social – INSS/FGTS”; e
-Corpo de Bombeiros Militar.
b) Visita à prefeitura da cidade onde se pretende montar
a empresa, para fazer a consulta de local e emissão das certidões
de Uso do Solo e Número Oficial.
Estrutura
O tamanho da estrutura varia de empresa para empresa, segundo o
interesse e a expectativa do empreendedor. No entanto, dever-se-á
atentar à disponibilização de alguns espaços
específicos, como:
• área destinada à recepção dos
produtos a serem reciclados;
• área para seleção de tipos e espécies
de produtos recebidos/coletados;
• área destinada ao acondicionamento/estocagem dos
produtos selecionados enquanto aguardam o encaminhamento para linha
de reciclagem / transformação;
• área para que seja montada a linha de produção,
local que deverá receber todo o maquinário que será
utilizado;
• área de estocagem;
• área reservada para depositar os resíduos
não passíveis de reciclagem, até que lhes seja
dada a devida destinação final;
• área externa para manobra de entrada e saída
de caminhões;
• plataforma de descarga e carga, que deverá ter em
sua retaguarda uma área destinada a expedição
de materiais reciclados; e
• área para instalação da parte administrativa
e comercial.
Todos os espaços indicados acima devem ser dotados de lay-out
adequado, respeitando a facilidade de movimentação.
Necessitam
também incorporar o processo integrado entre a área
de estoque de produtos a serem reciclados, a linha de transformação/reciclagem,
área de expedição e a área de gestão
da empresa, em todos os seus detalhes administrativos, financeiros,
operacionais e comerciais.
Assim, a área física da empresa poderá variar
segundo a expectativa do empresário e suas linhas de reciclagem.
No entanto, esse espaço deverá ter no mínimo
500m² de área privativa, além de um pátio
para circulação e manobras de caminhões.
Pessoal
A contratação de empregados variará de acordo
com o tamanho do empreendimento e com o material a ser reciclado.
No entanto, poder-se-á iniciar as atividades operacionais
com um número aproximado de 12 (doze) funcionários,
sendo eles:
• uma secretária;
• um auxiliar de administrativo;
• um encarregado de produção;
• um operador de máquina de produção;
• um auxiliar de produção;
• três operários para a recepção
do material;
• três operários para a expedição
de material;
• um vendedor; e
• um motorista.
Além desse quadro fixo, a empresa poderá contar
com uma grande quantidade variável de colaboradores indiretos,
como os catadores de materiais utilizados na reciclagem.
Ressalta-se que o proprietário do negócio deverá
estar presente em todas as operações da empresa, acompanhando
a linha de
indústria/transformação e a gestão administrativo-financeira.
Caso o empresário entenda como importante, será viável
a contratação
de um gestor profissional para comandar a empresa.
Assim, o empreendedor terá mais tempo para fazer a alta
administração industrial e comercial.
Equipamentos
Os equipamentos necessários para a montagem de uma indústria
de reciclagem são, basicamente, os listados abaixo:
1. Maquinário específico de reciclagem, por tipo
de produto a ser reciclado, que varia de acordo com a matéria-prima
processada:
• papel ondulado ou papel de escritório;
• calandra;
• balanças;
• seladora;
• prensa hidráulica;
• guilhotina industrial;
• caminhão de transporte de fardos;
• caminhão para a coleta;
• pneus;
• trituradores;
• autoclaves;
• peneiras;
• plástico filme/PET;
• prensa;
• moinho;
• extrusora
• triturador;
• aglutinador;
• centrifuga; e
• batedor.
2. Materiais para escritório comum a todos os empreendimentos:
• mesa;
• cadeira;
• computador;
• impressora;
• fax; e
• telefone.
A tecnologia é muito importante para uma empresa de reciclagem,
principalmente no que se refere ao controle de estoques de materiais
a serem transformados, estoques de produtos reciclados, controle
da área de produção, gestão administrativo-financeira,
gestão comercial e, enfim, a gestão geral do negócio.
A inclusão tecnológica é um grande diferencial,
pois é essencial ter um amplo controle de todas as etapas
de produção, tanto no processo de reciclagem quanto
no produto final.
Diante disso, é fundamental contar com um software de ERP
que possibilite a gestão integrada da empresa em todas as
áreas, viabilizando inclusive o controle de custos de produção,
o que melhora o resultado operacional.
Matéria Prima / Mercadoria
Uma recicladora trabalha com vários tipos de matérias-primas
e com diversas concepções de produtos a serem reciclados.
No entanto, segue a relação de alguns itens que são
comumente utilizados como matéria base para reciclagem.
1. Papel ondulado ou Papel de escritório. Os papéis
que oferecem condições de serem reciclados são,
basicamente:
• ondulado (papelão);
• apara misto;
• apara de computação;
• kraft;
• jornal;
• saco de cimento;
• branco de primeira; e
• branco de segunda.
2. Pneus. Não existe restrição de reciclagem
para pneus e, o produto resultante da reciclagem, normalmente, é
utilizado em indústrias de:
• tapetes de automóveis;
• borracha de vedação;
• pisos industriais;
• solados de sapatos;
• composição de asfalto, etc.
3. PET. O produto resultante da reciclagem pode ser utilizado
para a fabricação de:
• novas garrafas e frascos PET, desde que não sejam
destinados a produtos alimentícios e fármacos;
• vassouras, escovas e cerdas;
• sacolas;
• baldes;
• cabides; e
• painéis para a construção civil.
4. Plástico Filme. O produto resultante da reciclagem poderá
ser utilizado nas indústrias de artefatos plásticos.
Organização do processo produtivo
A organização do processo produtivo deve obedecer
alguns pontos importantes, que vão da seleção
de matéria-prima em condições de ser reciclada,
aos diversos itens de baixo reaproveitamento.
1. Papel ondulado - Deve-se proceder à seleção
do papel ondulado recebido na indústria, pois vários
produtos contaminam e inviabilizam sua reciclagem, tais como: cera,
plástico, manchas de óleo, terra, pedaços de
madeira, barbantes, cordas, metais, vidros, etc. Outro fator limitante
a reciclagem desse material é a mistura com a chamada “caixa
ondulada amarela”, que é composta por fibras recicladas
que perderam a resistência original.
Para que as substâncias contaminantes não inviabilizem
a reciclagem de papel ondulado, elas não podem exceder a
1% do volume e a perda total no reprocessamento não deve
passar de 5%. Deve-se atentar ao excesso de umidade, tendo em vista
que altera as condições do papel, o que dificulta
e até mesmo inviabiliza sua reciclagem. Alguns tipos de tintas
usadas na fabricação do papelão tecnicamente
impedem a reciclagem de papel ondulado. Também ocorre impossibilidade
de aproveitamento se o papel tiver recebido
tratamento anti-umidificação com resinas insolúveis
em água.
Ressalta-se que o rendimento no processo de reciclagem de papel
ondulado dependerá basicamente do sistema adotado no pré-processamento
do material, que vai desde a seleção criteriosa da
matéria-prima, limpeza e, finalmente, na forma que o aparista
irá
proceder à prensagem do produto.
2. Papel de Escritório - O lixo derivado do papel de escritório
é formado por diversos tipos de papéis. Com isso,
as empresas de reciclagem que processam esse material são
forçadas a elaborar esquemas especiais de seleção
e coleta de algumas categorias mais valiosas, como o papel branco
e o de computador.
O papel mesclado é aquele composto por diferentes fibras
e cores, e oferece condições de ser reciclado, embora
seu valor de mercado seja relativamente baixo. Os papéis
destinados à higiene pessoal em ambientes sanitários
(toalhas e higiênico) não são matérias-primas
passíveis de reciclagem, portanto, nem mesmo devem ser coletados.
Fato semelhante ocorre com os papéis parafinados, vegetais,
carbono, plastificados e metalizados.
Os papéis coletados devem passar por um rigoroso processo
de seleção. As matérias-primas de maior valor
no mercado são as isentas
de impurezas como metais, vidros, cordas, pedras, areia, clips,
elásticos e outros materiais que dificultam o reprocessamento.
Ressalta-se, no entanto, que avanços tecnológicos
na área de limpeza do papel para reciclagem têm encontrado
algumas soluções que
minimizam o impacto de impurezas, o que possibilita um maior aproveitamento
de materiais.
3. Pneu - Uma das alternativas mais utilizadas na reciclagem de
pneus é a trituração para obtenção
de borracha regenerada, fazendo a adição de óleos
aromáticos e produtos químicos desvulcanizantes. A
tecnologia vem avançando muito na reciclagem desse material,
tanto que já existe no Brasil maquinário em escala
industrial capaz de produzir borracha regenerada a frio, obtendo
um produto reciclado com elasticidade e resistência semelhantes
ao do material virgem.
Além do processo mecânico, existe também tecnologia
que emprega solventes capazes de separar o tecido e o aço
dos pneus, permitindo também o reaproveitamento de matérias-primas.
Além do processo químico, há a possibilidade
de reciclagem somente por intermédio de processo mecânico
de granulação, por meio de um sistema de peneiras
e aspiração que permite um custo bem menor e de reduzido
impacto ambiental.
O processamento ocorre em autoclaves giratórios, onde o
material recebe oxigênio, calor e forte pressão, provocando
o rompimento de sua cadeia molecular. Posteriormente, a borracha
torna-se passível de novas formulações, já
que nessa etapa ocorre o refino mecânico, ganhando viscosidade.
Ao término, a matéria resultante pode ser prensada.
O pó resultante da reforma e dos restos de pneus moídos
pode ser aplicado na composição de asfalto, pois gera
elasticidade e durabilidade, além de atuar como elemento
aerador de solos compactados e como pilha de composto orgânico.
4. Plástico Filme - O plástico filme reciclado, após
seu reprocessamento, resulta em matéria-prima para a fabricação
de artefatos plásticos, como conduítes e sacos de
lixo. Até pouco tempo, sua reciclagem era relativamente complexa
e baixa, pois as empresas de reciclagem conseguiam atuar apenas
na cadeia industrial primária, ou seja, regenerando um único
tipo de resina separadamente. Havia o aproveitamento de apenas 5%
de todo o plástico consumido no país e era usado apenas
na linha de produção industrial, denominada pré-consumo.
Já existe hoje uma tecnologia chamada reciclagem secundária
que processa polímeros misturados ou não, entre os
mais de 40 tipos
existentes no mercado. Assim, pode-se usar simultaneamente diferentes
tipos de resíduos plásticos sem que haja incompatibilidade
entre os materiais, não ocorrendo perda de resistência
e de qualidade do produto reciclado.
No processo de reciclagem, o plástico filme passa pelo
aglutinador, uma espécie de batedeira de bolo grande, que
aquece o plástico pela fricção de suas hélices,
transformando-o em uma espécie de farinha. Em seguida, é
aplicada uma pequena quantidade de água com
finalidade de provocar um resfriamento repentino, resultando na
aglutinação: as moléculas dos polímeros
se contraem, aumentando sua
densidade, transformando o plástico em grãos (extrusão).
Logo depois os grãos passam a ter peso e densidade suficiente
para descer no funil da estrutura, momento que a máquina
funde o material e o transforma em tiras (spaghetti). Na última
etapa, elas passam por um banho de resfriamento e são picotadas
em grãos chamados “pellets”, que são ensacados
e vendidos às fábricas de artefatos plásticos.
O material resultante do processo industrial indicado acima poderá
resultar em produtos como: sacolas de supermercados, sacos de lixo,
embalagens de leite, lonas agrícolas e também em embalagens
de proteção de alimentos em geladeiras, freezeres
ou microondas.
5. PET - O maior mercado para o PET pós-consumo atualmente
no Brasil tem sido o da produção de fibra de poliéster
para indústria têxtil (multifilamento), em que será
aplicado na fabricação de fios de costura, forrações,
tapetes, carpetes e mantas de TNT (tecido não
tecido). É freqüentemente usado na fabricação
de cordas e cerdas de vassouras e escovas (monofilamento).
O produto resultante da reciclagem do PET é ainda destinado
à produção de filmes e chapas para boxes de
banheiro, termo-formadores, formadores a vácuo, placas de
trânsito e sinalização em geral. Há um
crescimento do uso de embalagens PET pós-consumo recicladas
na fabricação de novas garrafas para produtos não-alimentícios.
É possível também aproveitar os flocos resultantes
do processo industrial de reciclagem do PET na fabricação
de resinas alquídicas, usadas na produção de
tintas e também de resinas insaturadas, para a produção
de adesivos e resinas poliéster. Novas tecnologias têm
possibilitado a aplicação desse material e estão
relacionadas à extrusão de tubos para esgotamento
predial (estilo PVC), cabos de vassouras e na injeção
para fabricação de torneiras.
Os principais elementos contaminantes do PET reciclado de garrafas
de refrigerantes são os adesivos (cola) usados no rótulo
e outros plásticos da mesma densidade, como o PVC, por exemplo.
A maioria dos processos de lavagem não impede que traços
desses produtos indesejáveis permaneçam no floco de
PET. A cola age como catalisador da degradação hidrolítica
quando o material é submetido à alta temperatura no
processo de extrusão, além de escurecê-lo e
endurece-lo. Fato semelhante pode ocorrer com o cloreto de polivinila
(PVC), que compõe outros tipos de garrafas e não pode
se misturar com a sucata de PET.
É imperioso que as empresas de reciclagem tenham atenção
especial com os rótulos produzidos com o PVC termo-encolhível,
material que, graças à sua versatilidade e apelo visual,
vem sendo utilizado com freqüência. O alumínio
existente em algumas tampas só é tolerado com teor
de até 50 partes por milhão no reciclado.
A matéria-prima empregada no processo de reciclagem deverá
passar por uma seleção e pré-processamento
extremamente rigorosa,
garantindo a qualidade do produto final reciclado. A seleção
pode ser feita pelo símbolo que identifica o material ou
pelo produto que a
embalagem continha. Por exemplo, 100% das garrafas plásticas
para refrigerantes são de PET. Outra maneira prática
de identificar uma
embalagem de PET é através do birro, isto é,
o ponto de injeção sempre presente no fundo da embalagem.
A seleção do material para reciclagem pode ser feita
manualmente ou mecanizada. A mecanizada é processada via
sensores óticos de alta precisão. O material reciclado
irá apresentar maior revalorização após
a prensagem, quando o produto estiver totalmente livre dos elementos
contaminantes, separados por diferença de densidade em fluxo
de água ou ar. Além do rótulo (polietileno
ou papel) e tampa (polipropileno, polietileno de alta densidade
ou alumínio), devem ser retirados da sucata os resíduos
de refrigerantes e demais detritos, por meio de processos de lavagem.
Os processos de reciclagem devem ser avaliados e executados em três
etapas, tais quais:
RECUPERAÇÃO: consiste no recolhimento de garrafas
PET por catadores autônomos ou ainda por cooperativas. As
embalagens que
seriam jogadas no lixo comum ou até mesmo nas vias públicas,
geradoras de sérios transtornos para o meio ambiente, agora
ganham o status de matéria-prima. Após a coleta e
recepção na indústria de reciclagem, as embalagens
devem ser separadas por cor e prensadas.
A separação por cor é necessária para
que os produtos tenham uniformidade de cor, o que facilitará
sobremaneira seu direcionamento
às diversas aplicações no mercado. Na seqüência,
todo o material coletado e já selecionado passará
para o processo de prensagem,
buscando facilitar e viabilizar o transporte do material, visto
que o PET é muito leve.
REVALORIZAÇÃO: na revalorização, todas
as embalagens que foram preparadas na etapa de recuperação
são moídas (flake),
tornando-se mercadoria passível de comercialização,
ou seja, com agregação de valor em sua cadeia produtiva.
O produto resultante
dessa fase é o floco da embalagem PET. A linha de produção
de reciclagem pode optar por aprimorar o produto resultante, produzindo
flocos mais refinados. Esse material já é utilizado
na condição de matéria-prima final na fabricação
de diversos objetos.
O empresário de reciclagem de PET poderá valorizar
seu produto produzindo pellets. Assim, o produto fica mais condensado,
otimizando o transporte e o desempenho na transformação.
TRANSFORMAÇÃO: fase em que os flocos ou o granulado
serão convertidos num novo produto acabado, encerrando o
ciclo produtivo.
Automação
O empreendedor do segmento empresarial de reciclagem deverá
ter em mente que, por se tratar de indústria, há diversas
fases em sua
cadeia produtiva, fazendo com que seja fundamental a automatização
de todos os processos. É importante cadastrar em um banco
de dados os catadores autônomos e cooperativas de catadores
por municípios, com indicações dos principais
pontos de fornecimento de materiais de reciclagem para empresa.
Além de cadastrar as principais fontes para a reciclagem,
há também a necessidade de registro dos materiais
recebidos por qualidade, espécie, quantidade por fornecedor
e pesagem, já que todos os fornecedores de materiais normalmente
precisam e querem receber o resultado de sua produção,
a contra-entrega. Visando dotar a empresa de reciclagem de todo
controle automatizado possível, a criação deste
banco de dados, entre outros controles, viabiliza e instrumentaliza
os dados necessários para a tomada de decisões com
segurança.
Cada produto que a empresa processa deve ser avaliado, pesado e
selecionado, para ser encaminhado ao processo de transformação,
resultando no produto base a ser comercializado, ou seja, o produto
final objetivado pela empresa.
O processamento demanda um alto nível de controle, pois
tem um custo variável na reciclagem de todo o material recebido.
As despesas com os catadores no início da cadeia produtiva
e posteriormente com o pessoal que atua na recepção,
seleção e armazenamento do material devem passar por
esse controle. Ao final, o produto terá a complementação
na linha industrial, com processos executados em máquinas
adequadas ao tipo de produto; assim finda a cadeia de produção.
O controle dos custos industriais, operacionais e administrativos,
serão fundamentais para validar o preço de venda de
cada produto,
considerando o valor agregado na cadeia produtiva.
Diante disso, o empreendedor deverá buscar no mercado um
ERP (Enterprise Resource Planning), também chamado de sistema
de
gestão integrado de empresa, que venha a atender suas necessidades.
Feito a identificação do software no mercado, sua
instalação deverá ser muito bem estruturada,
pois o sucesso desse tipo de programa depende basicamente de sua
parametrização, fato que deverá ser executado
por um consultor altamente qualificado e que tenha domínio
total do referido software.
A empresa é uma parte integrante da vida do empresário,
portanto, conhecê-la integralmente é fundamental, já
que um empreendimento
bem gerido estará encaminhado ao sucesso.
Canais de distribuição
O produto reciclado é distribuído principalmente
via área comercial direta, ou seja, o empreendedor deverá
dotar sua empresa de
reciclagem com uma estrutura que viabilize a venda de seus materiais
reciclados por esse canal.
É fundamental que os produtos processados na própria
empresa tenham, se possível, um comprador final. Então,
o ideal é que a
empresa recicladora tenha uma indústria que utilize a matéria-prima
resultante de sua atividade, o que, no início, significará
a venda líquida e certa de toda a sua produção.
Isso também funciona como um limitador de mercado, pois o
valor de seu produto estará vinculado a apenas um consumidor,
o que não é muito interessante, pois qualquer eventualidade
com seu comprador afetará o negócio diretamente.
Assim, torna-se importante que sejam abertos canais de distribuição
entre várias indústrias. A abertura dos canais dependerá
do montante de matéria-prima / produto que sua empresa disponibilizará
para as indústrias consumidoras. É fundamental que
no início das atividades de reciclagem a empresa mapeie todos
os possíveis compradores de seu produto final.
Investimentos
O investimento irá variar segundo a concepção
e expectativa produtiva do empreendedor. Uma análise prévia
de que produto(s) a empresa irá reciclar deverá ser
feita. Partindo da decisão inicial, passa-se para a definição
do espaço físico, tipo de estrutura a ser construída
ou locada, entre outras informações, o que culmina
obrigatoriamente no tamanho do espaço que será instalada
a indústria de reciclagem.
Apresenta-se aqui montantes de valores como referências para
o investimento inicial, auxiliando na avaliação de
espaço, estrutura e
local.
a) Reciclagem de Papel Ondulado ou Papel de Escritório -
Normalmente será requerida uma área de aproximadamente
1.000 m², onde serão instaladas todas as máquinas
necessárias ao desenvolvimento da atividade de reciclagem,
além das demais áreas que envolvem o complemento industrial,
como local de recepção de materiais, de manobra de
veículos, de estocagem de produtos da forma que foram recebidos
e selecionados e também de produtos acabados.
Há também necessidade de um espaço destinado
à instalação da área administrativa.
Seguem descritos os custos de maquinários, considerando
apenas uma unidade para cada tipo de máquina:
1. Calandra – R$ 5.000,00
2. Balanças – R$ 1.500,00
3. Seladora – R$ 9.000,00
4. Prensa Hidráulica – R$ 10.400,00
5. Guilhotina Industrial – R$ 1.230,00
6. Caminhão p/coleta – R$ 40.000,00
Total -R$ 67.130,00
b) Reciclagem de Plástico filme e PET - A área requerida
é de aproximadamente 1.500 m² onde deverão ser
instaladas todas as máquinas necessárias ao desenvolvimento
da atividade de reciclagem, além das demais áreas
que envolvem o complemento industrial, como local de recepção
de materiais, de manobra de veículos, de estocagem de produtos
da forma que foram recebidos e selecionados e também de produtos
acabados. Há também necessidade de um espaço
destinado à instalação da área administrativa.
Seguem descritos os custos de maquinários, considerando
apenas uma unidade para cada tipo de máquina:
1. Prensa – R$ 7.000,00
2. Moinho – R$ 17.250,00
3. Extrusora – R$ 48.000,00
4. Triturador – R$ 15.000,00
5. Aglutinador – R$ 5.000,00
6. Centrífuga – R$ 10.000,00
7. Batedor – R$ 8.000,00
8. Caminhão para coleta – R$ 40.000,00
Total -R$ 150.250,00
c) Reciclagem de Pneus - A área requerida é de aproximadamente
700 m² onde deverão ser instaladas todas as máquinas
necessárias ao desenvolvimento da atividade de reciclagem,
além de englobar as demais áreas que envolvem o complemento
industrial, como local de recepção de materiais, de
manobra de veículos, de estocagem de produtos da forma que
foram recebidos e selecionados e também de produtos acabados.
Há também necessidade de um espaço destinado
à instalação da área administrativa.
Seguem descritos os custos de maquinários, considerando
apenas uma unidade para cada tipo de máquina:
1. Triturador – R$ 15.000,00
2. Autoclave – R$ 7.000,00
3. Peneiras – R$ 5.000,00
4. Caminhão para coleta – R$ 40.000,00
Total -R$ 67.000,00
d) Mobiliário para a área administrativa/operacional:
1. Microcomputador – 3 unidades – R$ 3.900,00
2. Impressora matricial – 1 unidade – R$ 900,00
3. Impressora laser – 1 unidade – R$ 600,00
4. Mesa - 4 unidades – R$ 1.000,00
5. Cadeira – 12 unidades – R$ 1.440,00
6. Fax – 1 unidade – R$ 450,00
7. Telefone – 4 unidades – R$ 200,00
Total -R$ 8.490,00
Os itens relacionados à parte administrativa e operacional
da empresa de reciclagem, seja de um seguimento ou de vários,
são absolutamente necessários. Portanto, deverão
ser somados em qualquer um dos itens indicados acima para identificação
do custo básico de implementação da empresa.
e) Adequação do imóvel
Para funcionamento da empresa de reciclagem é ideal que
o espaço esteja na forma de galpão, adaptado para
o tipo de empresa que se
pretenda instalar em seu interior. No entanto, caso necessário,
a construção de um galpão custará cerca
de R$ 80.000,00, incluindo instalações elétricas,
hidráulicas e área administrativa.
Capital de giro
Capital de giro é um montante de recursos financeiros necessários
para a empresa garantir a dinâmica do seu processo de negócio.
Ele precisa de controle permanente, pois tem a função
de minimizar o impacto das mudanças no ambiente de negócios
no qual a empresa atua. O desafio da gestão do capital de
giro deve-se, principalmente, à ocorrência dos fatores
a seguir:
• variação dos diversos custos absorvidos pela
empresa;
• aumento de despesas financeiras, em decorrência das
instabilidades do mercado;
• baixo volume de vendas;
• aumento dos índices de inadimplência;
• pagamento das parcelas de possíveis financiamentos;
• baixa entrada de produtos para reciclagem; e
• altos níveis de estoques.
O empreendedor deverá ter um controle orçamentário
rígido de forma a não consumir recursos sem previsão.
Ele deve evitar a retirada de valores além do pró-labore
estipulado, pois no início todo o recurso obtido pela empresa
deverá permanecer nela, possibilitando o
crescimento e a expansão do negócio. Dessa forma,
a empresa poderá alcançar rapidamente sua auto-sustentação,
reduzindo as necessidades de capital de giro e agregando maior valor
ao novo negócio.
O nível de Capital de Giro para o segmento deverá
ser suficiente para suportar a movimentação operacional
em torno de 18 meses, e deverá ser elaborado em relação
aos desembolsos que compõem o início das atividades
empresariais.
Custos
Os custos são todos os gastos incorporados posteriormente
no preço dos produtos ou serviços prestados, relativos
à sua produção, como: aluguel, água,
luz, salários, honorários profissionais, despesas
de vendas, matéria-prima e insumos consumidos no processo
de
produção.
O cuidado na administração e redução
de todos os custos envolvidos na compra, produção
e venda de produtos ou serviços que compõem o negócio,
indicam o sucesso ou insucesso do empreendedor. Os pontos fundamentais
para o êxito são a redução de desperdícios,
a compra pelo melhor preço e o controle de todas as despesas
internas. Quanto menor o custo, maior a chance de ganhar no resultado
final do negócio.
Os custos para abrir uma empresa de reciclagem devem ser estimados
considerando os itens abaixo:
• salários, comissões e encargos;
• tributos, impostos, contribuições e taxas;
• aluguel, taxa de condomínio, segurança;
• água, luz, telefone e acesso à internet;
• limpeza, higiene, conservação , manutenção
e segurança;
• assessoria contábil;
• propaganda e publicidade da empresa;
• aquisição de estoques, componentes e insumos;
e
• despesas com vendas, armazenamento e transporte.
Um ponto fundamental na gestão de empresa de reciclagem,
diferentemente de outros negócios, é o controle do
preço de compra.
Dependendo da negociação com os catadores, autônomos
ou de cooperativas, o pagamento recebido por eles poderá
ser insuficiente
para manter suas necessidades básicas, levando a abandonarem
seus postos de trabalho, gerando desemprego e miséria.
A decisão dos coletores de deixar o ramo da coleta será
corroborada fortemente pelo empresário que atuar de forma
inescrupulosa com os catadores, que trabalham, muitas vezes, de
forma recriminada e marginalizada por uma necessidade extrema de
inclusão social. Logo, o empresário da área
de reciclagem deverá ter um ponto de equilíbrio definido
para não extinguir seus fornecedores, pois assim estará
prejudicando a empresa, já que ela depende da mão-de-obra
para sua sobrevivência industrial, e por conseqüência,
comercial. Muitos compreendem que sempre irão aparecer novos
catadores ou novas cooperativas, no entanto, isso pode não
ser verdade.
Diversificação / Agregação de valor
Deve-se procurar atuar em mais de um processo de reciclagem de
produtos. Assim, a empresa poderá se manter como atuante
em várias frentes industriais como fornecedora de diversos
produtos e matérias-primas com versatilidade. Haverá
maiores possibilidades de
inclusão no mercado e far-se-á respeitar pelos concorrentes
e também pelos seus consumidores, que, invariavelmente, serão
indústrias.
O empreendedor da área de reciclagem deve primar para que
o refinamento na transformação de materiais de sua
empresa seja cada
vez mais otimizado, de acordo com seu maquinário. O maior
valor possível deve ser agregado até o resultado final,
de forma que sejam fornecidos para as indústrias produtos
altamente refinados, e não intermediários, reduzindo
substancialmente seu valor de mercado.
Divulgação
A divulgação de empresa de reciclagem deverá
seguir os conceitos tradicionais da propaganda existentes no mercado,
em meios de
comunicação como: televisão, rádio,
outdoors, internet e revistas especializadas. É importante
sempre vincular o empreendimento aos benefícios ambientais
proporcionados pela empresa, fazendo com que a sociedade a veja
como uma “parceira” na manutenção de um
meio ambiente despoluído.
O empresário poderá buscar uma consultoria altamente
especializada no sentido de divulgar sua empresa perante os meios
de comunicação, pois a partir de um trabalho de divulgação
bem feito haverá, sem dúvida, aceitabilidade da empresa
perante a sociedade em geral, fator muito importante para que a
empresa de reciclagem seja comentada pela sociedade.
Informações Fiscais e Tributárias
Este tipo de estabelecimento industrial tem a prerrogativa de optar
pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições
das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) ou Simples
Federal, por isso o empreendedor deverá avaliar bem essa
opção, pois ela poderá ser bem interessante
para o seu segmento de negócio, da mesma forma que, dependendo
do nível de faturamento, aliado ao volume de seus custos
mais despesas, talvez essa opção não venha
a ser interessante.
Dessa forma, o ideal é buscar um profissional da área
contábil para assessorá-lo nos cálculos de
identificação da melhor opção tributária
para o seu empreendimento. Isso porque não existe modelo
sistemático para assegurar essa decisão, pois o que
é bom para uma empresa que tem características similares
a sua poderá não se aplicar ao seu empreendimento
e vice-versa.
Glossário
Biodegradação: Decomposição de substância
biodegradável.
Biodegradável: Diz-se de substância suscetível
de decomposição por microrganismos.
Microrganismos: Designação comum a organismos microscópicos,
como, p. ex., bactérias, vírus, fungos e protozoários.
Lay-out: distribuição de mobiliário, máquinas
e outros itens que compõe uma empresa, com vistas a deixar
o ambiente o mais
agradável possível, com um amplo aproveitamento de
espaços.
Catadores: é a nomenclatura dada às pessoas que atuam
na coleta de lixo de reciclagem nas vias públicas ou em aterros
sanitários (lixões).
ERP (Enterprise Resource Planning): é um software de gestão
integrado de empresas.
Apara: sobra de papel resultante da operação de aparar
o excedente.
Desvulcanizantes: aplicar tratamento à borracha oriundas
de pneus, visando eliminar o processo de vulcanização
feito anteriormente em tal borracha.
Autoclave: aparelho que gera alta pressão e calor sobre
o produto que estiver em seu interior.
Degradação: deterioração de algo, nesse
estudo o meio ambiente.
Hidrolítica: reação da água sobre um
composto com fixação de íons hidrogênio
e/ou de íons hidroxila.
Dicas do Negócio
O candidato a empresário no segmento de reciclagem deve
entrar no negócio consciente de que terá de estar
presente na empresa em tempo integral, principalmente no início
das atividades, tanto nas partes comercial, operacional e na gestão
financeira do negócio.
Com a tendência mundial de preservação ambiental,
o empreendedor deverá inserir-se nesse mercado, visando a
valorização do meio
ambiente, respeitando as leis que regulamentam o setor, transformando
o processo de reciclagem em uma atividade rentável economicamente
e financeiramente, ao fazer uso do grande apelo popular de praticamente
todas as nações mundiais em favor à defesa
dos recursos naturais.
Assim, o empreendedor deverá vincular sua empresa às
oportunidades requeridas pela sociedade como um todo, ou seja, o
empreendimento deverá estar inserido no conceito de despoluição
e descontaminação ambiental por meio da reciclagem
de produtos que até então eram descartados em lixo
comum ou mesmo em aterros sanitários. Cria-se, dessa forma,
uma empresa com fins lucrativos mas com forte apelo socioambiental.
Características específicas do empreendedor
O empreendedor envolvido com atividades comerciais ligadas à
reciclagem deverá ter algumas características básicas,
tais como:
1. Ter conhecimento específico sobre reciclagem, suas diversas
variações tecnológicas e tipos de produtos
a serem reciclados. Tal
conhecimento poderá ser adquirido por intermédio de
serviços prestados em empresas do segmento ou via participação
em cursos e
eventos;
2. Reciclar requer habilidades para analisar materiais recebidos,
de forma a discriminar os passíveis de serem processados
e reciclados
dos que não oferecem condição de tratamento.
O processo tem o intuito de elevar a qualidade dos materiais reciclados
e valorizar o
produto resultante da reciclagem;
3. Deve-se estar amparado nas tendências de mercado, ser
capaz de elaborar e até mesmo alterar o viés da empresa
na busca de atingir resultados esperados pelo mercado. Assim, o
empreendedor está agregando valor a seu produto final, fato
que irá melhorar sua atuação perante as indústrias
consumidoras de sua matéria-prima ou produto reciclado;
4. Buscar melhoras em seu negócio, tanto participando de
cursos específicos sobre reciclagem, biodiversidade e ambivalência
de
produtos, quanto por meio da gestão empresarial. Conhecimentos
relativos à reciclagem não bastam, é necessário
estar preparado para
gerir o seu empreendimento;
5. Ter habilidade no tratamento com pessoas, tanto com seus colaboradores
quanto com clientes, fornecedores/catadores/cooperativas, enfim,
com todos que, de forma direta ou indireta, tenham ligação
com a empresa;
6. Ser empreendedor com visão prospectiva, atuando com antecipação
de tendências. É importante ter visão de futuro
no que tange o
interesse de mercado das indústrias, além de estar
sempre antenado às inovações tecnológicas
e de mercado;
7. Ser humilde o suficiente para entender que reciclar “lixo”
não significa ter um empreendimento desorganizado, sujo ou
com mau
cheiro, por isso deverá manter seu local de trabalho, incluindo
a linha de produção, muito limpa e com odor agradável.
Assim, esse requisito será um ponto positivo em seu segmento
empresarial; e
8. Além das características acima listadas, o empresário
de reciclagem tem de ser uma pessoa extremamente criativa, sempre
com capacidade de sugerir ou mesmo criar formas inovadoras de uso
de seus produtos ou outras matérias-primas que até
então não foram recicladas. Deve-se ter como foco
e objetivo estar sempre à frente de seus concorrentes.
Bibliografia Complementar
Associação Brasileira da Indústria PET www.abipet.org.br
ABPO – Associação Brasileira do Papelão
Ondulado www.abpo.org.br
ANBio – Associação Nacional de Biossegurança
www.anbio.org.br
ABIP – Associação Brasileira da Indústria
de Pneus Remoldados www.abip.com.br
ANIP – Associação Nacional da Indústria
de Pneumáticos www.anip.com.br
ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária
www.anvisa.gov.br
IBAMA www.ibama.gov.br
CEMPRE - Compromisso Empresarial para Reciclagem www.cempre.org.br
ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária
e Ambiental www.abes.org.br
ABLP – Associação Brasileira de Resíduos
Sólidos e Limpeza Pública www.ablp.org.br
ABRE – Associação Brasileira de Embalagem www.abre.org.br