Idéias
de Novos Negócios - Brechó
Apresentação do Negócio
Antes visto como um sinônimo de mofo, traça e naftalina,
hoje o brechó tornou-se uma excelente opção
de compra de roupas, calçados
e acessórios pessoais. Populares na Europa e nos Estados
Unidos, estas lojas estão conquistando o seu mercado no Brasil.
É possível
encontrar neste ambiente democrático uma grande variedade
de peças originais a preços tentadores. O brechó
atende a todas as classes sociais, com interesses que variam desde
a procura por marcas famosas até a economia na aquisição
de produtos.
Por definição, brechó é uma loja para
a venda de roupas usadas. Além das peças de vestuário,
a oferta de produtos pode ser ampliada para diversos artigos, tais
como roupas de cama, toalhas, calçados, bolsas, bijuterias,
chapéus, acessórios pessoais, objetos de decoração,
livros, discos, perfumes, instrumentos musicais, brinquedos, artigos
esportivos, eletrodomésticos e móveis.
Como a moda vive se reinventando, o brechó acaba sendo o
celeiro desse movimento. A combinação de roupas de
décadas passadas com peças originais possibilita às
clientes fugir do lugar comum e adotar estilos únicos.
Porém, para se diferenciar da concorrência e atrair
uma clientela fiel, o empreendedor precisa profissionalizar a gestão
do negócio. Foi-se o tempo em que a quantidade de produtos
era o único fator que importava para o sucesso de um brechó.
Peças com defeitos graves,
sujas, rasgadas ou manchadas não são mais admitidas
pelos clientes, cada vez mais exigentes e detalhistas. Os produtos
adquiridos
precisam ter qualidade e durabilidade, além da necessidade
de serem lavados, dobrados e organizados antes de disponibilizados
para
revenda.
Outro diferencial importante é a aparência do local.
O empreendimento deve fugir do estigma de mercado de pulgas, típico
de lojas de artigos usados, com prateleiras sujas e desorganizadas.
O brechó deve ter uma aparência semelhante a uma loja
de shopping
center, com ambiente agradável e limpo e vendedoras simpáticas
e qualificadas.
Por meio deste novo conceito, o segmento de brechós ganha,
a cada dia, mais espaço no mercado comercial brasileiro.
Novos
estabelecimentos estão sendo abertos e outros reformulados
para atrair um público renovado de jovens, adultos e idosos.
Aos poucos, as pessoas estão percebendo que o guarda-roupa
ideal é aquele que melhor lhes atende num breve momento,
e não um estoque eterno de peças repetidas. Trata-se
de uma segunda chance para quem quer se desfazer de roupas encalhadas
no armário, quanto para quem quer adquirir itens diferenciados.
E uma excelente oportunidade para empreendedores que trabalham para
realizar o desejo destes dois
públicos.
Mercado
De acordo com dados do setor, o segmento de brechós já
movimenta, pelo menos, R$ 5 milhões por ano. O crescimento
do mercado é registrado pelo aumento da quantidade de lojas
e pela ampliação das lojas existentes. Porém,
é impossível informar um número exato
porque muitos negócios estão na informalidade e outros
são classificados de diferentes formas pelas juntas comerciais.
O mercado consumidor é formado por diversos segmentos sociais.
Desde pessoas de baixa renda que buscam preços baixos, até
pessoas com melhor poder aquisitivo que procuram artigos de moda,
peças originais, roupas para festas à fantasia, bailes
bregas e temáticos.
Para o primeiro público, o apelo ainda é o baixo
preço. Estas pessoas vão ao brechó porque não
possuem condições de adquirir roupas novas em lojas
de shopping centers. A necessidade de economia impulsiona a compra
de artigos usados. Porém, estes clientes exigem qualidade
e garantia nos produtos oferecidos. Promoções e prazos
de pagamento são muito bem-vindos.
Recentemente, surgiu um novo público aos brechós.
São jovens e nostálgicos de plantão que embarcaram
na onda “retrô” e resgatam
roupas e acessórios pessoais de décadas passadas,
revirando o baú em busca de peças originais dos anos
60, 70 e 80. Esta rotina virou mania até para os adolescentes.
Não se trata de colecionar antiguidades, mas sim de combinar
o passado com o presente, por meio da mistura de peças antigas
com outras atuais. Trata-se de um movimento ainda elitizado, restrito
às capitais e conduzido por pessoas com mais informação
de moda que buscam fugir do lugar comum.
A explosão de festas dos anos 60, 70 e 80, juntamente com
o lançamento de almanaques temáticos, contribuiu para
o surgimento deste movimento. Porém, para a grande maioria
da população, ainda é preferível exibir
um tênis brilhando de novo do que uma “conga”
rodada.
A fugacidade da moda também proporcionou uma corrida aos
brechós. A saia que foi maciçamente utilizada na estação
passada, divulgada provavelmente por uma personagem da novela das
oito, seis meses depois já pode ser considerada fora de moda
e é descartada do guarda-roupa das consumidoras. No próximo
ano, esta mesma saia pode cair novamente nas graças do público
devido a um fato ou foto qualquer. Esta demanda específica
será atendida pelos brechós.
Vale lembrar que grandes centros comerciais como Rio de Janeiro
e São Paulo são fontes emissoras de moda. Em pequenas
e médias
cidades, além de capitais mais afastadas, as últimas
coleções chegam depois de certo tempo. Os brechós
destas cidades podem se beneficiar deste atraso, adquirindo peças
usadas no eixo Rio - São Paulo e vendendo suas aquisições
simultaneamente às lojas de marca em suas cidades.
O mercado ainda é composto, basicamente, por mulheres,
de várias faixas etárias. Aos poucos, os homens estão
participando do mercado, porém, num processo lento e cauteloso.
Devido ao risco intrínseco ao negócio, recomenda-se
a realização de ações de pesquisa de
mercado para avaliar a demanda e a
concorrência. Seguem algumas sugestões:
· Pesquisa em fontes como prefeitura, guias, IBGE e associações
de bairro para quantificação do mercado alvo.
· Pesquisa a guias especializados e revistas sobre moda.
Trata-se de um instrumento fundamental para fazer uma análise
da concorrência, selecionando concorrentes por bairro, faixa
de preço e especialidade.
· Visita aos concorrentes diretos, identificando os pontos
fortes e fracos dos estabelecimentos que trabalham no mesmo nicho.
· Participação em seminários especializados.
Localização
A localização do ponto comercial é uma das
decisões mais relevantes para um brechó. Dentre todos
os aspectos importantes para a escolha do ponto, deve-se considerar
prioritariamente a densidade populacional, o perfil dos consumidores
locais, a concorrência, os
fatores de acesso e locomoção, a visibilidade, a proximidade
com fornecedores, a segurança e a limpeza do local.
Alguns detalhes devem ser observados na escolha do imóvel:
· O imóvel atende às necessidades operacionais
referentes à localização, capacidade de instalação
do negócio, possibilidade de
expansão, características da vizinhança e disponibilidade
dos serviços de água, luz, esgoto, telefone e internet.
· O ponto é de fácil acesso, possui estacionamento
para veículos, local para carga e descarga de mercadorias
e conta com serviços de
transporte coletivo nas redondezas.
· O local está sujeito a inundações
ou próximo a zonas de risco.
· O imóvel está legalizado e regularizado
junto aos órgãos públicos municipais.
· A planta do imóvel está aprovada pela Prefeitura.
· Houve alguma obra posterior, aumentando, modificando
ou diminuindo a área primitiva.
· As atividades a serem desenvolvidas no local respeitam
a Lei de Zoneamento ou o Plano Diretor do Município.
· Os pagamentos do IPTU referente ao imóvel encontram-se
em dia.
· A legislação local permite o licenciamento
das placas de sinalização.
Exigências legais específicas
Para registrar uma empresa, a primeira providência é
contratar um contador – profissional legalmente habilitado
para elaborar os atos
constitutivos da empresa, auxiliá-lo na escolha da forma
jurídica mais adequada para o seu projeto e preencher os
formulários exigidos pelos órgãos públicos
de inscrição de pessoas jurídicas.
O contador pode informar sobre a legislação tributária
pertinente ao negócio. Mas, no momento da escolha do prestador
de serviço,
deve-se dar preferência a profissionais indicados por empresários
com negócios semelhantes.
Para legalizar a empresa, é necessário procurar os
órgãos responsáveis para as devidas inscrições.
As etapas do registro são:
· Registro de empresa nos seguintes órgãos:
o Junta Comercial;
o Secretaria da Receita Federal (CNPJ);
o Secretaria Estadual da Fazenda;
o Prefeitura do Município para obter o alvará de funcionamento;
o Enquadramento na Entidade Sindical Patronal (a empresa ficará
obrigada ao recolhimento anual da Contribuição Sindical
Patronal).
o Cadastramento junto à Caixa Econômica Federal no
sistema “Conectividade Social – INSS/FGTS”.
o Corpo de Bombeiros Militar.
· Visita a prefeitura da cidade onde pretende montar a
sua escola (quando for o caso) para fazer a consulta de local.
· Obtenção do alvará de licença
sanitária – adequar às instalações
de acordo com o Código Sanitário (especificações
legais sobre as
condições físicas). Em âmbito federal
a fiscalização cabe a Agência Nacional de Vigilância
Sanitária, estadual e municipal fica a cargo das Secretarias
Estadual e Municipal de Saúde (quando for o caso).
· Preparar e enviar o requerimento ao Chefe do DFA/SIV
do seu Estado para, solicitando a vistoria das instalações
e equipamentos.
· Registro do produto (quando for o caso).
As empresas que fornecem serviços e produtos no mercado
de consumo devem observar as regras de proteção ao
consumidor,
estabelecidas pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC).
O fato de o brechó vender produtos usados não o desobriga
de obedecer ao CDC. O CDC, publicado em 11 de setembro de 1990,
regula a relação de consumo em todo o território
brasileiro, na busca de equilibrar a relação entre
consumidores e fornecedores.
O CDC somente se aplica às operações comerciais
em que estiver presente a relação de consumo, isto
é, nos casos em que uma pessoa (física ou jurídica)
adquire produtos ou serviços como destinatário final.
Ou seja, é necessário que em uma negociação
estejam presentes o fornecedor e o consumidor, e que o produto ou
serviço adquirido satisfaça as necessidades próprias
do consumidor, na condição de destinatário
final.
Na maioria das vezes, os negócios envolvendo artigos usados
não possuem garantias contratuais e são baseados apenas
em relações de transparência e confiança.
Portanto, operações não caracterizadas como
relação de consumo não estão sob a proteção
do CDC, como ocorre, por exemplo, nas compras de mercadorias para
serem revendidas pela casa. Nestas operações, as mercadorias
adquiridas se destinam à revenda, e não ao consumo
da empresa. Tais negociações se regulam pelo Código
Civil brasileiro e legislações comerciais específicas.
Alguns itens regulados pelo CDC são: forma adequada de oferta
e exposição dos produtos destinados à venda,
fornecimento de orçamento prévio dos serviços
a serem prestados, cláusulas contratuais consideradas abusivas,
responsabilidade dos defeitos ou vícios dos produtos e serviços,
os prazos mínimos de garantia, cautelas ao fazer cobranças
de dívidas.
Um dos problemas comuns que ocorrem em brechós é
o chamado "vício oculto", ou seja, os defeitos
imperceptíveis ao consumidor no
momento da compra. Casos de vícios ocultos não informados
pelo fornecedor podem ser encaminhados ao Procon. Segundo o artigo
27 do CDC, o prazo para pedir a reparação dos prejuízos
causados pela venda é de cinco anos. Porém, nas situações
em que a mercadoria foi adquirida por meio de troca, a comprovação
das irregularidades é mais difícil.
Em relação aos principais impostos e contribuições
que devem ser recolhidos pelo brechó, vale uma consulta ao
contador sobre da Lei
Geral da Micro e Pequena Empresa (disponível em http://www.leigeral.com.br),
em vigor a partir de 01 de julho de 2007.
Estrutura
Para uma estrutura mínima de venda de dois mil itens, estima-se
ser necessária uma área de 50m², com flexibilidade
para ampliação
conforme o desenvolvimento do negócio. Os ambientes devem
ser divididos em área para exposição de mercadorias,
recepção,
provadores, banheiro e oficina para pequenos reparos.
O local de trabalho deve ser limpo e organizado, diferentemente
do antigo conceito de brechó com caixas empilhadas e mercadorias
amontoadas. As araras e as prateleiras devem valorizar as peças
mais bonitas e facilitar a visualização de todo o
estoque.
A parede e o teto devem estar conservados e sem rachaduras, goteiras,
infiltrações, mofos e descascamentos. O piso deve
ser de alta
resistência e durabilidade e de fácil manutenção.
Cerâmicas e ladrilhos coloridos proporcionam um toque especial,
enquanto granito e
porcelanato oferecem luxo e sofisticação ao ambiente.
Paredes pintadas com tinta acrílica facilitam a limpeza.
Cores claras facilitam a iluminação e proporcionam
um ambiente mais limpo e
agradável. Texturas e tintas especiais na fachada externa
personalizam e valorizam o ponto.
Sempre que possível, deve-se aproveitar a luz natural. No
final do mês, a economia da conta de luz compensa o investimento.
Quanto às artificiais, a preferência é pelas
lâmpadas fluorescentes, que ressaltam as cores das mercadorias.
Os artigos devem estar expostos de maneira atraente, podendo ser
arranjados por tipo de peça, por cores ou por tipo de mercadoria
(roupas masculinas, femininas, infantis, calçados, bolsas
e acessórios pessoais).
A fachada da loja cumpre um importante papel para atrair potenciais
clientes e transmitir os conceitos do ambiente. A decoração
da vitrine precisa causar impacto aos transeuntes e convidá-los
a conhecer a loja. Criatividade e bom gosto fazem a diferença
para valorizar as mercadorias de um brechó. Trata-se da principal
ferramenta de divulgação da loja e de um excelente
recurso de vendas. O
empreendedor pode solicitar uma consultoria com profissionais especializados
em montagem de vitrines (vitrinistas).
Outros profissionais qualificados (arquitetos, engenheiros, decoradores)
poderão ajudar a definir as alterações a serem
feitas no
imóvel escolhido para funcionamento da loja, orientando em
questões sobre ergometria, fluxo de operação,
design dos móveis, iluminação, ventilação,
etc.
Pessoal
O número de funcionários varia de acordo com o tamanho
do empreendimento. Para a estrutura anteriormente sugerida, o brechó
exige a seguinte equipe:
· Gerente: responsável pelas atividades administrativas,
financeiras, de controle de estoque e da comercialização.
Deve ter conhecimento da gestão do negócio, do processo
produtivo e do mercado. Deve conhecer em profundidade o perfil dos
clientes para definir o que comprar e quanto pagar pelas peças
usadas. Pode ser o proprietário.
· Vendedor: responsável pelo atendimento aos clientes
e venda dos produtos. Suas principais qualidades devem ser:
o Conhecer em profundidade os produtos oferecidos.
o Entender as necessidades dos clientes.
o Conhecer a cultura e o funcionamento da empresa.
o Conhecer as tendências do mercado.
o Desenvolver relacionamentos duradouros com os clientes.
o Transmitir confiabilidade e carisma.
o Atualizar-se sobre as novidades do segmento.
o Zelar pelo bom atendimento após a compra.
· Reparador: responsável por pequenos consertos
nas peças adquiridas. Deve ser capaz de pregar botões,
costurar ajustes, tirar manchas e fazer barras em calças.
Normalmente, o brechó funciona em horário comercial
de 10h00 às 18h00. Sábados e domingos são dias
de grande faturamento.
Dependendo do movimento e da época do ano, pode ser necessária
a ampliação do horário de funcionamento, exigindo
a contratação
temporária de mais vendedores. Esta expansão do negócio
precisa ser planejada conforme o aumento do faturamento.
O atendimento é um item que merece uma atenção
especial do empresário, visto que nesse segmento de negócio
há uma tendência ao
relacionamento de longo prazo com o cliente e à indicação
de novos clientes.
A qualificação de profissionais aumenta o comprometimento
com a empresa, eleva o nível de retenção de
funcionários, melhora a
performance do negócio e diminui os custos trabalhistas com
a rotatividade de pessoal. O treinamento dos colaboradores deve
desenvolver as seguintes competências:
· Capacidade de percepção para entender e
atender as expectativas dos clientes.
· Agilidade e presteza no atendimento.
· Capacidade de apresentar e vender os produtos da loja.
· Motivação para crescer juntamente com o negócio.
Deve-se estar atento para a Convenção Coletiva do
Sindicato dos Trabalhadores nessa área, utilizando-a como
balizadora dos salários e orientadora das relações
trabalhistas, evitando, assim, conseqüências desagradáveis.
O empreendedor pode participar de seminários, congressos
e cursos direcionados ao seu ramo de negócio, para manter-se
atualizado e
sintonizado com as tendências do setor. O Sebrae da localidade
poderá ser consultado para aprofundar as orientações
sobre o perfil do pessoal e treinamentos adequados.
Equipamentos
Os materiais básicos para a instalação de
um brechó são:
· Balcão de atendimento.
· Estantes para guardar volumes.
· Araras.
· Prateleiras.
· Provadores com espelho.
· Cadeiras.
· Telefone.
· Aparelho de fax.
· Microcomputador.
· Impressora.
A disposição das estantes, araras, prateleiras e
provadores é importante para proporcionar conforto e facilitar
aos clientes encontrarem as peças desejadas. Ao fazer o layout
do brechó, o empreendedor também deve levar em consideração
a ambientação, decoração,
circulação, ventilação e iluminação.
Na área externa, deve-se atentar para a fachada, letreiros,
entradas, saídas e estacionamento.
Matéria Prima / Mercadoria
O estoque de mercadorias irá definir o sucesso ou o fracasso
de um brechó. O empreendedor deve conhecer o perfil de sua
clientela e
adquirir peças que satisfaçam os seus desejos de consumo.
Uma forma de minimizar o risco do negócio é oferecer
uma ampla variedade de produtos: peças de décadas
passadas e peças modernas, roupas simples e de marca, peças
nacionais e importadas. Com o tempo, será possível
identificar as preferências dos consumidores e investir nas
mercadorias com mais procura.
Especificamente em um brechó, um fornecedor é um
potencial cliente e vice-versa. Portanto, deve-se intensificar ao
máximo o contato com fornecedores e clientes para que a loja
não tenha estoque elevado nem escassez de produto. O segredo
do sucesso está no giro de estoque, priorizando-se a escala
de movimentação de mercadorias ao invés da
margem de lucro por produto. Vale mais vender cinco produtos com
uma margem de 20% do que vender um produto com margem de 100%. Isso
porque ao girar cinco produtos, o empresário realizou pelo
menos 10 contatos com fornecedores e clientes, ampliando a sua rede
de relacionamentos e renovando continuamente o seu estoque.
A oferta de novidades é a principal fonte de atração
de clientes. Além da renovação do estoque,
o empreendedor pode aumentar a oferta de produtos através
do lançamento de novas linhas de venda. Produtos acessórios
como roupas de cama, mesa e banho, calçados, bolsas, semijóias,
objetos de decoração, livros, discos, perfumes, móveis,
eletrodomésticos e eletroeletrônicos podem atrair novos
consumidores e aumentar o faturamento da loja.
Além das pessoas que procuram a loja para vender seus artigos
pessoais, outros fornecedores podem ser explorados, como
seguradoras ou pontas de estoques de fabricantes. Quando uma carga
é roubada e recuperada por uma companhia de seguros, após
o
pagamento da indenização, os artigos encontrados são
leiloados a valores mais baratos. Grandes confecções
também vendem produtos
com pequenos defeitos de fábrica, mas com perfeitas condições
de uso. O mercado de ponta de estoque, ou outlet, pode trazer excelentes
oportunidades de aquisição.
Organização do processo produtivo
O processo produtivo de um brechó pode ser agrupado em três
grandes etapas:
1) Aquisição de mercadorias.
Em um brechó, “vender bem” significa, acima
de tudo, “comprar bem”. O empreendedor deve ter perspicácia
e sensibilidade para
identificar oportunidades de aquisição que não
demandarão muito tempo ou esforço para a revenda.
A aquisição de mercadorias deve ser bem planejada
e irá variar de acordo com as características do estabelecimento,
especialmente hábitos de consumo da clientela.
Para garantir a qualidade dos produtos, deve-se fazer uma rígida
seleção no momento da aquisição. Evita-se
a compra de roupas
rasgadas ou manchadas, que dificilmente serão repassadas
aos clientes.
Os produtos podem chegar por meio da dona de casa que procura a
loja para se desfazer daquele casaco que não usa mais ou
através da compra de artigos novos em pechinchas, liquidações,
pontas de estoque ou leilões. Dependendo da estratégia
de compra, os produtos podem atingir preços de revenda 50%
menores do que mercadorias similares em lojas tradicionais, tornando-se
extremamente atrativos para consumidores que desejam economizar.
Outra opção muito utilizada por brechós é
a compra por consignação. Nesta modalidade, as pessoas
deixam seus artigos usados na loja por um período determinado.
Caso o produto seja vendido, o ex-dono é remunerado por um
percentual do preço de venda ou por um valor fixo. Se o produto
não for vendido após o período acordado, a
loja devolve o produto ao proprietário sem qualquer ônus.
Esta modalidade diminui o risco de estoque encalhado e reduz o valor
necessário para capital de giro.
O empreendedor também pode buscar produtos em outras cidades
e países. A manutenção de uma extensa rede
de contatos de pessoas e lojas assegura uma fonte de abastecimento
perene e garante a oferta de novidades aos clientes.
2) Triagem, reparo e limpeza.
As mercadorias adquiridas passam por uma triagem para separar o
que já pode ser lavado e disponibilizado para revenda e o
que necessita de algum tipo de reparo. As roupas sem defeitos devem
ser lavadas, passadas e engomadas. Os calçados devem ser
limpos e engraxados. A aparência é um componente importante
para a atração de clientes.
Os produtos que carecem de algum ajuste devem ser encaminhados
para a oficina. Muitas pessoas vendem seus bens porque não
querem gastar tempo nem dinheiro para corrigir pequenos defeitos.
Alguns consertos simples como fazer costuras ou pregar botões
tornam o produto pronto para ser reutilizado, sem custos elevados
de reparação. A oficina também pode ser solicitada
para customizar produtos aos clientes, através do ajuste
de cós, gancho ou barra de calças, por exemplo.
3) Exposição e venda.
Os artigos prontos para a venda devem ser separados em setores,
de preferência com etiquetas de preços e códigos
de barra. A organização é fundamental para
o cliente encontrar com rapidez o que procura. Divisão por
cores e tamanhos também auxiliam na busca da peça
desejada.
O atendimento a clientes deve ser tão profissional quanto
o das lojas de shopping centers. O fato de o brechó vender
artigos usados não o desobriga de atender com qualidade os
clientes. Com mais opções de compra e menos tempo,
as pessoas estão mais exigentes em relação
ao serviço prestado pelos vendedores e à qualidade
dos produtos.
Automação
Atualmente, existem diversos sistemas informatizados (softwares)
que podem auxiliar o empreendedor na gestão de um brechó
(vide
http://www.baixaki.com.br ou http://www.superdownloads.com.br).
Seguem algumas opções:
· Loja Fácil - Easystore.
· Aplicativo para Loja de Confecção.
· Gerenciador de Loja de Confecções e Calçados.
· OnBIT S2 Loja 2008.
· Avante – Sistema de Controle de Loja.
· SisGEF – Loja Comercial.
· Loja. Salutar.
· Sistema Loja.
· REPTecno Loja Plus.
· REPTecno Comercial Plus.
· Clothing Organizer.
· Sistema LojaFacil Automação Comercial.
· Empresarial Máster Plus.
· Software Integrado Lojas Confecção.
· Emporium Lite.
· CI-Lojas.
· Myloja One
· Integrato Lite.
· SisAdvenPDV.
· CallSoft Informatize Empresarial.
· Elbrus Light Light.
· SisAdven.
· Dataprol Sistema Comercial Integrado.
· SGI-Plus Programa Automação Comercial Completo
Integração com Balança.
· BitLoja Plus.
· SupPort Confecções e Sapataria.
· Chronus Store.
· Posh Shop.
· LojaSoft.
· Sistema de Gerenciamento de Vendas.
· Atrex.
· Little Shop of Treasures.
· AZ Comércio.
Antes de se decidir pelo sistema a ser utilizado, o empreendedor
deve avaliar o preço cobrado, o serviço de manutenção,
a conformidade em relação à legislação
fiscal municipal e estadual, a facilidade de suporte e as atualizações
oferecidas pelo fornecedor, verificando ainda se o aplicativo possui
funcionalidades tais como:
· Controle dos dados sobre faturamento/vendas, gestão
de caixa e bancos (conta corrente).
· Controle de mercadorias.
· Organização de compras e contas a pagar.
· Emissão de pedidos.
· Controle de taxa de serviço.
· Lista de espera.
· Relatórios e gráficos gerenciais para análise
real do faturamento do brechó.
Canais de distribuição
Como os produtos oferecidos por um brechó exigem que o consumidor
escolha, prove e confira a mercadoria, o canal de
distribuição de um brechó resume-se à
própria loja.
Investimentos
O investimento varia muito de acordo com o porte do empreendimento.
Um brechó estabelecido numa área de 50m² exige
um investimento inicial estimado em R$ 20 mil, aproximadamente,
a ser alocado majoritariamente nos seguintes itens:
· Reforma do local.
· Balcão de atendimento.
· Estantes para guardar volumes.
· Araras.
· Prateleiras.
· Provadores com espelho.
· Cadeiras.
· Telefone.
· Aparelho de fax.
· Microcomputador.
· Impressora.
· Abertura da empresa.
· Marketing inicial.
· Estoque inicial.
Para uma informação mais apurada sobre o investimento
inicial, sugere-se que o empreendedor utilize o modelo de plano
de negócio
disponível no Sebrae.
Capital de giro
Capital de giro é o montante de recursos financeiros que
a empresa precisa manter para garantir a dinâmica do seu processo
de negócio.
O capital de giro precisa de controle permanente, pois tem a função
de minimizar o impacto das mudanças no ambiente de negócios
onde a empresa atua.
O desafio da gestão do capital de giro deve-se, principalmente,
à ocorrência dos fatores a seguir:
· Variação dos diversos custos absorvidos
pela empresa.
· Aumento de despesas financeiras, em decorrência das
instabilidades desse mercado.
· Baixo volume de vendas.
· Aumento dos índices de inadimplência.
· Altos níveis de estoques.
O empreendedor deve ter um controle orçamentário
rígido de forma a não consumir recursos sem previsão.
O empresário deve evitar a retirada de valores além
do pró-labore estipulado, pois no início todo o recurso
que entrar na empresa nela
deverá permanecer, possibilitando o crescimento e a expansão
do negócio. Dessa forma a empresa poderá alcançar
mais rapidamente
sua auto-sustentação, reduzindo as necessidades de
capital de giro e agregando maior valor ao novo negócio.
Geralmente, a necessidade de capital de giro é alta para
a operação de um brechó. O empreendedor deve
ter sempre dinheiro em caixa para a aquisição de produtos
usados. Quase sempre estas compras são realizadas com pagamento
à vista em dinheiro. Isso pode ser um atrativo para ladrões.
Por precaução, recomenda-se a instalação
de dispositivos de segurança na loja.
Custos
São todos os gastos realizados na produção
de um bem ou serviço e que serão incorporados posteriormente
ao preço dos produtos ou
serviços prestados, como: aluguel, água, luz, salários,
honorários profissionais, despesas de vendas, matéria-prima
e insumos consumidos no processo de produção.
O cuidado na administração e redução
de todos os custos envolvidos na compra, produção
e venda de produtos ou serviços que compõem o negócio,
indica que o empreendedor poderá ter sucesso ou insucesso,
na medida em que encarar como ponto fundamental a redução
de desperdícios, a compra pelo melhor preço e o controle
de todas as despesas internas. Quanto menores os custos, maior a
chance de ganhar no resultado final do negócio.
Os custos para uma abrir um brechó devem ser estimados
considerando os itens abaixo:
· Salários, comissões e encargos.
· Tributos, impostos, contribuições e taxas.
· Aluguel, taxa de condomínio, segurança.
· Água, luz, telefone e acesso a internet.
· Produtos para higiene e limpeza da empresa e funcionários.
· Recursos para manutenções corretivas.
· Assessoria contábil.
· Propaganda e publicidade da empresa.
· Aquisição de matéria-prima e insumos.
· Despesas com vendas.
· Despesas com armazenamento e transporte.
Seguem algumas dicas para manter os custos controlados:
· Comprar pelo menor preço.
· Negociar prazos mais extensos para pagamento de fornecedores.
· Evitar gastos e despesas desnecessárias.
· Manter equipe de pessoal enxuta.
· Reduzir a inadimplência, através da utilização
de cartões de crédito e débito.
Diversificação / Agregação de valor
Agregar valor significa oferecer produtos e serviços complementares
ao produto principal, diferenciando-se da concorrência e atraindo
o público-alvo. Não basta possuir algo que os produtos
concorrentes não oferecem. É necessário que
esse algo mais seja reconhecido pelo cliente como uma vantagem competitiva
e aumente o seu nível de satisfação com o produto
ou serviço prestado.
As pesquisas quantitativas e qualitativas podem ajudar na identificação
de benefícios de valor agregado. No caso de um brechó,
há várias oportunidades de diferenciação,
tais como:
· Criação de programas de fidelidade para
as clientes mais assíduas.
· Montagem de seções específicas para
roupas para casamento ou festas bregas.
· Separação das mercadorias em estilos: por
exemplo, anos 60, anos 70, anos 80.
· Ampliação de linhas de produtos, como calçados,
bolsas, bijuterias, objetos de decoração, artesanatos,
livros, discos, instrumentos musicais, brinquedos, artigos esportivos,
eletrodomésticos e móveis.
· Montagem de um brechó infantil, com tudo relacionado
a bebê: roupas, calçados, carrinhos, cadeirinhas, berços,
cômodas, brinquedos, etc.
· Criação de um programa de doação
de livros ou agasalhos para pessoas carentes.
Divulgação
A divulgação é um componente fundamental para
o sucesso de um brechó. As campanhas publicitárias
devem ser adequadas ao
orçamento da empresa, à sua região de abrangência
e às peculiaridades do local. Abaixo, sugerem-se algumas
ações mercadológicas
acessíveis e eficientes:
· Confeccionar folders e flyers para a distribuição
em escritórios e residências.
· Participar de feiras de artesanatos e mercados de pulga.
· Oferecer brindes para clientes que indicam outras clientes.
· Anunciar em jornais de bairro e revistas locais de moda.
· Oferecer descontos e pacotes promocionais para produtos
combinados.
· Realizar promoções conjuntas com estabelecimentos
comerciais vizinhos (por exemplo, clientes da academia X têm
10% de desconto
no brechó).
· Oferecer vale-compras para fornecedores que vendem produtos
à loja ou deixam produtos em consignação.
· Montar um website com a oferta de produtos para alavancar
as vendas.
O empreendedor deve sempre entregar o que foi prometido e, quando
puder, superar as expectativas do cliente. Ao final, a melhor
propaganda será feita pelos clientes satisfeitos e bem atendidos.
Informações Fiscais e Tributárias
O segmento de brechó, assim entendido o comércio
de artigos usados, tais como móveis, utensílios domésticos,
eletrodomésticos, roupas e calçados, material de demolição,
etc, poderá optar pelo SIMPLES Nacional - Regime Especial
Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições
devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, instituído
pela Lei Complementar nº 123/2006, caso a receita bruta de
sua atividade não ultrapassar R$ 240.000,00 (microempresa)
ou R$ 2.400.000,00 (empresa de pequeno porte) e respeitando os demais
requisitos previstos na Lei.
Nesse regime, o empreendedor poderá recolher os seguintes
tributos e contribuições, por meio de apenas um documento
fiscal – o DAS (Documento de Arrecadação do
Simples Nacional):
-IRPJ (imposto de renda da pessoa jurídica);
-CSLL (contribuição social sobre o lucro);
-PIS (programa de integração social);
-COFINS (contribuição para o financiamento da seguridade
social);
-ICMS (imposto sobre circulação de mercadorias e serviços);
-INSS (contribuição para a seguridade social).
Conforme o Anexo I da referida Lei Complementar nº 123/2006,
as alíquotas do SIMPLES Nacional, para esse ramo de atividade,
vão de 4% até 11,61%, dependendo da receita bruta
auferida pelo negócio. No caso de início de atividade
no próprio ano-calendário da opção pelo
SIMPLES Nacional, para efeito de determinação da alíquota
no primeiro mês de atividade, o empreendedor utilizará,
como receita bruta total acumulada, a receita do próprio
mês de apuração multiplicada por 12 (doze).
Se o Estado em que o empreendedor estiver exercendo a atividade
conceder benefícios de isenção e/ou substituição
tributária para o
ICMS, a alíquota poderá ser reduzida conforme o caso.
Na esfera Federal poderá ocorrer a redução
quando se tratar de PIS e/ou
COFINS (Resolução nº 05/2007, do Comitê
Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas
de Pequeno Porte).
Essa opção de tributação poderá
ser amplamente vantajosa para o segmento de negócio de brechó,
motivo pelo qual sugerimos uma
avaliação cuidadosa do regime de tributação
apresentado. Orienta-se ao empreendedor que atente ao tópico
Exigências legais especificas, que inclui as normas e regulamentos
que devem ser atendidos para operacionalização dessa
atividade.
Glossário
Seguem alguns termos técnicos extraídos do glossário
disponível em http://pt-br.wordpress.com/tag/dicionari...:
ACRÍLICO: Fibra artificial sintética, a produção
para fins comerciais se iniciou em 1.950, nos EUA. Características:
leve, macio e quente, para o inverno ou frio, macio, semelhante
ao algodão e fresco para o verão, apresenta brilho
quando tingido com excelente solidez.
ALGODÃO (COTTON): Constitui uma das principais fibras têxteis
de produção, com comercialização e uso
em larga escala mundial. No Brasil, é a principal fibra têxtil,
tendo suas fontes de produção localizada nas regiões
Nordeste, Sul e Centro-Oeste do país. As
principais características para a produção
de fios de algodão de boa qualidade são: o comprimento
da fibra, e a resistência da fibra.
ALONGAMENTO DO FIO: A capacidade de alongamento do fio open end
é maior, importante para a malharia, mas problemático
ao
acabamento, pois malhas com fios open end tendem a ficar mais largas
e necessitam de regulagens especiais.
ANEL, PROCESSO EM: Podem existir fios com torção
no sentido direito (Z), ou no sentido esquerdo (S). Neste sistema
a torção é
realizada de fora da fibra para dentro, o que resulta em um fio
mais macio tanto no núcleo, como na sua superfície.
APLIQUE, BORDADO COM: A máquina de bordar sustenta 15 cabeçotes
que podem produzir vários tipos de bordados, um modelo é
aquele que possui o aplique. Este aplique, já na forma do
desenho e tecido, pode ser de vários tecidos, como o feltro,
por exemplo. O
aplique é posto manualmente depois é preso pelo bordado
feito em cima ou ao redor do aplique.
ACETATO: O acetato ou raiom acetato, é uma fibra artificial
a base de celulose, obtida por processo semelhante ao da viscose,
utilizada como substituta da seda natural, o consumo do acetato
é reduzido, especialmente no caso de aplicações
têxteis. Embora apresentando características gerais
similares às da viscose, não reage bem aos processos
normais de tingimento, exigindo a utilização de técnicas
especiais. Suas maiores aplicações estão na
produção de filtros para cigarros, rendas, cetins
e material de estofamento.
ANARRUGA: Tecido com efeito enrugado ou plissado no urdume ou na
trama, conseguido através da utilização de
fios com encolhimentos diferentes, muito utilizado em roupas leves
para o verão, como blusas, vestidos, etc.
ANTIFIT: Modelagem da 501, o primeiro modelo da Levi’s.
Tem botões ou zíper, adaptada a silhueta do consumidor
brasileiro, com
cintura baixa, quadril desestruturado e corte reto nas pernas. Como
o nome diz, não é um jeans de caimento perfeito; fica
com pequenas sobras no quadril e cavalo. Tem pontos a favor: o conforto
e o estilo.
BANDANA: Lenço dos pioneiros do oeste americano.No final
da década de 80, entrou definitivamente para o guarda-roupa
dos jovens. Sua estampa mistura traços primitivos com motivos
de cashmere. É usado na cabeça, amarrando os cabelos,
no pescoço e até mesmo como faixa na cintura.
BÁSICO: Estilo de vestir. Representa também a linguagem
dos tecidos e peças clássicas e comuns nas coleções
dos produtores de
tecidos e confecções.
BARBATANA - Pedaço de barbatana de baleia ou armação
que, no final do século XIX, era inserida em espartilhos
ou suportes para criar a silhueta em S da época. Com o formato
de uma longa espátula, mais espessa em cima que embaixo,
a barbatana era presa por cordões. Ia desde o busto até
a cintura ou até os quadris.
BATIK: Tecido muito antigo de algodão, estampado e produzido
na Índia e Indonésia. Atualmente, ainda muito utilizado,
ele é estampado com o processo à cera e após
pintado a mão, o que lhe confere uma característica
original e delicada.
BODY: (em inglês) Corpo.
BODY-SUIT: Roupa colante, ajustada, que desenha o corpo, ressaltando
sensualmente os contornos.
BOTÃO: Peça de variados tamanhos e formas, usado
para fechar peças do vestuário, mas que não
se rendeu a só essa função. Desde o século
XVI , enfeita as roupas e, dependendo do material, acaba virando
uma jóia.
BOTTOM: Parte inferior. Saia, calça, bermuda, shorts, etc.
BOUCLÈ: Do adjetivo francês bouclè (que forma
um anel). É um fio retorcido onde aparecem laçadas
e nós, resultando uma textura crespa.
BRIM: Tecido grosso, empregado em diversos artigos, inclusive roupas
profissionais, calças, jaquetas, etc.
BUSTIER: Cobre o busto, pode ser curto como um sutiã ou
comprido como espartilho.
CALADO: Expressão usada para referir-se às peças
de tricô, que descreve o acabamento sem costura (sem emenda),
quando a peça sai praticamente pronta da máquina.
CALÇAS - Peça externa que cobre o corpo desde a cintura
até os tornozelos, com duas partes separadas envolvendo as
pernas. De uma forma ou de outra, as calças vêm sendo
usadas pelo homem desde a Antiguidade. Os calções
do início do século XIX, os knickerbockers e as pantalonas
são os parentes mais próximos das calças modernas.
Calças retas que iam até os tornozelos começaram
a surgir no início da década de 1800, mas apenas no
final do século XIX foram consideradas uma vestimenta aceitável
para homens. Embora a atriz Sarah Bernhardt aparecesse usando calças
na mesma época, só na década de 20 elas foram
usadas normalmente pelas mulheres. Nas décadas de 20 e 30,
Chanel lançou “calças de iatismo”, e usavam-se
calças (na maioria, largas) para praia e lazer. Na mesma
época, calças para a noite, em tecidos esmerados,
entraram em moda, e os homens vestiram Oxford bags de pernas largas.
Durante a Segunda Guerra Mundial, as mulheres, assumindo o trabalho
masculino, usavam calças nas fábricas e nos campos;
após a guerra, porém, as únicas calças
em moda eram as bermudas, as calças de ciclista e calças
de toureiro, todas usadas em ocasiões informais. A verdadeira
revolução das calças ocorreu na década
de 60, com a moda unissex, apesar de, até nessa época,
mulheres que usassem calças serem impedidas de entrar em
restaurantes e de o assunto ser debatido acaloradamente.
Nos anos 70, as regras e atitudes sociais abrandaram-se e as calças
de muitos comprimentos e modelos tornaram-se peça aceitável
da vestimenta feminina, tanto informal quanto formal. Na década
de 80, a batalha da mulher que usa calças foi quase totalmente
vencida, embora em alguns segmentos ainda haja resistência
à idéia de a mulher usar calça no trabalho.
CALÇAS CAPRI - Durante a década de 50, eram calças
razoavelmente folgadas que se afunilavam até o meio da canela
e que
se tornaram traje elegante de verão. Receberam o nome em
homenagem à ilha de Capri, na Itália, balneário
muito popular na época.
CALÇAS DE CICLISTA - Calças largas que iam até
o meio da canela, geralmente feitas com punhos, os quais estiveram
em moda
durante a década de 50.
CANELADO: Possibilita um ajuste perfeito ao corpo, dando liberdade
aos movimentos. O ponto de malharia em canelado combina
elasticidade e alongamento, proporcionando um bom stretch. Sua textura
agrega um visual básico e moderno.
CANUTILHO: Peças de plástico ou vidro que são
usadas em bordados e bijuterias.
CARDADO, FIO: O fio cardado devido a não passar pela penteadeira,
possui mais fibras curtas, o que propicia uma maior formação
de pilling (bolinhas no tecido) e neps (defeito na regularidade
do fio). A aparência também é prejudicada, pois
o mesmo possui uma maior irregularidade.
CARDIGAN: Casaco ou sweater tricotado, geralmente de lã,
sem gola. Com ou sem mangas.
CARGO / UTILITY / CARPENTER: São modelos baseados nos estilos
dos uniformes de serviço e utilitários. Com base em
modelagens amplas e confortáveis dando um efeito de roupa
casual.
CASUAL: Esportivo, básico, descompromissado, descontraído,
ocasional.
COTTON/ALGODÃO: O algodão constitui uma das principais
fibras têxteis de produção, com comercialização
e uso em larga escala
mundial. No Brasil, é a principal fibra têxtil, tendo
suas fontes de produção localizada nas regiões
Nordeste, Sul e Centro-Oeste do país. As principais características
para a produção de fios de algodão de boa qualidade
são: o comprimento da fibra, e a resistência da fibra.
DÉLAVÉ, PROCESSO: Lavagem estonada com aplicação
de clareamento e alvejante químico, deixando o tecido com
um visual
mais macio que o simples estonado.
DESGASTE LOCALIZADO, PROCESSO DE: São acabamentos feitos
peça a peça, com difícil reprodutibilidade
entre as peças e
efeitos diversos. Existem vários efeitos que se pode obter:
o used (uso de pistola para clarear uma parte determinada), o lixado
(processo manual de abrasão com lixa na peça bruta
para desgastar o tecido em um local específico), o detonado
(efeitos com uso de esmeril dando picotes na peça antes de
lavar revelando, depois de lavado, marcas localizadas) e o bigode
(que dá um efeito imitando as marcações de
tanque, feitas manualmente com uso de gabaritos e lixadas com retífica
manual).
DESTROYED, PROCESSO: Lavagem parecida com a estonagem, porém
utiliza mais enzimas que corroem a fibra levemente, deixando um
aspecto meio “destruído” justificando assim a
palavra destroyed.
DICRON: Malha stretch, elaborada com microfibra e elastano que
garantem a maciez e a elasticidade da peça. O diferencial
deste
produto é o brilho discreto obtido através do uso
de um fio iridescente que emite pequenos pontos de luz com o movimento
e a incidência da luz sobre a peça.
DRY FIT: Conceito utilizado para definir o tecido feito com poliamida
e elastano, ou seja, o supplex que, devido a sua estrutura e a titulagem
do fio, proporciona um conforto propício para peças
de esporte que exigem uma alta capacidade de transpiração.
A peça com o conceito dry fit, possui o tecido com capacidade
de tirar a umidade do corpo e transportá-lo para fora do
tecido. Dry fit significa em inglês “caimento seco”,
justificando assim seu benefício.
ELASTANO, FIO (SPANDEX): Fibra artificial proveniente do poliuretano,
mais conhecida comercialmente como lycra. Provém da
família das fibras químicas que possuem a maior capacidade
elástica existente. Seu espichamento é altíssimo
o que confere a ele a
capacidade de esticar e retornar ao seu estado inicial sem danificações.
O fio de spandex é muito utilizado em roupas que necessitem
de
movimentos livres (como nos artigos da linha active wear) e uma
alta transpiração, sendo que misturado com tecidos
como o algodão,
proporcionam conforto, elasticidade, boa transpiração
e ótima resistência ao calor e ao frio.
ENZIME WASH: Confere aspecto “envelhecido” com bom
toque, consiste em uma lavagem enzimática de 60 minutos a
40º C, depois
passa por um processo de amaciamento.
ESTONAGEM: Processo de lavagem do artigo em tambores que levam
junto, as pedras de argila, chamadas de sinasitas. Durante a
lavagem as pedras entram em atrito com o artigo deixando-o com um
aspecto “batido”, mais “usado”. Oferece-se
também o aspecto um pouco desbotado e amaciado.
EVASÊ: Do francês évasé, diz-se da peça
de vestuário que se alarga para baixo, em forma de cone.
FIAÇÃO: Hoje em dia existem vários tipos de
processamentos para as fibras naturais e artificiais. O processo
de fabricação dos fios
influencia diretamente na sua estrutura construtiva, o que fornece
aos mesmos, características individuais.
FIBRA: Estrutura de origem animal, vegetal, mineral ou sintética
parecida com pêlo. Seu diâmetro não excede a
0,05 cm. As fibras são
utilizadas, entre outras muitas aplicações, em produtos
têxteis, e são classificadas em função
de sua origem, de sua estrutura química ou de ambos os fatores.
FIBRAS ARTIFICIAIS: O processo de produção das fibras
artificiais consiste na transformação química
de matérias-primas naturais. A partir das lâminas de
celulose, o raiom acetato e o raiom viscose seguem fluxos diferentes.
A viscose passa por banho de soda cáustica e, em seguida,
por sub-processos de moagem, sulfurização e maturação
e, finalmente é extrudada e assume a forma de filamento contínuo
ou fibra cortada. O acetato passa inicialmente por um banho de ácido
sulfúrico, diluição em acetona, extrusão
e por uma operação de evaporação da
acetona. Recentemente foi inventado um novo tipo de fibra que também
pode ser classificada com artificial que é o tencel.
FIBRAS NATURAIS: Os fibras ou fios naturais são obtidos
diretamente da natureza e os filamentos são feitos a partir
de processos
mecânicos de torção, limpeza e acabamento. Podem
ser obtidos a partir de frutos, folhas, cascas e lenho. As principais
plantas têxteis
são: o algodoeiro (fibra de algodão), a juta (para
fazer cordas), o sisal (parecido com o linho), o linho (caule com
filamentos rígidos) e o
rami (também muito utilizado como o linho).
FIBRAS SINTÉTICAS: O processo de produção
das fibras sintéticas se inicia com a transformação
da nafta petroquímica, um derivado petróleo, em benzeno,
eteno, p-xileno e propeno, produtos intermediários da chamada
1° geração petroquímica e insumos básicos
para a produção destas fibras.
O benzeno é a matéria-prima básica da poliamida
6 (náilon 6), que, por sua vez, é obtida pela polimerização
da caprolactama (único monômero), enquanto que a poliamida
6.6 consiste na polimerização de dois monômeros:
hexametilenodiamina e ácido adípico, que por reação
de policondensação formam o “Sal N”, e
em uma segunda fase a poliamida 6.6 (náilon 6.6).O poliéster
cuja matéria-prima básica é o p-xileno pode
ser obtido por intermédio de duas rotas de produção:
a do DMT (Dimetil Tereftalato + MEG) ou a do PTA (Ácido Terefetálico
Puro + MEG: Monoetilenoglicol).
As fibras acrílicas e olefínicas (polipropileno),
por sua vez, têm como principal insumo básico petroquímico
o propeno. Pelas suas propriedades e presença de aminoácidos,
as fibras acrílicas são comparadas à lã
natural e ocuparam os segmentos de roupas de inverno e de tapeçaria,
devido as suas semelhanças aos produtos de lã. Recentemente
foi desenvolvida uma nova variedade de fibra sintética, a
microfibra.
FIL A FIL: Tecido de construção de tela sendo os
fios tintos ou seja tanto o fio da trama quanto o fio do urdume
são tingidos na mesma cor dando um aspecto de tom sobre tom.
FRUFRU: Talvez o ornamento feminino por excelência. Forma
onomatopéica de babadinhos franzidos, em geral estreitos.
FUSEAU: Do francês calça justa e afunilada, cuja linha
lembra a de um fuso. A diferença entre uma calça fuseau
e uma legging é que na
primeira, as pernas têm uma alça de união que
fica na sola do pé, enquanto a legging tem o comprimento
das pernas até a metade da
parte inferior destas, nunca chegando aos tornozelos.
FUXICO: Um trabalho artesanal, feito com retalhos formando uma
rodelinha franzida que lembra uma flor.
GALÃO: São tiras bordadas, sem elasticidade, que
aplicadas nas peças dão detalhes de enfeite ou acabamento.
O galão mais conhecido é o branco com duas tiras na
cor preta (da marca adidas). Muito utilizado em roupas esportivas.
GARMENT DYE: Processo de tingimento para artigos confeccionados
em fundo pré-tratado, cuja característica dependerá
do
tipo de corante e procedimento utilizado. Existem o garment dye
reativo que dá um aspecto mais brilhante e solidez na cor,
e o garment
dye por pigmento que dá o aspecto um pouco mais envelhecido.
GARMENT WASH: Processo de lavação para tecidos na
cor, com finalidade e pré-encolher a peça e alguns
casos melhorar o toque. As peças que sofrem este processo
apresentam leves efeitos de marcação nas costuras.
GEL EM RELEVO, ESTAMPA: Estampa aplicada com uma camada em relevo
de gel incolor (plastisol) o qual dá um aspecto plastificado
e meio brilhante na estampa.
GLITTER, ESTAMPA: A malha é estampada em quadro com o glitter
na cor desejada e esta estampa leva uma camada de pasta incolor
que não sai na lavagem em máquina, pois a pasta incolor
a protege.
GOUFRE / JACQUARD: São malhas que apresentam desenhos que
são obtidos através de uma seleção eletrônica
das agulhas dos teares.
GRAMATURA: Massa por unidade de superfície. Sua unidade
de medida é gramas por metro quadrado, assim quando se diz
que um
tecido tem gramatura de 50, quer dizer que ele tem uma massa de
50 gramas por metro quadrado. O tecido pode ser avaliado através
da gramatura conforme a tabela anexa, onde “P” é
o peso ou massa do tecido.
GODÊ: Tecido cortado enviesadamente, na confecção
de uma peça de vestuário, principalmente saia.
HIPER DESTROYER: Consiste em envelhecer com mais intensidade e
maior atrito entre as peças e pedras. Proporciona grande
intensidade de clareamento.
HIPER DESTROYER DELAVE: Trata-se de stonar para clarear entre as
costuras, e após, desbotar. Ou seja, reduz a intensidade
da coloração do índigo, deixando seu tom claro.
ILHÓS: Orifício onde se passa uma fita ou um cordão.
Feito de metal, plástico ou outro material, normalmente é
usado em cintos, como
detalhes em bolsas e no bolso do short de praia para a água
sair.
ÍNDIGO BLUE: Nome do tecido utilizado universalmente para
calças jeans. O nome índigo é uma alusão
à planta indiana chama INDIGUS a qual continha em sua raiz
um corante de coloração natural azul e na época
servia de base para tingimentos nas tribos. Hoje o índigo
se define como corante para calças jeans em tons de azul.
INTERLOCK, MALHA: Estrutura de malha que devido ao seu entrelaçamento,
proporciona ótimo caimento, toque mais firme e
agradável.
JACQUARD: Complexo método de tecelagem inventado por Joseph
J.M. Jacquard nos anos 1801 a 1804. Por meio de um sistema eletrônico
que controla as agulhas de tecimento, muitas configurações
podem ser obtidas resultando tecidos com “desenhos”
especiais (não possíveis em teares comuns).
JEANS: Estilo de confecção, caracterizado pela estrutura
reforçada evidenciando rebites e costuras duplas, por exemplo.
JOGGING: Do inglês jog (correr em ritmo de trote). Agasalho
(blusa e calça) para fazer esportes (deve ser usado com tênis).
Também
conhecido como trainning ou abrigo.
LÃ: Fibra natural, animal, proveniente da tosquia de ovelhas
e carneiros. A lã é utilizada desde a idade da pedra,
sendo que evoluiu,
de uma fibra grosseira na antiguidade, a uma fibra nobre, pela seleção
de raças de animais produtores.
LEGGING: Tipo de roupa-meia, ou estilo da meia-calça. Fruto
do movimento da moda, inspirado nas roupas esportivas, o legging
ultrapassou as fronteiras da academia e passou a ser utilizado com
amplas camisetas ou bustiês como roupa urbana.
LINHO: Fibra natural vegetal, proveniente do caule da planta de
mesmo nome, é provavelmente a primeira fibra natural que
foi
utilizada pelo homem para usos têxteis.
LYCRA ®: Fibra sintética, elástica, resistente
à abrasão e com excelentes propriedades de extensão
e retração.
LOOK: Do inglês (olhar), é o estilo, o resultado da
soma de roupa, acessórios, maquiagem e cabelo, que se percebe
numa única olhada. Sinônimo de visual.
MEIA MALHA (JERSEY): Estrutura mais simples de uma malha.
MELÀNGE: Fio 100% algodão, onde a característica
mescla é obtida no processo de fiação, com
o tingimento da pluma do algodão.
MERCERIZAÇÃO: Tratamento com hidróxido de
sódio concentrado que é aplicado ao fio ou tecido
de algodão o qual proporciona um brilho acentuado, maior
afinidade com corantes, toque mais macio, maior resistência
e maior encolhimento, portanto é um fio (ou tecido) que já
foi extensamente beneficiado para proporcionar menos encolhimento
nas próximas lavagens. O processo requer um
maquinário caro e leva bastante tempo; daí a explicação
de ser uma malha mais cara.
MICROFIBRA: Fios sintéticos que são formados por
filamentos extremamente finos. Estes filamentos podem ser 60 vezes
mais finos
que um fio de cabelo e 10.000 filamentos de microfibra podem pesar
menos que 1 grama. Os artigos de malha produzidos com Microfibras
possuem como características, o toque sedoso, vestem muito
bem, encolhimento da peça extremamente baixo, alta resistência,
baixo abarrotamento e bom isolamento quanto a vento e frio. As microfibras
podem ser de poliéster, poliamida (nylon), acrílico
ou viscose.
MICRO MODAL: Fibra composta de 100% da mais pura celulose (o liocel).
Micro Modal corresponde a todas exigências humanas e
ecológicas e é produzida exclusivamente a partir de
celulose tratada sem cloro. Micro Modal não contem concentrações
de substâncias
nocivas, é livre de pesticidas e não causa irritações
cutâneas. Tecido de alta maciez, brilho, caimento e transpira
quase 50% da umidade. Na coleção, a fibra é
utilizada juntamente com o Algodão para elaborar malhas para
os artigos underwear, uma vez que provoca a sensação
de conforto e maciez altíssimos para um vestuário
íntimo e que fica em contato constante com a pele humana.
MIÇANGA: Contas miúdas de massa vitrificada, usadas
em bordados e bijuterias.
MODAL BY LEAZING: Marca registrada da fibra modal pela empresa
Leazing. A fibra modal é ecologicamente produzida da
celulose encontrada na madeira. Esta fibra possui uma ótima
absorção e evaporação de umidade, é
parceria ideal para misturas com outras fibras. Os tecidos de modal
possuem um toque agradável, macio e proporcionam grande conforto.
MOLETOM, MALHA: estrutura de malha que tem o entrelaçamento
feito de tal forma que os fios da malha, no interior, fiquem
“flutuantes”, ou seja, aliado a um processo de peluciagem
ele oferece maior aquecimento do corpo não deixando que o
calor se transporte para fora do corpo.
NATURAIS, FIOS: os fios naturais são obtidos diretamente
da natureza e os filamentos são feitos a partir de processos
mecânicos de
torção, limpeza e acabamento. Podem ser obtidos a
partir de frutos, folhas, cascas e lenho. As principais plantas
têxteis são: o algodoeiro (fibra de algodão),
a juta (para fazer cordas), o sisal (parecido com o linho), o linho
(caule com filamentos rígidos) e o rami (também muito
utilizado como o linho).
NYLON: Termo aplicado para um produto de origem sintética
largamente utilizado em fibras têxteis, que se caracteriza
pela sua
grande resistência, tenacidade, brilho e elasticidade. Foi
desenvolvido nos anos 30 e hoje, nylon é o nome dado a toda
uma família de fios e fibras sintéticas, chamadas
de poliamidas.
OPEN END: Método mais prático para a produção
de fios. Este sistema tem um fluxo de máquinas reduzido,
e é utilizado na sua
grande maioria para aproveitar resíduos de outros sistemas
de produção em específico o anel. Este sistema
apresenta melhores
resultados com fibras mais curtas do que o processo em anel. Devido
a este detalhe, geralmente as fiações têm uma
linha de fio anel e outra linha de fios open end, a qual aproveita
os resíduos da linha anel.
OXFORD: Tecido de construção de tela sendo um fio
tinto e um fio cru no entrelaçamento da trama e do urdume,
deixando um aspecto na camisa de duas cores (sendo o fundo branco).
OVERSIZED: Jeans bem folgado. Suas formas amplas não favorecem
as mais baixas (achatam a silhueta) nem as gordinhas (parecem ainda
mais gordas). Base extra dimensionada de cintura larga, quadril
desestruturado e pernas amplas.
PAETÊ: Do francês pailleté - lantejoula. Pequeno
círculo, furado no centro usado em bordados e também
em bijuterias.
PANAMÁ: Tecido em construção de tela 1 x 1
em 100% algodão.
PASSAMANARIA: Conjunto de fitas trabalhadas, trançadas e
bordadas. Lembra o galão.
PATCHWORK: Tecido de qualquer matéria-prima, composto de
vários pedaços de tecidos costurados juntos (em geral
mais ou menos quadrado), de aspectos ou de cores contrastantes (jacquard,
liso, estampado, etc.). A fantasia vem do máximo de cores
ou da harmonia das mesmas. Com aspecto semelhante a uma colcha de
retalhos é muito usado para vestidos, colchas, cortinas,
etc.
PENTEADO, FIO: No sistema penteado, o fio passa por um equipamento
que se chama penteadeira. Este equipamento tem a
função de retirar as fibras mais curtas (antes de
se formar o fio) e impurezas como cascas, que são provenientes
do algodão e não foram
retirados em processos anteriores. Este processo confere um fio
de qualidade superior, visto que este é mais limpo, não
possui fibras
curtas, e é mais resistente. Tem menos neps, e forma menos
pilling na malha acabada. Porém devido à retirada
de mais fibras no processo, a perda de algodão para a produção
do fio é maior, o que juntamente com a inclusão de
mais um equipamento no fluxo produtivo eleva o custo de fabricação
e conseqüentemente o preço do fio, sendo este o fator
principal para o encarecimento do fio penteado.
PICUETA: Acabamento dado a barras, decotes e punhos em artigos
de malha que possui um efeito de bordado nas pontas. Esse efeito
é produzido através da regulagem da máquina
overlock.
PIQUE, MALHA: Estrutura de malha com nome originado da França.
Possui uma aparência e textura que favorecem as camisas de
gola pólo.
PLANO, TECIDO: Formado pelo entrelaçamento de fios perpendiculares,
ou seja, os fios do comprimento (vertical - urdume)
entrelaçam-se com os fios da largura (horizontal - trama),
compondo o tecido.
POLIAMIDA (NYLON): Primeira fibra sintética criada pelo
homem. Tem como características a alta resistência,
fácil lavagem, resiste ao amarrotamento, baixa absorção
de umidade, toque agradável, e secagem rápida. Uma
grande vantagem da poliamida, ou nylon, em
relação ao poliéster é o toque mais
sedoso e melhor transpiração.
POLIÉSTER: Fibra artificial sintética, obtida de
processos químicos, derivada do petróleo. O poliéster
é caracterizado por ter uma ótima resistência,
baixo encolhimento, secagem rápida, resistente ao amarrotamento
e abrasão, baixa propagação de chamas. A principal
vantagem em relação às microfibras de poliamida
é o custo. Sua desvantagem é o processo de tingimento,
que requer mais calor e leva mais tempo para ter a cor fixada.
POLYOCELL: Mistura de três fibras naturais: lyocel, modal
e poliéster. Esta fusão proporcionou um resultado
perfeito, ou seja, as
três fibras combinadas alcançaram os melhores índices
de conforto, durabilidade, estabilidade e tudo isso com fácil
manuseio.
POPELINE: Tecido de construção de tela com um fio
de algodão de menor qualidade que o algodão penteado
mercerizado.
QUADROS, ESTAMPARIA EM: Processo em que são utilizados quadros
para estampar a malha já no molde pronto. Estes quadros são
cobertos por vários tipos de pigmentos, dependendo do aspecto
que se quer dar.
RAYON: Fibra química artificial, derivada da celulose. Os
tecidos dessa procedência caracterizam-se por serem altamente
absorventes,
confortáveis, suaves, de fácil tingimento e apresentam
um bom caimento.
REATIVA, ESTAMPARIA: Estampa feita com corantes reativos que oferecem
um toque mais macio e melhor solidez (resistência da cor no
tecido após várias lavagens).
REBITE: Aviamento metálico utilizado para reforço
em cantos de bolso e ou para enfeite decorativo. Estão sempre
presentes nos
reforços das calças jeans.
RESISTÊNCIA DO FIO DE ALGODÃO: A resistência
do fio open end é cerca de 20% menor, do que a do fio anel.
Junto com a
regularidade, são os principais fatores para se obter uma
boa tecibilidade na malharia.
RETILÍNEA: Máquina de malharia por urdume que produz
sweater, golas de camisa pólo, blusas, etc. Geralmente utiliza
fio tinto.
RIBANA: Malha com estrutura feita em teares de dupla frontura,
ou seja, uma face da malha é diferente da outra. Estas faces
podem ser trabalhadas ou lisas, proporcionam um alto alongamento
e elasticidade capacitando desta maneira que o tecido se molde e
acompanhe os movimentos do corpo.
ROTATIVA: Estamparia feita em cilindros com o máximo de
seis cores. A malha, ou tecido, já são estendidos
prontos para serem
estampados pelo cilindro, que através de perfurações
milimétricas soltam a cor para formar o desenho desejado
em cima do tecido.
SARJA: Construção de ligação do tecido
plano, caracterizado pelo pronunciamento da diagonal. Tecido básico
e versátil apresenta um
excelente caimento, um ótimo aspecto após lavagem
e combina com qualquer tipo de clima. É mais utilizada por
amarrotar menos do que a tela.
SEDA: Fibra natural, animal. É um filamento contínuo
formado pelo bicho-da-seda em um casulo. Supõe-se que a seda
tenha sido
descoberta por volta de 2.640 a.C., por uma princesa chinesa.
SINTÉTICOS: Fios obtidos através de processos industriais
químicos, os quais originam polímeros químicos
transformados posteriormente em fibras sintéticas. Este fio
pode ser constituído por um alto número de filamentos,
sendo sua classificação feita através do sistema
DTEX (peso em gramas de cada 10.000 metros de fio).
SOFT: Foi planejado e desenvolvido com o objetivo de proporcionar
ao usuário leveza, mantendo a temperatura do corpo em equilíbrio,
garantindo conforto térmico. Indicado especialmente para
vestuário de inverno e roupas esportivas.
STONE WASHED: Acabamento obtido em peças (artigos) já
costurados e tingidos ou estampados, através de lavação
industrial das
peças na presença de pedras ou enzimas. Resultam artigos
com aspecto “usado”.
STRASS: Vidro usado na confecção de imitações
de pedras preciosas. Muito usado em bijuterias e bordados.
STRETCH: Palavra inglesa que significa esticar. É aplicável
a tecido com elasticidade obtida através de filamentos de
poliéster texturizado ou de fibras.
SUJOS: Apresenta características de peças sujas,
stonadas, clareadas e tingidas, onde o corante possui montagem rápida.
SUPER STONE: Processo utilizado para dar características
de envelhecimento, obtido através de atrito mecânico.
Permanece o tom
escuro.
SUPLEX ®: Indicado para tecidos esportivos, visto que alia
as propriedades das malhas de algodão, confere maciez e flexibilidade
a
peças confeccionadas, em adição a durabilidade
e resistência do nylon (poliamida). Devido ao sistema de texturização
a ar, desenvolve um toque parecido com o do algodão, aliado
às vantagens das fibras sintéticas. Tecido que proporciona
conforto, resistência, caimento e possui uma secagem relativamente
mais rápida que outros tecidos.
SUTACHE: Trancinha de seda, lã ou algodão.
SWAROVSKI: Cristais produzidos e lapidados uma a uma industrialmente
provêm da Áustria, de mão-de-obra bastante cara,
bem como sua importação. A indústria produz
em média de 3 milhões de cristais por dia para atender
o mercado mundial. Os cristais podem ser aplicados por processos
manuais e termocolantes. Os artigos com os cristais podem ser lavados
em máquina comum. Nos Estados Unidos também existem
estes cristais conhecidos como Rhine Stones, que são um pouco
menos encarecidos.
TACTEL ®: Tecido 100% poliamida. Trata-se de um tipo de microfibra
cuja estrutura possui fios texturizados a ar que o capacita ser
de alta secagem e alta transpiração. A fibra possui
padrão internacional de qualidade dos fios DuPont. O tactel
é um tecido que não retém o suor e seca rapidamente
quando exposto ao sol.
TAILLEUR: Costume composto de casaco e saia que se tornou popular
a partir da segunda metade do século XIX.
TELA: Construção de ligação do tecido
plano, caracterizada pela simetria da distribuição
dos fios na proporção um fio por um fio (entre
urdume e trama). Esta construção em tela plana proporciona
uma superfície plana e regular.
TENCEL: Nome fantasia da fibra liocel. Fibra celulósica
proveniente da polpa de madeira de árvores que são
constantemente replantadas e o processo químico utiliza um
solvente totalmente reciclável, por isso chama-se de uma
fibra ecologicamente correta. O liocel representa a grande novidade
entre as matérias primas têxteis, possibilita um tecido
que alia a resistência do algodão, o toque e a maciez
da seda e o perfeito caimento e frescor das fibras celulósicas.
TEXTURIZAÇÃO: É obtida com a união
de filamentos contínuos e tem o objetivo de fornecer ao fio,
melhor textura e aparência
aumentando o aquecimento e a absorção e diminuindo
a possibilidade de formação de pilling (bolinhas que
se formam sobre o tecido).
TERMOCOLANTE, ETIQUETA: Etiqueta pronta que é colocada através
de uma prensa térmica.
TIGH FIT ou SLIM FIT: Caimento justo, apertado, com cintura baixa,
tipo Saint-Tropez, marca bem os quadris e tem as pernas justas,
com corte afunilado ou reto.
TOP: Do inglês (alto, topo) é a parte de cima de
qualquer roupa, miniblusa, jaqueta, camiseta, etc.
TOQUE DO FIO: O toque do fio open end é muito inferior ao
dos fios anel. Isto ocorre em função das características
construtivas descritas acima. O amaciante não consegue a
mesma penetração no interior do núcleo do fio,
quando comparado com o anel.
TRADICIONAL: Cintura no lugar e pernas de corte afunilado. Já
foi chamada de five pockets (cinco bolsos), três na frente
e dois atrás, uma referência à pioneira 501
americana da Levi’s. Por seu corte acompanhar as linhas do
corpo, costuma vestir bem a maioria das pessoas.
TRANSFER: Aparece de duas formas diferentes, podendo ser em desenhos
feitos de strass ou peças pequenas ou imagens em papel
especial, mas ambas são passadas para o tecido através
de prensa térmica. No primeiro caso derreterá a cola
sob o strass e o mesmo
colará no tecido, e no segundo, a imagem é passada
para o tecido através de sublimação.
TRAMA, FIOS DE: Fios horizontais do tecido plano.
TRICOLINE: Tecido de construção de tela com a leveza
e a resistência do algodão penteado mercerizado, atende
a um mercado
cada vez mais sofisticado e exigente em tecidos leves, especialmente
nos segmentos de camisaria.
TWIN-SET: Conjunto, blusa e um casaco de material ou padronagens
iguais.
URDUME, FIOS DE: Fios verticais do tecido.
USED: O objetivo é desgastar a peça. Efeitos localizados
com cara de usado.
UTILITY / CARPENTER: São modelos baseados nos estilos dos
uniformes de serviço e utilitários. Com base em modelagens
amplas e
confortáveis dando um efeito de roupa casual.
VELCRO: Usado em roupas utilitárias e esportivas, o velcro
é feito de duas tiras: uma forrada com material áspero
e outra com material
felpudo que se encaixam, com uma leve pressão é muito
fácil de abrir.
VINTAGE: Clássico, de importância ou qualidade reconhecida.
VISCOSE / MODAL / LYOCEL: Fibra artificial de polímero natural,
proveniente de celulose regenerada a partir de algodão ou
polpa de madeira. As fibras modal e lyocel são subcategorias
da viscose.
ZÍPER: Criado em 1893, o zíper é o aviamento
chave da moda. Em vários tamanhos, larguras e cores, ele
está sempre presente em calças, blusas, vestidos,
bolsas, sapatos, malas, por toda parte. Tem o invisível que
é usado nas peças mais delicadas e quase não
aparece realmente. Tem o de plástico, para dar mais colorido
às roupas mais alegres. Tem os descartáveis, ideais
para as jaquetas; e também tem os de metal em vários
banhos, mudando a cor para ouro, ouro velho, prata e outros; não
podemos esquecer o de strass que parecem uma jóia.
Dicas do Negócio
Apesar do comércio de roupas usadas ser um antigo ramo de
atividade, ainda existe muito preconceito neste segmento. Portanto,
para vencer as resistências do mercado consumidor e garantir
um lugar de destaque, o empreendedor deve investir na apresentação
dos
produtos e no bom atendimento. O bom gosto, a variedade dos artigos
e o preço atraente também fazem parte da estratégia
de venda.
Os brechós registram um aumento de vendas no período
de troca das estações, quando as roupas recém-lançadas
nos shoppings ainda estão muito caras. Em compensação,
as liquidações em lojas convencionais costumam reduzir
as vendas de artigos usados, exigindo cuidados na administração
dos estoques e do fluxo de caixa.
Mais do que em outros negócios, convêm zelar pelo
bom tratamento às pessoas que chegam à loja para vender
seus bens, já que elas serão os futuros clientes do
brechó. Mesmo que não haja interesse na aquisição
de uma mercadoria, ofereça a oportunidade de deixar o
produto em consignação e incentive o freguês
a passear pela loja.
Um ramo de negócio que tem muito potencial de crescimento
é o brechó de artigos infantis. A chegada de um bebê
traz consigo uma
alta demanda por produtos específicos. E o preço das
roupas infantis costuma ser inversamente proporcional ao seu tamanho.
Os gastos são ainda maiores nos primeiros anos de vida, quando
os bebês crescem em um ritmo muito rápido, perdendo
as roupas pequenas na mesma velocidade. Aos poucos, os papais e
mamães estão percebendo que vale a pena vender as
roupas, calçados e artigos infantis que os filhos utilizaram
por poucos meses e adquirir novos produtos com vida útil
curta.
Características específicas do empreendedor
No segmento de brechó, o empreendedor precisa estar atento
às tendências da moda e hábitos dos clientes.
Deve identificar os movimentos deste mercado e adaptá-los
à sua oferta, reconhecendo as preferências dos clientes
e renovando continuamente a oferta de
produtos.
Outras características importantes, relacionadas ao risco
do negócio, podem ajudar no sucesso do empreendimento:
· Busca constante de informações e oportunidades.
· Iniciativa e persistência.
· Comprometimento.
· Qualidade e eficiência.
· Capacidade de estabelecer metas e assumir riscos.
· Planejamento e monitoramento sistemáticos.
· Independência e autoconfiança.
· Senso de oportunidade.
· Conhecimento do ramo.
· Liderança.
Bibliografia Complementar
SEBRAE. Biblioteca On-line. Disponível em: <http://www.sebrae.com.br>.
Acesso em 22 de março de 2008.
SBRT. Serviço Brasileiro de Respostas Técnicas. Disponível
em: <http://www.sbrt.ibict.br>. Acesso em 22 de março
de 2008.