Idéias
de Novos Negócios - Criação de Peixes
Apresentação do Negócio
A piscicultura, ramo específico da aqüicultura voltada
para criação de peixes em cativeiro, pode ser encontrada
tanto na forma de
cultivo de peixes marinhos quanto de água doce. Segundo a
FAO Organização das Nações Unidas para
Agricultura e Alimentação –
ONU/FAO, enquanto a demanda mundial por pescado cresce em ritmo
acelerado, as possibilidades de expansão da captura pesqueira
estão praticamente esgotadas.
A criação de peixes (piscicultura) surge como uma
alternativa natural para o suprimento desse mercado.A FAO prevê
ainda que a piscicultura seja responsável pela produção
de 40% dos peixes consumidos no mundo até 2010, em decorrência
do aumento da população global e de mudanças
de hábito alimentar da população.
Especialistas apontam esta como uma promissora atividade no mundo
e, especialmente, no Brasil, em decorrência do potencial inexplorado
de seu mercado consumidor, do clima propício e dos recursos
hídricos existentes, compreendendo 8,4 mil km de litoral
e 5,5 milhões hectares de reservatórios de águas
doces, que representam aproximadamente 12% da água doce disponível
no planeta.
A cadeia produtiva da piscicultura possui diversas fases com possibilidades
igualmente diversificadas conforme o tipo de negócio escolhido,
havendo oportunidades também para o pequeno empreendedor.
Contudo, esta é uma atividade que exige bastante conhecimento
técnico e experiência no manejo de animais por parte
do empreendedor.
Mercado
No Brasil, o consumo per capita anual de pescado situa-se em apenas
6,9 quilos por habitante. Em outros países, esse consumo
chega a ser dez vezes maior como, por exemplo, no Japão (71,9
quilos ano por habitante), em Portugal (60,2 quilos) e na Noruega,
com 41,1 quilos por ano, por habitante. Mesmo com um consumo interno
relativamente baixo, o País ainda é o maior importador
de pescado da
América Latina.
Vale lembrar que nem só de águas mansas vive o piscicultor,
que além de dificuldades na comercialização
de seus produtos enfrenta a
concorrência de outras opções alimentares, dentre
elas da carne bovina, de frango e suína. O mercado interno
para consumo de pescado é bastante diferenciado, principalmente
em relação às preferências dos consumidores.
Em regiões centrais do Brasil, a procura por peixes de água
doce é um diferencial competitivo em relação
às espécies marinhas (provenientes da pesca extrativa),
dados os custos de transporte e armazenagem.
Em geral, um empreendedor com pouca experiência no ramo e
início de negócio, começa sua criação
destinando seu produto para o
abastecimento do mercado local, principalmente em função
de dificuldades de estocagem e transporte do produto para grandes
distâncias. Nestes casos, seu público-alvo será
composto de 3 tipos distintos de consumidores:
1. Consumidores individuais para consumo direto e imediato.
2. Abatedores e revendedores que adquirem os peixes para beneficiamento
e venda (ex: frigoríficos, supermercados e
restaurantes).
3. Indústrias que utilizam o pescado em todo ou em partes
como matéria prima de produtos de maior valor agregado.
Localização
A escolha do local é importantíssima neste negócio.
Ela irá determinar o porte físico do empreendimento,
seus custos de instalação e manutenção,
e conseqüentemente, a própria viabilidade técnica
e financeira do negócio. Dentre os principais fatores para
escolha do local o empreendedor deve realizar uma avaliação
detalhada dos seguintes aspectos:
-Existência de mercado consumidor para a sua produção.
-Existência de água suficiente para abastecer os viveiros;
-Existência de lugares adequados para a construção
de viveiros;
-Existência de lagoa ou açude no local;
-Adequação do terreno para a retenção
de água (argiloso, por exemplo);
-Existência de fornecedores de alevinos e outros insumos
básicos (sementes, rações, etc) nas proximidades;
Adicionalmente, dada a natureza do negócio, e do produto
final, é essencial a observação de determinadas
normas básicas de higiene e fitosanitárias mínimas
para sua implantação, localizando o empreendimento
longe de fontes poluentes como mananciais sujeitos a despejos de
indústrias químicas, ou de resíduos agrotóxicos,
utilizados em plantações.
Recomenda-se que seja consultado um centro tecnológico de
aqüicultura da região para uma orientação
mais detalhada sobre a localização, bem como as informações
técnicas para construção do criatório
como: topografia, tipo de solo, a quantidade e a qualidade da água,
as condições climáticas da região e
as características da vegetação (áreas
de preservação), além de fatores ligados à
logística do empreendimento, como facilidade de acesso e
proximidade a grandes centros.
Exigências legais específicas
a) Registro da empresa nos seguintes órgãos:
-Junta Comercial;
-Secretaria da Receita Federal (CNPJ);
-Secretaria Estadual de Fazenda;
-Prefeitura do Município para obter o alvará de funcionamento;
-Enquadramento na Entidade Sindical Patronal (empresa ficará
obrigada a recolher anualmente a Contribuição Sindical
Patronal);
-Cadastramento junto à Caixa Econômica Federal no sistema
“Conectividade Social – INSS/FGTS”.
-Corpo de Bombeiros Militar.
b) Visita a prefeitura da cidade onde pretende montar o seu negócio
para fazer a consulta de local;
c) Obtenção do alvará de licença sanitária
- Adequar às instalações de acordo com o Código
Sanitário (especificações legais sobre a
condições físicas). Em âmbito federal
a fiscalização cabe a Agência Nacional de Vigilância
Sanitária, estadual e municipal fica a cargo das Secretarias
Estadual e Municipal de Saúde. (quando for o caso)
2ª Etapa:
Preparar e enviar requerimento ao Chefe do DFA/SIV do seu Estado
para, solicitando a vistoria das instalações e equipamentos.
A legalização da atividade de piscicultura é
fator tão importante quanto qualquer outro fator produtivo,
pois viabilizará a finalização do
processo, que é a comercialização.
O produtor rural, que explora a atividade na condição
de pessoa física, é denominado Empresário Rural;
quando explora a atividade
na condição de pessoa jurídica, o produtor
rural é denominado Sociedade Empresária Rural. Esta
definição será determinante na
forma de registro do empreendimento. Um Contador Profissional poderá
ajudá-lo a escolher a melhor forma de registro, além
de
auxiliá-lo na escolha do regime tributário mais adequado.
Na legalização junto ao Departamento de Meio Ambiente
Estadual, é necessária a obtenção das
licenças ambientais para instalação e
operação da atividade e caso seja necessário
o desmatamento da área, deve-se solicitar licença
ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente - IBAMA. Após a
construção das instalações e obtenção
da licença de operação, faz-se necessário
o registro como piscicultor junto ao Ministério da Agricultura.
O ordenamento jurídico brasileiro institui o regime de
fiscalização sanitária para atividades econômicas
ligadas aos segmentos de alimentos, principalmente quando derivados
de produtos de origem animal. A criação de animais
para abate é atividade inserida na cadeia de produção
de alimentos. Diante disso se sujeita á fiscalização
sanitária e responsabilidade técnica. Fiscalização
sanitária – O registro do estabelecimento no SIF –
Serviço de Inspeção Federal somente é
obrigatório para empresas que executam atividades
de recepção, manipulação e expedição
de produtos de origem animal (Lei nº1283/50). Empresas que
executam atividades de mera criação de animais não
estão obrigadas á obtenção de registro
do estabelecimento junto ao SIF.
Responsabilidade técnica – A criação
de animais para abate está sujeita à responsabilidade
técnica a cargo de médico veterinário, por
força do disposto na Lei nº. 5.517/68
- Avaliação e Seleção de Locais para
Projetos de Piscicultura
- Lei nº. 6.938 de 30/08/81. Política Nacional do Meio
Ambiente.
- Lei nº. 6.902/81. Estações ecológicas
e áreas de proteção ambiental.
- Lei nº. 7.661/98 Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro.-
Decreto nº. 4.895 de 25/11/2003. Dispõe sobre a autorização
de uso de espaços físicos de corpos d'água
de domínio da União para fins de aqüicultura,
e dá outras providências.
- Lei nº. 9.605 de 12/02/1998. Sanções penais
e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao
meio ambiente.
- Resolução CONAMA nº. 004 de 18/09/85. Define
reservas, áreas de preservação permanente e
dá outras providências.
- Lei nº. 4.771, de 15/09/65 (Código Florestal ) Construção
de Empreendimentos para Piscicultura
- Resolução CONAMA nº. 20 de 18/06/86 –
Estabelece classificação das águas doces, salobras
e salinas de modo a assegurar seus usos e qualidade.
- Resolução CONAMA nº. 237 de 19/12/1997. Licenciamento
Ambiental;- Lei nº. 4.771, de 15/09/65 (Código Florestal)
Alimentos e Práticas de Alimentação
- Decreto nº. 55.871 de 26/03/65. Determina limites máximos
de tolerância para contaminantes inorgânicos que podem
ser encontrados nos alimentos.
- Lei nº. 6.198, de 26/12/1974. Dispõe sobre a inspeção
e a fiscalização obrigatórias dos produtos
destinados à alimentação animal e dá
outras providências.
- Decreto nº. 76.986, de 06/01/1976. Regulamenta a Lei n.º
6.198, que dispõe sobre a inspeção e a fiscalização
obrigatória dos produtos destinados à alimentação
animal e dá outras providências.
- Resolução CONAMA nº. 20 de 18/06/86 –
Estabelece classificação das águas doces, salobras
e salinas de modo a assegurar seus usos e qualidade.- Instrução
Normativa no 001/SARC/MAPA de 13/02/03. BPA (Boas Práticas
de Armazenagem para rações) Biossegurança Legislação
Pertinente
- Portaria nº. 451 de 19/09/1997. Da Secretária Nacional
de Vigilância Sanitária/MS Direitos e Segurança
de Outros Usuários de Recursos Hídricos
- Lei nº. 9.433, de 08/01/1997. Institui a Política
Nacional de Recursos Hídricos e cria o Sistema Nacional de
Gerenciamento de Recursos Hídricos.
Estrutura
Alguns fatores são primordiais para o sucesso de uma criação
de peixes, dentre eles a qualidade do produto, o preço competitivo,
a
localização adequada, a facilidade para distribuição
e comercialização e a diversificação
de espécies. E de todos esses fatores, a qualidade sanitária
do produto é a principal. Para isso, são essenciais
os cuidados veterinários com a criação, a limpeza
geral dos tanques, a boa saúde dos empregados e a qualidade
das rações, além de boas instalações
e manutenção adequada.
Em relação à localização, os
especialistas em aqüicultura do Ibama, Carlos Eduardo Martins
de Proença e Paulo Roberto Leal Bittencourt, informam no
livro Manual de Piscicultura Tropical, que os principais recursos
e condições requeridas para sucesso de um projeto
de piscicultura são:Topografia. A localização
determina, essencialmente, a viabilidade econômico-financeira
do investimento no que se refere ao trabalho de movimentação
de terra na construção das instalações.
Em áreas de topografia praticamente plana esses trabalhos
serão minimizados. Em terrenos acidentados, evidentemente,
haverá maior volume de trabalho de terraplanagem. É
a topografia que determinará o volume de terra a ser movimentado
na construção das instalações. Dela
sairão os condicionantes de tipo, superfície, forma
e o número de viveiros. De um modo geral, terrenos com inclinação
de até 5% são os mais indicados, por serem menos onerosos
e possibilitarem maior superfície de área inundada.
Ainda neste fator deve-se observar a distância e a cota entre
o ponto de captação da água e o local dos tanques
e viveiros, correlacionando-se essa cota com o nível mais
elevado da área de tanques, de modo a permitir o abastecimento
de água através da gravidade.Em resumo, será
necessária, para a construção do parque aquático,
determinar a declividade do terreno, a diferença de nível
existente nos diversos pontos que delimitamos viveiros e a linha
de contorno e a medida horizontal e angular.
Os equipamentos utilizados na medição da área
vão de uma simples trena, mangueira transparente e estacas
de madeira até o teodolito, que é o instrumento mais
apropriado para esse tipo de trabalho.Para se atingir um levantamento
topográfico acurado do terreno deve-se proceder à
fixação de uma referência de nível e
da linha Norte-Sul. Também deve-se determinar a poligonal
de apoio, ou seja, a linha poligonal de contorno da área,
as dimensões, rumos e ângulos dos lados dessa poligonal.
Pôr último, deve-se plotar as curvas de nível
a cada metro de desnível do terreno. Com estas ações
serão obtidos a área e o perfil do terreno.O levantamento
deve incluir, ainda, o cadastro dos chamados elementos notáveis
existentes no terreno, como postes, divisas e riachos, entre outros.
Deve-se evitar que o local para implantação do projeto
apresente falhas, grandes formigueiros, afloramento de rocha e raízes
de árvores de grande porte.Solo.
O solo mais adequado para tanques e viveiros é o que apresenta
condições intermediárias entre o arenoso e
o argiloso. É necessário que ele tenha boa estrutura,
que favoreça a escavação do tanque e permita
compactar as paredes e o fundo para evitar a infiltração
excessiva de água. É importante observar que a terra
com predominância de argila é mais difícil de
ser escavada e favorece o aparecimento de rachaduras no tanque,
quando este é esvaziado.
Já o solo muito arenoso não possui boa capacidade
de retenção de água, favorecendo a infiltração
do terreno. Quantidade de águaA atividade de piscicultura
demanda água de alta qualidade e com quantidade abundante.
O volume de água necessário é calculado em
função da área e da profundidade do viveiro.
Em um viveiro de 1 ha e de profundidade média de 1,5 m, são
necessários 15.000 m3 (metros cúbicos) de água.
Para um viveiro com estas dimensões é recomendável
que o enchimento ocorra em 72 horas, portanto a vazão deve
ser superior a 38,6 lis. Fórmulas para o cálculo de
vazão podem ser encontradas em livros de física ou,
especificamente, no livro do Ibama "Manual de Piscicultura
Tropical". Depois do enchimento de um tanque ou viveiro, a
colocação de água deve ser promovida exclusivamente
em três situações: para compensar perdas pela
evaporação, recuperar o volume perdido com infiltrações,
ou recupera a taxa de oxigênio da água, caso seja detectada
uma deplexão.
Tipos de instalação
As instalações empregadas em um projeto de exploração
racional de peixes podem ser compostas pôr viveiros ou tanques.
Antes de se iniciar a construção de um açude
ou de tanques, deve-se efetuar o planejamento de todas as etapas
a cumprir, especialmente no caso dos viveiros. Ainda segundo o Manual
de Piscicultura Tropical, com base no relevo, tipo de solo, e características
da bacia hidrográfica é que será estabelecido
o Iayout do conjunto.
Isto significa que a disposição do açude
e, ou viveiros será feita em função dos pontos
de captação da água, da avaliação
dos serviços de terraplanagem e da quantificação
e dimensionamento do orçamento prévio estimativo das
obras.Segundo os autores do manual
"existem situações que permitem, inclusive, a
utilização integrada de açudes e viveiros".
Além da necessidade de conciliar a disposição
dos viveiros com o mecanismo de abastecimento pôr ação
da força da gravidade, é importante planejá-los
de maneira que a maior dimensão dos tanques seja paralela
às curvas de nível do terreno para promover economia
no trabalho de terraplanagem.Viveiros - são reservatórios
escavados em terreno natural, dotados de sistemas de abastecimento
e de drenagem. Estruturalmente são divididos em viveiros
de barragem (açudes) e de derivação.
Viveiros de barragem - são construídos a partir do
erguimento de um dique ou barragem capaz de interceptar um curso
de água. Em geral são utilizados pequenos vales para
sua alocação. Entre as vantagens deste tipo de viveiro
está o baixo custo de sua construção. Apresentam,
porém, uma série de aspectos negativos.
O primeiro deles é o fato de não se ter um controle
efetivo da quantidade de água, com o constante perigo de
rompimento da barragem, em função das contribuições
recebidas pôr fortes chuvas. Estas instalações
apresentam ainda dificuldade no manejo, especialmente no que se
refere à adubação, alimentação
artificial e despesca.
Viveiros de derivação - geralmente são construídos
em terrenos que apresentam grande declividade ao longo do curso
d'água, mas em pontos onde é fraco o declive transversal
do terreno. Tanto o abastecimento, quanto a drenagem deste tipo
de instalação são feitos pôr meio de
canais. As principais vantagens deste tipo de viveiro são
a facilidade de manejo e o controle da entrada e saída do
fluxo de água.Tanques
- A principal diferença deste tipo de instalação
para os viveiros é que têm o fundo revestido em base
de alvenaria, pedra, tijolo ou concreto. Inicialmente foram empregados
como berçários, mas tornaram-se obsoletos nesta função.
São recomendáveis para terrenos arenosos e com grande
infiltração. Seu custo de produção é
alto e se contrapõe à baixa produtividade. A principal
desvantagem dos tanques é que, pelo fato de serem revestidos,
não desenvolvem os microorganismos necessários à
alimentação dos peixes.
Nos locais onde ocorrem muitas variações de temperatura,
é recomendável que a profundidade dos tanques seja
aumentada em 0,50 m, para evitar grandes oscilações.'
Estas mudanças não são sentidas principalmente
no fundo (geralmente com 1,70 m) onde a maior parte dos peixes se
refugia, porque lá a temperatura da água costuma manter-se
homogênea e estável. O tamanho do tanque varia de acordo
com a quantidade de peixes que se deseja criar.
Outros condicionantes são a oferta de água e a quantidade
de matéria orgânica disponível na propriedade.
Para os viveiros de alevinaciem a área ideal está
na faixa de 2.000 a 5.000 m2.
Pessoal
Caso o empreendedor resida no local onde for instalar sua criação
e dependendo do porte do seu criatório, ele poderá
trabalhar com um ou dois auxiliares de início. É importante
ressaltar que a piscicultura necessita de dedicação
integral por parte de quem a controla. Para dimensionar a mão-de-obra
necessária para um projeto de piscicultura o empreendedor
deve considerar três categorias:
a) Administrador em tempo integral com treinamento para o gerenciamento
de empreendimento em piscicultura.
b) Mão-de-obra permanente: Em geral de três a quatro
trabalhadores para um pequeno empreendimento.
c) Mão-de-obra eventual: visa atender às necessidades
complementares de mão-de-obra especialmente para as tarefas
de manutenção, limpeza e trabalho extraordinário
na época de despesca.
Equipamentos
Dependendo da estrutura escolhida, uma criação de
peixes irá necessitar dos seguintes equipamentos:
-Barco
-Trator de 66 cv.
-Veículo de carga de 3 a 4 toneladas
-Bomba dágua
-Compressor
-Máquina para alimentar
-Máquina de moer
-Misturador de alimentos
-Aerador de 2HP
-Roçadeiras
-Carrinhos de mão, foice, pá e picaretas
-Freezer
-Caixas de isopor
-Balanças
-Caixas de fibro
-cimento
-Redes fixas, de arrasto, tarrafas e peneiras
-Termômetros
Além da necessidade de uma residência para os empregados,
um escritório,uma oficina e galpão para estocagem
e manuseio de rações e medicamentos para os peixes
e produtos químicos.A existência de instalação
de rede elétrica externa (propriedade com de eletrificação
rural) é essencial para o empreendimento.
Matéria Prima / Mercadoria
Um fator importantíssimo na escolha da espécie ideal
para o cultivo é a preferência do mercado consumidor.
Contudo, para que uma espécie de peixe seja considerada adequada
para o cultivo, ela deve apresentar algumas características
específicas. A primeira destas
características é que a espécie deve ser facilmente
propagável, natural ou artificialmente, isto é, poder
produzir anualmente um grande
número de alevinos. Também é importante apresentar
bom crescimento.
As orientações técnicas também indicam
a necessidade destas espécies apresentarem um hábito
alimentar onívoro, herbívoro, iliófago, detritívoro,
filoplantófago, zooplantófago ou plantófago.
Se a espécie for carnívora, ela deverá ser
de alto valor comercial e aceitar alimento não-vivo, de preferência
ração peletizada.
A seguir, de forma bastante resumida, será apresentado às
características das espécies mais facilmente encontradas
nas unidades
produtoras de alevinos no Brasil.Vale relembrar que os técnicos
das empresas de manejo e mesmo das associações de
aqüicultores têm
informações mais completas sobre estas espécies
(VIDE ESPECIES CATALOGADAS – Universidade Estadual Paulista
em http://www.caunesp.unesp.br/).
Tilápia.- É um peixe que se reproduz com muita facilidade,
mesmo em tanques, apesar de não apresentar um ritmo de crescimento
muito rápido. Os meses frios (maio a julho) são desaconselháveis
para a reprodução, pois os animais ficam praticamente
em repouso. Em propriedades onde se pretende realizar 2 ciclos de
engorda, iniciar o primeiro ciclo de reprodução em
fevereiro e o segundo em agosto. Para um só ciclo de engorda,
iniciar a reprodução em Janeiro.
Tilápia nilótica - Entre as várias espécies
existentes, esta é a mais utilizada para o cultivo, por apresentar
um melhor desempenho, principalmente os machos. É um peixe
africano muito rústico e com carne saborosa. Possui hábito
alimentar planctófago, do plâncton e em menor proporção
de detritos orgânicos, aceita bem rações artificiais.
Atinge cerca de 400g a 600g no período de seis a oito meses
de cultivo. É também utilizado como peixe forrageiro,
servindo de alimento na criação de peixes carnívoros.
A maior restrição ao seu cultivo é sua reprodução
precoce, a partir de quatro meses de idade, o que gera o superpovoamento
de tanques. Este problema pode ser contornado com a utilização
apenas de alevinos machos, sexados (separar macho e fêmea)
manualmente ou revertidos através de hormônio sexual,
encontrados facilmente encontrados em vários fornecedores
de alevinos.
Carpa comum - Espécie bastante difundida em todo o mundo,
de origem asiática. Tem boa resistência a doenças,
facilidade de manejo e reprodução. Suas variedades
mais cultivadas são: a carpa espelho, a carpa escama e a
carpa colorida. Tem hábitos alimentares bentófago
e onívoro. Preferindo pequenos vermes, minhocas e moluscos,
além de ração. Apresenta crescimento rápido,
atingindo cerca de 1,5 kg em um ano. Reproduz-se em viveiro.
Carpa prateada - Tem baixo custo de produção e pode
ser consorciada com outros peixes, como a carpa comum, por exemplo.
Carpa cabeça grande.
Índices produtivos semelhantes à carpa prateada e
produz mais quando consorciada com esta. Alimenta-se de algas e
zooplâncton.
Não aceita bem outros tipos de alimentos e rações.
Peixe de carne magra e saborosa, tem boa velocidade de crescimento,
podendo atingir até 2 kg em um ano. No Brasil, os machos
atingem a maturidade sexual com dois anos e as fêmeas com
três anos de idade. Em cativeiro a reprodução
é artificial pelo processo de hipofisação.
Tambaqui - Peixe muito apropriado para o cultivo, pois apresenta
carne saborosa, crescimento rápido, fácil manuseio
e grande rusticidade. Em condições ideais de criação
em cativeiro, o tambaqui chega a atingir 1,4 Kg em um ano. A espécie
é originária da Amazônia e, por isso, resiste
pouco ao frio. Temperaturas inferiores a 15ºC causam alta mortalidade.
A reprodução natural ocorre quando atinge cerca de
55 cm de comprimento e idade entre 4 e 5 anos, à época
das chuvas. Em condições de cultivo, são utilizados
reprodutores com idades superiores a 3 anos. A técnica de
reprodução artificial é conhecida, podendo
ser efetuada até 2 vezes por ano por fêmea. A alimentação
do tambaqui é do tipo onívora, ou seja, é baseada,
principalmente, no consumo de frutas, sementes e organismos aquáticos
de pequeno porte. Em sistemas de cultivo, aceitam muitos tipos de
alimentos como grãos, frutos, batatas, subprodutos agrícolas,
dejetos de animais domésticos e rações. Existem,
inclusive, algumas empresas que oferecem rações com
o requerimento nutricional específico para o tambaqui.
Curimatã ou Curimbatá - Tem hábito alimentar
adequado para piscicultura, pois se alimenta de matéria orgânica
viva ou morta, que se deposita no fundo do tanque. Pode atingir
até 800 gramas em um ano.
Tambacu - Obtido através do cruzamento entre fêmea
de tambaqui e macho de pacu. Tem rápido crescimento e adapta-se
melhor a climas mais frios, com temperaturas inferiores a 20ºC.
A criação deve ser controlada, pois se o híbrido
escapar, pode ameaçar as
duas espécies das quais se originou. Em viveiros obtém-se
um bom resultado com ração extrusada. Recomenda-se
densidade no tanque de um peixe por metro cúbico. Na criação
intensiva, consorcia-se com outras espécies. Por se tratar
de um peixe de hábitos alimentares de superfície,
convive muito bem com espécies de fundo tais como a carpa
ou curimatã.
Sua comercialização visa atender pesqueiros e clubes
de pesca, sendo vendido preferencialmente com peso entre 800g e
1,5 Kg. TraíraTem carne saborosa e conhecida, mas seu manejo,
principalmente com outros peixes, é difícil. É
a espécie mais cultivada no sistema de tanque-rede, alcançando
bons resultados.
Matrinchã - Espécie de carne rosada e bastante apreciada.
Tem coloração dourada no dorso e prateada nos flancos.
As nadadeiras são
vermelhas, justificando um de seus nomes indígenas: “piraputanga”,
que significa “peixe vermelho”. Pode chegar a 60 cm
de comprimento. No seu ambiente natural alimenta-se de sementes
e frutos. Atualmente, tem sido introduzido na piscicultura em cativeiro
em regime intensivo, obtendo grande resultado quanto ao crescimento
e à comercialização. Em cativeiro aceita muito
bem a ração extrusada (25% proteína bruta),
podendo atingir, com bom manejo, até 1 Kg em um ano de idade.
Sua comercialização tem como principal mercado o setor
de Pesque-Pague, justamente por ser um peixe altamente esportivo.
Tucunaré - Originário da Bacia Amazônica,
hoje aclimatado em quase todas as regiões do Brasil, tem
características de agressividade e
predador nato. Atualmente, vem sendo introduzido em clubes de pesca,
com grande apelo junto ao público por causa de sua esportividade.
Sua carne é de qualidade, considerada nobre e de paladar
requintado. Por ser um peixe carnívoro, é recomendado
para
povoamento de represas, açudes ou tanques, onde haja super
população de outras espécies, como tilápia
e o lambari, que servirão de
alimentação natural para ele, mantendo o equilíbrio.
Na prática o Tucunaré é criado sem despesas
adicionais, pois alimenta-se dos organismos vivos disponíveis
na água do tanque, não aceitando rações
ou similar. O que determina as diversas cores do Tucunaré
é o local e a água onde vive. É comum, em todos
os tipos, a mancha que lembra um olho, na base da cauda. Esta espécie
consegue se reproduzir em água parada, com desova anual,
fazendo ninho e cuidando dos filhotes. Normalmente, sua ninhada
é pequena. Tendo boa disponibilidade de alimentação,
chega a atingir de um a 1,2 Kg em um ano. A alevinagem é
feita a partir da captura de desova natural.
Surubim - Existem duas espécies em cultivo comercial, atualmente,
no país, o surubim pintado e o surubim cachara. O surubim
pertence a ordem Siluriforme, a mesma dos bagres e mandis, apresentando,
como principais características, o corpo desprovido de escamas,
que o classifica como”peixe de couro”, e a presença
de barbilhões perto da boca, que o auxilia na busca de alimentos.
Os surubins apresentam ferrões nas nadadeiras dorsal e peitoral,
mas não têm toxinas, como no caso dos mandis. O cachara
pode atingir até 30 quilos de peso e possui o corpo ornado
com listras verticais escuras. O pintado, como diz o nome, apresenta
pintas escuras pelo corpo. Os surubins são peixes de piracema,
ou seja, percorrem longos trechos em direção às
nascentes dos rios, para se reproduzirem. São peixes de desova
total que é realizada uma única vez no ano. Uma fêmea
adulta chega a desovar de 70 mil a 80 mil ovos por quilo corporal.
Esta alta fecundidade compensa a baixa sobrevivência de larvas
e alevinos, muito sujeitos à predação no ambiente
natual. A reprodução do surubim em cativeiro, a exemplo
de outros peixes de piracema, só é possível
pela indução da desova, através da aplicação
de hormônios. O hábito alimentar dessas espécies
é carvívora-piscívoro, ou seja, se alimentam
de outros peixes menores. Para o cultivo em cativeiro, os alevinos
têm que ser habituados ao consumo de ração comercial
para peixes carnívoros. Os surubins alimentados com ração
comercial apresentam crescimento rápido e boa conversão
alimentar. Consomem cerca de 1,5 Kg a 2,0
Kg de ração para engordar um quilo e atingem de 3
Kg a 4 Kg com 12 a 14 meses de idade. São peixes que toleram
bem a baixa
disponibilidade de oxigênio na água, o manuseio durante
a despesca e o transporte vivo por longas distâncias. O rendimento
do filé da
espécie chega a 50%, bastante superior às demais espécies
cultivadas.
Dourado - O dourado pertence à ordem Characiforme, que
engloba várias espécies de escama, encontrados nos
rios brasileiros. Com
exceção dos rios da bacia amazônica, o dourado
encontra-se presente na maioria das bacias hidrográficas
do país. Apresenta corpo
amarelo-ouro cintilante e dorso dourado-esverdeado. As fêmeas,
normalmente, são maiores que os machos, podendo atingir 110
cm de
comprimento e peso de até 25 Kg. O dourado também
é um peixe de piracema, com desova semelhante à do
surubim, de 70 mil a 80 mil ovos por quilo de peso corporal, o que
compensa a alta predação natural de larvas e alevinos.
A desova artificial é induzida por
hormônios. Mas, ocorre um gargalo na exploração
comercial desse peixe, por causa de sérias dificuldades no
desenvolvimento das
pós-larvas em alevinos.O dourado é um peixe tipicamente
carnívoro e alimenta-se, no seu habitat, de peixes menores,
como lambaris,
piraputangas, curimbatás e outros. Para criação
comercial em cativeiro, os alevinos são treinados para consumir
rações comerciais
para peixes carnívoros. Dourados atingem cerca de 0,8 Kg
a 1 Kg, com 10 a 12 meses de engorda. Sua conversão alimentar
é mais
dispendiosa do que a do surubim, sendo necessários 1,8 Kg
a 2 Kg de ração para engordar um quilo. O dourado
deve ser manuseado com cuidado para transporte vivo, pois é
bem suscetível ao mau, manejo. Pode não resistir ao
transporte, acarretando altas taxas de mortalidade nos tanques,
se sofrer muito estresse.
Truta - É um peixe originário dos rios e lagos gelados
da América do Norte. Foi disseminada, em seguida, para países
da Europa, Japão, Argentina e Chile, sendo introduzida no
Brasil por volta de 1940, com ovas trazidas da Dinamarca, levadas
primeiramente para algumas regiões do Estado do Rio de Janeiro.
Existem vários tipos de trutas: a Marrom, a Fontinalis, a
Tigre, a Apache e a Arco-íris, sendo esta última a
mais adaptada ao clima brasileiro, com boa resistência a doenças
e fácil adaptação à alimentação
artificial. A criação da truta é feita no sistema
intensivo, em tanques de alvenaria, concreto ou revestido de pedras
não porosas, como a ardósia. A truta é um Salmonídeo,
ou seja, da mesma família do Salmon e, por isso, sua sobrevivência
depende de muitas peculiaridades, como clima ameno, altitudes superiores
a 1.000 metros e água cristalinas, muito oxigenadas e com
temperaturas baixa, inclusive no verão.
Organização do processo produtivo
A cadeia produtiva da piscicultura compreende as seguintes etapas:
Produção (instalação do cultivo, povoamento,
engorda, despesca e abate), Processamento (Limpeza, classificação,
pesagem, embalagem, congelamento e estocagem) e Comercialização.
Produção - Entre as tecnologias utilizadas na produção
de pescado contam-se os sistemas semi-intensivos, que incluem técnicas
de exploração com baixa renovação da
água (menos de 5% ao dia) e nível baixo de monitoramento
de sua qualidade, contando-se apenas o monitoramento de sua transparência
e, em conseqüência, com uma produtividade anual por hectare
inferior a 5.500 Kg de peixe e baixa rentabilidade. Outro sistema
semi-intensivo possível de ser desenvolvido incorpora mais
tecnologia, com uma taxa de renovação
da água do viveiro entre 5% e 10% ao dia, nível intermediário
de monitoramento da qualidade da água, com acompanhamento
de sua
transparência, das temperaturas máxima e mínimas,
pH e níveis de alcalinidade, e uso de viveiros-berçários,
de forma a aumentar a taxa
de sobrevivência dos alevinos, obtendo-se produtividade anuais
médias entre 6 mil a 10 mil Kg/ha/ano.Por último,
tem-se o sistema
intensivo de criação.
Caracteriza-se por uma tecnologia de produção que
envolve a renovação de mais de 10% da água
do viveiro por dia, intensivo monitoramento da qualidade da água,
acompanhando-se a transparência, temperaturas máximas
e mínimas, pH, alcalinidade, oxigênio dissolvido e
amônia, somando o uso de aeradores na proporção
de 4 HP/ha e o uso de viveiros berçários, alcançando
a produtividade média anual acima de 10 mil Kg/ha.Algumas
considerações técnicas:
-A quantidade e a qualidade da água deverão ser observadas
constantemente. Temperaturas altas diminuem a quantidade de oxigênio
disponível na água;
- O esterco deverá ser usado com moderação,
pois poderá diminuir os níveis de oxigênio;
-Ao afundarmos um objeto claro na água, ele deverá
desaparecer entre 15cm e 30cm de profundidade. Isso demonstra que
existe matéria orgânica dissolvida no tanque;
-O uso de ração balanceada aumenta a higiene do tanque
e, consequentemente, a qualidade do peixe. Neste sistema, a densidade
também poderá ser maior;
-A ração granulada, atualmente, é a mais utilizada,
porque se dissolve pouco na água, não ocasionando
perdas excessivas;
-O policultivo consiste em criação em consórcio
de duas ou mais espécies. É aconselhável que
sejam escolhidas espécies com hábitos alimentares
diferentes, para melhor aproveitamento do alimento.
Processamento - Em relação à fase de Processamento,
a conservação do Pescado é uma das etapas mais
críticas, uma vez que a decomposição instala-se
muito mais rapidamente em pescados do que na carne de outros animais.
Os peixes durante sua captura sofrem morte lenta e considerável
dano mecânico da pele, dentro das redes. Estes danos mecânicos,
em um ambiente rico de microorganismos como a água, antecipam
sensivelmente o início da deterioração.Existem
numerosos métodos de conservação de pescados.
Alguns se aplicam especialmente a certos tipos de pescados, outros
têm aplicação limitada a determinadas regiões
e grupos populacionais que os apreciam. Serão citados aqui
os métodos mais comuns de aplicação mais geral.
1 – Conservação por refrigeração:
1.1 – Refrigeração com emprego de gelo;
1.2 – Refrigeração pelo emprego de líquido
refrigerante;
1.3 – Refrigeração por emprego de ar circulante;
1.4 – Conservação por congelamento;
1.5 – Congelamento pelo emprego de ar circulante;
1.6 – Congelamento pelo emprego de líquidos frios;
1.7– Congelamento por contacto com superfícies frias;
e
1.8– Congelamento por imersão em líquido refrigerante
em ebulição.
2 – Conservação por salga:
2.1 – Salga seca; e
2.2 – Salga úmida.
3 – Defumação;
4 – Fermentação;
5 – Enlatamento;
6 – Embutidos; e
7 – Farinha de peixe.
Todos os processos de conservação de pescado visam
o armazenamento dos peixes para consumi-los em outras épocas.
Conforme o método que se usa, também se agrega valor,
além de preservá-lo.Para se avaliar o método
mais adequado à conservação, é necessário
que seja feita uma análise técnica da situação
em questão, definindo-se o processo mais apropriado.
Comercialização - Vide canais de distribuição.
Automação
O controle dos parâmetros da água nos tanques é
de grande importância para o sucesso de um empreendimento
de criação de peixes. Estes parâmetros estão
associados ao monitoramento da temperatura, oxigênio dissolvido,
pH e condutividade da água. Manter estes parâmetros
sob controle é um fator crítico de sucesso para o
aumento de peso, diminuição do “stress”
que resulta em melhoria do produto final, acelerar o crescimento,
etc.
Essas grandezas podem ser mantidas sob controle por meio de um
sistema de automação que tem ação de
correção dos desvios em relação a faixa
de variação aceitável, dentro da qual a atividade
se torna mais rentável. Estes sistemas permitem uma enorme
economia de insumos, tempo e energia ao racionalizar as ações
corretivas e dispará-las apenas em caso de necessidade, preventivamente,
e não corretivamente, caso em que o desperdício se
faz presente;
Ressaltando que uma vez estabilizados e sob controle estes parâmetros,
garantem uma qualidade maior do produto e uma produtividade muito
mais elevada. Outra vantagem do uso da automação é
o controle dos custos operacionais e a possibilidade de integração
desse sistema a um software que possa fornecer informações
não só sobre a qualidade de água, mas também
informações sobre:
-Controle da entrada de peixes (alevinos ou juvenis)
-Alimentação
-Controle do estoque de ração
-Controle da sanidade dos peixes:
-Controle de medicamentos
-Controle Biométrico
-Custo de Produção
Em relação às funções administrativas
do empreendimento (contas a receber, contas a pagar, compras, gestão
do estoque, etc.), estas também podem ser automatizadas através
da utilização de softwares específicos para
empreendimentos de agronegócio, disponíveis no mercado.
Canais de distribuição
Por diversas razões, dentre elas a falta de uma estrutura
de distribuição e armazenamento (frigorífico),
falta do selo de inspeção
sanitária, dentre outros fatores, muitos produtores acabam
comercializando o peixe "in natura" nas feiras livres,
peixarias ou
pesques-pague, com baixo índice de retorno.
Quando devidamente legalizada a produção pode ser
comercializado junto a bares, lanchonetes, restaurantes, hotéis
e supermercados, geralmente consumidos por uma população
de maior poder aquisitivo, que demanda espécies mais nobres.
A comercialização também pode ser feita, para
o produto de maior valor agregado, ou que receba alguma forma de
beneficiamento.
Dentre as inúmeras formas de beneficiamento do pescado
destacamos:
• Peixe inteiro eviscerado
• Peixe em posta
• Filé de peixe
• Peixe defumado
• Fishburguer
• Costelinhas, almôndegas e quibe
• Patê congelado e defumado
• Peixe salgado
• Caldo de peixe
Do peixe ainda podemos beneficiar as peles através do curtimento,
produzir a farinha de peixe e extrair a hipófise glândula
sexual utilizada no estímulo à propagação
artificial de peixe de piracema.
Investimentos
A piscicultura assume diversas formas, desde aquelas onde a criação
de peixes destina-se ao consumo do próprio do produtor rural
e
sua família ou pelos membros de uma cooperativa ou ainda,
a piscicultura destinada à criação de alevinos
para a venda a outros
piscicultores.Existe um terceiro tipo de piscicultura que é
aquela realizada em escala industrial, para comercialização
em grandes
quantidades e de forma regular, chamada de piscicultura industrial.
Ela envolve a implantação de viveiros de peixes,
local adequado demandando um investimento inicial considerável
em instalações,
equipamentos, além de conhecimentos técnicos e mercadológicos.Os
investimentos iniciais dependem diretamente do sistema de produção
adotado. A maior parte dos custos (80%) é gerada pelos serviços
de terraplanagem e escavações dos viveiros. A aquisição
de máquinas e equipamentos geralmente corresponde a 20% do
projeto.
Em média, pode-se considerar um investimento inicial na
faixa de 10 a 15 mil dólares por hectare (10.000m²)
de projeto instalado.Em relação a construção
de viveiros, existem diversas formas de construção.
Deve-se optar pelo modelo mais propício ao terreno disponível
e de menor custo possível.
Os viveiros ideais para a prática da piscicultura apresentam
forma retangular, com abastecimento e drenagem localizadas em faces
opostas no sentido de seu comprimento e profundidade média
de 1,0m com um leve desnível (0,5 A 1,0%) em seu fundo, visando
favorecer a remoção de metabólitos e facilitar
o manejo necessário.
O sistema de drenagem deve ser planejado de forma a drenar a água
de fundo, que apresenta menores níveis de oxigênio
e maiores concentrações de amônia e metabólitos.
São exemplos de viveiros:
o de barragem (intercepção de um curso de água)
o parcialmente circulado com diques;
o totalmente circundado com diques;
viveiros por derivação (escavado);
o viveiro-berçario (produção de alevinos)
e
o de tanque-rede.
Graças à regulamentação do uso das
águas públicas pelo governo (DECRETO N o 4.895, DE
25 DE NOVEMBRO DE 2003) o cultivo de peixes em tanques-redes em
barragens, represas, etc. da União tem-se tornando uma atividade
bastante atrativa em vista da considerável redução
do investimento requerido em relação aos sistemas
tradicionais.
Considerado um sistema superintensivo de produtividade, onde os
peixes são cultivados de forma adensada dentro dos próprios
tanques-rede, esta modalidade de cultivo faz a diferença
para muitos piscicultores. Os motivos são óbvios:
altas produtividades e
racionamento dos custos de produção, principalmente
o uso de mão-de-obra e as despescas (retirada dos peixes
do tanque e pesagem
para comercialização).
O tanque-rede é um contedor onde os peixes são criados
em regime de confinamento, de modo que permaneçam presos
em seu interior sem se dispersarem no meio aquático. Como
em outras formas de produção, recomenda-se que seja
consultado um centro tecnológico de aqüicultura da região
para uma orientação mais detalhada.
Capital de giro
Capital de giro é um montante de recursos financeiros que
a empresa precisa manter para garantir a dinâmica do seu processo
de negócio.
O capital de giro precisa de controle permanente, pois tem a função
de minimizar o impacto das mudanças no ambiente de negócios
onde a empresa atua.
O desafio da gestão do capital de giro deve-se, principalmente,
à ocorrência dos fatores a seguir:
-Variação dos diversos custos absorvidos pela empresa;
-Aumento de despesas financeiras, em decorrência das instabilidades
desse mercado;
-Baixo volume de vendas;
-Aumento dos índices de inadimplência;
-Altos níveis de estoques.
O empreendedor deverá ter um controle orçamentário
rígido de forma a não consumir recursos sem previsão.
O empresário deve evitar a retirada de valores além
do pró-labore estipulado, pois no início todo o recurso
que entrar na empresa nela
deverá permanecer, possibilitando o crescimento e a expansão
do negócio. Dessa forma a empresa poderá alcançar
mais rapidamente
sua auto-sustentação, reduzindo as necessidades de
capital de giro e agregando maior valor ao novo negócio.
O cálculo deste montante de recursos, no entanto, depende
de diversos fatores. No caso de um criatório de peixes ele
irá variar em função da forma de produção
(intensiva, semi-intensiva, etc.), do ciclo de criação
(recria, engorda e despesca), da comercialização e
do preparo dos viveiros para um novo ciclo.
Vale ressaltar que quanto maior este ciclo maior será a
necessidade de capital de giro.
Contudo, outros fatores irão requerer a atenção
do empreendedor para evitar a absorção indesejada
do seu capital de giro:
-Grande quantidade de peixes nos viveiros (altos níveis
de estoques), combinado com baixo volume de vendas;
- Aumento dos diversos custos absorvidos pela empresa;
- Aumento de despesas financeiras;
- Aumento dos índices de inadimplência;
O empreendedor deverá ter um controle orçamentário
rígido de forma a não consumir recursos sem previsão.
Além disso, ele deve evitar a retirada de valores além
do pró-labore estipulado, pois no início todo o recurso
que entrar na empresa nela deverá permanecer, possibilitando
o crescimento e a expansão do negócio.
Dessa forma a empresa poderá alcançar mais rapidamente
sua auto-sustentação, favorecendo a formação
de um capital de giro próprio (e reduzindo a necessidade
de uso de capital de giro de terceiros ou aportes de recursos feitos
pelo empreendedor) e agregando maior valor ao novo negócio.
Custos
São todos os gastos realizados na produção
de um bem ou serviço e que serão incorporados posteriormente
no preço dos
produtos ou serviços prestados, como: aluguel, água,
luz, salários, honorários profissionais, despesas
de vendas, matéria-prima e insumos consumidos no processo
de produção.
O cuidado na administração e redução
de todos os custos envolvidos na compra, produção
e venda de produtos ou serviços que compõem o negócio,
indica que o empreendedor poderá ter sucesso ou insucesso,
na medida em que encarar como ponto fundamental a redução
de desperdícios, a compra pelo melhor preço e o controle
de todas as despesas internas.
Quanto menores os custos, maior a chance de ganhar no resultado
final do negócio.Os custos para uma abrir um negócio
de criação de
peixes devem ser estimados considerando os itens abaixo:
1. Salários, comissões e encargos;
2. Tributos, impostos, contribuições e taxas;
3. Segurança;
4. Água, Luz, Telefone e acesso a internet;
5. Produtos para higiene e limpeza da empresa e funcionários;
6. Assessoria contábil;
7. Propaganda e Publicidade da empresa;
8. Aquisição de matéria-prima e insumos;
9. Despesas com vendas;
10. Despesas com armazenamento e transporte;
Os custos para relacionados a manutenção de uma
criação de peixes devem ser estimados considerando
os itens abaixo:
Aquisição de insumos (Alevinos , Ração,
Cal, Fertilizante e Adubo);
Assessoria contábil;
Despesas com armazenamento e transporte;
Despesas com vendas;
Energia, Telefone e acesso a internet;
Propaganda e Publicidade da empresa;
Recursos para manutenções corretivas;
Salários, comissões e encargos;
Tributos, impostos, contribuições e taxas;
Depreciação de equipamentos;
Manutenção do Terreno.
Diversificação / Agregação de valor
Uma das vantagens da piscicultura é que ela pode ser implantada
em áreas improdutivas ou de baixo rendimento
agropecuário, aumentando o faturamento do produtor rural.
Além disso, a atividade pode ser integrada a outras criações
mantidas na
propriedade. Uma prática comum é a integração
da piscicultura a criação de suínos e ovinos
(galinhas, patos, etc.), mas que também
aumentam os cuidados a serem tomados pelo piscicultor.
Geralmente o produtor rural, destina parte de sua propriedade para
culturas que possam ser utilizadas na alimentação
dos animais de sua criação, diminuindo seus custos
de produção. Esta prática pode ser utilizada
na piscicultura, tanto pro consumo próprio quanto para a
venda de insumos / rações para terceiros.O beneficiamento
do produto é a melhor forma de se aumentar o valor agregado
do pescado.
Uma opção para o piscicultor que desejar diversificar
suas atividades é a montagem na propriedade, de um pequeno
pesque-pague ou um restaurante para servir os peixes de seu criatório.
Divulgação
Como um bem de consumo a divulgação dos produtos
da sua criação de peixes deve ser direcionada para
o usuário final, com o objetivo de estimulá-lo a consumir
o seu produto.
Alguns itens são importantes para chamar atenção
do consumidor no ponto de venda dentre eles a adequada exposição,
uso de displays, totens, folhetos explicativos sobre a qualidade
do produto etc., porém a possibilidade de visualizar e poder
atestar a sua qualidade são essenciais para impulsionar o
cliente a adquirir o pescado.
Neste contexto, é necessário que o empreendedor fiscalize
os produtos expostos nos pontos de venda para verificar se o seu
produto está numa boa localização e se o sistema
de refrigeração está funcionando adequadamente
para que não haja perda na qualidade.Para os produtos beneficiados,
uma bonita e bem elaborada embalagem é uma boa forma de apresentar
o produto, sendo um requisito básico para impulsionar a sua
venda.
A divulgação do produto para os supermercados e indústrias
de beneficiamento deve ser feita através de visitas regulares
e apresentação aos departamentos responsáveis
pela aquisição do produto, com o uso de amostras e
folhetos explicativos sobre o seu criatório.
Informações Fiscais e Tributárias
O segmento de criação de peixes, assim entendidas
as atividades de criação e produção
de peixes em água doce, salgada e
salobra, poderá optar pelo SIMPLES Nacional - Regime Especial
Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições
devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, instituído
pela Lei Complementar nº 123/2006, caso a receita bruta de
sua atividade não ultrapassar R$ 240.000,00 (microempresa)
ou R$ 2.400.000,00 (empresa de pequeno porte) e respeitando os demais
requisitos previstos na Lei.
Nesse regime, o empreendedor poderá recolher os seguintes
tributos e contribuições, por meio de apenas um documento
fiscal – o DAS (Documento de Arrecadação do
Simples Nacional):
-IRPJ (imposto de renda da pessoa jurídica);
-CSLL (contribuição social sobre o lucro);
-PIS (programa de integração social);
-COFINS (contribuição para o financiamento da seguridade
social);
-ICMS (imposto sobre circulação de mercadorias e serviços);
-INSS (contribuição para a seguridade social).
Conforme o Anexo I da referida Lei Complementar nº 123/2006,
as alíquotas do SIMPLES Nacional, para esse ramo de atividade,
vão de 4% até 11,61%, dependendo da receita bruta
auferida pelo negócio. No caso de início de atividade
no próprio ano-calendário da opção pelo
SIMPLES Nacional, para efeito de determinação da alíquota
no primeiro mês de atividade, o empreendedor utilizará,
como receita bruta total acumulada, a receita do próprio
mês de apuração multiplicada por 12 (doze).
Se o Estado em que o empreendedor estiver exercendo a atividade
conceder benefícios de isenção e/ou substituição
tributária
para o ICMS, a alíquota poderá ser reduzida conforme
o caso. Na esfera Federal poderá ocorrer redução
quando se tratar de PIS e/ou COFINS (Resolução nº
05/2007, do Comitê Gestor de Tributação das
Microempresas e Empresas de Pequeno Porte).Essa opção
de tributação poderá ser amplamente vantajosa
para o segmento de criação de peixes, motivo pelo
qual sugerimos uma avaliação
cuidadosa do regime de tributação apresentado.
Orienta-se ao empreendedor que atente ao tópico Exigências
legais especificas, que inclui as normas e regulamentos que devem
ser atendidos para operacionalização dessa atividade.
Glossário
Conheça o significado de algumas palavras que costumeiramente
encontramos destacadas em textos sobre Piscicultura, extraída
do livro
Piscicultura, Coleção Agro Indústria.
Abiótico – que não tem vida
Aeração – ato de aerar a água; injetar
ar na água.
Alevinos – peixe jovem que apresenta externamente todas as
características do adulto
Alcalinidade – medida de concentração total
de substâncias alcalinas na água
Aqüicultura – criação controlada de organismos
aquáticos, animais ou vegetais
Arraçoamento – o ato de fornecer ração
para peixes
Biocenose – conjunto das populações animais
Biogênica – capacidade de sustentação
da vida
Biomassa – soma dos pesos individuais dos componentes de uma
população animal
Biótico – que tem vida
Biótopo – o meio que abriga a biocenose
Carcinicultura – criação de camarões
e outros crustáceos
Comportas – estrutura de contenção de água
Confinamento – Ato de fechar uma população animal
em um local qualquer
Cromatóforos – células de pigmento; conferem
coloração aos peixes
Depleção – queda, diminuição.
Derme – camada profunda da pele
Despesca – coleta dos peixes do período de cultivo
Ecossistema – o conjunto formado por uma biocenose e um biótopo
Embolia – formação de bolhas de ar em uma corrente
líquida
Espécies cosmopolitas – espécies criadas mundialmente
Estratificação – formação de camadas
estratos
Estuarina – região costeira caracterizada onde ocorre
a desembocadura de um rio no mar
Exoftalmia – crescimento exagerado do globo ocular
Extrusão – processamento de alimentos através
da prensagem úmida sob alta pressão contra placas
perfuradas
Fertirrigação – irrigação de uma
cultura vegetal com uma água que contem fertilizantes
Fisiográfica – caracterização física
de uma região ou terreno
Fitoplâncton – plâncton vegetal; algas unicelulares
Fotóforos – células geradoras de luz
Fusiforme – em forma de fuso
Gelatinização – cocção (do amido)
Granulemetria grosseira – material que apresenta partículas
muito grandes
Herbívoros – animais que se alimentam de vegetais superiores
Hidrodinâmico – forma (corporal) que não apresenta
resistência ao deslocamento, à movimentação
da água
Hidroponia – cultivo de vegetais em solução
de nutrientes minerais
Homeostase – capacidade de regulação de uma
função fisiológica (exemplo: a homeostase térmica
é a capacidade de regulação da
temperatura corporal)
Ictiófago – peixe predador cujo principal item alimentar
são outros peixes pequenos
Iliófago – peixe que se alimenta de algas do substrato,
do lodo
Larvicultura – fase da piscicultura que cuida da criação
das larvas de peixes
Lixiviação – perda de nutrientes por lavagem
Metabolitos – resíduos da digestão, do metabolismo
dos alimentos
Monge – estrutura para drenagem construída em sistema
de vasos comunicantes
Monocultivo – criação de apenas uma espécie
Onívoro – animal sem preferência alimentar: oportunistas
Oxigênio Dissolvido (OD) – quantidade de oxigênio
presente na água e disponível para a respiração
dos animais aquáticos
Patogênico – que causa doença
Pecilotérmico – animal que não tem capacidade
de regular a temperatura corporal
pH – medida de concentração de hidrogênio
dissolvido nos líquidos
Piscicultura interior – piscicultura conduzida em águas
continentais, águas doces
Piscigranja – estação ou fazenda de criação
de peixes
Plâncton – organismo que vive na água e que não
apresenta movimentos naturais voluntários capazes de vencer
correntezas
Ração completa – alimento que quando misturado
aos peixes supre todas suas exigências nutricionais
Ração suplementar – alimento que complementa
a alimentação natural dos peixes
Raceways – tanques de alto fluxo
Refretômetro – instrumento que mede a concentração
de sais nas soluções através da refração
da luz
Rotíferos – animais da classe Rotífera: ciliados,
microscópicos, do filo Aschelminthes; fazem parte do zooplâncton
Salinômetro – aparelho para medir a contração
de sais nas soluções através da flutuação
Silte – material mineral sedimentar cujas partículas
apresentam diâmetro entre 0,05 e 0,005 mm
Termoplástico – material plástico que amolece
quando aquecido e enrijece quando resfriado
Translocamento – povoamento de uma bacia hidrográfica
com uma espécie de peixe de outra bacia do mesmo continente
Trófico – alimentar
Turbidez – coloração resultante de partículas
em suspensão na água
Turfoso – solo que apresenta muita turfa, um material esponjoso
formado por restos de vegetais, principalmente raízes
Zooplâncton – Plâncton animal; microcrustáceos,
rotíferos, cladóceros (pulgas d'água), etc.
Dicas do Negócio
Os fatores primordiais para o sucesso de uma criação
de peixes são :a qualidade do produto, o preço competitivo,
a localização
adequada e a facilidade para distribuição. De todos
esses fatores, o principal é, sem dúvida, a qualidade
sanitária do produto. A ela,
segundo especialistas do ramo, está ligado diretamente o
sucesso de um criatório. Para isso, são essenciais
os cuidados veterinários com a criação, a limpeza
geral dos tanques, a boa saúde dos empregados e a qualidade
das rações, além de boas instalações
e manutenção adequada.
Quando se confina algum tipo de animal, particularmente em se tratando
de pescado, ocorre aparecimento de doenças que em
ambientes naturais tem pouca ou nenhuma repercussão. O estresse
a que os peixes ficam submetidos leva à manifestação
de agentes
patogênicos, em especial, os chamados organismos facultativos
ou secundários, que pertencem ao grupo dos parasitas, bactérias
ou
fungos.
Como existe uma dificuldade muito grande para tratar qualquer enfermidade
em peixe após esta se instalar, recomenda-se, na piscicultura,
a adoção de medidas profiláticas para evitar
a manifestação das várias patologias. Nesse
sentido, já está bastante
sedimentada entre os piscicultores a forte relação
existente entre técnicas corretas de manejo e a ausência
de enfermidades.
Um fator importante para o sucesso do negócio é a
decisão sobre quais espécies devem ser cultivadas,
não se esquecendo que é o mercado consumidor quem
influencia esta escolha. Pois mesmo que uma determinada espécie
apresente características ideais de resistência ao
manejo e as enfermidades, bom crescimento, boa conversão
alimentar e facilidade de reprodução, se as suas características
de aparência e paladar não agradarem ao consumidor,
deve-se dar preferência ao cultivo de outras espécies
que atendam melhor a este conjunto de requisitos.
Características específicas do empreendedor
Existem duas realidades distintas na piscicultura brasileira:
a dos produtores atrasados tecnologicamente, com baixa escala de
produção, produtividade e rentabilidade e a realidade
da piscicultura
realizada por produtores bem sucedidos com emprego de tecnologia
elevada, escala de produção e bons índices
de produtividade. Os
empreendedores deste último grupo reúnem características
tais como:
Conhecimento técnico do ramo.
- Organização e capacidade de associativismo.
- Habilidades para avaliar e identificar nichos de mercado
- Habilidade de Negociação.
- Senso de oportunidade e capacidade de assumir riscos
- Capacidade de motivar sua equipe e manter-se atualizado tecnologicamente.
- Conhecimento das exigências legais estabelecidas pelos
órgãos normativos e licenciadores e capacidade para
avaliar sua conformidade as normas em vigor;
Qualquer que seja o modelo de produção adotado, a
visão empresarial, o estudo de mercado a que se destina o
peixe, a busca de
orientação técnica, a legalização
da atividade nos órgãos ambientais e a manutenção
de uma produção sustentável, são ações
indispensáveis à consolidação do empreendimento
por parte do produtor.
Bibliografia Complementar
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(Brasilia, BR). Departamento Nacional de Obras contra as Secas.
Normas
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da República. Código de Conduta para Desenvolvimento
Sustentável e Responsável da Piscicultura Brasileira.
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