Idéias
de Novos Negócios - Artesanato em Papel
Apresentação do Negócio
Conta a história que o papel foi inventado na China, por
volta do Século II a.C., sendo o segredo de tal invenção
mantido por mais de
500 anos. Ele foi desvendado pelos árabes que conseguiram
produzir papel também, utilizando técnicas diferentes,
mas o produto final
apresentava semelhança no resultado final. Os métodos
que os árabes adotaram para conseguir o segredo da produção
de papel não foram nada ortodoxos, pois ocorreram vários
seqüestros e torturas de chineses que tinham conhecimento da
técnica de fabricar papéis.
Posteriormente os japoneses aperfeiçoaram as técnicas
que até então eram utilizadas na fabricação
de papel, passando a ser produzido por meio de uma pasta de matéria
fibrosa de origem vegetal refinada. Era adotada, quando assim requeria,
uma sistemática de branqueamento por meio de uso de colas
ou por intermédio de corantes.
Os próprios descobridores do papel, os chineses, também
foram os que primeiro criaram as diversas aplicações
de tal invenção nos processos conhecidos como papietagem
ou papelagem.Fabricavam capacetes e recipientes para líquidos,
além utiliza-lo na fabricação de diversos utensílios,
como pratos, caixas e outros objetos. Com a chegada dessa invenção
no ocidente as técnicas passaram a ser utilizadas de forma
mais ampla e acentuada na fabricação de ornamentos
e outros objetos de arte.
Na Europa, o primeiro país que conseguiu transformar papel
em criações com real valor artístico foi a
França, dando uma nova
roupagem as trabalhos primitivos que até então eram
trazidos do Oriente.
No Brasil, o artesanato com papel teve início de forma extremamente
tímida. Os trabalhos eram produzidos apresentados e comercializados
em feiras improvisadas, normalmente em praças. Quem produzia
os trabalhos eram artesãos que tinham interesse em manter
ativa uma tradicional cultura, também era encarado como hobby
ou passatempo de hippies ou de donas de casa. No entanto, esse cenário
teve uma mudança bastante expressiva nos anos 90.
Tal mudança não foi motivada pelo processo de ampliação
de crença no artesanato, até então relegado
ao segundo plano, mas sim pelo alto nível de desemprego que
se abateu sobre o nosso País naquela década. Curiosamente
isto coincidiu com a crescente valorização e uma grande
demanda pelos produtos de artesanato. Com isso criou-se então
uma nova e promissora atividade econômica de mercado.
Mercado
O comércio de artesanato em papel, em seu surgimento na
comercialização de suas peças de artesanato
nas “feiras hippies”. A
ampliação do comércio é um ocorreu há
pouco tempo, e está em crescimento.
Tanto assim que o artesanato em papel tem ocupado um expressivo
espaço nas lojas de artesanato. Existem artesãos altamente
criativos e nos mais diversos rincões brasileiros. Isto possibilita
a disseminação dessa arte nas diversas classes sociais.
Assim quem pretender ingressar nesse segmento deve estar preparado
para implementar uma rede de relacionamento suficiente para
conseguir colocar sua produção no mercado. Pode ser
através de lojas especializadas que comercializam artesanatos
diversos ou mesmo a venda direta. Neste último caso os próprios
artesãos em papel além de produzirem devem ter um
espaço que possibilite a comercialização de
sua produção.
Desta forma o empreendedor deve estar sempre atento ao diversos
fatores que movimentam o mercado. O que garante o sucesso deste
segmento é a capacidade criativa, qualidade e a “individualidade”
do produto que será produzido, garantindo assim uma boa aceitação
dos consumidores e o aumento da colocação de seu artesanato
em papel no mercado.
Localização
Para identificar o local ideal é necessário que o
empreendedor defina se o seu empreendimento será apenas um
ateliê ou se funcionará
também com venda direta a consumidores.
Caso a opção seja apenas de produção
para venda às lojas de artesanato a localização
não irá requerer necessariamente as
facilidades de acesso ao público em geral. No entanto, se
a opção for mista, ou seja, produção
de artesanato em papel e comercialização tanto para
lojistas quanto para consumidores de forma direta, o empresário
deverá direcionar a localização para um local
em que haja grande fluxo de pessoas. É importante também
destinar um espaço físico para estacionamento ou oferecer
facilidades para que os clientes estacionem seus veículos,
mediante convênios pagos pelo estabelecimento.
A área de produção deverá ser um local
agradável e com boa iluminação natural de forma
direta e sem sombras. Se a iluminação
natural não for suficiente, utilize lâmpadas fluorescentes,
uma vez que tais lâmpadas iluminam de maneira uniforme e também
não alteram as cores.
Se a opção for por um empreendimento misto –
produção em ateliê com venda aos lojistas de
artesanato e também direto a consumidores – deve-se
reservar uma área destinada à comercialização
de sua produção de artesanato em papel. O ideal é
que esse espaço seja na forma de um “showroom”,
visando facilitar a visualização por parte dos clientes
de todo o seu acervo.
Além dos fatores citados acima nunca perca de vista o público
alvo de seu negócio, levando em consideração
hábitos, costumes e poder aquisitivo.
Exigências legais específicas
O empreendedor deverá cumprir algumas exigências iniciais
para poder se estabelecer:
Etapas do Registro
1ª Etapa:
a) Registro da empresa nos seguintes órgãos:
-Junta Comercial;
-Secretaria da Receita Federal (CNPJ);
-Secretaria Estadual de Fazenda;
-Prefeitura do Município para obter o alvará de funcionamento;
-Enquadramento na Entidade Sindical Patronal (empresa ficará
obrigada a recolher por ocasião da constituição
e até o dia 31 de
janeiro de cada ano, a Contribuição Sindical Patronal);
-Cadastramento junto à Caixa Econômica Federal no sistema
“Conectividade Social – INSS/FGTS”.
-Corpo de Bombeiros Militar.
b) Visita a prefeitura da cidade onde pretende montar a sua loja
para fazer a consulta de local e emissão das certidões
de Uso do Solo e Número Oficial.
Estrutura
O tamanho da estrutura varia, segundo o interesse, expectativa
do empreendedor, e as atividades a serem desenvolvidas em seu
empreendimento.
Assim apresenta-se abaixo uma estrutura de produção
de artesanato em papel tendo como base a fabricação
e venda funcionando no
mesmo espaço, dessa forma deve-se atentar a disponibilização
de espaços específicos para ateliê, administrativa
e vendas.
Os espaços indicados acima devem ser dotados de lay-out
adequado, respeitando a facilidade de movimentação,
conforme segue:
a) ATELIÊ – proceder a disponibilização
e instalação de bancadas ou outras bases de apoio
para a produção de artesanato em papel, de forma organizada
e harmônica, possibilitando assim facilidade de circulação
nesse espaço. A iluminação é um item
a ser bem observado, pois o ideal é que o ateliê seja
amplamente iluminado pela luz natural, evitando sempre que possível
a utilização de iluminação artificial,
mais caso seja inevitável deve-se optar pelas lâmpadas
fluorescentes, isto porque tais lâmpadas não alteram
as cores fato que possibilitará um menor esforço visual.
b) ADMINISTRATIVA – da mesma forma que no ateliê o
mobiliário, microcomputadores, dentre outros devem estar
alocados
organizadamente, possibilitando o desenvolvimento das atividades
de escritório, sendo essa uma das atividades fundamentais
para o sucesso do empreendimento, pois uma empresa bem organizada
e bem administrada terá maiores possibilidades de sucesso.
c) VENDAS – esse espaço deverá ser dotado de
vitrines com vidros amplos e sempre limpos, da mesma forma deverá
ter estantes para disponibilização de peças,
também em vidro, para que os clientes possam visualizar todas
as peças de artesanato em papel que o artesão produz
e comercializa.
Não existe uma regra clara e objetiva para a definição
da estrutura física necessária para instalação
de um ateliê de produção de
artesanato em papel. O melhor é adequar os setores da empresa
para que seja possível conseguir uma maior produtividade
de todas as
áreas.
Pessoal
O quadro de pessoal dependerá das perspectivas do empreendedor,
já que estes elementos são inerentes de cada empresário.
Vale observar que devem ser avaliadas as condições
mínimas necessárias para realizar a produção
de artesanato em papel, a recepção e o
atendimento aos clientes.
Segue abaixo um quadro estimado para o início das atividades:
a) 1 pessoa na área de vendas, sendo que essa pessoa poderá
ser o próprio empreendedor. Caso o próprio empreendedor
seja também o artesão deverá buscar conciliar
a função produtiva com a de comercialização;
b) 1 pessoa na área administrativa, que nesse caso poderá
o ser o próprio empresário, exceto se ele for o artesão.
Neste caso são áreas muito distintas o que poderá
provocar disfunções na gestão e sobrecarga
de trabalho.
Com este quadro mínimo acredita-se que seja possível
viabilizar o início produtivo e de vendas de um ateliê
de produção de artesanato
em papel.
Equipamentos
Os equipamentos necessários para a montagem de um ateliê
para produção de artesanato em papel, área
administrativa e espaço
destinado a vendas são basicamente estes:
• Prensa de até oito toneladas de pressão;
• Fogão industrial;
• Panela de inox para 10 litros;
• Liquidificador doméstico;
• Peneira;
• Bastidor (peça de madeira utilizada para dar formato
ao papel);
• Placas de madeira;
• Bacia de plástico comum;
• Pedaço de carpete - diversos;
• Papel mata-borrão;
• TNT, tipo de tecido utilizado como toalha ou para embrulhar
presentes;
• Verniz – diversas cores;
• Bexiga (Balão);
• Pincéis - diversos;
• Tesoura;
• Tintas – diversas cores;
• Barbante;
• Balcão para atendimento;
• Vitrines;
• Prateleiras para exposição das peças;
• Materiais para Escritório (mesa, cadeira, computador,
telefone, impressora e fax).
Não é tão acentuado o nível tecnológico
requerido neste segmento. No entanto o empresário deve estar
aberto a inserir novas tecnologias em seu negócio. A evolução
tecnológica abre novos horizontes na área de gestão
empresarial bem como nas vendas, além de ser uma forte aliada
na criação em 3D de diversas formas e de novas tendências
e modelos de artesanato em papel.
Matéria Prima / Mercadoria
Seguem os produtos que podem ser produzidos pelo empreendedor ou
artesão, utilizando a técnica denominada de Papel
Machê e
Papietagem.
Os objetos que podem ser produzidos utilizando a técnica
do Papel Machê, variam entre itens de utilidade doméstica
ou decorativos, tais como:
• Vasos;
• Bandejas;
• Quadros;
• Peixes;
• Esculturas;
• Brinquedos;
• Flores;
• Frutos;
• Móveis;
• Esculturas de figuras humanas; pássaros; animais;
• Abajures;
• Braceletes;
• Placas decorativas de parede;
• Miniaturas diversas.
Os produtos que podem ser produzidos utilizando a técnica
denominada Papietagem são:
• Máscaras (Teatro e decoração);
• Marionetes;
• Fantoches;
• Telas decorativas;
• Bolas de Isopor;
• Bonecos.
Claro que os itens sugeridos acima são apenas alguns dos
que podem ser confeccionado. Pode surgir uma grande variedade de
outros itens criados e incorporados pelos empreendedores desse segmento,
por isso mesmo o empresário deverá estar disponível
e acessível a produzir “aquilo que o cliente busca
e gosta” e não apenas “aquilo que o agrade”.
Organização do processo produtivo
Existem várias formas para a organização do
processo produtivo de artesanato em papel. Cada artesão poderá
criar sua própria sistemática, de produção.
No entanto, visando apresentar uma orientação de como
é aplicada as técnicas de produção de
artesanato em papel, seguem as duas técnicas mais conhecidas
de forma simples e objetiva, são elas:
1) Papel Machê - Essa técnica, também conhecida
como Papier-maché, é usada normalmente pelos artistas
para a fabricação de bonecos para utilização
no teatro, dentre outras aplicações. Geralmente é
uma massa pesada, que utiliza bastante água que, batida por
diversas vezes em um liquidificador industrial, misturada com cola
ou outro tipo de material colante, como exemplo goma ou grude, farinha
de trigo ou polvilho. Utiliza-se algum produto para evitar que essa
massa crie odor ou apodreça que pode ser desinfetante de
pinho ou formol.
2) Papietagem ou laminação - Nessa técnica
utiliza-se uma camada de papel e outra de cola de forma sucessiva
até que se forme uma estrutura fina, porém consistente
e resistente. Normalmente a espessura gira em torno de 5 a 10 camadas,
de acordo com a necessidade de produção de determinado
item de artesanato em papel. Desta forma obtém-se um resultado
produto final mais resistente e duradouro.
Pode-se dizer que estes processos de produção de
artesanato em papel trazem ótimo resultado ao produto final.
Existe ainda a possibilidade de emprego das duas técnicas
de forma conjugada que é uma questão de preferência
pessoal do empreendedor ou artesão.
O empreendedor deverá ter em mente o produto final que se
espera obter em sua linha de produção. Assim deve
se ter um esboço
inicialmente traçado, a fim de orientar a confecção
de peças utilizando qualquer uma das técnicas ou ambas.
Portanto, a concepção de
quaisquer objetos dessa natureza implica em dois caminhos distintos
a serem tomados, conforme segue:
a) Concepção a partir de formatos pré-elaborados
- Essa variação do processo produtivo refere-se à
obtenção do produto final acabado a partir de uma
forma já existente ou ainda, da associação
dessa mesma forma à sua manipulação, com o
objetivo de se alterar o seu formato inicial. Desta forma, uma parte
do traçado permanece inalterado e outra parte é adaptada
ao design pretendido. Esse processo implica na seleção
de um molde com o formato que se pretenda trabalhar, sem que as
suas características originais sejam alteradas.
b) Concepção a partir da criação -
O processo de criação torna-se um dos mais importantes
quesitos no desenvolvimento sócio-cultural, bem como em quaisquer
outras atividades empreendidas pelo ser humano. A pessoa que irá
trabalhar concepção das peças deverá
ter boa coordenação motora, habilidade manual, criatividade
e conhecimento artístico. Assim, será sempre por meio
do exercício cognitivo e da dimensão atitudinal que
as peças que não possuam formato pré-definido
serão idealizadas, concebidas e estilizadas.
O empreendedor deverá manter os ambientes de seu ateliê,
área administrativa e de vendas sempre muito limpos arejados,
climatizados e bem iluminados. A área de comercialização,
caso exista, deve ser montada com vitrines dispostas a facilitar
a
visualização das peças expostas aos clientes.
É fundamental que o empresário e seus funcionários
tenham conhecimentos sobre a história das técnicas
de produção e sobre cada
peça de artesanato em papel produzida no ateliê. Assim
o cliente poderá conhecer o surgimento e a origem das peças.
Este pequeno
histórico poderá despertar um desejo maior de compra
junto aos clientes.
Automação
O nível de automação é relativamente
baixo, já que a área produtiva envolve processos artesanais.
É necessário, porém não é obrigatório,
a automação no processo de vendas, controle de estoques
e administrativo financeiro. Assim entende-se que inicialmente com
um ou dois microcomputadores será possível viabilizar
uma gestão automatizada.
Para este processo automatizado o ideal é a aquisição
de um software para auxiliar na gestão. Caso o empreendedor
queira deixar esta opção para um segundo momento será
necessário que tais controles sejam executados provisoriamente
em planilhas eletrônicas construídas segundo as necessidades
existentes.
Posteriormente o empresário deve identificar no mercado
um sistema integrado capaz de auxiliar em todo o processo administrativo-financeiro,
comercial e operacional. O ideal inclusive que procure apoio de
profissionais qualificados para prestar uma assessoria na definição
de um software amigável e de fácil manuseio para tirar
o máximo de produtividade da ferramenta.
Investimentos
O volume de recursos a ser investido dependerá da produção
do empreendedor, bem como do espaço disponível para
montagem do
ateliê e loja para venda de artesanato em papel. Visando dar
uma estimativa do volume de investimentos apresentamos uma seleção
de itens e suas respectivas quantidades para se ter estruturado
um ateliê e a loja de artesanatos em papel.
• Prensa de até oito toneladas de pressão –
1 – R$ 6.000,00
• Fogão industrial – 1 – R$ 360,00
• Panela de inox para 10 litros – 1 – R$ 240,00
• Liquidificador doméstico – 1 – R$ 850,00
• Peneira – 3 – R$ 150,00
• Bastidor (peça de madeira utilizada para dar formato
ao papel) – 10 – R$ 100,00
• Placas de madeira – 10 – R$ 500,00
• Bacia de plástico comum – 10 – R$ 250,00
• Pedaço de carpete – diversos – 10 m –
R$ 50,00
• Papel mata-borrão – 20 – R$ 120,00
• TNT, tipo de tecido utilizado como toalha ou para embrulhar
presentes – 3 – R$ 210,00
• Verniz – diversas cores – 5 – R$ 150,00
• Bexiga (Balão) – 5 – R$ 15,00
• Pincéis – diversos – 15 – R$ 45,00
• Tesoura – 5 – R$ 50,00
• Tintas – diversas cores – 10 – R$ 90,00
• Barbante – 5 – R$ 50,00
• Balcão para atendimento – 1 – R$ 790,00
• Vitrines – 2 – R$ 860,00
• Prateleiras para exposição das peças
– 4 – R$ 1.600,00
• Mesas – 2 – R$ 600,00
• Cadeiras – 6 – R$ 720,00
• Microcomputador – 2 – R$ 2.600,00
• Impressora – 1 – R$ 300,00
• Telefone – 3 – R$ 120,00
• Fax – 1 – R$ 450,00
Total dos equipamentos e acessórios – R$ 17.270,00
O investimento para aquisição de itens que compõem
a base produtiva / fabricação das peças de
artesanato em papel está estimado
entre R$ 2.000,00 a R$ 5.000,00, distribuídos entre os mais
diversos tipos de papel que serão necessários para
produzir as peças de
artesanato em papel.
Ressalta-se que neste segmento de mercado a compra de itens que
compõem a base produtiva (artesanatos em papel) dificilmente
ocorre a prazo. Os empreendedores/artesãos terão que
pagar à vista, pois tais itens geralmente serão fornecidos
por catadores de papel para serem tratados e preparados para produção
desses objetos de artesanato.
O montante a ser investido na reforma e adequação
do imóvel às necessidades da empresa é variável.
Isto dependerá do material de
construção que será empregado, bem como o espaço
a ser utilizado. No entanto, como deve ser uma estrutura com um
visual atrativo o
investimento nesta área gira em torno de R$ 10.000,00.
Sendo assim, estima-se que o investimento para instalação
de uma empresa de produção e venda de artesanato em
papel e seus diversos departamentos gire entre R$ 29.000,00 a R$
32.000,00. Este investimento poderá ser maior ou menor, segundo
as concepções do empreendedor e o seu público-alvo.
Capital de giro
Capital de giro é um montante de recursos financeiros que
a empresa precisa manter para garantir a dinâmica do seu processo
de negócio.
O capital de giro precisa de controle permanente, pois tem a função
de minimizar o impacto das mudanças no ambiente de negócios
onde a empresa atua.
O desafio da gestão do capital de giro deve-se, principalmente,
à ocorrência dos fatores a seguir:
-Variação dos diversos custos absorvidos pela empresa;
-Aumento de despesas financeiras, em decorrência das instabilidades
desse mercado;
-Baixo volume de produção e vendas;
-Aumento dos índices de inadimplência;
-Altos níveis de estoques de matéria-prima e também
de produtos acabados.
O empreendedor deverá ter um controle orçamentário
rígido de forma a não consumir recursos sem previsão.
O empresário deve evitar a retirada de valores além
do pró-labore estipulado, pois no início todo o recurso
que entrar na empresa nela
deverá permanecer possibilitando o crescimento e a expansão
do negócio. Dessa forma a empresa poderá alcançar
mais rapidamente
sua auto-sustentação, reduzindo as necessidades de
capital de giro e agregando maior valor ao novo negócio.
O nível de Capital de Giro para este segmento é
relativamente baixo, pois trata-se normalmente de produção
direta pelo proprietário que por vezes será o próprio
artesão.
Custos
São todos os gastos realizados na produção
de um bem ou serviço e que serão incorporados posteriormente
no preço dos produtos ou
serviços prestados, como: aluguel, água, luz, salários,
honorários profissionais, despesas de vendas, matéria-prima
e insumos consumidos no processo de produção.
O cuidado na administração e redução
de todos os custos envolvidos na compra, produção
e venda de produtos ou serviços que compõem o negócio,
indica que o empreendedor poderá ter sucesso ou insucesso,
na medida em que encarar como ponto fundamental a redução
de desperdícios, a compra pelo melhor preço e o controle
de todas as despesas internas. Quanto menores os custos, maior a
chance de ganhar no resultado final do negócio.
Os custos para uma abrir um ateliê de artesanato em papel
e respectiva área de vendas devem ser estimados considerando
os itens abaixo:
1. Salários, comissões e encargos;
2. Tributos, impostos, contribuições e taxas;
3. Aluguel, taxa de condomínio, segurança;
4. Água, Luz, Telefone e acesso a internet;
5. Produtos para higiene e limpeza da empresa e funcionários;
6. Recursos para manutenções corretivas;
7. Assessoria contábil;
8. Propaganda e Publicidade da empresa;
9. Aquisição de matéria-prima;
10. Despesas com vendas;
11. Despesas com estocagem e transporte.
Diversificação / Agregação de valor
Nesse segmento de mercado diversificar é o ponto delimitador
da barreira entre ser um empresário comum ou de sucesso.
O processo de produção pode incluir:
-peças inovadoras,
-venda sob encomenda,
-peças únicas para atender demanda de consumidores
exigentes e que querem ter uma peça exclusiva, mas que não
tem o costume de
encomendar peças.
O empreendedor desse segmento deverá manter seu ateliê
em constante evidência junto ao consumidor.
O empreendedor deverá estar sempre atento à expectativa
dos consumidores ou mesmo “gerar necessidades de consumo”.
Isto
porque sempre tem o descobrimento/surgimento de “novas”
técnicas de produção de artesanato, novos estilos,
tendências de artesanato em papel segundo as manifestações
culturais de um povo ou região e também buscando atingir
um público consumidor especializado o que poderá ensejar
numa condição de atingir consumidores até então
insensatos a este tipo de artesanato.
Ressalta-se que o empresário deverá buscar manter
em sua linha produtiva a maior variedade possível de peças
de artesanato em papel,
acessórios complementares a esses artesanatos e que se viabilizem
ser comercializado em seu ateliê, visando atender vários
tipos de cliente.
Divulgação
Por se tratar de um item que tem função normalmente
de decoração, tem que ser aplicado um processo forte
em divulgação, pois o
consumidor irá buscar pelas peças de artesanato que
mais vezes estiverem em contato com seus olhos e seu subconsciente.
Assim o empreendedor deverá recorrer às propagandas
de rádio, tv, outdoor, revistas, jornais, panfletos dentre
outros. Como se trata de peças para decoração,
tais propagandas deverão ser bem produzidas, por isso mesmo
o empreendedor deverá buscar auxilio de profissionais qualificados
e com grande capacidade para poder produzir peças publicitárias
com nível adequado a cada público que queira atingir.
Outra forma de divulgação é o fornecimento
de suas peças em empréstimos para decoração
de ambientes comerciais, imóveis em exposição
(exemplo: apartamentos em estágio de exposição
para venda). Principalmente aqueles que forem direcionados para
o seu
público-alvo. Não deve haver conflitos neste quesito,
ou seja, apresentar peças de altíssimo padrão
para público de baixa renda. O
inverso também é real, portanto, busque orientar-se
com profissionais que consigam discernir cada evento e local de
sua realização e também qual o público
que se fará presente, inclusive nível sócio-cultural
e financeiro.
Informações Fiscais e Tributárias
Este tipo de estabelecimento comercial tem a prerrogativa de optar
pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições
das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) ou Simples
Federal, por isso o empreendedor deverá avaliar bem essa
opção, pois ela poderá ser bem interessante
para o seu segmento de negócio. No entanto dependendo do
nível de faturamento, aliado ao volume de seus custos mais
despesas, talvez essa opção não venha a ser
interessante.
Dessa forma, o ideal é buscar um profissional da área
contábil para assessorá-lo nos cálculos de
identificação da melhor opção tributária
para o seu estabelecimento comercial. Isso porque não existe
modelo sistemático para assegurar essa decisão, pois
o que é bom para uma empresa que tem características
similares a sua poderá não se aplicar ao seu empreendimento
e vice-versa.
Ressalta-se também que as peças de artesanato produzidas
pelo empreendedor, quando esse seja o próprio artesão,
que efetivamente se enquadram nesta categoria profissional, não
se confunde com a empresa que irá comercializar as referidas
peças de artesanatos, não
terá tributação do IPI, conforme segue abaixo.
Isto porque o Decreto nº 4.544 de 26/12/2002 define em seu
Artigo 7º o seguinte:
“Art. 7º Para os efeitos do art. 5º:
I – no caso do seu inciso III, produto de artesanato é
o proveniente de trabalho manual realizado por pessoa natural, nas
seguintes condições:
a) quando o trabalho não conte com o auxílio ou participação
de terceiros assalariados; e
b) quando o produto seja vendido a consumidor, diretamente ou
por intermédio de entidade de que o artesão faça
parte ou seja assistido.”
Com isto ao projetar a instalação de tal empresa
o empreendedor deverá avaliar o que foi apresentado acima,
buscando se revestir de
todo processo e procedimento legal, visando não incorrer
em situações que culminem com ilegalidade fiscal e
tributária.
Glossário
Ateliê: oficina ou local de trabalho do artesão.
Tableware: aparelho de jantar e utensílios usados em refeições.
Grude: espécie de cola preparada utilizando polvilho ou
farinha de trigo.
Entronizadas: algo que tem grande respeito a crença e origem,
enlevado, exaltado, sublimado.
Papel mata-borrão: papel não encolado, que serve
para absorver tinta ou qualquer outro líquido; papel-chupão,
chupão, papel de chupar.
Dicas do Negócio
O candidato a empresário na área de artesanato em
papel terá que estar presente em tempo integral, principalmente
no início das atividades do novo empreendimento, incluindo
nesse contexto a parte criativa, artesanal, comercial, operacional
e na gestão financeira do negócio.
É importante acompanhar o desenvolvimento dos produtos,
surgimento de novas técnicas para se trabalhar com o artesanato
em
papel, novas tendências de intenção de consumo,
visando direcionar seu empreendimento para o mercado e consumo.
Este segmento requerer inovações contínuas,
tanto na oferta de novas e inovadoras peças de artesanato
em papel, quanto na forma de expor seus produtos. Por isso faz-se
necessário ajustar um conjunto de metas e objetivos a serem
alcançados aliados ao projeto de divulgação
da sua empresa.
O empreendedor deve ser alguém criativo que deverá
estar disposto a dedicar boa parte do seu tempo à produção
de artesanato em
papel.Haverá a necessidade de viajar pelas mais diversas
regiões do país procurando identificar novas tendências,
participar de feiras e exposições, conseguir alocar
suas peças no maior número de revendas possíveis,
enfim praticar um “safári cultural” tanto pelo
Brasil e quiçá no exterior.
Características específicas do empreendedor
O empreendedor que tender a ingressar no segmento de artesanato
em papel, deve ter algumas características básicas,
tais como:
1. Ter conhecimento específico sobre artesanato e suas diversas
variações étnicas, culturais, etc. Esse conhecimento
pode ser inato ou
poderá ser adquirido com a participação em
cursos e eventos sobre artes e artesanato;
2. Tal conhecimento requer habilidades para analisar uma peça
de artesanato em papel, conseguindo distinguir com facilidade qual
a
técnica a utilizada, se machê ou papietagem. Dentro
desse escopo deverá estar também o controle sobre
as possíveis excentricidades que normalmente acometem em
artistas de um modo geral. A criatividade e a abordagem comercial
devem andar juntas;
3. Estar amparado nas tendências de mercado. Ser capaz de
elaborar mostruário que desperte a atenção
dos clientes. Apresentar sugestões de utilização
das peças de seu acervo, por isso torna-se necessário
conhecer regras de etiquetas e decoração;
4. Buscar melhorar o nível de seu negócio, participando
de cursos específicos sobre artes e artesanato e de gestão
empresarial.
5. Ter habilidade no tratamento com pessoas tanto com seus colaboradores
quanto com clientes, fornecedores outros artesãos, enfim
com todos que de forma direta ou indireta tenha ligação
com a empresa;
6. Ser empreendedor com visão de futuro, antecipando tendências,
prospectando o interesse do consumidor, além de estar sempre
antenado com as inovações de mercado;
7. Entender que a peça vendida reflete o gosto do cliente
e não o seu, por isso deverá produzir peças
de artesanato que atenda os anseios da clientela;
As características indicadas são apenas direcionamentos,
isto não quer dizer que um empreendedor que talvez não
se sinta com tais
características tenha que desistir de investir neste novo
negócio, contudo esse empresário terá que se
esforçar um pouco mais dos que
já conta com tais habilidades.
Bibliografia Complementar
SEBRAE/MG – www.sebraeminas.com.br
SEBRAE/SC – www.sebrae-sc.com.br
SEBRAE/ES – www.sebraees.com.br
http://www.hobbyart.com.br
http://www.megaartesanal.com.br
http://www.portaldoartesao.org.br