Idéias
de Novos Negócios - Central de Compras de Cosméticos
Apresentação do Negócio
O segmento da economia que envolve a produção voltada
para higiene pessoal, perfumes e cosméticos é um dos
mais pujantes e
diversificados que existem, bem como um dos que oferecem maiores
oportunidades para a criação de micro e pequenas empresas.
A estratégia das micro e pequenas empresas se organizarem
em grupo está sendo uma opção atrativa para
diversos segmentos do mercado, pois além de aumentar a competitividade
do grupo, gera uma consolidação estratégica
destas perante o segmento de atuação e contribui para
o desenvolvimento da região onde se localizam.
Um dos resultados de maior destaque gerado pela união das
empresas é o crescimento do poder de negociação
perante seus fornecedores, principalmente os de grande porte, decorrente
do ganho de escala no volume de compras e, conseqüentemente,
redução do preço das matérias-primas.
O envolvimento e entrosamento entre as empresas do grupo são
fatores imprescindíveis para o sucesso de uma central de
compras. Os
participantes devem conhecer todas as regras e processos de funcionamento
para reduzir a probabilidade de conflitos e não
prejudicar o desempenho do negócio.
Este material destaca os principais aspectos para estruturação
de uma central de compras do setor de higiene pessoal, perfumes
e
cosméticos, com objetivo de comprar matérias-primas
em grande quantidade, para fracionamento e venda às empresas
clientes.
Mercado
Segundo Associação Brasileira da Indústria
de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos o setor representou
3,7 % do PIB (Produto
Interno Bruto) em 2006. Outro fator interessante neste mesmo ano
foi saldo positivo nas exportações de US$ 46,1 Bilhões
acima do total importado. Esta situação favorável
é impulsionada pelo crescimento das exportações
de 20,4% nos últimos 5 anos.
“Existem no Brasil 1.494 empresas atuando no mercado de produtos
de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos, sendo que 15
empresas de grande porte, com faturamento líquido de impostos
acima dos R$ 100 milhões, representam 72,8% do faturamento
total.” Nos três estados do sul, segundo dados de 2006,
estão localizadas 299 empresas, distribuídas em 148
no Paraná, 41 em Santa Carina e 110 no Rio Grande do Sul.
Este mercado crescente vem também se caracterizando pela
necessidade da customização e da oferta de produtos
diferenciados,
muitas vezes exclusivos para um determinado público. Condição
que favorece o surgimento de muitas pequenas empresas especializadas
em determinados nichos de mercado.
Em virtude destas características, as empresas passam a
perseguir mercados que procuram ofertas com alto valor agregado
e pequenas
escalas de produção. Situação que acaba
exigindo dos empresários a busca por alternativas de viabilização
da produção.
As iniciativas por estruturar centrais de compra podem partir de
um grupo de empresários que desenvolvam uma visão
de colaborativismo, ou por empreendedores que visualizem uma oportunidade
de negócio na compra de insumos e produtos em grande escala
e promovam o particionamento e venda em pequenas quantidades para
os empresários do setor.
Localização
Identificar locais onde o setor de indústrias de cosméticos
esteja melhor organizado, pois a proximidade entre os interessados
contribuirá para o sucesso do negócio. A ampliação
para outras regiões poderá ser realizada a partir
do momento em que todo o
processo esteja consolidado e preparado para expansão.
O fator primordial, seja nas grandes ou pequenas cidades, para
a instalação de uma central de compras está
diretamente relacionado
com a existência de clientes próximos (fábricas
e lojas de cosméticos), disponibilidade da mão-de-obra
e acesso facilitado.
Outro aspecto que diz respeito à regularização
das atividades da empresa é que, se não estiver de
acordo com as normas da prefeitura
quanto ao que rege o plano diretor para a área onde está
localizado o imóvel, acaba inviabilizando o seu registro.
A melhor alternativa é procurar um imóvel apropriado
para alugar, com área não inferior a 200 m2, onde
além da área disponível para a
instalação dos equipamentos necessários, tenha
ainda espaço para guardar os materiais, escritório,
cozinha e banheiros.
Exigências legais específicas
O empreendedor que está disposto a constituir uma central
de compras de cosméticos deve requerer os registros e licenças
necessárias a implantação no negócio,
tais como:
a) Registro da empresa nos seguintes órgãos:
• Junta Comercial;
• Secretaria da Receita Federal (CNPJ);
• Secretaria Estadual de Fazenda;
• Prefeitura do Município para obter o alvará
de funcionamento;
• Enquadramento na Entidade Sindical Patronal
• Cadastramento junto à Caixa Econômica Federal–
INSS/FGTS.
• Corpo de Bombeiros Militar.
b) Visita a prefeitura da cidade onde pretende montar a sua loja
para fazer a consulta de local e emissão das certidões
de Uso do Solo e Número Oficial.
Além do registro da empresa, que pode ser por regime normal
ou segundo a lei geral das micro e pequenas empresas, qualquer atividade
econômica deve respeitar o código de defesa do consumidor.
A prestação de serviços em indústrias
de cosméticos e afins, bem como a comercialização
de produtos deve observar as regras de
proteção ao consumidor, estabelecidas pelo Código
de Defesa do Consumidor (CDC - Lei nº 9.870/1999), pois ele
estabelece uma série de direitos e obrigações
ao fornecedor e ao consumidor. A empresa deverá atender a
algumas regras, tais como: responsabilidade sobre defeitos dos produtos
e serviços fornecidos; de orçamento prévio
dos serviços a serem prestados e responsabilidade pela prestação
dos serviços.
Além destes cuidados e providências, o empresário
ou grupo de empresários deve estar atento ao que rege o capítulo
VIII do
associativismo, na lei geral das micro e pequenas empresas: Art.
56. As microempresas ou as empresas de pequeno porte optantes pelo
Simples Nacional poderão realizar negócios de compra
e venda, de bens e serviços, para os mercados nacional e
internacional, por meio de consórcio, por prazo indeterminado,
nos termos e condições estabelecidos pelo Poder Executivo
Federal.
§ 1o O consórcio de que trata o caput deste artigo
será composto exclusivamente por microempresas e empresas
de pequeno porte
optantes pelo Simples Nacional.
§ 2o O consórcio referido no caput deste artigo destinar-se-á
ao aumento de competitividade e a sua inserção em
novos mercados internos e externos, por meio de ganhos de escala,
redução de custos, gestão estratégica,
maior capacitação, acesso a crédito e a novas
tecnologias.
É importante lembrar que o empreendedor está sujeito
à fiscalização sanitária do estabelecimento
e dos serviços.
Estrutura
Ao definir os principais requisitos para a montagem da central
de compras de cosméticos é importante tomar cuidado
com alguns
detalhes, que são fundamentais para contribuir com a qualidade
do trabalho, como: escolher uma área ampla, arejada e bem
iluminada
para a instalação dos equipamentos e suportes de armazenagem.
Os espaços de recebimento de material e expedição
devem estar em perfeitas condições de uso, limpeza
e organização, caso contrário, o risco de danificar
o material do cliente é muito grande.
Também é importante que o empresário forneça
boas condições de trabalho aos seus colaboradores,
fato este que se reflete positivamente na satisfação
e produtividade dos funcionários.
Outro aspecto a ser observado refere-se à adequação
(ergonomia) dos postos de trabalho, pois em função
da duração e caráter repetitivo das atividades
realizadas, é muito importante que os funcionários
estejam bem acomodados, em cadeiras e acessórios apropriados
para evitar problemas de saúde ocupacional.
Pessoal
Por se tratar de atividade que é basicamente transporte
e manipulação de matérias-primas e que absorve
pessoas com baixo grau de instrução na maior parte
de suas atividades, apresenta alta taxa de rotatividade, ou seja,
as pessoas começam a trabalhar e desistem com muita facilidade.
Este fato gera grandes problemas de continuidade do trabalho e cumprimento
aos prazos.
A função com maior importância estratégica
deste tipo de negócio está no responsável pelo
gerenciamento das demandas geradas pelos
integrantes do grupo e a compra junto aos fornecedores. O objetivo
é manter o equilíbrio entre o quê, quanto e
quando cada integrante
necessita de matéria-prima e a capacidade de entrega dos
fornecedores, pois não adianta a central entregar a matéria-prima
fora do padrão ou prazo solicitado pelos integrantes.
Outro perfil importante é o responsável pela logística
de recebimento e entrega das matérias-primas, pois, em alguns
casos será necessário receber em grandes volumes,
separar as quantidades para cada integrante e entregar na data correta.
Como estimativa inicial para analisar a operação
de uma central de compras, considera-se a necessidade inicial, um
técnico, dois auxiliares para separação da
matéria-prima, um responsável por compras e controle
de entrega e um administrativo para compor a equipe de trabalho.
Equipamentos
É muito importante que o empresário, antes de iniciar
suas atividades, pesquise e visite outras centrais de compras semelhantes,
assim como peça para ver os equipamentos dos fornecedores
em funcionamento. Estes cuidados iniciais são de grande utilidade
para a escolha dos melhores e mais apropriados equipamentos (segundo
as condições financeiras) para iniciar o novo negócio.
Somente depois desta pesquisa o empresário deve escolher
os equipamentos, instalações e materiais diversos
bem como as principais
técnicas de produção a serem adotadas.
No caso de uma central de compras de cosméticos, os principais
equipamentos a serem adquiridos são:
-Estantes para armazenagem dos produtos;
-Empilhadeira;
-Esteiras rolantes;
-Dosadores líquidos e sólidos;
-Mesas e equipamentos de apoio;
-Embaladoras e empacotadoras;
-Estoque inicial de matéria-prima.
Para o escritório é necessário computador
e internet, móveis, impressora e telefone/fax. Um veículo
apropriado para transporte de
mercadorias é indispensável para o bom atendimento
das necessidades da empresa e dos clientes.
Matéria Prima / Mercadoria
As matérias-primas e os produtos comercializados pela central
de compras são representados pelos insumos necessários
para a produção das pequenas indústrias de
cosméticos.
O foco de negociação e aquisição das
matérias-primas deve ser voltado para o conjunto de demandas
de difícil aquisição em pequenas
escalas. Geralmente compostos químicos, essências,
pigmentos, embalagens diversas que se fossem compradas individualmente
pelas
empresas clientes acabariam se tornando inviáveis sob o ponto
de vista econômico e financeiro.
Organização do processo produtivo
A principal razão de existência de uma central de
compras é exatamente o processo de negociação
e compra de insumos e matérias-primas para outras empresas
do ramo de cosméticos. Neste sentido, uma competência
marcante a ser plenamente desenvolvida no
processo da central refere-se ao procedimento de negociação
tanto com os clientes, definindo e classificando as demandas, quanto
no
sentido de estabelecer as estratégias de compra frente aos
grandes fornecedores. Para tanto alguns cuidados devem ser tomados,
como:
• Definição do número de empresas que
represente um lote de compras viável, por tipo de matéria-prima;
• Estabelecimento de compromissos frente ao que foi encomendado
por parte dos clientes;
• Definição das regras de participação
e pagamento;
• Definição de mecanismos contratuais que garantam
o que foi solicitado;
• Qualificação da equipe de trabalho para processar
os materiais e produtos de acordo com normas de manipulação
específicas.
Por se tratar de uma atividade basicamente manufatureira, e por
apresentar condição de atender simultaneamente a pedidos
de diversos
clientes, o processo de produção exige grandes cuidados
e muita atenção por parte dos envolvidos nas operações.
O processo produtivo básico para uma central de compras
de cosméticos segue apresentado abaixo em suas principais
etapas, e pode variar em função das especificidades
e porte de cada encomenda.
• Recebimento das necessidades do grupo;
• Análise das quantidades e prazos estipulados pelos
integrantes;
• Envio das cotações de preço aos fornecedores;
• Recebimento e aprovação da melhor opção.
(nesta fase pode ocorrer negociação com fornecedores);
• Recebimento da matéria-prima;
• Separação das matérias-primas;
• Montagem dos pedidos e embalagem;
• Expedição.
A atenção ao controle do processo, identificando
padrões de tempo e de qualidade são fundamentais para
que o empresário possa gerenciar corretamente seu negócio,
pois somente assim vai ter condição de apurar e controlar
os custos conduzindo as negociações com os clientes
de forma segura, sem correr o risco de perder dinheiro. Logo, o
controle rigoroso da execução de cada etapa, garantindo
a qualidade dos serviços é fator determinante para
a sobrevivência e sucesso do negócio.
Neste sentido o empresário deve adotar a postura de registrar
tudo que está sendo feito não somente para controlar,
mas principalmente para poder identificar e evitar problemas, assim
como promover melhorias.
Outro cuidado importante a ser considerado pelo empresário
refere-se à programação e à garantia
do abastecimento dos materiais por parte dos fornecedores com a
devida antecedência, isto evita alguns atrasos ou paradas
no processo produtivo dos clientes decorrentes da falta de insumos.
A prática da realização de rodízio
de atividades entre os funcionários nas mais diversas funções
do processo produtivo é recomendada,
principalmente nos postos de trabalho de revisão dos pedidos,
tendo em vista que esta função requer um alto nível
de concentração e ajuda a criar a cultura da qualidade,
uma vez que os erros e falhas do processo são claramente
percebidos, bem como o entendimento a
respeito do prejuízo causado à empresa.
Automação
Normalmente uma central de compras exige um nível tecnológico
intermediário, pois boa parte dos equipamentos de fracionamento
e
embalagem são automatizados e pouco dependem da habilidade
da mão-de-obra. Estes mesmos equipamentos são caros
e por vezes sua compra não é viabilizada no inicio
das operações da central.
À medida que a empresa for crescendo, as condições
para implantação de sistemas desta natureza ficam
favoráveis, bem como o entendimento a respeito da importância
do controle minucioso passa a ser mais evidente.
Canais de distribuição
No caso das centrais de compra a logística de relação
com o mercado é direta, pois, em geral os clientes definem
o que precisam e
a empresa providencia o fornecimento individual de cada encomenda.
Não há, neste caso, a necessidade da criação
de estruturas elaboradas para a distribuição dos produtos
via distribuidores ou filiais.
Investimentos
A decisão de iniciar um negócio de central de compras
passa necessariamente por um correto levantamento de quanto dinheiro
e
esforço o empresário irá gastar para iniciar
o negócio. Este fato é decisivo para que os riscos
de ocorrerem problemas financeiros sejam
menores. O empresário deve pesquisar o preço dos equipamentos
e acessórios a serem adquiridos para o início das
atividades.
Deve-se ressaltar que cada situação é particular,
e o empreendedor vai definir de acordo com o porte do empreendimento
quais os
equipamentos pretende adquirir para iniciar suas atividades.
A fim de exemplificar a estruturação dos investimentos,
apresenta-se a seguir uma lista dos principais equipamentos a serem
adquiridos para a central de compras de cosméticos:
-Estantes para armazenagem dos produtos – R$ 5.000,00
-Empilhadeira – R$ 20.000,00
-Esteiras rolantes – R$ 15.000,00
-Dosadores líquidos e sólidos – R$ 22.000,00
-Mesas e equipamentos de apoio – R$ 8.000,00
-Embaladoras e empacotadoras – R$ 7.000,00
Perfazendo um total aproximado de R$ 77.000,00, além da
estimativa de outros R$ 8.000,00 para reforma de estrutura do imóvel
a ser
ocupado, instalações, ajustes, etc.
Capital de giro
Capital de giro é um montante de recursos financeiros que
a empresa precisa manter para garantir a dinâmica do seu processo
de negócio.
O capital de giro precisa de controle permanente, pois tem a função
de minimizar o impacto das mudanças no ambiente de negócios
onde a empresa atua.
O desafio da gestão do capital de giro deve-se, principalmente,
à ocorrência dos fatores a seguir:
• Variação dos diversos custos absorvidos pela
empresa;
• Aumento de despesas financeiras, em decorrência das
instabilidades desse mercado;
• Baixo volume de produção e vendas;
• Aumento dos índices de inadimplência;
• Altos níveis de estoques de produtos.
O empreendedor deverá ter um controle orçamentário
rígido de forma a não consumir recursos sem previsão.
O empresário deve evitar a retirada de valores além
do pró-labore estipulado, pois no início, todo o recurso
que entrar na empresa, nela
deverá permanecer possibilitando o crescimento e a expansão
do negócio. Dessa forma a empresa poderá alcançar
mais rapidamente
sua auto-sustentação, reduzindo as necessidades de
capital de giro e agregando maior valor ao novo negócio.
Da mesma forma que foi imaginado um investimento inicial de R$
85.000,00, estima-se a necessidade do capital de giro em torno de
R$
14.000,00. Valor que deve estar disponível na conta para
pagamentos, conforme demonstrado a seguir na análise de custos
para a estrutura considerada.
Custos
São todos os gastos realizados na produção
de um bem ou serviço e devem ser considerados posteriormente
no preço dos produtos ou
serviços prestados, como: aluguel, água, luz, salários,
honorários profissionais, despesas de vendas, matéria-prima
e insumos
consumidos no processo de produção.
O cuidado na administração e redução
de todos os custos envolvidos na compra, produção
e venda de produtos ou serviços que compõem o negócio,
indica que o empreendedor poderá ter sucesso ou insucesso,
na medida em que encarar como ponto fundamental a redução
de desperdícios, a compra pelo melhor preço e o controle
de todas as despesas internas. Quanto menores os custos, maior a
chance de ganhar no resultado final do negócio.
É fundamental que o empresário e seus colaboradores
tenham o máximo conhecimento da estrutura de custos de seu
negócio, sob pena
de perder o controle da gestão e passar por sérios
riscos de manter o negócio.
Outro fator extremamente relevante para a análise dos custos
está relacionado ao correto aproveitamento da capacidade
de produção dos colaboradores.
Quanto maior for a produção menor será a incidência
do custo fixo sobre os produtos, pois, este custo é dividido
(segundo critério
apropriado) por todos os produtos, representando um menor custo
unitário e melhorando a margem de contribuição.
A relação a seguir procura apresentar de forma simplificada
os principais itens de custo mensal que devem ser absorvidos pela
central
de compras de cosméticos:
• Aluguel – R$ 800,00
• Luz, telefone, água e internet – R$ 600,00
• Contador – R$ 400,00
• Salários mão-de-obra direta (mais encargos)
– R$ 3.600,00
• Salários indiretos (mais encargos) - R$ 2.200,00
• Manutenção – R$ 400,00
• Despesas correntes – R$ 1.500,00
• Outras despesas mensais com insumos - R$ 1.500,00
• Pró-labore – R$ 3.000,00
Salienta-se que os valores são meramente ilustrativos e
dependem muito da estrutura do negócio, assim como não
foram previstos os
impostos e tributos, pois estes dependem do tipo de registro adotado
pela empresa.
Diversificação / Agregação de valor
Os empresários devem ter em mente que fatores como qualidade,
prazo e preços são condições mínimas
para que uma empresa
permaneça no mercado. O diferencial a ser oferecido é
que vai cativar o cliente e agregar valor ao negócio, chegando
ao ponto do cliente estar disposto a pagar mais caro pelo serviço
da central de compras, em relação a outras opções
do mercado.
Os diferenciais dependem da relação entre os negócios,
e podem estar fundamentados em ofertas de serviço distintas
da maioria oferecida pelos concorrentes, como por exemplo: flexibilidade
nos pedidos, na forma de pagamento, capacidade para realização
de serviços especializados, variação no mix
dos produtos, serviço de entrega, entre muitas outras opções.
Para o caso específico de uma central de compras, a agregação
de valor deve estar centrada no fornecimento de insumos para os
integrantes, ou seja, entregar nas quantidades certas e no tempo
solicitado.
Divulgação
“Propaganda é a alma do negócio”, este
ditado popular é válido para qualquer tipo de empresa.
Existem muitas formas de se promover a divulgação
das atividades e capacidades das empresas, e todas estão
relacionadas às atividades de marketing. No caso específico
das
centrais de compras, não adianta pensar em divulgação
em massa, propaganda, ou qualquer forma de colocar a empresa na
mídia. As
centrais prestam serviço a outras empresas, em sua maioria
indústrias de cosméticos que já possuem as
estratégias de divulgação bem
definidas. Cabe às centrais promover a estruturação
de seus serviços e a apresentação correta ao
cliente direto.
No caso das centrais, a divulgação boca a boca é
uma das formas mais freqüentes de divulgação
dos serviços oferecidos.
É interessante que o empresário produza um pequeno
folder relacionando as capacidades da empresa e também listando
algumas
fotos da estrutura e da equipe, bem como relacione alguns clientes
para consulta (lembrando de pedir autorização aos
mesmos para isto), e com este material saia fazendo visitas a novos
clientes.
Algumas iniciativas de pequenos patrocínios comunitários,
anúncios em jornais, página na internet e propagandas
em rádio podem surtir
efeito positivo na divulgação do nome da empresa.
Informações Fiscais e Tributárias
Em virtude do objetivo deste material não contemplar o aprofundamento
nos temas relacionados, mas sim servir de orientação
inicial para o futuro empresário, sugere-se que todos os
aspectos com o registro da empresa, identificação
das legislações relacionadas à
operação, principalmente as que tratam da contratação
de pessoal, produção e comercialização
devem ser orientadas por profissionais
especializados na área.
O movimento por regularização das atividades de
empresas atuando na informalidade (ilegalmente) está cada
vez mais forte. E a fiscalização das atividades vem
contribuindo muito com isto. Neste caso, o empreendedor deve tomar
as providências para regularizar sua atividade, por mais complicada,
cara e dificultosa que possa parecer, pois sem dúvida passa
a ser um diferencial competitivo frente aos clientes.
É importante que o empreendedor converse com um contabilista
devidamente registrado no CRC, Conselho Regional de Contabilidade
para os devidos esclarecimentos quanto aos aspectos legais e tributários
relacionados à situação específica do
negócio que está almejando iniciar. O prestador de
serviços contábeis tem a incumbência de informar
e orientar quanto aos aspectos tributários da empresa.
A seguir estão apresentados os principais tributos incidentes
sobre as operações das empresas, destacando sua incidência
ou não em cada setor da economia (indústria, comércio
e serviços).
• ISS – (Imposto sobre Serviços) - Aplicável
somente às empresas prestadoras de serviço.
• ICMS – (Imposto sobre Circulação de
Mercadorias e Serviços) - As porcentagens variam em função
de diversos fatores, sendo que não é aplicável
às empresas prestadoras de serviço.
• IPI - (imposto sobre produtos industrializados) –
Aplicável apenas em indústria, no qual cada empresa
deve analisar o valor da alíquota na tabela TIPI (tabela
de imposto sobre produtos industrializados);
• PIS – (programa de integração social)
- Trata-se de contribuição aplicada sobre a receita
bruta de empresas dos três setores da economia;
• COFINS – (contribuição para financiamento
da seguridade social) - Trata-se de contribuição aplicada
sobre a receita bruta de empresas dos três setores da economia;
• IRPJ – (imposto de renda pessoa jurídica) -
Há duas situações de enquadramento, lucro real
ou lucro presumido aplicado sobre a receita bruta de empresas dos
três setores da economia;
• CSLL - (Contribuição Social sobre Lucro Líquido)
- Segue exemplo do IRPJ, duas situações de enquadramento,
lucro real ou lucro
presumido aplicada sobre a receita bruta de empresas dos três
setores da economia.
Para cada setor da economia citado, as empresas ainda podem optar
por uma das três formas de tributação possíveis,
são elas: Simples
Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real.
No Simples Nacional, todos os impostos citados acima podem ser
recolhidos através de documento único. Esta facilidade
é possível
apenas para as microempresas e empresas de pequeno porte, optantes
por este regime, conforme definido na Lei complementar 23/06.
Os incisos I à XIV do artigo 17 desta lei complementar, definem
as micro e pequenas empresas impedidas de optar pelo Simples Nacional.
Vale ressaltar que, para poder se enquadrar no Simples nacional,
a empresa deve apresentar faturamento anual de até R$ 2.400.000,00.
No Lucro Presumido, o IRPJ e CSLL são calculados com base
em presunção de margem de lucros, ou seja, é
prevista pela receita federal uma margem de lucro de acordo com
a atividade da empresa.
No Lucro Real, o IRPJ e a CSLL, são calculados com base
em lucros efetivamente apurados. Esta opção é
a que exige maior esforço
gerencial no controle das movimentações financeiras.
A atividade de central de compras, caracteriza-se como comercial,
quando a central compra em seu nome e vende estes produtos e
caracteriza-se como prestação de serviços,
quando a central tão somente realiza o agenciamento da compra.
Caracterizando como
empresa comercial, esta pode optar por qualquer uma das três
formas de tributação descritas acima, e como prestação
de serviços pode optar apenas pelo lucro presumido ou lucro
real. Vale ressaltar que uma central de compras, pode ter a forma
de associação, e neste caso não incidirá
impostos.
A folha de pagamentos também sofre interferências
de acordo com a forma de tributação escolhida. Entre
os encargos incidentes sobre os salários, a contribuição
da empresa para o INSS - Instituto Nacional de Seguridade Social,
possui a maior alíquota, mas pode chegar a zero, para micro
e pequenas empresas optantes pelo simples nacional nas atividades
de indústria, comércio e alguns serviços.
Vale ressaltar, que além do INSS, existem outros encargos
que independem da forma de tributação escolhida pela
empresa, tais como: FGTS, 1/3 de férias, décimo-terceiro
salário e outros.
Nem sempre o simples nacional, é a melhor opção
de tributação, mesmo quando você pode optar
por este regime. Vale ressaltar que
para a correta definição do regime tributário
da empresa, dos impostos incidentes e respectivas alíquotas,
são necessários vários detalhes sobre as operações
da empresa. Por exemplo, será apenas indústria e comércio
ou haverá prestação de serviços? Os
produtos serão vendidos para outros estados? Para quais estados?
Os adquirentes serão usuários finais, comerciantes
ou industriais? Qual o faturamento mensal e anual da empresa? Qual
o valor da folha de pagamentos? Os proprietários já
fazem parte de outra sociedade?
É preciso ficar claro que, sem estas e outras respostas,
é impossível definir a real carga tributária
da empresa. Por este motivo, é muito
importante a orientação do prestador de serviços
contábeis.
Glossário
APROVISIONAR – prover, abastecer para que não falte
ao longo da atividade.
CLANDESTINIDADE – no caso de empresas, são aquelas
que funcionam sem ter registros, sem estar devidamente legalizadas
com atividades empresariais.
DIFERENCIAL – refere-se a fazer algo diferente da concorrência,
se destacar frente ao cliente.
MANUFATURA – processo de produção que depende
muito da mão-de-obra direta, onde não é possível
transferir todo o processo para os equipamentos.
PALET – estrutura padrão para transporte e armazenagem
de mercadorias.
Dicas do Negócio
• É recomendável que as empresas clientes sejam
visitadas e se possa fazer um levantamento das principais necessidades
apresentadas. É muito arriscado iniciar um negócio
baseado apenas nas promessas de um único cliente;
• Uma breve consulta ao plano diretor na prefeitura já
permite identificar se é possível ou não a
utilização de determinado imóvel
para iniciar o negócio;
• Assim que possível o empresário deve procurar
ajuda profissional para a seleção e contratação
de pessoas. Existem muitas agências
especializadas neste tipo de atividade, que acabam ajudando a evitar
muitas dores de cabeça e prejuízos para a empresa;
• A melhor maneira de conduzir a negociação
de preços e prazos com os clientes é mostrando organização
e conhecimento sobre os
processos e os custos de operação da fábrica;
• Quanto mais precisa for a pesquisa a respeito das necessidades
de investimento, menores as surpresas quanto à previsão
financeira para iniciar o novo negócio, e isto evita inclusive
a armadilha de afundar em dívidas por falha na programação
financeira;
• Para descobrir o que pode agregar valor na relação
com o cliente, o empresário deve estar atento aos detalhes
e sempre que possível
precisa escutar seus clientes, conversar com eles e descobrir o
algo mais que vai cativar a relação comercial;
• O empresário deve ter em mente que é importantíssimo
acompanhar e questionar constantemente o prestador de serviço
de contabilidade.
• Manter uma estreita aproximação com os associados
contribuirá para a identificação das necessidades
e acompanhamento da sua satisfação.
Características específicas do empreendedor
Na literatura, existem variadas definições para o
que vem a ser um empreendedor e de forma resumida, pode-se perceber
em pessoas empreendedoras a dedicação, a persistência,
a disciplina, além da autoconfiança, da facilidade
em se relacionar e comunicar e ainda a
capacidade de planejar e se organizar.
Numa atividade como uma central de compras, que é essencialmente
a prestação de serviços, a condição
de saber se relacionar com as
pessoas, tanto os clientes, como os fornecedores e os colaboradores
é fator que define se terá ou não sucesso no
negócio. Associada a esta característica e não
menos importante está a qualificação técnica
para a realização dos serviços.
Apenas como complementação das informações,
sugere-se uma auto avaliação para medir o quanto o
empreendedor está preparado para ingressar no mundo dos negócios.
E neste sentido são apresentados alguns questionamentos importantes,
como os que seguem, e que foram extraídos da coleção
OS PRIMEIROS PASSOS PARA O SUCESSO, desenvolvida e disponibilizada
pelo SEBRAE/SC:
1. Tenho capital suficiente para abrir a empresa e ainda me manter
enquanto estruturo o negócio?
2. Estou preparado emocionalmente para correr os riscos do mundo
dos negócios?
3. Como trato os desafios que a vida me oferece? Com paciência
e perseverança?
4. Estou preparado e disposto a abrir mão de uma série
de hábitos e se for preciso trabalhar 10 horas por dia todos
os dias?
5. Conheço bem as minhas limitações?
6. Sou disciplinado o suficiente para estabelecer e cumprir regras
e métodos de trabalho?
Cabe mais uma série de questões que teriam como
finalidade avaliar o perfil empreendedor. Portanto o empreendedor
deve refletir e revisar seus objetivos várias vezes, conversar
com amigos e buscar certezas para tomar a decisão de empreender,
pois quando iniciado o processo não se pode mais parar, sob
pena de se tornar um fracasso.
Bibliografia Complementar
MANUAL DE QUALIFICAÇÃO DE FORNECEDORES de matérias-primas
e embalagens para a Indústria de Higiene Pessoal,
Perfumaria e Cosméticos http://www.abihpec.org.br
LEGISLAÇÃO SANITÁRIA BRASILEIRA para a Indústria
do Setor de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos –
ANVISA
OS PRIMEIROS PASSOS PARA O SUCESSO. SEBRAE/SC, 2005.