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Idéias de Novos Negócios - Artesanato em Papel

Apresentação do Negócio

Conta a história que o papel foi inventado na China, por volta do Século II a.C., sendo o segredo de tal invenção mantido por mais de
500 anos. Ele foi desvendado pelos árabes que conseguiram produzir papel também, utilizando técnicas diferentes, mas o produto final
apresentava semelhança no resultado final. Os métodos que os árabes adotaram para conseguir o segredo da produção de papel não foram nada ortodoxos, pois ocorreram vários seqüestros e torturas de chineses que tinham conhecimento da técnica de fabricar papéis.

Posteriormente os japoneses aperfeiçoaram as técnicas que até então eram utilizadas na fabricação de papel, passando a ser produzido por meio de uma pasta de matéria fibrosa de origem vegetal refinada. Era adotada, quando assim requeria, uma sistemática de branqueamento por meio de uso de colas ou por intermédio de corantes.

Os próprios descobridores do papel, os chineses, também foram os que primeiro criaram as diversas aplicações de tal invenção nos processos conhecidos como papietagem ou papelagem.Fabricavam capacetes e recipientes para líquidos, além utiliza-lo na fabricação de diversos utensílios, como pratos, caixas e outros objetos. Com a chegada dessa invenção no ocidente as técnicas passaram a ser utilizadas de forma mais ampla e acentuada na fabricação de ornamentos e outros objetos de arte.

Na Europa, o primeiro país que conseguiu transformar papel em criações com real valor artístico foi a França, dando uma nova
roupagem as trabalhos primitivos que até então eram trazidos do Oriente.

No Brasil, o artesanato com papel teve início de forma extremamente tímida. Os trabalhos eram produzidos apresentados e comercializados em feiras improvisadas, normalmente em praças. Quem produzia os trabalhos eram artesãos que tinham interesse em manter ativa uma tradicional cultura, também era encarado como hobby ou passatempo de hippies ou de donas de casa. No entanto, esse cenário teve uma mudança bastante expressiva nos anos 90.

Tal mudança não foi motivada pelo processo de ampliação de crença no artesanato, até então relegado ao segundo plano, mas sim pelo alto nível de desemprego que se abateu sobre o nosso País naquela década. Curiosamente isto coincidiu com a crescente valorização e uma grande demanda pelos produtos de artesanato. Com isso criou-se então uma nova e promissora atividade econômica de mercado.

Mercado

O comércio de artesanato em papel, em seu surgimento na comercialização de suas peças de artesanato nas “feiras hippies”. A
ampliação do comércio é um ocorreu há pouco tempo, e está em crescimento.

Tanto assim que o artesanato em papel tem ocupado um expressivo espaço nas lojas de artesanato. Existem artesãos altamente criativos e nos mais diversos rincões brasileiros. Isto possibilita a disseminação dessa arte nas diversas classes sociais.

Assim quem pretender ingressar nesse segmento deve estar preparado para implementar uma rede de relacionamento suficiente para
conseguir colocar sua produção no mercado. Pode ser através de lojas especializadas que comercializam artesanatos diversos ou mesmo a venda direta. Neste último caso os próprios artesãos em papel além de produzirem devem ter um espaço que possibilite a comercialização de sua produção.

Desta forma o empreendedor deve estar sempre atento ao diversos fatores que movimentam o mercado. O que garante o sucesso deste
segmento é a capacidade criativa, qualidade e a “individualidade” do produto que será produzido, garantindo assim uma boa aceitação dos consumidores e o aumento da colocação de seu artesanato em papel no mercado.

Localização

Para identificar o local ideal é necessário que o empreendedor defina se o seu empreendimento será apenas um ateliê ou se funcionará
também com venda direta a consumidores.

Caso a opção seja apenas de produção para venda às lojas de artesanato a localização não irá requerer necessariamente as
facilidades de acesso ao público em geral. No entanto, se a opção for mista, ou seja, produção de artesanato em papel e comercialização tanto para lojistas quanto para consumidores de forma direta, o empresário deverá direcionar a localização para um local em que haja grande fluxo de pessoas. É importante também destinar um espaço físico para estacionamento ou oferecer facilidades para que os clientes estacionem seus veículos, mediante convênios pagos pelo estabelecimento.

A área de produção deverá ser um local agradável e com boa iluminação natural de forma direta e sem sombras. Se a iluminação
natural não for suficiente, utilize lâmpadas fluorescentes, uma vez que tais lâmpadas iluminam de maneira uniforme e também não alteram as cores.

Se a opção for por um empreendimento misto – produção em ateliê com venda aos lojistas de artesanato e também direto a consumidores – deve-se reservar uma área destinada à comercialização de sua produção de artesanato em papel. O ideal é que esse espaço seja na forma de um “showroom”, visando facilitar a visualização por parte dos clientes de todo o seu acervo.

Além dos fatores citados acima nunca perca de vista o público alvo de seu negócio, levando em consideração hábitos, costumes e poder aquisitivo.

Exigências legais específicas

O empreendedor deverá cumprir algumas exigências iniciais para poder se estabelecer:

Etapas do Registro

1ª Etapa:

a) Registro da empresa nos seguintes órgãos:

-Junta Comercial;
-Secretaria da Receita Federal (CNPJ);
-Secretaria Estadual de Fazenda;
-Prefeitura do Município para obter o alvará de funcionamento;
-Enquadramento na Entidade Sindical Patronal (empresa ficará obrigada a recolher por ocasião da constituição e até o dia 31 de
janeiro de cada ano, a Contribuição Sindical Patronal);
-Cadastramento junto à Caixa Econômica Federal no sistema “Conectividade Social – INSS/FGTS”.
-Corpo de Bombeiros Militar.

b) Visita a prefeitura da cidade onde pretende montar a sua loja para fazer a consulta de local e emissão das certidões de Uso do Solo e Número Oficial.

Estrutura

O tamanho da estrutura varia, segundo o interesse, expectativa do empreendedor, e as atividades a serem desenvolvidas em seu
empreendimento.

Assim apresenta-se abaixo uma estrutura de produção de artesanato em papel tendo como base a fabricação e venda funcionando no
mesmo espaço, dessa forma deve-se atentar a disponibilização de espaços específicos para ateliê, administrativa e vendas.

Os espaços indicados acima devem ser dotados de lay-out adequado, respeitando a facilidade de movimentação, conforme segue:

a) ATELIÊ – proceder a disponibilização e instalação de bancadas ou outras bases de apoio para a produção de artesanato em papel, de forma organizada e harmônica, possibilitando assim facilidade de circulação nesse espaço. A iluminação é um item a ser bem observado, pois o ideal é que o ateliê seja amplamente iluminado pela luz natural, evitando sempre que possível a utilização de iluminação artificial, mais caso seja inevitável deve-se optar pelas lâmpadas fluorescentes, isto porque tais lâmpadas não alteram as cores fato que possibilitará um menor esforço visual.

b) ADMINISTRATIVA – da mesma forma que no ateliê o mobiliário, microcomputadores, dentre outros devem estar alocados
organizadamente, possibilitando o desenvolvimento das atividades de escritório, sendo essa uma das atividades fundamentais para o sucesso do empreendimento, pois uma empresa bem organizada e bem administrada terá maiores possibilidades de sucesso.

c) VENDAS – esse espaço deverá ser dotado de vitrines com vidros amplos e sempre limpos, da mesma forma deverá ter estantes para disponibilização de peças, também em vidro, para que os clientes possam visualizar todas as peças de artesanato em papel que o artesão produz e comercializa.

Não existe uma regra clara e objetiva para a definição da estrutura física necessária para instalação de um ateliê de produção de
artesanato em papel. O melhor é adequar os setores da empresa para que seja possível conseguir uma maior produtividade de todas as
áreas.

Pessoal

O quadro de pessoal dependerá das perspectivas do empreendedor, já que estes elementos são inerentes de cada empresário. Vale observar que devem ser avaliadas as condições mínimas necessárias para realizar a produção de artesanato em papel, a recepção e o
atendimento aos clientes.

Segue abaixo um quadro estimado para o início das atividades:

a) 1 pessoa na área de vendas, sendo que essa pessoa poderá ser o próprio empreendedor. Caso o próprio empreendedor seja também o artesão deverá buscar conciliar a função produtiva com a de comercialização;

b) 1 pessoa na área administrativa, que nesse caso poderá o ser o próprio empresário, exceto se ele for o artesão. Neste caso são áreas muito distintas o que poderá provocar disfunções na gestão e sobrecarga de trabalho.

Com este quadro mínimo acredita-se que seja possível viabilizar o início produtivo e de vendas de um ateliê de produção de artesanato
em papel.

Equipamentos

Os equipamentos necessários para a montagem de um ateliê para produção de artesanato em papel, área administrativa e espaço
destinado a vendas são basicamente estes:

• Prensa de até oito toneladas de pressão;
• Fogão industrial;
• Panela de inox para 10 litros;
• Liquidificador doméstico;
• Peneira;
• Bastidor (peça de madeira utilizada para dar formato ao papel);
• Placas de madeira;
• Bacia de plástico comum;
• Pedaço de carpete - diversos;
• Papel mata-borrão;
• TNT, tipo de tecido utilizado como toalha ou para embrulhar presentes;
• Verniz – diversas cores;
• Bexiga (Balão);
• Pincéis - diversos;
• Tesoura;
• Tintas – diversas cores;
• Barbante;
• Balcão para atendimento;
• Vitrines;
• Prateleiras para exposição das peças;
• Materiais para Escritório (mesa, cadeira, computador, telefone, impressora e fax).

Não é tão acentuado o nível tecnológico requerido neste segmento. No entanto o empresário deve estar aberto a inserir novas tecnologias em seu negócio. A evolução tecnológica abre novos horizontes na área de gestão empresarial bem como nas vendas, além de ser uma forte aliada na criação em 3D de diversas formas e de novas tendências e modelos de artesanato em papel.

Matéria Prima / Mercadoria

Seguem os produtos que podem ser produzidos pelo empreendedor ou artesão, utilizando a técnica denominada de Papel Machê e
Papietagem.

Os objetos que podem ser produzidos utilizando a técnica do Papel Machê, variam entre itens de utilidade doméstica ou decorativos, tais como:

• Vasos;
• Bandejas;
• Quadros;
• Peixes;
• Esculturas;
• Brinquedos;
• Flores;
• Frutos;
• Móveis;
• Esculturas de figuras humanas; pássaros; animais;
• Abajures;
• Braceletes;
• Placas decorativas de parede;
• Miniaturas diversas.

Os produtos que podem ser produzidos utilizando a técnica denominada Papietagem são:

• Máscaras (Teatro e decoração);
• Marionetes;
• Fantoches;
• Telas decorativas;
• Bolas de Isopor;
• Bonecos.

Claro que os itens sugeridos acima são apenas alguns dos que podem ser confeccionado. Pode surgir uma grande variedade de outros itens criados e incorporados pelos empreendedores desse segmento, por isso mesmo o empresário deverá estar disponível e acessível a produzir “aquilo que o cliente busca e gosta” e não apenas “aquilo que o agrade”.

Organização do processo produtivo

Existem várias formas para a organização do processo produtivo de artesanato em papel. Cada artesão poderá criar sua própria sistemática, de produção. No entanto, visando apresentar uma orientação de como é aplicada as técnicas de produção de artesanato em papel, seguem as duas técnicas mais conhecidas de forma simples e objetiva, são elas:

1) Papel Machê - Essa técnica, também conhecida como Papier-maché, é usada normalmente pelos artistas para a fabricação de bonecos para utilização no teatro, dentre outras aplicações. Geralmente é uma massa pesada, que utiliza bastante água que, batida por diversas vezes em um liquidificador industrial, misturada com cola ou outro tipo de material colante, como exemplo goma ou grude, farinha de trigo ou polvilho. Utiliza-se algum produto para evitar que essa massa crie odor ou apodreça que pode ser desinfetante de pinho ou formol.

2) Papietagem ou laminação - Nessa técnica utiliza-se uma camada de papel e outra de cola de forma sucessiva até que se forme uma estrutura fina, porém consistente e resistente. Normalmente a espessura gira em torno de 5 a 10 camadas, de acordo com a necessidade de produção de determinado item de artesanato em papel. Desta forma obtém-se um resultado produto final mais resistente e duradouro.

Pode-se dizer que estes processos de produção de artesanato em papel trazem ótimo resultado ao produto final. Existe ainda a possibilidade de emprego das duas técnicas de forma conjugada que é uma questão de preferência pessoal do empreendedor ou artesão.

O empreendedor deverá ter em mente o produto final que se espera obter em sua linha de produção. Assim deve se ter um esboço
inicialmente traçado, a fim de orientar a confecção de peças utilizando qualquer uma das técnicas ou ambas. Portanto, a concepção de
quaisquer objetos dessa natureza implica em dois caminhos distintos a serem tomados, conforme segue:

a) Concepção a partir de formatos pré-elaborados - Essa variação do processo produtivo refere-se à obtenção do produto final acabado a partir de uma forma já existente ou ainda, da associação dessa mesma forma à sua manipulação, com o objetivo de se alterar o seu formato inicial. Desta forma, uma parte do traçado permanece inalterado e outra parte é adaptada ao design pretendido. Esse processo implica na seleção de um molde com o formato que se pretenda trabalhar, sem que as suas características originais sejam alteradas.

b) Concepção a partir da criação - O processo de criação torna-se um dos mais importantes quesitos no desenvolvimento sócio-cultural, bem como em quaisquer outras atividades empreendidas pelo ser humano. A pessoa que irá trabalhar concepção das peças deverá ter boa coordenação motora, habilidade manual, criatividade e conhecimento artístico. Assim, será sempre por meio do exercício cognitivo e da dimensão atitudinal que as peças que não possuam formato pré-definido serão idealizadas, concebidas e estilizadas.

O empreendedor deverá manter os ambientes de seu ateliê, área administrativa e de vendas sempre muito limpos arejados,
climatizados e bem iluminados. A área de comercialização, caso exista, deve ser montada com vitrines dispostas a facilitar a
visualização das peças expostas aos clientes.

É fundamental que o empresário e seus funcionários tenham conhecimentos sobre a história das técnicas de produção e sobre cada
peça de artesanato em papel produzida no ateliê. Assim o cliente poderá conhecer o surgimento e a origem das peças. Este pequeno
histórico poderá despertar um desejo maior de compra junto aos clientes.

Automação

O nível de automação é relativamente baixo, já que a área produtiva envolve processos artesanais. É necessário, porém não é obrigatório, a automação no processo de vendas, controle de estoques e administrativo financeiro. Assim entende-se que inicialmente com um ou dois microcomputadores será possível viabilizar uma gestão automatizada.

Para este processo automatizado o ideal é a aquisição de um software para auxiliar na gestão. Caso o empreendedor queira deixar esta opção para um segundo momento será necessário que tais controles sejam executados provisoriamente em planilhas eletrônicas construídas segundo as necessidades existentes.

Posteriormente o empresário deve identificar no mercado um sistema integrado capaz de auxiliar em todo o processo administrativo-financeiro, comercial e operacional. O ideal inclusive que procure apoio de profissionais qualificados para prestar uma assessoria na definição de um software amigável e de fácil manuseio para tirar o máximo de produtividade da ferramenta.

Investimentos

O volume de recursos a ser investido dependerá da produção do empreendedor, bem como do espaço disponível para montagem do
ateliê e loja para venda de artesanato em papel. Visando dar uma estimativa do volume de investimentos apresentamos uma seleção de itens e suas respectivas quantidades para se ter estruturado um ateliê e a loja de artesanatos em papel.

• Prensa de até oito toneladas de pressão – 1 – R$ 6.000,00
• Fogão industrial – 1 – R$ 360,00
• Panela de inox para 10 litros – 1 – R$ 240,00
• Liquidificador doméstico – 1 – R$ 850,00
• Peneira – 3 – R$ 150,00
• Bastidor (peça de madeira utilizada para dar formato ao papel) – 10 – R$ 100,00
• Placas de madeira – 10 – R$ 500,00
• Bacia de plástico comum – 10 – R$ 250,00
• Pedaço de carpete – diversos – 10 m – R$ 50,00
• Papel mata-borrão – 20 – R$ 120,00
• TNT, tipo de tecido utilizado como toalha ou para embrulhar presentes – 3 – R$ 210,00
• Verniz – diversas cores – 5 – R$ 150,00
• Bexiga (Balão) – 5 – R$ 15,00
• Pincéis – diversos – 15 – R$ 45,00
• Tesoura – 5 – R$ 50,00
• Tintas – diversas cores – 10 – R$ 90,00
• Barbante – 5 – R$ 50,00
• Balcão para atendimento – 1 – R$ 790,00
• Vitrines – 2 – R$ 860,00
• Prateleiras para exposição das peças – 4 – R$ 1.600,00
• Mesas – 2 – R$ 600,00
• Cadeiras – 6 – R$ 720,00
• Microcomputador – 2 – R$ 2.600,00
• Impressora – 1 – R$ 300,00
• Telefone – 3 – R$ 120,00
• Fax – 1 – R$ 450,00

Total dos equipamentos e acessórios – R$ 17.270,00

O investimento para aquisição de itens que compõem a base produtiva / fabricação das peças de artesanato em papel está estimado
entre R$ 2.000,00 a R$ 5.000,00, distribuídos entre os mais diversos tipos de papel que serão necessários para produzir as peças de
artesanato em papel.

Ressalta-se que neste segmento de mercado a compra de itens que compõem a base produtiva (artesanatos em papel) dificilmente ocorre a prazo. Os empreendedores/artesãos terão que pagar à vista, pois tais itens geralmente serão fornecidos por catadores de papel para serem tratados e preparados para produção desses objetos de artesanato.

O montante a ser investido na reforma e adequação do imóvel às necessidades da empresa é variável. Isto dependerá do material de
construção que será empregado, bem como o espaço a ser utilizado. No entanto, como deve ser uma estrutura com um visual atrativo o
investimento nesta área gira em torno de R$ 10.000,00.

Sendo assim, estima-se que o investimento para instalação de uma empresa de produção e venda de artesanato em papel e seus diversos departamentos gire entre R$ 29.000,00 a R$ 32.000,00. Este investimento poderá ser maior ou menor, segundo as concepções do empreendedor e o seu público-alvo.

Capital de giro

Capital de giro é um montante de recursos financeiros que a empresa precisa manter para garantir a dinâmica do seu processo de negócio.

O capital de giro precisa de controle permanente, pois tem a função de minimizar o impacto das mudanças no ambiente de negócios onde a empresa atua.

O desafio da gestão do capital de giro deve-se, principalmente, à ocorrência dos fatores a seguir:

-Variação dos diversos custos absorvidos pela empresa;
-Aumento de despesas financeiras, em decorrência das instabilidades desse mercado;
-Baixo volume de produção e vendas;
-Aumento dos índices de inadimplência;
-Altos níveis de estoques de matéria-prima e também de produtos acabados.

O empreendedor deverá ter um controle orçamentário rígido de forma a não consumir recursos sem previsão.

O empresário deve evitar a retirada de valores além do pró-labore estipulado, pois no início todo o recurso que entrar na empresa nela
deverá permanecer possibilitando o crescimento e a expansão do negócio. Dessa forma a empresa poderá alcançar mais rapidamente
sua auto-sustentação, reduzindo as necessidades de capital de giro e agregando maior valor ao novo negócio.

O nível de Capital de Giro para este segmento é relativamente baixo, pois trata-se normalmente de produção direta pelo proprietário que por vezes será o próprio artesão.

Custos

São todos os gastos realizados na produção de um bem ou serviço e que serão incorporados posteriormente no preço dos produtos ou
serviços prestados, como: aluguel, água, luz, salários, honorários profissionais, despesas de vendas, matéria-prima e insumos consumidos no processo de produção.

O cuidado na administração e redução de todos os custos envolvidos na compra, produção e venda de produtos ou serviços que compõem o negócio, indica que o empreendedor poderá ter sucesso ou insucesso, na medida em que encarar como ponto fundamental a redução de desperdícios, a compra pelo melhor preço e o controle de todas as despesas internas. Quanto menores os custos, maior a chance de ganhar no resultado final do negócio.

Os custos para uma abrir um ateliê de artesanato em papel e respectiva área de vendas devem ser estimados considerando os itens abaixo:

1. Salários, comissões e encargos;
2. Tributos, impostos, contribuições e taxas;
3. Aluguel, taxa de condomínio, segurança;
4. Água, Luz, Telefone e acesso a internet;
5. Produtos para higiene e limpeza da empresa e funcionários;
6. Recursos para manutenções corretivas;
7. Assessoria contábil;
8. Propaganda e Publicidade da empresa;
9. Aquisição de matéria-prima;
10. Despesas com vendas;
11. Despesas com estocagem e transporte.

Diversificação / Agregação de valor

Nesse segmento de mercado diversificar é o ponto delimitador da barreira entre ser um empresário comum ou de sucesso. O processo de produção pode incluir:

-peças inovadoras,
-venda sob encomenda,
-peças únicas para atender demanda de consumidores exigentes e que querem ter uma peça exclusiva, mas que não tem o costume de
encomendar peças.

O empreendedor desse segmento deverá manter seu ateliê em constante evidência junto ao consumidor.

O empreendedor deverá estar sempre atento à expectativa dos consumidores ou mesmo “gerar necessidades de consumo”. Isto
porque sempre tem o descobrimento/surgimento de “novas” técnicas de produção de artesanato, novos estilos, tendências de artesanato em papel segundo as manifestações culturais de um povo ou região e também buscando atingir um público consumidor especializado o que poderá ensejar numa condição de atingir consumidores até então insensatos a este tipo de artesanato.

Ressalta-se que o empresário deverá buscar manter em sua linha produtiva a maior variedade possível de peças de artesanato em papel,
acessórios complementares a esses artesanatos e que se viabilizem ser comercializado em seu ateliê, visando atender vários tipos de cliente.

Divulgação

Por se tratar de um item que tem função normalmente de decoração, tem que ser aplicado um processo forte em divulgação, pois o
consumidor irá buscar pelas peças de artesanato que mais vezes estiverem em contato com seus olhos e seu subconsciente.

Assim o empreendedor deverá recorrer às propagandas de rádio, tv, outdoor, revistas, jornais, panfletos dentre outros. Como se trata de peças para decoração, tais propagandas deverão ser bem produzidas, por isso mesmo o empreendedor deverá buscar auxilio de profissionais qualificados e com grande capacidade para poder produzir peças publicitárias com nível adequado a cada público que queira atingir.

Outra forma de divulgação é o fornecimento de suas peças em empréstimos para decoração de ambientes comerciais, imóveis em exposição (exemplo: apartamentos em estágio de exposição para venda). Principalmente aqueles que forem direcionados para o seu
público-alvo. Não deve haver conflitos neste quesito, ou seja, apresentar peças de altíssimo padrão para público de baixa renda. O
inverso também é real, portanto, busque orientar-se com profissionais que consigam discernir cada evento e local de sua realização e também qual o público que se fará presente, inclusive nível sócio-cultural e financeiro.

Informações Fiscais e Tributárias

Este tipo de estabelecimento comercial tem a prerrogativa de optar pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) ou Simples Federal, por isso o empreendedor deverá avaliar bem essa
opção, pois ela poderá ser bem interessante para o seu segmento de negócio. No entanto dependendo do nível de faturamento, aliado ao volume de seus custos mais despesas, talvez essa opção não venha a ser interessante.

Dessa forma, o ideal é buscar um profissional da área contábil para assessorá-lo nos cálculos de identificação da melhor opção tributária para o seu estabelecimento comercial. Isso porque não existe modelo sistemático para assegurar essa decisão, pois o que é bom para uma empresa que tem características similares a sua poderá não se aplicar ao seu empreendimento e vice-versa.

Ressalta-se também que as peças de artesanato produzidas pelo empreendedor, quando esse seja o próprio artesão, que efetivamente se enquadram nesta categoria profissional, não se confunde com a empresa que irá comercializar as referidas peças de artesanatos, não
terá tributação do IPI, conforme segue abaixo. Isto porque o Decreto nº 4.544 de 26/12/2002 define em seu Artigo 7º o seguinte:

“Art. 7º Para os efeitos do art. 5º:
I – no caso do seu inciso III, produto de artesanato é o proveniente de trabalho manual realizado por pessoa natural, nas seguintes condições:

a) quando o trabalho não conte com o auxílio ou participação de terceiros assalariados; e

b) quando o produto seja vendido a consumidor, diretamente ou por intermédio de entidade de que o artesão faça parte ou seja assistido.”

Com isto ao projetar a instalação de tal empresa o empreendedor deverá avaliar o que foi apresentado acima, buscando se revestir de
todo processo e procedimento legal, visando não incorrer em situações que culminem com ilegalidade fiscal e tributária.

Glossário

Ateliê: oficina ou local de trabalho do artesão.

Tableware: aparelho de jantar e utensílios usados em refeições.

Grude: espécie de cola preparada utilizando polvilho ou farinha de trigo.

Entronizadas: algo que tem grande respeito a crença e origem, enlevado, exaltado, sublimado.

Papel mata-borrão: papel não encolado, que serve para absorver tinta ou qualquer outro líquido; papel-chupão, chupão, papel de chupar.

Dicas do Negócio

O candidato a empresário na área de artesanato em papel terá que estar presente em tempo integral, principalmente no início das atividades do novo empreendimento, incluindo nesse contexto a parte criativa, artesanal, comercial, operacional e na gestão financeira do negócio.

É importante acompanhar o desenvolvimento dos produtos, surgimento de novas técnicas para se trabalhar com o artesanato em
papel, novas tendências de intenção de consumo, visando direcionar seu empreendimento para o mercado e consumo.

Este segmento requerer inovações contínuas, tanto na oferta de novas e inovadoras peças de artesanato em papel, quanto na forma de expor seus produtos. Por isso faz-se necessário ajustar um conjunto de metas e objetivos a serem alcançados aliados ao projeto de divulgação da sua empresa.

O empreendedor deve ser alguém criativo que deverá estar disposto a dedicar boa parte do seu tempo à produção de artesanato em
papel.Haverá a necessidade de viajar pelas mais diversas regiões do país procurando identificar novas tendências, participar de feiras e exposições, conseguir alocar suas peças no maior número de revendas possíveis, enfim praticar um “safári cultural” tanto pelo Brasil e quiçá no exterior.

Características específicas do empreendedor

O empreendedor que tender a ingressar no segmento de artesanato em papel, deve ter algumas características básicas, tais como:

1. Ter conhecimento específico sobre artesanato e suas diversas variações étnicas, culturais, etc. Esse conhecimento pode ser inato ou
poderá ser adquirido com a participação em cursos e eventos sobre artes e artesanato;

2. Tal conhecimento requer habilidades para analisar uma peça de artesanato em papel, conseguindo distinguir com facilidade qual a
técnica a utilizada, se machê ou papietagem. Dentro desse escopo deverá estar também o controle sobre as possíveis excentricidades que normalmente acometem em artistas de um modo geral. A criatividade e a abordagem comercial devem andar juntas;

3. Estar amparado nas tendências de mercado. Ser capaz de elaborar mostruário que desperte a atenção dos clientes. Apresentar sugestões de utilização das peças de seu acervo, por isso torna-se necessário conhecer regras de etiquetas e decoração;

4. Buscar melhorar o nível de seu negócio, participando de cursos específicos sobre artes e artesanato e de gestão empresarial.

5. Ter habilidade no tratamento com pessoas tanto com seus colaboradores quanto com clientes, fornecedores outros artesãos, enfim com todos que de forma direta ou indireta tenha ligação com a empresa;

6. Ser empreendedor com visão de futuro, antecipando tendências, prospectando o interesse do consumidor, além de estar sempre
antenado com as inovações de mercado;

7. Entender que a peça vendida reflete o gosto do cliente e não o seu, por isso deverá produzir peças de artesanato que atenda os anseios da clientela;

As características indicadas são apenas direcionamentos, isto não quer dizer que um empreendedor que talvez não se sinta com tais
características tenha que desistir de investir neste novo negócio, contudo esse empresário terá que se esforçar um pouco mais dos que
já conta com tais habilidades.

Bibliografia Complementar

SEBRAE/MG – www.sebraeminas.com.br
SEBRAE/SC – www.sebrae-sc.com.br
SEBRAE/ES – www.sebraees.com.br
http://www.hobbyart.com.br
http://www.megaartesanal.com.br
http://www.portaldoartesao.org.br