Idéias
de Novos Negócios - Confecção de Roupas
Esportivas
Apresentação do Negócio
Na parceria entre a moda e o esporte a recíproca é
verdadeira. Se os esportes recebem influências do mundo da
moda o contrário
também acontece.
Cada vez mais as marcas pegam emprestada a tecnologia usada nos
uniformes dos atletas para desenvolver as roupas do dia-a-dia. Por
outro lado, há muito tempo os estilistas perceberam que para
vestir homens e mulheres com conforto e praticidade nada melhor
do que os tecidos esportivos. Hoje, as grandes marcas esportivas
também desenvolvem criações para ser usada
a noite ou fora das competições esportivas.
Além disso, não é preciso ser um super atleta
para usar peças esportivas. Esta interação
faz com que, cada vez mais, a moda e o esporte extrapolem os limites
das quadras e campos esportivos e invadam as passarelas e ruas das
cidades brasileiras, criando oportunidades de negócios para
os empreendedores deste setor.
Mercado
O estilo moderno e ao mesmo tempo confortável vem conquistando
um público cada vez mais numeroso. Embalado pelos grandes
eventos esportivos e a popularização de práticas
como o vôlei e ultimamente a ginástica, sem falar é
claro da velha preferência pelo futebol, o consumo de roupas
esportivas no Brasil tem crescido na mesma proporção
em que, em todas as faixas etárias e classes sociais, aumenta
a preocupação com a beleza e a vida saudável.
Esta mudança de comportamento impulsiona todos os setores
econômicos, que vão desde os crescentes indicadores
das indústrias de suplementos alimentares, passando pela
sofisticação das academias de ginástica até
a expansão do setor de confecção de roupas
esportivas, observado no Brasil nos últimos anos. Embora
o setor ainda não tenha números muito precisos.
Dados de 2003 da Abravest indicam que no Brasil existam mais de
duas mil confecções de roupas esportivas, sendo 40%
compostas por microempresas e 51% de empresas de pequeno porte,
responsáveis pela criação de mais de 38 mil
empregos diretos e indiretos. Apesar da imprecisão dos números,
empresários acreditam num crescimento do setor.
Tanto é verdade, que constantemente as pesquisas tecnológicas
vêm criando diferentes tipos de novos tecidos, como o fio
poliamida, com proteção contra raios solares, ação
antibacteriana e o dryfit, além da constante evolução
tecnológica observada no maquinário utilizado pelo
setor.
Localização
Antes de se decidir pela escolha do imóvel para instalação
de sua Indústria de confecção, o empreendedor
deverá observar os
seguintes detalhes:
a) Verificar se imóvel em questão atende as suas
necessidades operacionais quanto à localização
(proximidade de fornecedores, fontes de mão-de-obra, consumidores,
atividades de confecção complementares e não
concorrentes) e capacidade de instalação (vide item
Estrutura).
b) Certificar-se que o imóvel é atendido por serviços
de água, luz, força, esgoto, telefone etc. O local
ideal deve ser de fácil acesso, possuir estacionamentos para
veículos, local para carga e descarga de mercadorias e serviço
de transporte coletivo, lembre-se que o valor gasto no transporte
de seus funcionários irá compor a sua estrutura de
custos.
c) Ficar atento aos imóveis situados em locais sujeitos
a inundações ou próximos às zonas de
risco. Consulte a vizinhança a respeito.
d) Conferir se o imóvel está legalizado e regularizado
junto aos órgãos públicos municipais que possam
interferir ou impedir sua futura atividade.
e) Observar a planta do imóvel aprovada pela Prefeitura,
e verificar se houve alguma obra posterior aumentando, modificando
ou diminuindo a área primitiva.esta obra deverá estar
devidamente regularizada.
f) Verificar também na Prefeitura Municipal:• se o
imóvel está regularizado, ou seja, se possui HABITE-SE;•
se as atividades a serem desenvolvidas no local respeitam a Lei
de Zoneamento do Município, já que alguns tipos de
negócios não são permitidos em qualquer bairro;•
se os pagamentos do IPTU referentes ao imóvel encontram-se
em dia;• no caso de serem instaladas placas de identificação
do estabelecimento, será necessário verificar o que
determina a legislação local sobre o licenciamento
das mesmas.
A consulta junto à Prefeitura é necessária
para se conhecer as exigências do Corpo de Bombeiros e aquelas
relativas ao Código Sanitário, Código de Obras,
além de instruções sobre a obtenção
de alvará de funcionamento. As atividades econômicas
da maioria das cidades são regulamentadas pelo Plano Diretor
Urbano (PDU). É essa Lei que determina o tipo de atividade
que pode funcionar em determinado endereço.
Exigências legais específicas
Etapas de Registro:
1ª Etapa:
a) Registro da empresa nos seguintes órgãos:
- Junta Comercial;
- Secretaria da Receita Federal (CNPJ);
- Secretaria Estadual de Fazenda;
- Prefeitura do Município para obter o alvará de
funcionamento;
- Enquadramento na Entidade Sindical Patronal (empresa ficará
obrigada a recolher anualmente a Contribuição Sindical
Patronal);
- Cadastramento junto à Caixa Econômica Federal no
sistema “Conectividade Social – INSS/FGTS”.
- Corpo de Bombeiros Militar.
b) Visita a prefeitura da cidade onde pretende montar a sua indústria
(quando for o caso) para fazer a consulta de local;
c) Obtenção do alvará de licença sanitária
- Adequar às instalações de acordo com o Código
Sanitário (especificações legais sobre a condições
físicas). Em âmbito federal a fiscalização
cabe a Agência Nacional de Vigilância Sanitária,
estadual e municipal fica a cargo das Secretarias Estadual e Municipal
de Saúde. (quando for o caso)
2ª Etapa: (Só inserir quando for o caso)
Preparar e enviar requerimento ao Chefe do DFA/SIV do seu Estado
para, solicitando a vistoria das instalações e equipamentos
A seguir relacionamos a legislação aplicável
às indústrias de confecção:
-Resolução CONMETRO No- 6, de 19 /12/2005 ( publicada
no D.O.U. de 26 de dezembro de 2005, seção 1, pág.
119 e seguintes) - Dispõe sobre a aprovação
da Regulamentação Técnica de Etiquetagem de
Produtos Têxteis.
-Resolução CONMETRO nº 2, de 13/12/2001, aprovou
o Regulamento Técnico de Etiquetagem em Produtos Têxteis.
Desde
junho de 1975, a legislação brasileira obriga a indústria
têxtil a indicar a composição das fibras têxteis
constituintes dos artigos fabricados, com as respectivas percentagens
e instruções de conservação em português
Resolução Nº 2 de 13/12/01 do INMETRO. (Vide
normas técnicas)
O empreendimento está dispensado de obter registro ou autorização
de funcionamento específicos, junto a entidades ou órgãos
fiscalizadores de atividades regulamentadas, bastando ao empreendedor
obter a inscrição junto aos órgãos exigíveis
das sociedades empresárias em geral. A pessoa jurídica
também não está sujeita à responsabilidade
técnica, ou seja, não se exige do empreendimento a
manutenção, em seus quadros, de profissional habilitado
junto a órgão ou conselho de classe fiscalizador de
profissão regulamentada.
Recomenda-se anda fazer uma consulta ao PROCON para adequar seus
produtos às especificações do Código
de Defesa do Consumidor (Lei nº. 8.078/1990 - Código
de Defesa do Consumidor – Alterada pela Lei nº 8.656/1993,
Lei nº 8.703/1993, Lei
nº 8.884/1994, Lei nº 9.008/1995, Lei nº 9.298/1996
e Lei nº 9.870/1999).
Licenciamento Ambiental Em geral a implantação de
uma indústria de tecidos e artigos de malha - fabricação
de tecidos de malha ou artigos produzidos em malharias (tricotagem),
artefatos de tapeçaria, acessórios para segurança
industrial e pessoal, incluindo guarda-chuvas, sombrinhas ou outros
que contenham materiais além de tecido, é considerada
fonte poluidora e requer o Licenciamento Ambiental pelas Secretarias
do Meio Ambiente dos Estados (CRA).
Todavia, a confecção de peças e acessórios
do vestuário, roupas profissionais, peças interiores,
fabricação de artefatos têxteis a partir
de tecidos para vestuário, estão dispensadas do licenciamento
ambiental.
Como essas exigências variam para cada Estado, é
indispensável que o empresário informe-se junto ao
órgão de Saneamento Ambiental competente na sua região
antes de instalar sua confecção. Licenciamento Municipalizado
Certas fontes poluidoras poderão submeter-se apenas ao licenciamento
ambiental efetuado pelo município, mediante convênio
assinado entre a Secretaria do Meio Ambiente e o Município,
desde que este tenha implementado o Conselho Municipal de Meio Ambiente,
e possua em seus quadros, ou à sua disposição,
profissionais habilitados, tendo legislação ambiental
específica e em vigor.
Para tanto, verifique em seu município esta possibilidade.
Corpo de Bombeiros - vistoria do imóvelNos Estados com convênios
firmados com os municípios, qualquer edificação
que busque obter o “Habite-se” da Prefeitura local,
deve submeter-se previamente a aprovação do Corpo
de Bombeiros.
Esta aprovação é baseada na análise
prévia do projeto do edifício, onde são exigidos
níveis mínimos de segurança, previsão
de proteção contra incêndio da estrutura do
edifício, rotas de fuga, equipamentos de combate a princípio
de incêndio, equipamentos de alarme e detecção
de incêndio, além de sinalizações que
orientem a localização dos equipamentos e rotas de
fuga.
Estrutura
A estrutura física de uma indústria de confecção
compreende uma área não inferior a 100m², subdividida
em 4 ambientes: Produção
Neste ambiente estão dispostos os equipamentos e empregados
envolvidos nos processos de corte, costura, acabamento, planejamento
e controle da produção, os estoques de matéria
prima e produtos acabados, e ainda as áreas de expedição
e manutenção.
Área Técnica Neste local são desenvolvidos
os novos produtos (design), modelagem, amostras, estudo das especificações,
inspeção e
qualidade. Atendimento e Vendas A indústria deve dispor de
um local apropriado para realizar o atendimento comercial, vendas
e planejar e executar o marketing de seus produtos.
Finanças Um espaço deve ser reservado para as atividades
relacionadas aos controles financeiros, incluindo o controle das
contas a pagar, compras, contas a receber cobrança e folha
de pagamento.
Pessoal
O número de funcionários varia de acordo com o porte
do empreendimento. Em geral uma pequena indústria de confecção
de roupas esportivas contem em seu quadro de pessoal fixo entre
10 e 15 pessoas trabalhando diretamente, sendo elas distribuídas
em: um
desenhista (free lancer), um modelista (free lancer), quatro costureiras,
uma cortadeira, dois auxiliares de acabamento, um auxiliar
administrativo, um ou dois vendedores (externo e interno, autônomos)e
uma pessoa responsável pela faxina.
Equipamentos
As máquinas e equipamentos utilizados por uma confecção
de roupas esportivas estão diretamente ligados ao tipo de
tecido a ser
trabalhado, neste caso incluem:
Galoneira;
Máquina de costura overlock com 3 agulhas;
Máquina de costura interloc;
Máquina de costura reta industrial;
Máquina de costura pespontadeira;
Máquina de costura refiladora;
Máquina de costura zig-zag;
Máquina de corte;
Máquina de fusionar;
Máquina de travete;
Mesa caseadeira;
Mesa de corte;
Mesa de abrir costura;
Pespontadora de coluna;
Pespontadora rápida.
Máquinas para Linha Praia: a Reta; a de três fios
leve; a colarette cilíndrica com catraca e a três pontinhos.
Além dessas máquinas há também a necessidade
de:
Mesa de corte (5 x 2m);
Mesa de apoio para acabamento (7 x 2m);
Mesa de apoio para embalamento e etiquetagem (5 x 2m);
Passadeira a vapor industrial; e
Materiais diversos.
Para a montagem do escritório há necessidade de
moveis e utensílios como mesas de escritório e de
reunião com
cadeiras; bancada de trabalho para vendedores, telefone, fax, arquivos
de aço, computador e uma impressora.
Matéria Prima / Mercadoria
As pesquisas tecnológicas vêm criando diferentes tipos
de tecidos, como o fio poliamida, com proteção contra
raios solares, ação
antibacteriana, ou fios que permitem que o suor atravesse o tecido
e deixe o esportista mais seco, entre outros tantos benefícios.
A
poliamida pode ser associada a outras fibras, como o elastano, que
confere ao tecido maior elasticidade.
Os tecidos em poliamida têm a vantagem de secar mais rápido
e serem mais macios; o tecido é transpirante e mantém
a temperatura do corpo estável.Também estão
disponíveis no mercado tecidos próprios para a prática
de esportes, como o Hidrofit que é um tecido especial para
natação e resistente ao cloro, o Pet Dry da Petenatti,
que tem alta absorção do suor e a Lycra e a Suplex
da Fibra Duponte.
Características de algumas fibras utilizadas na confecção
de roupas esportivas:
Poliéster: Fibra artificial sintética, obtida de
processos químicos, derivada do petróleo. Pode ser
utilizada pura ou em mistura com algodão, viscose, nylon,
linho ou lã, em proporções variadas. O poliéster
é a mais barata das fibras têxteis, sejam químicas
ou naturais. Possui boa resistência à luz e ao uso;
não enruga; boa elasticidade;resiste a maior parte dos produtos
químicos; de fácil tratamento; seca rapidamente; áspero;
tem tendência a formar bolinhas com o uso; desbota quando
exposto ao sol; encolhe como calor. Outra desvantagem é o
processo de tingimento, o qual requer mais calor e leva mais tempo
para ter a cor fixada.
Poliamida: A poliamida, ou nylon; nome comercial pelo qual também
é muito conhecido; foi a primeira fibra sintética
criada pelo homem. Tem como características a alta resistência,
fácil lavagem, resiste ao amarrotamento, baixa absorção
de umidade, toque agradável, e secagem rápida. Uma
grande vantagem da poliamida (nylon) em relação ao
poliéster é o toque mais sedoso e melhor transpiração.
Microfibra: o termo microfibra é concedido a fios sintéticos
que são formados por filamentos extremamente finos. Estes
filamentos podem ser 60 vezes mais finos que um fio de cabelo e
10.000 filamentos de microfibra podem pesar menos que 1 grama. Os
artigos de malha produzidos com Microfibras possuem como características,
o toque sedoso, vestem muito bem, encolhimento da peça extremamente
baixo, alta resistência, baixo amarrotamento e bom isolamento
quanto a vento e frio. As microfibras podem ser de
poliéster, poliamida (nylon), acrílico ou viscose.
Organização do processo produtivo
Modelagem - Etapas do processo de criação dos moldes.
Criação do modelo pelo estilista ou desenhista de
moda;.
Confecção dos moldes para corte do tecido;
. Levantamento de pesquisa para compra dos acessórios e
tecidos;
. Confecção das peças de mostruário
para teste de produção.
Corte - A primeira etapa do processo de produção
é o corte do tecido. Existem máquinas industriais
de corte que necessitam de uma operadora habilitada, para que não
ocorra desperdício de tecido. Entretanto, se o corte for
manual, tendo em vista que a produção inicialmente
será pequena, é fundamental a preparação
dos moldes para corte das partes do tecido que formarão a
peça.
O corte manual é uma tarefa que exige habilidade do operador.
Com o auxílio de uma guilhotina (empresas maiores) ou de
uma serra
fita ou circular e seguindo os moldes elaborados an¬teriormente
pela modelista, são cortadas em grandes mesas (mesa de corte)
várias peças do tecido sobreposto.
Este e um momento delicado do processo produtivo, pois um erro
nesta operação tem pouca chance de ser reparado, representando
perda parcial ou total do tecido e atraso na produção
para a empresa. Enfesto - Etapa do processo produtivo de uma confecção
que consiste na colocação de uma camada (folha) de
tecido sobre a outra, de forma a facilitar o corte simultâneo
das peças comercializadas pela empresa. O comprimento do
enfesto é definido pelo comprimento do risco, acrescido das
tolerâncias.
A quantidade de folhas de tecido é definida em função
do pedido de peças, do equipamento de corte a ser utilizado
e em função da instabilidade do tecido.
Overlock - Após o corte, cada pedaço correspondente
a uma parte da peça de vestuário receberá o
acabamento nas bordas, para
evitar o desfiamento, chamado de overlock. Nas fibras sinteticas,
em geral, este acabamento pode ser feito na costura final. Costura
/
montagem;Executada por costureiras, esta é a etapa mais complexa
e intensiva em trabalho. Consiste na união de dois ou mais
elementos de uma roupa.
Nesta fase, as peças são repassadas às costureiras
que possuem funções diferenciadas na linha de produção
e que trabalham seguindo uma seqüência lógica
de tarefas. Durante o processo, são utilizados vários
tipos de máquinas: zig-zag, overlock, etc.As partes da peça
são unidas na máquina reta, devendo haver perfeito
casamento entre elas, para assegurar o bom caimento da roupa.
Acabamento - Etapas Complementares ao Processo de Acabamento:
Colocação de acessórios / aviamentos (botões,
velcros, cordoes, elásticos, etc.);
Lavagens;
Bordados ou gravações especiais.
A última etapa é a colocação dos acessórios,
como botões, bolsos, velcros, etc. Este trabalho é
o mais rápido, mas é o que exige maior
habilidade, porque a composição do acabamento final
é responsável pela qualidade visual do produto.
Controle de qualidade;
Etiquetagem, codificação e embalagem;
Estoque / Expedição.
Automação
A automação do processo de produção
de roupas esportivas ocorre nas fases de Design, Corte e Montagem
das pecas:
Design e modelagem - uso de sistemas CAD - Computer Aided Design
Corte – Uso de máquinas operatrizes automatizadas
para corte (sistemas CAM, Computer Aided Manufacturing).A área
de maquinários para costura de roupas esportivas vem merecendo
constantes aperfeiçoamentos, com a introdução
de novas técnicas para redução de custo na
produção de peças. Dentre elas a tecnologia
Dynamic Function Cut, que consiste em cortar as roupas a laser em
vez de costurá-las, elas são fusionadas por meio de
calor.
Além de eliminar grande parte dos custos da produção,
eliminam as costuras que podem incomodar os esportistas. Atualmente
já existe um maquinário que elimina duas etapas do
processo atual de produção sem costura, utilizando-se
uma película elástica termo-adesiva, a necessidade
de elásticos nas peças é eliminada.
Em relação a gestão da produção
(controle de estoque, compras, etc), força de vendas, relacionamento
com os clientes (CRM), dentre outras funcoes, existem sistemas eletrônicos
especialistas e focados para as indústrias de confeccoes
( vide www.abravest.org.br), dentre eles alguns homologados pelo
BNDES ( vide https://www.cartaobndes.gov.br)
Canais de distribuição
O empreendedor deve escolher o melhor método de distribuição
de seus produtos avaliando a possibilidade do emprego de
representantes ou a venda direta por meio de visitas a lojas, academias
de ginástica, butiques, lojas de departamentos, etc.
A outra alternativa é participar de feiras ou abrir um
estabelecimento próprio e comercializar a produção.
A promoção do negócio pode ser realizada por
meio de desfiles, anúncios em revistas especializadas, catálogos
e mala direta.
Investimentos
Para montar uma pequena confecção de roupas esportivas
o investimento varia conforme o número de máquinas,
empregados, nível de terceirização, custo de
aquisição / aluguel / reformas do imóvel utilizado,
etc.
Por isso, é importante fazer uma análise do capital
disponível para atender às suas necessidades. Estima-se
que a montagem de uma pequena confecção de roupas
esportivas, envolva um investimento em torno de R$ 60.000,00, desembolsados
da seguinte forma:
Item Valores – R$
Abertura da Empresa 3.000,00
Reformas e adaptação do Imóvel 4.500,00
Móveis e Equipamentos de Escritório 3.000,00
Maquinário 50.000,00
Uma boa referência de preços na aquisição
do maquinário necessário pode ser obtida no site da
Central de Máquinas Têxteis do Brasil em http://www.cmtdobrasil.com.br/venda.
Capital de giro
Capital de giro é um montante de recursos financeiros que
a empresa precisa manter para garantir a dinâmica do seu processo
de
negócio. O empreendedor deve planejar adequadamente seu fluxo
de caixa, principalmente no inicio de produção da
sua indústria de
confecção de roupas esportivas, visto que precisará
vender seus produtos a prazo (30, 60 ou 90 dias) e terá que
pagar seus
fornecedores com prazos reduzidos.
Portando, a necessidade de capital de giro é elevada, neste
tipo de atividade. Num exercício de aproximação,
podemos dizer que o montante de capital de giro requerido nesta
atividade será definido pelo nível de produção,
manutenção e giro do estoque de matéria e produtos
acabados, além de fatores como a forma de comercialização,
mão de obra empregada, custos diretos e indiretos de fabricação.
Vale lembrar que a necessidade de capital de giro de uma empresa
também envolve outros fatores que requerem a atenção
do empreendedor. Para evitar e corrigir eventos, que, potencialmente,
venham provocar a necessidade de novos aportes de recursos financeiros,
o empreendedor deve atentar, dentre outros fatores, tais como:
- evitar custos fixos elevados atentando para despesas de energia,
aluguel, limpeza, etc. dentre outras que possa gerar desembolsos
recorrentes acima do desejado.
- evitar aumentos indesejados dos índices de inadimplência;
- praticar preços que não cubram os custos ou conceder
descontos que possam comprometer a margem de lucro da academia.
O empreendedor deverá ter um controle orçamentário
rígido de forma a não consumir recursos sem previsão.
Além disso, ele deve evitar a retirada de valores além
do pró-labore estipulado, pois no início todo o recurso
que entrar na empresa nela deverá permanecer possibilitando
o crescimento e a expansão do negócio.
Dessa forma a empresa poderá alcançar mais rapidamente
sua auto-sustentação, favorecendo a formação
de um capital de giro próprio (e reduzindo a necessidade
de uso de capital de giro de terceiros ou aportes de recursos feitos
pelo empreendedor) e agregando maior valor ao novo negócio.
Custos
São todos os gastos realizados na produção
de um bem ou serviço e que serão incorporados posteriormente
no preço dos
produtos ou serviços prestados, como: aluguel, água,
luz, salários, honorários profissionais, despesas
de vendas, matéria-prima e insumos consumidos no processo
de produção.
O cuidado na administração e redução
de todos os custos envolvidos na compra, produção
e venda de produtos ou serviços que compõem o negócio,
indica que o empreendedor poderá ter sucesso ou insucesso,
na medida em que encarar como ponto fundamental a redução
de desperdícios, a compra pelo melhor preço e o controle
de todas as despesas internas. Quanto menores os custos, maior a
chance de ganhar no resultado final do negócio.
Os custos para uma abrir uma academia devem ser estimados considerando
os itens abaixo:
1. Salários, comissões e encargos;
2. Tributos, impostos, contribuições e taxas;
3. Aluguel, taxa de condomínio, segurança;
4. Água, Luz, Telefone e acesso a internet;
5. Produtos para higiene e limpeza da empresa e funcionários;
6. Recursos para manutenções corretivas;
7. Assessoria contábil;
8. Propaganda e Publicidade da empresa;
9. Aquisição de matéria-prima e insumos;
10. Despesas com vendas;
11. Despesas com armazenamento e transporte;
Um estudo do SEBRAE-SP tendo como base MPE- Micro e Pequenas Empresas
do Estado de São Paulo revelou a seguinte composição
de custo para o setor industrial de maneira geral:
Item Custo Mensal
Gastos com materiais (1) 53%
Gastos com empregados 24%
Impostos 16%
Outros Gastos (2) 7%
Total 100%
Nota (1): Inclui aquisição de matérias-primas,
mercadorias, peças e componentes e serviços de terceiros.
Nota (2): Incluem gastos com aluguel, água, energia elétrica,
telefone, combustíveis, gás, etc.
Para as indústrias de confecção de roupas
esportivas, estes percentuais devem ser estimados com base no volume
de pecas produzidas mensalmente. Estima-se que para uma produção
de 5.000 peças (bermudas, tops, camisetas, etc.), o custo
total de fabricação fique em torno de R$ 35.000,00.
Diversificação / Agregação de valor
A forma mais usual de agregação de valor a roupa
esportiva é oferecer produtos diferenciados através
de design e estilo próprio e do
desenvolvimento de uma marca própria para a confecção.
Divulgação
O empreendedor deve prever no seu plano de divulgação
uma reserva de capital para investir num pequeno desfile de apresentação
das peças e convidar donos de lojas e academias ou encarregados
de compras para assistir e comprar. Adicionalmente, deve-se ter
disponível e distribuir catálogos com o mostruário
completo e/ou ainda um catálogo eletrônico, através
de um website. É importante que o fornecer uma descrição
detalhada da composição dos modelos (tipo de tecido,
cores, tamanhos etc.) além de outras informações
tais como: preço, condições de pagamento, entrega,
etc.
Informações Fiscais e Tributárias
Para registrar sua empresa você precisa de um contador profissional
legalmente habilitado para elaborar os atos constitutivos, auxiliá-lo
na escolha da melhor forma jurídica e regime tributário
mais adequado para a sua empresa, além de realizar os registros
exigíveis às pessoas jurídicas nos respectivos
órgãos públicos.
Desde que atendidos os limites de enquadramento estabelecidos (vide
www.leigeral.com.br) as indústrias de confecção
são elegíveis a opção pelo SIMPLES NACIONAL
- Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições
das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte.
No entanto, o empreendedor deste ramo deve avaliar com seu Contador
esta possibilidade, uma vez que com o SIMPLES NACIONAL, empresas
que não vendem ao consumidor final (pessoas físicas)
são impedidas de transferir créditos de ICMS para
clientes (pessoas jurídicas) que adquirem seus produtos,
o que pode fazer deste regime tributário uma opção
não atrativa para este segmento empresarial.
Glossário
Absorção - Capacidade do tecido ou malha de adquirir
umidade. Propriedade muito importante que afeta entre várias
características, o conforto, a formação de
estática e o amarrotamento do tecido. Dentre as fibras usadas
para produzir tecidos para a prática esportiva, uma das preferidas
é a poliamida, pois sua absorção de umidade
é muito boa e equilibrada, alem da maciez e conforto que
proporciona no tecido e seu contato com a pele.
Ação Bacteriostática - Previne e controla
o crescimento de bactérias, mas sem matá-las. Esta
propriedade é incorporada nas roupas através de tratamentos
que podem ser permanentes (não sai com as lavagens) principalmente
quando feito a partir da produção do fio ou através
de natecnologia e limitado (durabilidade média entre 15 a
30 lavagens) quando aplicado diretamente no tecido em banhos de
acabamento. Estes tratamentos, chamados de antimicrobiais, agregam
bem estar e conforto nas roupas, pois evitam o mau cheiro, principalmente
os provenientes do suor.
Antimicrobial - Tratamento que pode ser aplicado no fio ou tecido.
O objetivo é prevenir a proliferação de bactérias
a partir do suor e combater o cheiro desagradável causado
pelo desenvolvimento de microorganismos nas roupas e meias. A identificação
dos produtos com este tratamento pode ser feita observando: o início
da palavra significa qual o tipo de organismo que controla e o final
dela indica de que forma, neste último pode ser do tipo “cida”
que mata, ou “stático” que controla, mas não
mata. Exemplos: Bactericida - que mata bactérias.
Bacteriostático - previne o crescimento das bactérias,
mas não às mata.
Biotech - Tecnologia da empresa Rhodia para seu fio poliamida AMNI
com propriedade bacteriostática.
Capilaridade do tecido - Velocidade pela qual o suor ou a água
passa pelo tecido através dos filamentos existentes nos fios
utilizados em sua construção. No caso de roupas esportivas
é utilizado como uma das indicações para verificar
a velocidade de escoamento do suor e facilidade de secagem do tecido
durante e após a prática esportiva.
Compressão - Indica o quanto um tecido elástico
irá comprimir a pele durante o uso. Este tipo de medição
é utilizada em produtos de média para alta compressão
e objetiva controlar o equilíbrio entre conforto e eficácia
desta tecnologia, já usada em meias medicinais e alguns tipos
específicos roupas esportivas de alta funcionalidade.
Neste último caso, são realizados em peças
que buscam diminuição do efeito do trauma da prática
esportiva na musculatura, aumentos de potencia muscular, retardamento
da fadiga e melhoria da propriocepção. Geralmente
a medida é expressa em mm Hg (milímetros de mercúrio).
Muitos confundem esta propriedade com Power ou Força.
Conforto - Relacionado ao bem estar e a comodidade, refere-se ao
tecido ou roupa que minimize ou não gere incômodos
durante o uso e no caso das roupas esportivas que agregue desempenho.
No têxtil o apelo de confortável ganha cada vez mais
abrangência e vem envolvendo conceitos e estudos como a antropologia
fisiológica (estudo do ser humano, suas funções
e reações) e o conforto psicológico.
O objetivo é a contínua busca pela roupa ideal. As
necessidade e desejos dos consumidores vêm sofisticando o
conceito puro e simples de conforto para agradável e aprazível
(gerador de bem estar) o que explica em parte a sua simpatia pelos
tecidos funcionais e inteligentes. Várias tecnologias como
o gerenciamento de umidade, bloqueadores UV, as roupas com costuras
cada vez mais delicadas e compactas ou soldadas, design aero/hidro
dinâmicos, compressões controladas, bacteriostáticos,
biofibras e muitas outras, associados a estilos cada vez mais elaborados
fazem parte deste novo universo.
A funcionalidade e durabilidade podem ser permanentes ou parciais
e dependem ainda do avanço de cada tipo de tecnologia, mas
um ponto é de consenso, os produtores com certeza não
conseguirão a aceitação dos consumidores e
atletas se oferecerem os produtos de forma unilateral. Assim, pesquisas
e integração com os consumidores ganham cada vez mais
importância.
Conforto Térmico - Quando o conforto térmico está
em análise, os principais elementos a serem considerados
são:
1) micro clima (temperatura do corpo entre a pele e a parte externa
da roupa),
2) compressão da roupa no corpo e
3) toque do tecido na pele.
Estudos têm mostrado que a sensação de conforto
térmico é atingida quando o micro clima está
em 32 +- 1ºC e a umidade relativa em 60 +- 10%. O papel do
tecido ou malha é manter a sensação de conforto
ativando ou bloqueando a transferência de calor e umidade
dependendo das condições ambientais (temperatura,
umidade, vento, chuva, sol, neve) em equilíbrio com as atividades
exercidas pelo corpo (parado, correndo, etc.).
Conforto Psicológico - Enquanto o abrangente significado
de conforto está relacionado ao bem estar e comodidade (vide
conforto), o conforto psicológico é a sensação
que o usuário tem ao utilizar o tecido ou roupa independentemente
da tecnologia ou funcionalidade. Depende diretamente de diversos
fatores como tipo de pessoa, atitudes, atividade ou prática
esportiva, ambiente ou condições de uso.
Ele é ainda comparativo, pois muitas vezes está baseado
no mais desenvolvido nível de produto disponível,
estilo de vida e necessidades. No caso específico das práticas
esportivas, o conforto psicológico pode até ser sentido
com uma roupa um pouco mais
incomoda, mas é certo que se ele assim a preferir algum benefício
muito importante para sua atividade ou desempenho será fatalmente
detectada em laboratórios ou pesquisas.
Decitex - Medida de espessura (grossura) de fios com filamentos
contínuos como poliamida e poliéster. Expresso em
g por 10.000 metros de fio. Exemplo: fio 80 decitex significa 80
g em 10.000 de fio, 60 decitex = 60 g em 10000 m de fio.
Denier - Medida de espessura (grossura) de fios com filamentos
contínuos como poliamida e poliéster. Expresso em
g por 9.000
metros de fio. Exemplo: fio 40 decitex significa 40 g em 9.000 de
fio, 70 decitex = 70 g em 10000 m de fio. Uma meia-calça
20 denier
significa que ela foi produzida com um fio de espessura 20, ou seja,
pesa 20g em 9000 metros de fio.
Dpf - Denier por filamento. - Medida de espessura (grossura) dos
filamentos individuais que compõem os fios químicos
artificiais e sintéticos. No caso das microfibras a espessura
dos filamentos será igual ou menor a 1 dpf. (vide microfibras)
Efeito Firmador - O mesmo que sustentação. Expressão
utilizada para tecidos e peças com moderada para alta compressão.
Servem como indicador explicativo para produtos que modelam a silhueta.
Para estes tipos de produtos, a modelagem é de fundamental
importância, pois tecidos com alta compressão e modelagens
amplas ou muito apertadas podem não apresentar sustentação
ou serem muito incomodas. Ainda, tecidos sem efeito firmador (baixa
compressão) em modelagens apertadas além de não
ter sustentação podem ficar muito transparentes.
Dryfit – Tecido de microfibra lisa utilizado na confecção
de camisas e calções esportivos, que é um tecido
100% poliéster com alta resistência, leve, rápida
absorção de umidade e equilíbrio térmico.
Elastano Fibra elástica de alta elasticidade e recuperação.
Sua composição é no mínimo de 85% de
poliuretano segmentado e se esticado volta ao seu comprimento original
rapidamente. O elastano mais conhecido mundialmente é o Lycra®,
marca originariamente da Dupont e atualmente da empresa Invista.
Estabilidade Dimensional - Termo utilizado para descrever o comportamento
dos tecidos e roupas durante a lavagem. Este comportamento pode
ser de encolhimento ou crescimento. Expresso geralmente em %, quando
apresenta o sinal de (-) siginifica
encolhimento e quando acompanhado com o sinal (+) significa crescimento.
Estrutura Tridimensional - Corresponde a tecidos que possuem entrelaçamento
diferenciado dos fios em três dimensões, comprimento
/ largura / altura. Caracterizam-se por apresentar certo volume
e maciez, proporcionando um visual tipo “emborrachado”
(dublado) além de proporcionar boa respirabilidade proporcionados
pela altura (3ª. dimensão) que deixa espaços
para a circulação do ar.
Fibra - Material que compõem a matéria prima para
a elaboração do tecido. Pode ser natural ou químico
(artificial ou sintético).
Filamento - Fibra de um comprimento indefinido. No caso das fibras
sintéticas (poliamida, poliéster) elas são
extrudadas, isto é, uma massa com a matéria prima
passa por fieiras (cilindro com orifícios), que após
resfriamento e estiragem são convertidos em fio.
Fio - Termo genérico utilizado para descrever um cabo contínuo
de fibras, filamentos ou outro material de possível utilização
na fabricação de tecidos ou malhas.
Força do tecido (Fabric Power) - É uma medida, geralmente
expressa em cN ou g, que mostra a força que será exercida
pelo
usuário para vestir uma roupa elástica em seu corpo.
Gerenciamento de Umidade (Moisture Management) - Propriedade onde
a umidade do corpo é conduzida da pele para a parte externa
do tecido sendo espalhada na superfície o mais rapidamente
possível para propiciar uma secagem mais rápida. Esta
propriedade pode ser agregada na roupa através da construção
do tecido (capilaridade, padronagens), via acabamentos químicos
(conceito dry) ou ambos.
Gramatura - Indica o peso/m2 do tecido ou malha. Útil para
indicar a leveza e compactação do tecido.
Hidrofílico - Capacidade do tecido de absorver água.
Hidrófugo Capacidade do tecido em não absorver água.
High-Tech - Termo utilizado para descrever produtos ou tecidos
elaborados com alta tecnologia.
Impermeabilidade - Capacidade que um tecido ou malha tem de bloquear
a passagem de água ou outro tipo de líquido especificado
na indicação do produto.
Isolamento Térmico - Medida que verifica a propriedade que
um tecido ou malha tem de bloquear a passagem de temperaturas frias
externas para o corpo ou manter o aquecimento do corpo sob tais
condições, não permitindo a perda ou dissipação
deste calor.
Mesh - Tipo de construção muito utilizado nos artigos
esportivos sendo caracterizado por ter um aspecto de rede e possuir
muitos espaços entre os fios (alta porosidade). Pode ser
feito em diversas construções de tecelagem e malharia.
Micro Clima - Temperatura e umidade entre a pele e o lado externo
do tecido.
Microfibra - Nome dado a fios ou tecidos com filamentos ultrafinos
abaixo de 1 Dpf (Dpf - denier por filamento e 1 Denier = peso em
g
em 9000 metros de comprimento). Tecidos feitos com estes fios superfinos
têm melhor toque, caimento, maciez e maior capilaridade.
São mais suaves em contato com a pele e dependendo da construção
do tecido ou malha podem propiciar características como maior
respirabilidade ou isolamento térmico. Em alguns casos específicos,
principalmente no caso das poliamidas que são macias, Dpf
abaixo de 1,3 são excelentes para a linha esportiva, pois
além de manter todas as características da microfibra,
respondem melhor ao requisito de abrasão e durabilidade.
Filamentos de 1 dpf ou menores podem não corresponder quanto
às exigências de durabilidade e formação
de pilling (bolinhas) e neste caso testes de uso para certas práticas
devem ser avaliadas.
Nylon - Marca utilizada pela Dupont quando da invenção
da poliamida em 1938. Com os avanços tecnológicos
foi sendo gradativamente abandonada para descrever produtos modernos
em poliamida, mas devido o pioneirismo tornou-se um termo genérico
e popular. (Vide Poliamida)
Permeabilidade ao Ar - Propriedade do tecido ou malha em permitir
a passagem de ar através de sua estrutura. Indica o grau
da troca térmica e ventilação, propriedades
diretamente ligadas ao conforto durante o uso sob determinadas condições
de calor e umidade. Certos tipos de esportes de velocidade a penetração
do ar tem que ser alta, mas na maioria das vezes, o bloqueio do
vento é
muito importante (exemplo blusa corta vento).
Uma baixa permeabilidade ao ar irá bloquear a penetração
de ar frio e reduzirá o risco de encharcar a parte interna
do tecido. Para atividades sob temperaturas quentes é preferível
uma alta permeabilidade ao ar para acelerar a capilaridade (wicking),
ou seja, a circulação do suor/vapor através
do tecido. Para verificar o grau de conforto de um tecido, geralmente
a permeabilidade ao ar é testada simultaneamente com a permeabilidade
ao vapor para traduzir mais fielmente as condições
de uso, pois suor e sua evaporação estarão
presentes durante as práticas esportivas.
Peso da peça - Expresso em g é importante para esportes
radicais, aventura ou eco-esportes. Indicará o peso que o
praticante irá
carregar na mochila.
Poliamida - Nome genérico do material utilizado na fabricação
dos fios que compõem os tecidos e malhas. Foi a primeira
fibra química sintética criada pelo homem em 1938.
Devido sua resistência, maciez, conforto e principalmente
sua absorção equilibrada de umidade (4%) é
considerada dentre as fibras sintética a mais amigável
a pele. Em tecidos ou malhas elásticas (misturada com elastano
Lycra®), onde ajuste e contato direto com a pele exigem materiais
confortáveis, conquistou a preferência dos consumidores.
Poliamida Texturizada - (Vide Texturização)
Poliéster - Fibra química sintética derivada
do petróleo e composta de ácido teraftálico
e glicol. É uma das fibras sintéticas mais consumidas
principalmente pelo seu baixo custo. Tem baixa absorção
de umidade e comparada com a poliamida é mais dura e áspera.
Porosidade - Espaços existentes na estrutura dos tecidos
ou malhas responsáveis por propiciar determinadas características
de ventilação, isolamento, proteção
UV, etc. Tecidos mais porosos são mais permeáveis
ao ar e tendem a “respirar” mais, porém exibem
menor proteção quanto aos raios UV-A e UV-B. Proteção
UV é importante em práticas outdoor.
Proteção UV - Propriedade do tecido ou malha de
bloquear a passagem dos raios Ultra Violeta (A e B principalmente),
cujo objetivo é a proteção da pele contra queimaduras
ou outras lesões que podem evoluir com o tempo para câncer
de pele. Esta proteção é variável conforme
a cor, porosidade e fibras utilizadas na construção
do tecido.
Prova de Vento (Windproof) - Propriedade do tecido de bloquear
a passagem de ar a certa pressão.
Repelente a Água (Water Repellency) - O grau pelo qual o
tecido bloqueia a penetração de água em uma
determinada pressão. Quando a água bate no tecido
ou malha tende a correr pela superfície sem ser absorvido
por este. O acabamento repelente a água
é aplicado através de produtos ou membranas para tornar
o tecido hidrófugo. Ser repelente a água não
significa ser a “prova d'água”.
Respirabilidade do tecido (Fabric Breathability) - Propriedade
que permite o transporte do vapor (suor) para o lado externo da
roupa,
importante para manter o equilíbrio térmico. O método
de teste mais comum mede a resistência do tecido ou malha
em relação à
transferência de vapor, assim, uma roupa com boa respiração
certamente terá uma baixa resistência à evaporação.
Retenção de Umidade - Mede o grau que o tecido ou
malha fica encharcado após ser submetido à lavagem
ou uso intensivo onde exista a presença de muito suor. Esta
medição indica o nível de conforto que a peça
irá proporcionar durante e após o uso, pois quanto
maior o grau de retenção de umidade maior a lentidão
na secagem. No caso específico do esporte, durante o uso,
lentidão de secagem (como o exemplo do algodão) significa
maior tempo de uma peça úmida sobre a pele, gerando
desconforto, calafrios e eventuais lesões como bolhas e irritações.
Strech - Termo derivado inglês que no têxtil é
utilizado para indicar que o tecido ou malha tem elasticidade. Um
strech equilibrado em malharia e para roupas justa ao corpo significa
elasticidade na medida certa (entre 100 a 150%), nem muito elástico
(acima de 200%) “tipo chiclete” que deforma com facilidade,
nem com pouca elasticidade (abaixo de 80%) que não propicia
bom ajuste e conforto. Este conceito não se aplica para os
tecidos de tecelagem plana onde os valores de elasticidade geralmente
são abaixo de 30% devido ao tipo de entrelaçamento
dos fios. Neste último caso, para práticas esportivas,
modelagens apropriadas e muitas vezes tecidos bi-elásticos
(muito raros no mercado) são cortados em viés para
garantir bom desempenho. Por este razão é mais utilizado
em roupas mais soltas como corta ventos entre outras.
Supplex® Marca da empresa - Invista, inicialmente Dupont, para
seu produto com fibra poliamida com tecnologia air-jet (texturização
a ar), que proporciona visual e toque similar ao algodão.
(vide texturização)
Texturização - Processo que transforma a superfície
dos fios com filamentos lisos (poliamida, poliéster, acrílico),
criando ondulações ou
loops, que conferem aos tecidos e malhas aspectos e texturas diferenciadas.
Existem vários tipos de texturização, mas os
mais comuns são o tipo FT (falsa torção) onde
o fio fica com volume e elasticidade e o tipo Air-Jet ou jateado
a ar, neste caso ficando com aparência de algodão.
Quando aplicado texturização nos fios o efeito é
permanente.
Transporte de Umidade - Movimento de vapor (água) de um
lado para outro do tecido através das fibras ou filamentos
e influenciado pela ação do gerenciamento da umidade
(capilaridade, construção do tecido, acabamento).
Velocidade de Secagem - Tempo que o tecido ou malha necessita
para secar completamente após uso (com suor) ou lavagem.
Tecidos que secam rápido e que acompanhem a velocidade de
secagem da pele são ideais, pois alem de evitar calafrios
e desconfortos, a peça seca rapidamente, atributo importante
no esporte em geral. A Velocidade de secagem doméstica também
é uma medição muito utilizada e indica quanto
tempo a peça confeccionada irá secar após a
lavagem caseira ou em lavanderias. Esta medida é útil
para esportes de aventura ou eco-esportes quando o usuário
irá passar vários dias em competição
ou ausente de sua casa e não terá a sua disposição
muitas peças para troca, pois isto acarretará em muito
peso na mochila ou bagagem.
Importante: não confundir velocidade de secagem no corpo
como o da lavagem pois são parâmetros e condições
muito diferentes.
Viscose - Fibra produzida a partir de polpa de madeira e pode ser
obtida através de vários processos. São fibras
com alto poder de absorção de umidade. O fio de viscose
pode ainda receber tratamento e torções para melhorar
seu desempenho. No caso dos fios torcidos e tratados, a principal
vantagem é a não formação de pilling
(bolinha), característica muito comum encontrada nos produtos
de viscose com elastano.
Volume de Embalagem (Packability) - Propriedade do tecido de comprimir-se
em pouco espaço (embalagem, mochila). Tecidos laminados ou
espatulados possuem camadas adicionais que agregam peso e rigidez.
Tecidos encapsulados embalam mais facilmente em pouco espaço
em razão de não terem camadas extras. Tecidos leves
e compactos, combinação perfeita para atender este
requisito.
Dicas do Negócio
É essencial a atualização dos produtos, conforme
as tendências da moda. O responsável pela preparação
das coleções deve buscar informações
em revistas e feiras especializadas e estar atento a todos os referenciais
da moda, para saber identificar o que terá de
maior demanda.
Para isso a pesquisa de mercado é muito importante. Outra
recomendação é a elaboração de
um plano de negócios detalhado para que tenha noção
dos investimentos necessários e a determinação
do preço real de seus produtos. Este plano de negocio, dentre
outras considerações, deve avaliar o custo beneficio
de se terceirizar parte da produção ou manter confecção
própria em cada fase do processo ( algumas empresas compradoras
exigem confecção própria).
Caso opte pela terceirização, o que pode reduzir
bastante a necessidade de investimento, a dica e investir tempo
suficiente para a adequada supervisão e controle de qualidade
dos produtos feitos por terceiros.
Características específicas do empreendedor
-Habilidades para estabelecer parcerias estratégicas no
interior da cadeia têxtil, fornecedores de insumos e tecnologia
.-Saber identificar tendências de mercado e mudanças
no comportamento dos clientes
-Saber direcionar-se para segmentos específicos de clientes
(conceito e design)
-Saber gerenciar estratégias de produção própria
e subcontratação (terceirizada)
-Ter competência para marketing,design e comercialização.
-Habilidades para planejar e programar confecção
de roupas determinando as operações e etapas a serem
realizados, recursos necessários e cronograma de execução;
-Capacidade para planejar a produção,elaborar orçamentos
e gerenciar custos;
-Prever pontos críticos inerentes aos processos;
- Selecionar e utilizar fontes de consulta para a obtenção
de informações necessárias a confecção
de roupas;
- Aplicar procedimentos técnicos, normas técnicas,
ambientais, de segurança, de saúde e higiene no trabalho
e padrões de qualidade adequados aos processos de confecção
de roupas;
- Utilizar recursos existentes de forma racional e econômica;
Bibliografia Complementar
AGUIAR NETO, Pedro Pita. Fibras Têxteis. Vol. 1 e 2 –
Rio de Janeiro:
SENAI/CETIQT, 1996. ARAÚJO, Mário de. Tecnologia
do vestuário. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian
, 1996.
GOULARTI FILHO, Alcides; JENOVEVA NETO, Roseli. A indústria
do vestuário: economia, estética e tecnologia. Florianópolis:
Letras Contemporâneas, 1997.
GRAVE, Maria de Fátima. A modelagem sob a ótica da
ergonomia. São Paulo: Zennex Publishing, 2004.
SEBRAE – Ponto de Partida para Início de Negócio,
Confecção, 2006
SEBRAE –SP - Comece Certo – Indústria de Confecção,
São Paulo, 1ª Edição - 2004
SILVA, Adilson Da, A Organização do Trabalho na Indústria
do Vestuário: Uma Proposta para o Setor da Costura, Dissertação,
Florianópolis, 2002