Idéias
de Novos Negócios - Curtume de Couro de Peixe
Apresentação do Negócio
A fabricação e comercialização do couro
de peixe é uma atividade que teve seu início na década
de 70. Por se tratar de uma iniciativa voltada ao aproveitamento
do rejeito da indústria pesqueira passou a chamar a atenção
do mercado, principalmente aquele focado em produtos ecologicamente
corretos. Este fato, somado às características do
produto obtido, como: a resistência da matéria-prima,
suas
características exóticas e sua aplicabilidade em vários
produtos de alto valor agregado vêm despertando a curiosidade
e o interesse de muitos empreendedores.
A atividade vem sendo explorada comercialmente não só
através de parcerias com as empresas de pesca, tanto as de
água doce quanto
salgada, mas também com criatórios de peixes espalhados
pelo País.
O mercado da moda já reconhece o valor e a importância
do uso do couro de peixe na fabricação de acessórios
como bolsas, cintos,
carteiras e sapatos. A importância dada ao uso de matérias-primas
alternativas, com o apelo do “politicamente correto”,
torna a atividade econômica do curtume de couro de peixe inovadora
e altamente promissora.
Mercado
O maior cliente para o produto couro de peixe é sem dúvida
o mercado da moda na fabricação de calçados,
relógios, bolsas e acessórios femininos. Apesar das
iniciativas econômicas atualmente explorarem de forma artesanal
o uso desta matéria-prima, grandes mercados consumidores,
altamente qualificados vem buscando de forma agressiva a diferenciação
em suas criações através do emprego de materiais
alternativos, com apelo sócio-ambiental e ecológico.
Devido a este tipo de apelo, importantes eventos e grifes prestigiadas
voltam os olhares pra o couro de peixe, tratando-o como uma
matéria-prima exótica, exclusiva e por isso valorizada
no mercado.
De modo geral, existem, atualmente, 450 curtumes no Brasil, onde,
cerca de 80% são de pequeno porte, empregando de 4 a 99 empregados
cada um.
Os países europeus são exigentes e inovadores no
uso destes materiais, apelando para as características de
exclusividade. Já os países asiáticos são
atraídos pelas características exóticas da
matéria-prima.
A grande barreira a ser vencida pelos empreendedores que se dedicam
a esta atividade econômica está relacionada ao processo
de obtenção e beneficiamento da matéria-prima.
O mercado está interessado em adquirir e utilizar o produto,
mas quer saber e acompanhar as técnicas utilizadas para sua
obtenção e processamento, sob pena de perder o caráter
ecológico tão valorizado.
Uma característica peculiar deste tipo de negócio
é que, apesar de depender de uma atividade econômica
extremamente fechada e de
difícil entrada – que é a da indústria
pesqueira, o empreendedor não precisa ser do meio. Geralmente
o couro do peixe é considerado lixo e problema para os pescadores,
e ainda pode ser negociado a preços simbólicos apenas
para favorecer a destinação final adequada do material.
Este fato pode ser muito bem aproveitado pelo empreendedor que
pretende explorar a atividade do curtume de couro de peixe, uma
vez que a produção anual brasileira de pescados gira
em torno de 800.000 toneladas/ano, onde o couro representa de 8
a 12% deste valor total.
Localização
Pelas características da atividade, onde são empregados
muitos produtos químicos e gerados resíduos sólidos
e líquidos, o local para a
instalação do curtume deve ser adequado, e apresentar
condições de instalação de unidade de
tratamento de resíduos. Deve também estar próximo
aos fornecedores da matéria-prima, buscando com isto reduzir
custos de pré-processamento, armazenagem e transporte.
Outro aspecto que diz respeito à regularização
das atividades da empresa é que se não estiver de
acordo com as normas da prefeitura
quanto ao que rege o plano diretor para a área onde está
localizado o imóvel, acaba inviabilizando seu registro.
A melhor alternativa é procurar um imóvel apropriado
para alugar, onde além da área disponível para
a instalação das máquinas, tenha
ainda condições de ajustes para atender as normas
da vigilância sanitária e do ministério da agricultura,
estabelecendo espaços
apropriados para guardar as matérias-primas e as embalagens,
bem como disponha de escritório, refeitório e banheiros.
Exigências legais específicas
O empreendedor que está disposto a constituir uma indústria
para processamento de couro de peixe deve requerer os registros
e licenças necessárias à implantação
do negócio, tais como:
a) Registro da empresa nos seguintes órgãos:
-Junta Comercial;
-Secretaria da Receita Federal (CNPJ);
-Secretaria Estadual de Fazenda;
-Prefeitura do Município para obter o alvará de funcionamento;
-Cadastramento junto à Caixa Econômica Federal no sistema
“Conectividade Social – INSS/FGTS”.
-Corpo de Bombeiros Militar.
b) Visita a prefeitura da cidade onde pretende montar a sua fábrica
para fazer a consulta de local e emissão das certidões
de Uso do Solo e Número Oficial.
Além do registro da empresa que pode ou não adotar
o regime da lei geral das micro e pequenas empresas, qualquer atividade
econômica deve respeitar o código de defesa do consumidor
(CDC - Lei nº 9.870/1999), pois ele estabelece uma série
de direitos e obrigações ao fornecedor e ao consumidor.
A empresa deverá atender a algumas regras, tais como: responsabilidade
sobre o fornecimento dos produtos e serviços, garantia da
qualidade, rastreabilidade, entre outros.
O Brasil não possui uma Lei que trate especificamente dos
aspectos ambientais relativos à produção de
couro. A Lei número 11.211 de 19 de dezembro de 2005, conhecida
como Lei dos couros, dispõe sobre as condições
exigíveis para a identificação do couro e das
matérias primas sucedâneas, utilizados na confecção
de calçados e artefatos.
Entretanto, de forma não específica, segue abaixo
a legislação ambiental que trata do controle da poluição
que pode ser plenamente
aplicada aos curtumes:
-Lei Nº 6.938/1981. Dispõe sobre a Política
Nacional de Meio Ambiente e institui o licenciamento ambiental e
a avaliação de
impacto ambiental como instrumentos dessa Política.
-Decreto 99.274/1990. Regulamenta a Lei 6.938/1981.
-Resolução CONAMA Nº 001/1986. Trata do Estatuto
de Impacto Ambiental e respectivo Relatório de Impacto ao
Meio Ambiente.
-Resolução CONAMA Nº 237/1997. Distribui as
competências, em matéria de licenciamento, entre o
IBAMA, os Estados e os Municípios.
-Resolução CONAMA Nº 357/2005. Dispõe
sobre a classificação dos corpos de água e
diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece
as condições e padrões de lançamento
de efluentes, e dá outras providências. Torna-se de
fundamental importância que o empreendedor interessado na
implantação de um curtume de couro de peixe entre
em contato
com os órgãos Federais, Estaduais e Municipais competentes
para a viabilização do registro e das licenças
necessárias para o
empreendimento, tendo como base:
-Licença ambiental Estadual;
-Licença ambiental Federal;
-Licença Prévia;
-Licença de Instalação;
-Licença de Operação.
Estrutura
O curtume necessita de infra-estrutura mínima que contemple
uma área de recebimento e armazenagem da matéria-prima
principal (couro do peixe), que deve ser refrigerada como, por exemplo,
uma câmara fria, além de espaço para armazenagem
de produtos químicos. Uma área de processamento com
tanques e sistema de lavação, uma área de secagem
com controle de temperatura e umidade, espaço para estoque
e expedição de produtos acabados, e deve também
dispor de sistema de tratamento de resíduos.
Um escritório bem montado, refeitório e banheiros
completam a relação da estrutura.
Pessoal
Por se tratar de atividade econômica pouco explorada, a oferta
por pessoal especializado ainda é pequena, portanto, o empresário
deve
prever um período inicial de treinamento da mão-de-obra.
A vantagem é que se pode começar o negócio
com um número reduzido de
colaboradores (funcionários) e ir contratando à medida
que o número de clientes aumente.
Por se tratar de atividade que é basicamente manufatureira,
e que absorve pessoas com baixo grau de instrução,
torna-se uma atividade
com alta taxa de rotatividade, ou seja, as pessoas começam
a trabalhar e desistem com muita facilidade. Este fato gera grandes
problemas de continuidade do trabalho, garantia de qualidade e cumprimento
aos prazos contratados. Portanto, quanto mais criterioso for o processo
de seleção, e mais justas forem as políticas
de remuneração e valorização, menores
serão os problemas futuros com os funcionários.
Como estimativa para analisar a operação de um curtume
de couro de peixe, considera-se a necessidade inicial de 4 funcionários
na
produção, um no administrativo e um no comercial para
compor a equipe de trabalho, além do envolvimento em tempo
integral do empresário.
Equipamentos
Os principais equipamentos necessários para a produção
de couro de peixe curtido são:
• Fulão, com gramalheira e disco;
• Máquina de descarna e corte;
• Máquina de rebaixar ou rebaixadeira;
• Mesas inox;
• Balança;
• Esmeril;
• Serra mecânica;
• Plaina limpadora;
• Máquina de secar;
• Máquina de lixar com exaustor;
• Máquina de amaciar;
• Prensa hidráulica;
• Ferramentas manuais;
• Móveis e utensílios do escritório.
Matéria Prima / Mercadoria
A principal matéria-prima é o couro de peixe. Este
pode ser obtido diretamente nas indústrias processadoras
do pescado, bem como junto aos pescadores artesanais. No caso das
indústrias do pescado, todo o processo ocorre no próprio
curtume. Já com os pescadores artesanais, eles podem ser
treinados com as técnicas de conservação e
acumular várias peles de peixe antes de comercializá-las.
Os peixes cujas peles são apropriadas para o curtimento
provenientes de água doce são a Tilápia (cuja
produção vem crescendo rapidamente em função
dos criatórios e do aumento da demanda pela carne do peixe),
o Curimatã, Tambaqui, Carpa Comum, Carpa Prateada, Carpa
Cabeça Grande, Carpa Capim, Dourado, Peroá, Pacú.
E os peixes do mar como Tainha, Corvina, Linguado, Cação,
entre outros. De modo geral, todos os pescados podem ter suas peles
curtidas.
Por ser considerado um resíduo incômodo para os processadores
do pescado, o couro do peixe é obtido por valores irrisórios.
Por ser uma matéria-prima altamente perecível, o mesmo
deve ser sempre manipulado e transportado gelado ou frigorificado,
o que demanda
grande quantidade de gelo e/ou energia.
Existe ainda uma gama de produtos químicos utilizados na
etapa de curtimento tais como o sulfato de cromo, a cal para inchar
e corrigir o pH das peles salgadas, o sulfeto de sódio ou
os ácidos sulfúrico e fórmico empregados na
preparação. Assim como os materiais de apoio ao processo
de preparação e acabamento do couro curtido.
Por último as embalagens a serem utilizadas para o produto
final devem ser resistentes e devidamente etiquetadas identificando
o
produto e o fabricante.
Organização do processo produtivo
O curtimento do couro é realizado para evitar que o mesmo
apodreça e tenha que ser jogado no lixo. A forma de realizar
este processo é semelhante àquela utilizada com o
couro de outros animais. As diferenças estão nas características
observadas na pele dos peixes, que
chegam a oferecer resistência muito superior às outras
peles.
O cuidado com que é removida a carne de peixe contida entre
o tecido e as fibras é que vai conferir a qualidade do couro
de peixe. Esta operação permite que o restante do
processo de curtimento seja bem realizado, evitando o ataque de
microorganismos. O resultado é uma pele preservada, com validade
indeterminada, macia, flexível e resistente, ideal para aplicação
em calçados e acessórios do vestuário.
As principais etapas por que passa a pele durante o processo de
curtimento são:
• Recepção: é feita a separação
das matérias-primas de acordo com o fornecedor;
• Lavagem: as peles são colocadas no fulão
(espécie de máquina de lavar roupas) juntamente com
solução detergente e bactericida para
retirar a parte gordurosa das peles;
• Remolho: eliminação das impurezas;
• Caleiro: remoção das escamas;
Desengraxe: processo de retirada de gordura e sais;
• Desencolagem e Purga: parte final do processo de retirada
de gordura;
• Píquel ou piquelagem: para evitar que as peles
entrem em putrefação e para garantir maior resistência;
• Curtimento: imersão das peles em produtos químicos
para garantir a qualidade do processo;
• Descanso: depois de lavadas, as peles deverão ser
acondicionadas em vasilhames plásticos e repousar por um
dia;
• Neutralização: processo que torna as peles
mais encorpadas e livres de acidez;
• Recurtimento: realizado para hidratar a pele e ajustar
o ph, transformando-a em couro;
• Tingimento: emprego de corante na cor programada;
• Engraxe: visa garantir a maciez do couro, evitando que
fique quebradiço;
• Secagem: destinação das peças de
couro em área apropriada para a remoção da
umidade.
Finalmente o couro é submetido á aplicação
de produtos químicos objetivando melhorar o acabamento, de
acordo com o mercado ao qual se destina, bem como é colado
em telas especiais, costurado e embalado.
É fato que um dos maiores custos para este negócio
é a água e seu tratamento, sugere-se então
que a indústria desenvolva um plano
voltado à redução do consumo de água
composto pelas seguintes etapas:
-Medição rotineira da quantidade de água consumida
(total e nos pontos de maior consumo);
-Formação de histórico e acompanhamento contínuo
do consumo de água, com os dados coletados registrados de
forma adequada (por exemplo, planilhas com consumo total e por setores
da empresa, em base mensal - com gráfico, para melhor visualização
de tendências ao longo do ano). É importante definir
e usar indicadores de consumo de água específicos,
relacionados com a produção – ex.: litros água
totais / couro inicial ou produzido.
OBS.: ATENÇÃO aos medidores utilizados – devem
ser de boa qualidade e estar devidamente CALIBRADOS; é importante
que além da indicação da vazão instantânea
(ex.: m3/h), os medidores possuam totalizador de volume (m3 ou litros
totais, passados pelo medidor).
Após a medição implementada (2 a 3 meses de
medições e seus registros), deve-se elaborar um plano
de redução e racionalização do consumo
de água, incluindo:
-Medidas de melhoria e otimização dos processos relacionadas
com a minimização do uso de água e de geração
de efluentes líquidos (ex.: uso de banhos “curtos”);
-Avaliações criteriosas e cuidadosas sobre as possibilidades
de reuso ou reciclagem de águas e de soluções
usadas que saem das várias
etapas do processo;
-Tratamento adequado, otimizado e racionalizado dos efluentes líquidos;
-Avaliação criteriosa e cuidadosa sobre as possibilidades
de reuso ou reciclagem dos efluentes líquidos tratados;
-Boas práticas de organização, manutenção
e limpeza da área produtiva (ex.: eliminação
de vazamentos de água limpa, de banhos,
de águas de lavagens das peles, bem como de desperdícios
de água de uso geral – limpeza de equipamentos, da
fábrica etc.);
-Treinamento efetivo do pessoal operacional nos novos procedimentos
gerados pelo plano, bem como ampla divulgação de seus
resultados para as pessoas do curtume.
Automação
Devido às características únicas de cada pele
de peixe, as principais atividades produtivas são necessariamente
realizadas pelas pessoas. Não existem, portanto, equipamentos
totalmente automáticos para este tipo de produção.
As atividades administrativas e comerciais podem se valer de sistemas
de controle com elevado nível de automação,
inclusive interligando todas as etapas do negócio, desde
a compra das peles até a comercialização.
Canais de distribuição
O empreendedor deve ter em mente que o mercado para este tipo de
produto está em plena formação. Dependendo
da amplitude que for dada ao negócio, a empresa precisa estabelecer
canais de venda perante os principais consumidores de couro de peixe,
que são as
fábricas de roupas, calçados e acessórios do
vestuário.
Uma vez que o produto processado e devidamente embalado não
requer maiores cuidados, os canais tradicionais de distribuição
podem ser tranquilamente adotados. Como por exemplo, equipe de vendedores
e remessa por transportadoras.
Investimentos
A decisão de iniciar um negócio de curtume de couro
de peixe passa necessariamente por um correto levantamento de quanto
dinheiro e esforço o empresário irá gastar
para iniciar o negócio. Este fato é decisivo para
que os riscos de ocorrerem problemas financeiros sejam menores.
O empresário deve pesquisar o preço das máquinas,
equipamentos e acessórios a serem adquiridos para o início
das
atividades.
Deve-se ressaltar que cada situação é particular,
e o empreendedor vai definir quais os equipamentos pretende adquirir
para iniciar suas
atividades.
A fim de exemplificar a estruturação dos investimentos
apresenta-se a seguir uma lista dos principais equipamentos a serem
adquiridos para a produção de aproximadamente 8.000
peças/mês.
-Fulão, com gramalheira e disco -R$ 24.000,00;
-Maquina de descarna e cortar - R$ 16.000,00
-Máquina de rebaixar ou rebaixadeira – R$ 18.000,00
-Mesas em inox - R$ 6.000,00
-Balança -R$ 1.500,00
-Esmeril -R$ 1.800,00
-Serra mecânica - R$ 1.200,00
-Plaina limpadora - R$ 2.450,00
-Maquina de secar; R$ 25.000,00
-Maquina de lixar com exaustor - R$ 3.700,00
-Máquina de amaciar - R$ 2.800,00
-Prensa Hidráulica - R$ 1.700,00
-Ferramentas manuais - R$ 3.000,00
-Móveis e utensílios do escritório - R$ 10.000,00
-Estação de tratamento de efluentes – R$ 25.000,00
Perfazendo um total aproximado de R$ 142.150,00, além da
estimativa de outros R$ 15.000,00 para reforma de estrutura do imóvel
a ser ocupado, instalações, ajustes, etc.
Capital de giro
Capital de giro é um montante de recursos financeiros que
a empresa precisa manter para garantir a dinâmica do seu processo
de negócio.
O capital de giro precisa de controle permanente, pois tem a função
de minimizar o impacto das mudanças no ambiente de negócios
onde a empresa atua.
O desafio da gestão do capital de giro deve-se, principalmente,
à ocorrência dos fatores a seguir:
-Variação dos diversos custos absorvidos pela empresa;
-Aumento de despesas financeiras, em decorrência das instabilidades
desse mercado;
-Baixo volume de vendas;
-Aumento dos índices de inadimplência;
-Altos níveis de estoques de produtos.
O empreendedor deverá ter um controle orçamentário
rígido de forma a não consumir recursos sem previsão.
O empresário deve evitar a retirada de valores além
do pró-labore estipulado, pois no início todo o recurso
que entrar na empresa nela
deverá permanecer possibilitando o crescimento e a expansão
do negócio. Dessa forma a empresa poderá alcançar
mais rapidamente
sua auto-sustentação, reduzindo as necessidades de
capital de giro e agregando maior valor ao novo negócio.
Da mesma forma que foi imaginado um investimento inicial de R$
157.150,00 estima-se a necessidade do capital de giro em torno de
R$ 20.300,00. Valor que deve estar disponível na conta para
pagamentos, conforme demonstrado a seguir na análise de custos
para a estrutura considerada.
Custos
É fundamental que o empresário e seus colaboradores
tenham o máximo conhecimento da estrutura de custos de seu
negócio, sob pena
de perder o controle da gestão e passar por sérios
riscos de continuar o negócio.
Ao gerenciar a empresa, o empresário deve conhecer e registrar
os principais itens de custo relacionados, tais como: custos fixos
como
aluguel, salários telefone, energia (que apesar de variarem
com a produção, apresentam também taxas mínimas
fixas), contador, entre
outros. E custos variáveis como matérias-primas, insumos,
materiais utilizados, manutenção, impostos sobre faturamento,
entre outros.
O total destes custos deve ser acompanhado mensalmente e comparado
ao faturamento obtido relacionado à produção
do mesmo
período. O saldo deve ser sempre positivo, caso contrário
a empresa apresentará sérios problemas de sobrevivência.
É fundamental que o empresário chegue ao nível
de detalhamento do custo unitário de produção,
podendo desta forma calcular a margem de contribuição
unitária de cada produto.
Outro fator extremamente relevante para a análise dos custos
está relacionado ao correto aproveitamento da capacidade
de produção dos colaboradores.
Quanto maior for a produção, menor será a
incidência do custo fixo sobre os produtos, pois, este custo
é dividido (segundo critério
apropriado) por todos os produtos produzidos, representando um menor
custo unitário e melhorando a margem de contribuição.
A tabela a seguir procura apresentar de forma simplificada os
principais itens de custo mensal que devem ser absorvidos pelo
curtume de couro de peixe:
• Aluguel – R$ 2.000,00;
• Matéria-prima – R$ 4.000,00;
• Luz, telefone, água e internet – R$ 3.500,00;
• Contador – R$ 400,00;
• Salários diretos (mais encargos) – R$ 3.200,00;
• Salários indiretos – R$ 1.600,00;
• Manutenção – R$ 600,00;
• Despesas correntes – R$ 500,00;
• Outras despesas mensais com insumos – R$ 2.000,00;
• Pró-labore – R$ 2.500,00.
Salienta-se que os valores são meramente ilustrativos e
dependem muito da estrutura do negócio, assim como não
foram previstos os
impostos e tributos, pois estes dependem do tipo de registro adotado
pela empresa.
Diversificação / Agregação de valor
O produto couro de peixe já representa alto valor agregado
ao mercado consumidor. Por atingir um público de elevada
faixa de renda, os diferenciais oferecidos como qualidade, resistência,
durabilidade além das características únicas
do desenho de cada peça permitem ao empreendedor explorar
várias aplicações para o produto.
Pode-se estabelecer um padrão de montagem e apresentação
das peças para clientes exclusivos, assim como é possível
agregar valor ao negócio através de parcerias com
fábricas de calçados e acessórios para roupas,
ampliando a atratividade do negócio.
Divulgação
A divulgação deste tipo de negócio se dá
de duas maneiras distintas. A primeira trata de promover demonstrações
a possíveis clientes e
parceiros comerciais, apresentando amostras das peças e ensinando
suas aplicações. A segunda deve promover o produto,
em parceria
com empresas clientes, diretamente no mercado consumidor, apresentando
peças elaboradas a base de couro de peixe, como por
exemplo: calçados, cintos, carteiras, acessórios do
vestuário, entre muitos outros.
Por ser um produto diferenciado, esta divulgação
deve ser direcionada ao mercado específico, e apresentado
em lojas e boutiques
especializadas, bem como a empresas que trabalhem com este público.
Informações Fiscais e Tributárias
Em virtude do objetivo deste material não contemplar o aprofundamento
nos temas relacionados, mas sim servir de orientação
inicial para o futuro empresário, sugere-se que todos os
aspectos com o registro da empresa, identificação
das legislações relacionadas à operação,
principalmente as que tratam da contratação de pessoal,
produção e comercialização devem ser
orientadas por profissionais especializados na área.
O movimento por regularização das atividades de
empresas atuando na informalidade (ilegalmente) está cada
vez mais forte. E a fiscalização das atividades vem
contribuindo muito com isto. Neste caso, o empreendedor deve tomar
as providências para regularizar sua atividade, por mais complicada,
cara e dificultosa que possa parecer, pois sem dúvida passa
a ser um diferencial competitivo frente aos clientes.
É importante que o empreendedor converse com um contabilista
devidamente registrado no CRC (Conselho Regional de
Contabilidade) para os devidos esclarecimentos quanto aos aspectos
legais e tributários relacionados à situação
específica do negócio que está almejando iniciar.
O prestador de serviços contábeis tem a incumbência
de informar e orientar quanto aos aspectos tributários da
empresa.
A seguir estão apresentados os principais tributos incidentes
sobre as operações das empresas, destacando sua incidência
ou não em cada setor da economia (indústria, comércio
e serviços).
• ISS – (Imposto sobre Serviços) - Aplicável
somente às empresas prestadoras de serviço.
• ICMS – (Imposto sobre Circulação de
Mercadorias e Serviços) - As porcentagens variam em função
de diversos fatores, sendo que não é aplicável
às empresas prestadoras de serviço.
• IPI - (imposto sobre produtos industrializados) –
Aplicável apenas em indústria, no qual cada empresa
deve analisar o valor da alíquota na tabela TIPI (tabela
de imposto sobre produtos industrializados);
• PIS – (programa de integração social)
- Trata-se de contribuição aplicada sobre a receita
bruta de empresas dos três setores da
economia;
• COFINS – (contribuição para financiamento
da seguridade social) - Trata-se de contribuição aplicada
sobre a receita bruta de empresas dos três setores da economia;
• IRPJ – (imposto de renda pessoa jurídica)
- Há duas situações de enquadramento, lucro
real ou lucro presumido aplicado sobre a receita bruta de empresas
dos três setores da economia;
• CSLL - (Contribuição Social sobre Lucro Líquido)
- Segue exemplo do IRPJ, duas situações de enquadramento,
lucro real ou lucro
presumido aplicada sobre a receita bruta de empresas dos três
setores da economia.
Para cada setor da economia citado, as empresas ainda podem optar
por uma das três formas de tributação possíveis,
são elas: Simples
Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real.
No Simples Nacional, todos os impostos citados acima podem ser
recolhidos através de documento único. Esta facilidade
é possível
apenas para as microempresas e empresas de pequeno porte, optantes
por este regime, conforme definido na Lei complementar 123/2006.
Os incisos I à XIV do artigo 17 desta lei complementar, definem
as micro e pequenas empresas impedidas de optar pelo Simples Nacional.
Vale ressaltar que, para poder se enquadrar no Simples nacional,
a empresa deve apresentar faturamento anual de até R$ 2.400.000,00.
No Lucro Presumido, o IRPJ e CSLL são calculados com base
em presunção de margem de lucros, ou seja, é
prevista pela receita federal uma margem de lucro de acordo com
a atividade da empresa.
No Lucro Real, o IRPJ e a CSLL, são calculados com base
em lucros efetivamente apurados. Esta opção é
a que exige maior esforço
gerencial no controle das movimentações financeiras.
A atividade de beneficiamento da pele de peixes (curtume) caracteriza-se
por ser industrial, sendo que neste caso pode optar por qualquer
uma das três formas de tributação descritas
acima.
A folha de pagamentos também sofre interferências
de acordo com a forma de tributação escolhida. Entre
os encargos incidentes sobre os salários, a contribuição
da empresa para o INSS - Instituto Nacional de Seguridade Social,
possui a maior alíquota, mas pode chegar a zero, para micro
e pequenas empresas optantes pelo simples nacional nas atividades
de indústria, comércio e alguns serviços. Vale
ressaltar, que além do INSS, existem outros encargos que
independem da forma de tributação escolhida pela empresa,
tais como: FGTS, 1/3 de férias, décimo-terceiro salário
e outros.
Nem sempre o simples nacional, é a melhor opção
de tributação, mesmo quando você pode optar
por este regime. Vale ressaltar que
para a correta definição do regime tributário
da empresa, dos impostos incidentes e respectivas alíquotas,
são necessários vários detalhes sobre as operações
da empresa. Por exemplo, será apenas indústria e comércio
ou haverá prestação de serviços? Os
produtos serão vendidos para outros estados? Para quais estados?
Os adquirentes serão usuários finais, comerciantes
ou industriais? Qual o faturamento mensal e anual da empresa? Qual
o valor da folha de pagamentos? Os proprietários já
fazem parte de outra sociedade?
É preciso ficar claro que, sem estas e outras respostas,
é impossível definir a real carga tributária
da empresa. Por este motivo, é muito
importante a orientação do prestador de serviços
contábeis.
Glossário
COURO – Pele curtida de animais.
CURTIMENTO – Processamento de couro cru.
EXÓTICA – Peça diferente do tradicional, proveniente
de outras regiões.
GRAMALHEIRA - Corrente de ferro para suspender a caldeira.
GRIFES – Denominação empregada a marcas famosas
que definem a moda.
TINGIMENTO – Processo químico de modificação
da cor.
Dicas do Negócio
• É recomendável que as empresas clientes sejam
visitadas e se possa fazer um levantamento das principais necessidades
apresentadas. É muito arriscado iniciar um negócio
baseado apenas nas promessas de um único cliente;
• Uma breve consulta ao plano diretor na prefeitura já
permite identificar se é possível ou não a
utilização de determinado imóvel
para iniciar o negócio;
• Assim que possível o empresário deve procurar
ajuda profissional para a seleção e contratação
de pessoas. Existem muitas agências
especializadas neste tipo de atividade, que acabam ajudando a evitar
muitas dores de cabeça e prejuízos para a empresa;
• A melhor maneira de conduzir a negociação
de preços e prazos com os clientes é mostrando organização
e conhecimento sobre os processos e os custos de operação
do curtume;
• Quanto mais precisa for a pesquisa a respeito das necessidades
de investimento, menores as surpresas quanto à previsão
financeira para iniciar o novo negócio, e isto evita inclusive
a armadilha de afundar em dívidas por falha na programação
financeira;
• Para descobrir o que pode agregar valor na relação
com o cliente, o empresário deve estar atento aos detalhes
e sempre que possível deve escutar seus clientes, conversar
com eles e descobrir o algo mais que vai cativar a relação
comercial;
• O empresário deve ter em mente que é importantíssimo
acompanhar e questionar constantemente o prestador de serviço
de contabilidade.
Características específicas do empreendedor
Na literatura, existem variadas definições para o
que vem a ser um empreendedor e de forma resumida, pode-se perceber
em pessoas
empreendedoras a dedicação, a persistência,
a disciplina, além da autoconfiança, da facilidade
em se relacionar e comunicar e ainda a
capacidade de planejar e se organizar.
Numa atividade como a do curtume de couro de peixe que é
essencialmente industrial, a qualificação técnica
para a realização dos
serviços é fator preponderante para o sucesso do negócio.
Associada a esta característica e não menos importante
está e a condição de saber se relacionar com
as pessoas, tanto os clientes como os colaboradores.
Apenas como complementação das informações,
sugere-se uma auto avaliação para medir o quanto o
empreendedor está preparado para ingressar no mundo dos negócios.
E neste sentido são apresentados alguns questionamentos importantes,
como os que seguem, e que foram extraídos da coleção
OS PRIMEIROS PASSOS PARA O SUCESSO, desenvolvida e disponibilizada
pelo SEBRAE/SC:
1. Tenho capital suficiente para abrir a empresa e ainda me manter
enquanto estruturo o negócio?
2. Estou preparado emocionalmente para correr os riscos do mundo
dos negócios?
3. Como trato os desafios que a vida me oferece? Com paciência
e perseverança?
4. Estou preparado e disposto a abrir mão de uma série
de hábitos e se for preciso trabalhar 10 horas por dia todos
os dias?
5. Conheço bem as minhas limitações?
6. Sou disciplinado o suficiente para estabelecer e cumprir regras
e métodos de trabalho?
7. Estou disposto para trabalhar em local com fortes odores e alta
umidade relativa do ar?
Cabe mais uma série de questões que teriam como
finalidade avaliar o perfil empreendedor. Portanto o empreendedor
deve refletir e revisar seus objetivos várias vezes, conversar
com amigos e buscar certezas para tomar a decisão de empreender,
pois quando iniciado o processo não se pode mais parar, sob
pena de se tornar um fracasso.
Bibliografia Complementar
-Como Montar Curtume de Pele e Couro de Peixe. Série Oportunidades
de Negócios/1996. SEBRAE/NA
-OS PRIMEIROS PASSOS PARA O SUCESSO. SEBRAE/SC, 2005.
-Perfil Analítico de Curtume para Peles de Peixes.SEBRAE/ES/
1993
-Produção de Couro de Peixe.SEBRAE/AM