Idéias
de Novós Negocios - Cyber Café
Apresentação do Negócio
O café ocupa a segunda posição entre as bebidas
mais presentes no dia-a-dia do brasileiro. Uma pesquisa realizada
com 1.340 pessoas no ano de 2003, pela Interscience, uma empresa
de pesquisa de mercado, para a Associação Brasileira
da Indústria de Café (ABIC) constatou que 91% dos
pesquisados eram consumidores de café.
“O consumo de café só perde para o de água”,
destaca o diretor executivo da ABIC, Nathan Herszkowicz. Ele ressalta
que 76% dos
entrevistados declararam que pretendiam aumentar o consumo de café
nos 12 meses seguintes.
Na opinião de Herszkowicz, que também preside o Conselho
do Sindicato da Indústria de Café do Estado de São
Paulo, Sindicafé-SP,
há um segmento pequeno, mas crescente, que se interessa por
conhecer melhor o café. (Fonte: revista Metrópole,
2004).
Cybercafé é a composição de uma cafeteria
com a agregação de serviços da tecnologia da
informação. Trata-se de uma proposta que
mescla serviços e entretenimento num ambiente sofisticado,
agradável e confortável, equipado com computadores
conectados à internet.
É um local onde os clientes podem fazer uso dos recursos
da internet, conectando-se com o resto do mundo, para encaminhar
e receber e-mails, navegar na web, bater um papo nas salas de chat,
realizar pesquisas, além de poder produzir textos, planilhas,
imprimir seus trabalhos, fazer uso dos computadores com vários
softwares instalados, enfim, onde está disponível
uma gama de possibilidades
para facilitar a vida e, ao mesmo tempo, onde é possível
saborear um delicioso cafezinho, ou refrescar-se com um suco ou
refrigerante.
Tudo o que o cliente quer, concentrado num espaço altamente
profissional.
Os “cafés” tornaram-se populares no começo
do século 20, em Viena, Paris e Berlim. São lugares
projetados para que ali as pessoas
encontrem seus amigos, leiam jornais, falem sobre política,
futebol e discutam os eventos importantes do dia-a-dia. Essa cultura
européia de cafés difundiu-se rapidamente para o Reino
Unido, para os Estados Unidos, para o Canadá e para a Austrália.
Esse negócio deu certo também no Brasil e, na última
década, começou a expansão dos cybercafés,
iniciando-se pelas capitais e grandes cidades e estendendo-se rapidamente
para todas as regiões. Com o passar do tempo, os artistas
plásticos, escritores, músicos, videomakers e jornalistas
começaram a perceber o potencial da computação
multimídia, e começaram a partilhar seus trabalhos
e exibir suas obras nesses lugares, como espaços alternativos
e complementares às galerias e a outros espaços tradicionais.
Mercado
Há muito espaço para o crescimento desse ramo de
negócio, desde que o empreendedor utilize sua capacidade
de inovar e ofereça ambientes confortáveis e sintonizados
com o momento atual da tecnologia da informação, aliados
a bons serviços e produtos de qualidade. A consolidação
da internet no Brasil é um fato. É por meio da rede
que milhões de pessoas comunicam-se, quer estejam separadas
por pequenas distâncias quer estejam em outros continentes.
Diariamente surgem novos atrativos e novas soluções
que podem ser apropriadas pelas pessoas via internet.Grupos, comunidades,
chats aproximam as pessoas e geram hábitos e necessidades.
Criar e ofertar mecanismos de acesso à rede mundial é
um negócio propriado à realidade. Soluções
ligadas à tecnologia da informação também
são bem-vindas em todos os lugares. Isso torna esse negócio
atraente e promissor. A união da tecnologia da informação
a um bom cafezinho é um casamento promissor para o mundo
dos negócios.
No entanto, como em todos ramos, é necessário fazer
um levantamento na região de interesse, pesquisando-se a
clientela potencial, os concorrentes existentes, os níveis
de renda da população residente ou que transita pelo
local e outros dados considerados importantes, de acordo com a realidade
do bairro ou da cidade.A taxa de crescimento do negócio de
cybercafé situa-se na faixa de 150 a 200% ao ano.
Localização
Um cybercafé requer um local que ofereça conforto
e espaço necessário para se montar a estrutura comercial.
Deve ser de fácil
acesso e, preferencialmente, estar próximo a locais de grande
fluxo de pessoas.
Cybercafés funcionam bem em pontos turísticos, em
grandes metrópoles e também em lugares onde as pessoas
não têm acesso a
conexões de alta velocidade ou precisam se conectar em trânsito.
Como o cybercafé oferece a união de dois serviços
– cafeteria e acesso à rede mundial de computadores
– é importante considerar que o negócio busca
clientes que valorizam um bom ambiente e a oportunidade de encontrar
amigos, assim como aqueles que desejam prioritariamente solucionar
seus problemas de comunicação, pesquisa, elaboração
de trabalho acadêmico ou de outra natureza. Muitas
pessoas, no intervalo de seus trabalhos, aproveitam o tempo escasso
para fazerem um lanche e, ao mesmo tempo, despacharem e-mails, elaborarem
algum trabalho, relatório ou pesquisa.
A localização do empreendimento deve levar em conta
o tipo de público que se pretende atingir e deve-se estruturar
o negócio de
acordo com o perfil da clientela.
Exigências legais específicas
Todos os tipos de negócios requerem consultas às
leis e códigos de posturas dos municípios, depois
às leis estaduais e federais. No caso de cybercafé,
recomenda-se atenção à legislação
federal descrita a seguir.Não se esqueça de solicitar
ao contador que verifique o
conjunto de leis estaduais e municipais que envolvem esse ramo de
atividade:
-Lei 8.078/1990 - Código de Defesa do Consumidor –
alterada pela Lei 8.656/1993, pela Lei 8.703/1993, pela Lei 8.884/1994,
pela Lei 9.008/1995, pela Lei 9.298/1996 e pela Lei 9.870/1999;
-Lei 6.437/77 - Configura infrações à legislação
sanitária federal, estabelece as sanções respectivas
e dá outras providências – alterada
pela Lei 9.005/1995, pela Lei 9.695/1998 e pela Medida Provisória
2.190-34/2001;
-Decreto-Lei 986/69 - Institui Normas Básicas sobre Alimentos
– alterada pela Medida Provisória 2.190-34/2001;
-Portaria 326/SUS/MS/97. Aprova o Regulamento Técnico "Condições
Higiênico-sanitárias e de Boas Práticas de Fabricação
para
Estabelecimentos Produtores / Industrializadores de Alimentos",
disponível no site do Ministério da Agricultura;
-Lei de Programa de Computador 9.609/98. Promulgada em 19/02/98,
substitui a Lei 7646/87, entrou em vigor na data de sua publicação,
dando liberdade de produção e comercialização
de softwares de fabricação nacional ou estrangeira.
O art. 3º foi regulamentado pelo Decreto 2.556/1998;
-Lei de Direitos Autorais 9.610/98. Substitui a Lei 5988/73, entra
em vigor 120 dias após sua publicação. Foi
promulgada em 19 de
fevereiro de 1998, assegurou a integral proteção dos
direitos dos autores e estabeleceu penas rigorosas a quem viole
esses direitos.
Assim, piratear programas de computador tornou-se crime, passível
de pena de seis meses a dois anos de prisão. O art. 113 foi
regulamentado pelo Decreto 4.533/2002.
Para registrar a empresa é necessário contratar um
contador. É importante que esse profissional seja, acima
de tudo, um consultor,
que, além de realizar os procedimentos e registros necessários,
seja capaz de orientar o empreendedor no campo fiscal, tributário,
sobre
gestão financeira do empreendimento e sobre a escolha da
forma jurídica mais adequada para o projeto.
Uma providência que antecede a todos os registros acima é
a consulta prévia de local, que deve ser feita na prefeitura
municipal, antes de qualquer providência de registro da empresa,
para verificar se a instalação do negócio é
permitida no local escolhido.
A adequação das instalações deve ser
feita de acordo com o Código Sanitário (especificações
legais sobre as condições físicas). Em âmbito
federal, a fiscalização cabe à Agência
Nacional de Vigilância Sanitária
– Anvisa. Em âmbito estadual e municipal, fica a cargo
da Secretaria Estadual e da Secretaria Municipal de Saúde,
respectivamente.
Para legalizar a empresa é necessário realizar as
devidas inscrições:
-Registro na Junta Comercial;
-Registro na Secretaria da Receita Federal;
-Registro na Secretaria de Estado da Fazenda;
-Registro na Prefeitura do Município;
-Registro no INSS;
-Registro no Sindicato Patronal (a empresa ficará obrigada
a recolher, por ocasião da constituição e até
o dia 31 de janeiro de cada ano, a Contribuição Sindical
Patronal);
-Registro na Prefeitura para obter o Alvará de Funcionamento;
-Cadastramento junto à Caixa Econômica Federal, no
sistema “Conectividade Social - INSS”.
Estrutura
A estrutura básica exigida compreende uma área mínima
de 60m². Esta deverá proporcionar aos funcionários
características físicas
adequadas ao desempenho de suas atividades, com um ambiente arejado,
bem iluminado e dentro das normas de segurança
pré-estabelecidas pelo Corpo de Bombeiros.
Esse espaço deve ser bem dimensionado na hora do arranjo,
distribuindo-o de forma que computadores e mesas para cafés
estejam
em perfeita harmonia. A loja de cybercafé deve proporcionar
um ambiente agradável, oferecendo conforto aos clientes e
facilidade aos
empregados.
O cybercafé deve ter, pelo menos, três espaços
bem definidos cozinha, cafeteria e a área dos computadores.
Pessoal
Num cybercafé trabalharão pessoas na cafeteria e
na área de computadores. Todos os colaboradores, no entanto,
devem direcionar seus esforços num mesmo sentido, procurando
oferecer ao cliente o melhor serviço. As pessoas que freqüentam
esses ambientes desejam ser bem servidas, num ambiente calmo, onde
possam passar momentos agradáveis, seja tomando um bom café
ou um bom drink, seja fazendo um bom lanche, acompanhado da oportunidade
de acesso à internet, ou simplesmente satisfazendo a necessidade
de alimentação ou de consumo da sua bebida preferida.
Todos os empregados devem estar cientes do seu papel, seja qual
for sua atividade.
Quantitativo - a quantidade de pessoas para cada área de
trabalho depende muito do dimensionamento do negócio, porém
pode-se
estabelecer um quantitativo mínimo, para se atender a uma
pequena loja:
Cozinheiro - no mínimo uma pessoa, em tempo integral;
Barista - avaliar se o porte do negócio comporta um profissional
com essa especialidade. O barista poderá atender em determinados
dias da semana e constituir-se em atração, em diferencial
para o cybercafé;
Atendente de balcão - duas pessoas, no mínimo, por
turno, ajustando a quantidade de acordo com a previsão de
espaço e clientela a ser atendida;
Atendentes para as mesas - em média um garçom para
cada seis mesas colocadas à disposição do público;
Auxiliar de limpeza - no mínimo uma pessoa;
Monitores para a sala de computadores - em média uma pessoa,
por turno, para cada seis máquinas;
Gerente - a primeira questão a se decidir é quem
exercerá as funções de gerência. Se for
o proprietário, ele poderá tomar a decisão
de estar presente em tempo integral, ou dividir com outro sócio.
Se a gerência for exercida por pessoa contratada, será
necessário estabelecer o horário de trabalho e verificar
a forma de cobertura de todo o período de atendimento ao
público. A gerência poderá ser compartilhada
entre o proprietário e um gerente contratado, que cobrirá
o espaço de tempo remanescente.
Todas as pessoas que irão trabalhar no cybercafé
deverão receber treinamento específico, visando oferecer
atendimento qualificado ao
cliente.
O empreendedor deverá estar atento para a Convenção
Coletiva do Sindicato dos Trabalhadores dessa área, para
evitar conseqüências
desagradáveis.
O Sebrae da localidade poderá ser consultado, para orientações
sobre o treinamento adequado ao pessoal.
Equipamentos
Para montar um cybercafé, é necessário dois
tipos de equipamentos distintos, os equipamentos de informática
e os equipamentos para a
instalação da cafeteria.
Equipamentos, móveis e utensílios básicos
para a cafeteria:
-moedor de café;
-máquina de café expresso;
-cafeteira para café simples – se for o caso;
-estufa fria e estufa quente;
-fogão
-balcão refrigerado, freezer e geladeira;
-microondas, forno elétrico e fogão;
-eletrodomésticos (liqüidificador, espremedor de fruta
etc.);
-caixa registradora, microcomputador com impressora e impressora
fiscal;
-utensílios (talheres, louças, toalhas de mesa etc.);
-prateleiras e vitrines – de acordo com o projeto;
-condicionadores de ar;
-equipamentos de som ambiente.
Equipamentos básicos de informática e móveis:
-computadores completos;
-servidores;
-impressoras;
-software de gerenciamento das máquinas equipadas;
-aplicativos – processadores de texto, planilhas, games e
plataforma para pequenos cursos;
-modems ADSL
-antivirus;
-fones de ouvido
-mesas e cadeiras próprias;
-linhas telefônicas;
-linhas de acesso – banda larga.
Será necessário contratar um provedor de acesso
à internet.
Mantenha as notas fiscais de compra dos equipamentos à disposição
da fiscalização.
Matéria Prima / Mercadoria
Para a cafeteria, a matéria-prima mais importante é
o próprio café. A qualidade dos grãos, a mistura
das variedades, tudo isso vai influenciar na qualidade do café
expresso ou do café tradicional (de coador), que será
servido.
O empreendedor poderá avaliar a alternativa de servir café
orgânico, atentando para os custos, que são superiores.
A decisão sobre o café (mistura) a ser utilizado é
fundamental e aconselha-se que se procure fornecedores que disponham
de variedades, que mostrem disposição na orientação
e que ajudem a desenvolver um bom blend, ou seja, o conjunto de
acidez, sabor, corpo e aroma. Um bom blend sugerido para o expresso
é a mistura do café arábica e robusta.
Além do café, haverá ainda a utilização
de frutas para sucos, coquetéis e cafés especiais,
se for o caso. Os demais produtos deverão ser
adquiridos prontos ou pré-acabados, como é o caso
de salgados, tortas e doces.
Organização do processo produtivo
Um cybercafé deve ser visto como uma cafeteria que agrega
os serviços de acesso à internet e a possibilidade
de se produzirem, no
local, textos e planilhas, slides para apresentações,
além de se poder imprimir esses trabalhos, tendo-se ainda
a opção de oferecer jogos
eletrônicos.
Assim sendo, é necessário estruturar uma pequena
cozinha com fogão ou chapa para lanches, fornos elétricos
e microondas, com freezer e geladeira, para a conservação
de alimentos e a guarda de outros utensílios, como liquidificador
ou processador para sucos.
Tradicionalmente, as cafeterias servem café, lanches e bebidas
em balcões. Essa decisão deverá ser tomada
antes da locação do imóvel, pois balcão
requer espaço.
A próxima decisão será a respeito da área
destinada a mesas. Poderá se ter ou não ter mesas,
em função da disponibilidade de recursos
financeiros, espaço físico ou perfil da clientela.
A definição desse conceito é muito importante
para o direcionamento da montagem. Um
espaço com mesas define um ambiente de maior permanência
dos clientes, ao passo que o balcão direciona para um atendimento
mais
rápido.
A montagem da sala de informática terá de ser proporcional
ao potencial de público que a casa almeja receber, considerando-se
que
apenas uma parcela do público freqüentador utilizará
o espaço.
Uma pesquisa prévia à clientela potencial poderá
oferecer parâmetros para esse dimensionamento.
O empreendedor poderá também procurar fabricantes
ou grandes distribuidores de equipamentos de informática
e propor a eles parceria na montagem desse espaço, pois um
cybercafé abre uma boa oportunidade para se promoverem equipamentos,
periféricos e
softwares.
Automação
Na área da cafeteria, apenas o processo de emissão
de cupom fiscal será automatizado. Pode-se considerar que
o café expresso, ou de
máquina, como se diz popularmente, é um processo automatizado,
mas o nível de controle do barista e sua interferência
para extrair
diferentes tipos de café reduzem essa característica
de automação.
Na área dos computadores, todo o sistema estará interligado
em rede e um servidor fará as conexões aos provedores
externos.
A decisão de colocar jogos eletrônicos exigirá
a instalação de estação própria,
nos moldes de uma Lan House.
Canais de distribuição
Um empreendimento nos moldes de um cybercafé distribui seus
produtos e serviços na própria loja. Os clientes são
atendidos no ato
da solicitação e a entrega é direta.
Investimentos
O investimento varia muito, de acordo com o porte do empreendimento
e da qualidade das instalações a que o proprietário
pretende.
Considerando-se um cybercafé com área média
de 70m², com dez computadores completos , um servidor, uma
impressora multifuncional, webcam e móveis necessários,
estima-se um investimento em torno de R$150.000,00 (cento e cinqüenta
mil reais)
aproximadamente.
Estima-se valores em torno de R$50.000,00 para instalação
da infra-estrutura tecnológica, móveis e serviços
da sala dos computadores, R$65.000,00 para eletrodomésticos,
louças, cafeteiras, estufas, mesas, cadeiras e balcões
e R$35.000,00 para adaptação e reforma da sala. Esses
valores foram dimensionados para uma instalação sem
sofisticação.
O site www.abf.com.br oferece estimativas de custos e de investimentos
para a instalação de franquias de cafeterias. Os investimentos
médios variam entre R$115.000,00 e R$ 250.000,00.
Os gastos com reforma e adaptação da loja, bem como
os custos com balcões, prateleiras e demais instalações
variam de acordo com a região e conforme o padrão
de ambiente que o investidor pretende instalar.
Capital de giro
Uma das funções do capital de giro é suprir
uma nova empresa de recursos financeiros necessários para
a realização das suas operações, enquanto
ela não alcançar sua auto-sustentabilidade.
No caso de empresa nova, deverá ser estabelecido um plano
que garanta o seu funcionamento, suportando faturamento baixo nos
primeiros meses de existência. Começar o negócio
sem reserva para capital de giro é garantia de dificuldades
em curto espaço de tempo. E, muitas vezes, essas dificuldades
tornam-se a razão principal das altas taxas de mortalidade
de novas empresas, o que se verifica no Brasil.
É preciso realizar um planejamento, prevendo um determinado
nível de faturamento, e “correr atrás”
do objetivo, fazendo divulgação do
novo negócio e trazendo clientes para o cybercafé.
No caso de um cybercafé, sugere-se uma reserva de 30% em
relação ao total do investimento inicial, para capital
de giro.
Exemplo:
R$150.000,00 – investimento total para a instalação
do negócio;
R$45.000,00 – reserva para capital de giro, destinado a suportar
os 6 primeiros meses de operações.
O prazo de seis meses é um bom horizonte de tempo para equilíbrio
das contas. A partir daí, um bom controle do Fluxo de Caixa
indicará o melhor caminho a seguir. No caso de busca de empréstimo
para capital de giro, sugerem-se: boas pesquisas para se encontrarem
as melhores taxas de juros e prazos condizentes com a perspectiva
que o empreendedor tem para vencer o desequilíbrio entre
receita e despesa. Um cybercafé conta com a vantagem de vender
somente à vista, o que facilita, em muito, o controle financeiro.
Custos
Trata-se, aqui, dos custos relativos à instalação
do negócio, ou seja, projetos, reforma e adaptação
do imóvel, instalações, compras de
equipamentos, que irão definir o montante inicial a ser investido
no negócio. É necessário pesquisar cybercafés
já instalados ou buscar
dados na internet, nos sites sugeridos no tópico “Entidades
em Geral”, visando reduzir custos de instalação
e maximizar os recursos
investidos.
Na fase de operação do negócio, a gestão
dos custos é fator fundamental para o sucesso do empreendimento.
Nessa fase, os custos estarão representados pelos gastos
com aquisição de matéria prima, produtos para
revenda, salários e encargos sociais, aluguel do imóvel,
aluguel de equipamentos (como pode ser o caso da máquina
de café expresso).
Reduzir custos e oferecer serviços de qualidade é
um dos grandes desafios do empreendedor de sucesso. Seu lucro dependerá
fundamentalmente do resultado da fórmula: receita –
despesas.
A receita resulta das vendas realizadas e as despesas têm
origem em duas vertentes usualmente denominadas de despesas fixas
e despesas variáveis. As despesas fixas são aquelas
que ocorrem independentemente do volume de negócios realizados.
A partir da decisão da instalação, essas despesas
começam a existir, vindo com a contratação
do contador, locação do imóvel, contratação
de pessoas. Se o cybercafé ainda não estiver funcionando,
ou se estiver faturando muito pouco, de qualquer forma terá
de pagar o aluguel, os salários, os honorários do
contador, o provedor de internet, a conta de água, de luz,
telefone.
As despesas variáveis mantêm-se em níveis
mais baixos enquanto a loja está com baixo volume de serviços
e vão crescendo à medida que aumenta a freqüência
de clientes. Estas são representadas pela compra de café,
leite, bebidas, alimentos em geral, taxas, impostos e outros.
No mundo competitivo dos negócios, quem gerencia bem seus
custos sobrevive e encontra espaço para crescer e prosperar;
por outro lado, o empresário que negligencia a gestão
de custos, geralmente tem baixo desempenho empresarial.
Diversificação / Agregação de valor
Agregar valor nada tem a ver com o preço, ou com valor monetário.
Quando alguém associa um benefício adicional a um
produto ou serviço, está agregando valor.A sensibilidade
do empreendedor será muito importante para identificar novos
serviços capazes de ampliar os níveis de satisfação
dos clientes. Um cybercafé tem infinitas oportunidades de
diversificar a oferta de produtos e serviços aos seus clientes,
tanto na área de cafeteria como nos serviços da área
de tecnologia da informação.
É importante contar com assessoria de técnicos nas
áreas de serviços via web e de jogos eletrônicos,
para avaliarem a possibilidade de ampliação de serviços,
de acordo com o perfil da clientela.A cafeteria poderá agregar
novos produtos e novos serviços, como, por exemplo:
-novos sabores de sucos naturais;
-chás gelados e associados a sabores diversos;
-novos tipos de café – aromáticos com especiarias,
gelados, cremosos;
-novos tipos de bebidas – chopp;
-variedade de lanches;
-refeições expressas;
-vendas de produtos de bombonière, revistas, jornais;
-desenvolvimento de parcerias com artistas plásticos, escritores,
músicos, para realizar eventos no ambiente do cybercafé.
É necessário ter sempre em mente que a qualidade
do serviço interno é fator fundamental para a satisfação
dos clientes e a fidelização ao estabelecimento. Empregados
bem preparados e conscientes do seu papel cativam as pessoas e mantém-nas
fiéis.
Divulgação
O Cybercafé pode começar sua divulgação
com as pessoas que circulam nas proximidades, distribuindo panfletos,
fazendo promoções
atrativas em locais sugestivos tais como: escolas, faculdades, cursinhos,
escritórios, lojas, entre outros.
A qualidade nos serviços prestados é, ainda, a melhor
forma de tornar-se conhecida e sólida num mercado competitivo.
A propaganda
boca a boca é fator de fortalecimento das marcas. Além
dessas alternativas o empreendedor pode contar com propagandas em
rádio, jornais de bairro, revistas técnicas, revistas
e jornais de associações, pode patrocinar eventos
culturais.
No entanto, todas as iniciativas devem contar com uma boa análise
que contemple a relação custo x benefício.
E, é claro que o cybercafé deve contar com um site
bem interessante e deve figurar nos sites de indicação
de endereços gastronômicos.
Informações Fiscais e Tributárias
O segmento de cyber café, assim entendido pelo IBGE como
outros serviços prestados principalmente às empresas,
por envolver uma
variedade de serviços (acesso à internet, uso de facilidades
computacionais, telefone, etc., e de forma subsidiária vendem
produtos de alimentação) poderá optar pelo
SIMPLES Nacional
- Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos
e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas
de Pequeno
Porte, instituído pela Lei Complementar nº 123/2006,
caso a receita bruta de sua atividade não ultrapassar R$
240.000,00 (microempresa) ou R$ 2.400.000,00 (empresa de pequeno
porte) e respeitando os demais requisitos previstos na Lei.
Nesse regime, o empreendedor poderá recolher os seguintes
tributos e contribuições, por meio de apenas um documento
fiscal – o DAS (Documento de Arrecadação do
Simples Nacional):
IRPJ (imposto de renda da pessoa jurídica);
CSLL (contribuição social sobre o lucro);
PIS (programa de integração social);
COFINS (contribuição para o financiamento da seguridade
social);
ICMS (imposto sobre circulação de mercadorias e serviços)
– se comercializar mercadorias, como refeições,
bebidas, etc.;
ISS (imposto sobre serviços de qualquer natureza); e,
INSS (contribuição para a seguridade social).
Conforme o Anexo III da referida Lei Complementar nº 123/2006,
as alíquotas do SIMPLES Nacional, para o ramo de atividade
de serviços prestados, vão de 6% até 17,42%,
dependendo da receita bruta auferida pelo negócio. Se o empreendedor
realiza atividade de comercialização de refeições
e bebidas (desde que previsto nos atos de constituição
do empreendimento), o Anexo I determina alíquotas entre 4%
até 11,61%.
Havendo as duas atividades, cada receita específica deverá
ser incluída no Anexo pertinente. No caso de início
de atividade no próprio ano-calendário da opção
pelo SIMPLES Nacional, para efeito de determinação
da alíquota no primeiro mês de atividade, o empreendedor
utilizará, como receita bruta total acumulada, a receita
do próprio mês de apuração multiplicada
por 12 (doze).
No caso do ICMS (se houver comercialização de alimentos),
o Estado em que o empreendedor estiver exercendo a atividade conceder
benefícios de isenção e/ou substituição
tributária para o ICMS, a alíquota poderá ser
reduzida conforme o caso. Na esfera Federal
poderá ocorrer redução quando se tratar de
PIS e/ou COFINS (Resolução nº 05/2007, do Comitê
Gestor de Tributação das
Microempresas e Empresas de Pequeno Porte).
Orienta-se ao empreendedor que atente ao tópico Exigências
legais especificas, que inclui as normas e regulamentos que devem
ser
atendidos para operacionalização dessa atividade.
Glossário
Barista – A profissão de barista surgiu na Itália
no século passado. No Brasil, a atividade é considerada
nova e vem se consolidando
paralelamente ao crescimento da cultura do café entre os
brasileiros. Ele faz a correta moagem do grão, ajusta a máquina
para que o café seja tirado no tempo adequado. A função
desse especialista é justamente zelar pela qualidade do produto
e por sua apresentação ao cliente. O barista está
para o café assim como o barman está para os drinques.
Com o barista, além de tomar um café tirado corretamente,
o cliente tem a oportunidade de conversar com o profissional e conhecer
um pouco mais sobre a bebida.
Rede Interna de Computadores – Integração e
compartilhamento de informações entre os equipamentos
instalados.
Servidor – Equipamento utilizado para compartilhar o acesso
das diversas máquinas e gerenciar o sistema de contas dos
usuários, níveis
de acesso e privilégios.
Dicas do Negócio
-manter site na internet;
-conhecer outros cybercafés antes de abrir o seu;
-não começar o negócio sem preparar/treinar
a equipe em atendimento qualificado;
-conhecer bem o mercado onde vai instalar o cybercafé –
verificar concorrentes, perfil das pessoas que freqüentam a
região: poder
aquisitivo, nível cultural, interesse em freqüentar
um ambiente com essas características;
-conhecer os cursos que o Sebrae oferece e aproveitá-los
para si e para a equipe;
-procurar um contador que seja também um consultor em nível
fiscal e tributário. Os contadores que só registram
fatos e dados e recolhem encargos e tributos não atendem
mais às empresas dos novos tempos;
-fazer pesquisa de satisfação dos clientes pode fornecer
elementos para a melhoria dos serviços prestados;
-inovar sempre, oferecer serviços e atendimento que surpreenda
o cliente;
-fidelizar – o cliente deve “permanecer cliente”
e trazer novos;
-manter-se informado sobre os assuntos atuais e tendências
do ramo de negócio de cybercafé.
Características específicas do empreendedor
Empreendedores de sucesso, em geral, apresentam um conjunto de
características pessoais que os distinguem da grande massa.
Essas
características podem estar presentes naturalmente nos indivíduos
ou podem ser desenvolvidas, desde que haja interesse na busca pelo
aprimoramento pessoal.
A seguir estão descritas algumas características
que podem facilitar o sucesso de um empreendedor direcionado ao
negócio a que ora se propõe. É aconselhável
uma auto-análise para verificar qual a situação
do futuro empreendedor frente a esse conjunto de características
e identificar oportunidades de desenvolvimento:
-ter paixão pela atividade e conhecer bem o ramo de negócio;
-ter disposição e dedicação ao negócio
– estar presente, não deixar na mão de terceiros;
-pesquisar e observar permanentemente o mercado onde está
instalado, promovendo ajustes e adaptações no negócio;
-acompanhar o desempenho dos concorrentes;
-ter facilidade para identificar fornecedores para o seu negócio;
-saber administrar todas as áreas internas da empresa;
-saber negociar, vender e manter clientes satisfeitos;
-ter visão clara de onde quer chegar;
-planejar e acompanhar o desempenho da empresa;
-ter coragem para assumir riscos calculados;
-estar sempre disposto a inovar e promover mudanças;
-ter grande capacidade para perceber novas oportunidades e agir
rapidamente para aproveitá-las.
Bibliografia Complementar
Guia BookmarQz Cybercafés no Brasil PETTIGREW, Jane. Café.
São Paulo, Nobel Editora, 1999 Site da Fapesp. http://www.fapesp.org/porque_registrar
Revista : Pequenas Empresas Grandes Negócios – fev.
2003, nº169, p. 50. Site: http://www.pegn.globo.br/
MATOS, Antônio Carlos de; VALLIM Cláudio Roberto; BARBOSA
Norberto Marcos ; MELCHIOR Paulo. Cafeteria: Comece Certo, 22. Brasília:
Sebrae 2004
Perfil de negócio: café expresso. Fortaleza: Ed.
Sebrae, 1996.Série: oportunidades de negócios
SAMPAIO, Rafael – Propaganda de A a Z: como usar a propaganda
para construir marcas e empresas de sucesso. Rio de Janeiro , Campus,
1999.
Site da Agência Câmara – http://www.agenciacamara.gov.br